terça-feira, 3 de novembro de 2026

O Carnaval de Buarcos precisa de se reinventar?

Carlos Beja, via Diário as Beiras: "É um caminho possível"
"Nascido na Grécia Antiga, renovado no Império Romano, desenvolvido na Europa da Idade Média, controlado p ela Igreja Católica e exportado pelos impérios coloniais, o Carnaval foi-se reinventando ao longo de séculos. 
Dos mais célebres, do Brasil a Veneza, aos mais humildes, o Carnaval é verdadeiramente uma festa popular, de crítica social, em que, durante alguns dias, podemos transgredir as normas sociais vigentes.
O Carnaval de Buarcos, que atrai milhares de cidadãos, tem vindo paulatinamente a degradar-se. Não é fácil reinventar um festejo como o Carnaval. A vinda de atrizes e atores brasileiros já foi ensaiada com poucos resultados. E a característica popular do Carnaval “trapalhão” também foi lentamente decrescendo. Mantêm-se, e louvem-se as escolas de samba, que trabalham todo o ano, e alguns poucos carros alegóricos. Posto isto, que fazer? Podemos não fazer nada, nomear, como os governos, um grupo de trabalho e, dentro de três anos, teremos um extenso relatório sobre o Carnaval de Buarcos, que, entretanto, foi definhando. 
A solução, na minha opinião, de não folião, poderá passar por interessar e apoiar as nossas coletividades, para que todas as freguesias do concelho participem com carros alegóricos, música, dança e, sobretudo, com a vivacidade do Carnaval “trapalhão”, que é a essência da festa popular. 
Será fácil? Fácil não será, mas é um caminho possível face ao progressivo e inexorável esgotamento do modelo atual. 
Aliás, como o modelo económico, social e político do país, que também ele precisa urgentemente de se reinventar."

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