"E se Trump quiser um golpe de Estado para se tornar ditador?"
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"De boas intenções está o inferno cheio", diz o povo. E diz bem.
| António Carlos Cortez |
E porquê? Justamente porque José Saramago – tal como Vergílio Ferreira, cujo romance Aparição desapareceu dos programas e era, sem dúvida, das mais belas experiências estéticas que um adolescente podia ter! – é daqueles autores que pede que, antes de um leitor entrar no seu universo romanesco tenha atrás de si um cabedal de leituras (de ensaio, de romances, de textos de História e de História das Ideias) que – todos sabemos disso – nenhum aluno tem ao chegar ao 12.º ano. Nenhum aluno e, a bem da verdade, poucos professores.
Resultado: esta revisão curricular, que coloca Cesário Verde no 12.º ano, mas faz desaparecer Herberto Helder, é apenas uma declaração de boas intenções para que, em maior ou menor grau, tudo fique na mesma. Com uma agravante: sem a prosa de Saramago como conteúdo "obrigatório", é óbvio que muitas escolas não irão optar pelo Nobel da Literatura. E eis-nos num outro lado do problema: a formação de professores e a subsequente qualidade das aulas.
Por que razão não é Saramago um autor a ler, como se deve exigir que o seja? Porque, na verdade, na formação de professores de Português o que se faz é pensar a avaliação, em vez de se pensar em como leccionar, como analisar, como escrever e como ensinar a escrever e a pensar sobre textos complexos.
Como é que eu posso ajudar a ler, a fruir a leitura de um romance como Memorial do Convento; com que ensaios poderei auxiliar os alunos a compreenderem obra tão magistralmente bela? E o mesmo que digo sobre os romances de Saramago, digo-o para autores que esta revisão sugere que sejam lidos: Jorge de Sena, Carlos de Oliveira, António Ramos Rosa, Fiama, Luís Filipe Castro Mendes... Com muitos professores a entrarem na profissão sem uma formação científica sólida, é claro que Saramago (como Gil Vicente e Camões, como os trovadores ou como… Pascoaes, ou Cesário), sempre constituiria um obstáculo difícil de transpor. Mas é essa a missão da escola – e já agora da formação de professores! Isto é: pensar o que é difícil e avaliar na medida exacta em que estamos a formar gerações que queremos que tenham "pensamento crítico".
Mas se tudo na escola e na formação de professores é uma mistificação (haverá excepções, bem sei, cada vez mais excepcionais, decerto) o ponto é só um: fará sentido que um romance (seja ele o Memorial do Convento, seja ele O Ano da Morte de Ricardo Reis) do nosso único Nobel da Literatura passe a ser opcional no último ano do Secundário? Não, não faz. E não faz porque para se ler Saramago, como para ler qualquer escritor maior da nossa cultura, o estudante português teria de ter aprendido a pensar a obra de arte literária e, subsequentemente, a escrever bem sobre o texto literário e, por inerência, a escrever bem porque, de forma natural, teria apreendidas as estruturas sintáctica e semântica, morfo-sintáctica e morfo-semântica da língua portuguesa.
Sucede, todavia, que hoje, à saída do 12.º ano, a maioria dos estudantes nada teve de ler para chegar ao 12.º ano. Comentar um poema, um trecho de um romance, uma peça de teatro, seja de que autor for, isso é exercício raríssimo de se praticar nas aulas de 2026. Pejadas de jogos didácticos e de infantilidades avaliativas, verdadeiros espaços onde grassa a indisciplina e a ditadura digital, Saramago passa a ser opcional porque, em bom rigor, a Cultura na escola é opcional também. E o mesmo se diga na formação de professores, viveiro de tanto absurdo."
"Como olheiro veterano do nosso planeta, tenho de confessar que a Terra já não é o que era em 1968, quando foi fotografada a 21 de Dezembro pelo astronauta William Anders."
O comentador da CNN Portugal diz que André Ventura utilizou "todas as formas de mentira" durante o seu discurso no Parlamento a propósito dos 50 anos da Constituição e quer a realização de um debate sobre os temas abordados com o presidente do Chega.
Para ouvir clicar aqui.
André Ventura: tens coragem para aceitar o desafio de José Pacheco Pereira?
Montenegro, há três dias, informou-me que "o país está melhor e os portugueses também estão melhor, após dois anos de governo AD, o País está melhor".
Provavelmente, só ele e os seus aficcionados é que deram por isso.
Por mim falo, quando vou ao supermercado, quando encho o depósito, segundo sei por quem tenta arranjar uma casa, ou quando tento arranjar resposta no SNS, penso exatamente o contrário: o País está pior.
"Os portugueses quiseram a mudança, acreditaram que era possível fazer mais e deixar de adiar o futuro. Hoje, o país está melhor e os portugueses também estão melhor", disse.
O chefe do Governo indicou ainda que houve uma aposta "num Estado mais ágil, mais leve, focado em servir melhor os cidadãos e as empresas, que combate a burocracia por dentro e elimina os bloqueios e a desconfiança".
Vocês deram por alguma coisa?
Via Público
"Descoberta, diz historiador Francisco Mangas, é mais um estímulo para estudar presença cigana em Portugal.
Os investigadores lembram que D. Manuel I ordenou a expulsão dos judeus no dia 5 de Dezembro de 1496. Essa foi uma exigência dos reis católicos de Espanha para que o monarca pudesse casar-se com infanta D. Isabel.
Fernando de Aragão e Isabel de Castela assinaram a primeira grande lei de expulsão dos ciganos no dia 4 de Março de 1499. Não há notícia de que tenham forçado D. Manuel I a fazer o mesmo, mas a sua prática pode ter influenciado. "É no mesmo contexto, no mesmo quadro mental", remata Francisco Mangas.
Os ciganos, como os judeus e os cristãos-novos, eram uma minoria a erradicar quando se estava a formar a ideia de Estado-nação."
"A Constituição é vista hoje ou como imutável, ou como velha e desajustada. Mas não é uma coisa nem outra. Passaram-se quinta-feira 50 anos sobre a aprovação da Constituição, o texto fundamental da nossa democracia. Na verdade, ela já não é o que foi, após sete revisões, das quais as de 1982 e 1989 foram as mais importantes. Mas está enraizada no nosso sistema político e quem pretende revê-la tem de ser muito explícito a dizer ao que vem."
«O que se passou esta semana no Parlamento, feito onde foi e perante quem foi, é um insulto e uma intimação para um confronto.
Transformar a Assembleia da República num local de provocações que obrigam a respostas é uma estratégia que ataca um dos fundamentos da democracia, o papel do Parlamento como pilar de um dos poderes legítimos do sistema democrático, tal como ele se encontra definido na Constituição. O Parlamento sempre foi um dos alvos preferenciais dos extremos políticos, quer à direita, quer à esquerda, com argumentos muitas vezes semelhantes, centrados em regalias reais ou imaginárias dos deputados, no seu número, na qualidade do seu trabalho, e nos casos de abusos de influência e corrupção que um corpo tão largo de “políticos” inevitavelmente suscita.
Embora falemos aqui de uma estratégia, ou seja, de um plano mais ou menos deliberado, “sentimental” e racional, com consciência ou sem ela, isso não significa que ele não esteja hoje muito facilitado pela própria degradação da instituição parlamentar. Mais do que qualquer outro corpo em democracia, o Parlamento tem sido vítima do fechamento dos partidos à sociedade, com escolhas cujo único critério é o poder interno, sem prestígio social, nem profissional, nem político, ou seja, gente muito pouco preparada para exercer um poder num local com a visibilidade de um Parlamento. Essa degradação facilita e muito o ataque ao Parlamento, aumentando as características de proximidade negativa que os deputados têm com o homem “comum”. Essa proximidade sempre tornou, em todo o mundo, os parlamentos mais susceptíveis à crítica, enquanto senados e governos parecem mais distantes.
Acresce que os parlamentos não são lugares olímpicos, são lugares onde a luta política, a dureza do confronto entre pessoas e grupos, se aproximam muitas vezes de excessos – têm vida a mais e ainda bem. Se forem lugares de salamaleques, estão mais mortos do que vivos, e reflectem – e, insisto, bem – aquilo que as democracias têm e que as ditaduras eliminam, a vida democrática onde o “consenso” é uma excepção. É por isso que estão lá maiorias e minorias, reflectindo as “partes” da sociedade, interesses, ideias, mundovisões, que são escolhas que se fazem em eleições. Uma das heranças malditas de 48 anos de censura foi a demonização da política e da ideologia, que em democracia são naturais porque os governos não são nem de “salvação nacional” nem tecnocracias. A democracia é feita de ruído e não de silêncio, mas os procedimentos democráticos tornam esse ruído num sentido comum, superando o caos, mas não o eliminam.
Outro factor que caracteriza a vida parlamentar em democracia é que eles são lugares onde a liberdade de expressão vai mais longe, e é especialmente protegida pela imunidade parlamentar. É por isso que a mesa da Assembleia tem nestes dias uma especial e, às vezes, difícil responsabilidade, que é distinguir entre o que é a liberdade de expressão na sua mais ampla dimensão, do que é provocação, insulto, pura má educação, violência verbal e, acima de tudo, perturbação do processo parlamentar. Ou, pior ainda, do que é ataque ao Parlamento feito dentro dele.
Estamos longe dos tempos em que a mesa da Assembleia admoestou um deputado, que se dirigiu ao primeiro-ministro de então, dizendo “o senhor está grávido do interesse nacional”. Agora, perante a turbulência deliberada, tudo é mais complicado, mas a mesa da Assembleia, com raras excepções, está longe de ajudar a uma condução dos trabalhos minimamente aceitável. Ao permitir o que não devia permitir, quer no plenário, quer fora dele, torna-se cúmplice do ataque ao Parlamento como instituição.
O que se passa hoje no plenário e nos corredores é de outra natureza. E nada tem a ver com liberdade de expressão, tem a ver com violência em múltiplas formas. Insultar as deputadas, que são, como mulheres, um dos alvos do machismo do homem branco e da multidão de forcados em potência que lá está, com mugidos de vaca e beijos obscenos, no passado teria uma resposta dada por um gesto amplo da mão e um encontro imediato do terceiro grau com uma face, gesto cujo nome me abstenho de dar.
O que se passou esta semana na comemoração do aniversário da Constituição da democracia tem um significado político que ultrapassa a dimensão parlamentar. Não me refiro às mentiras, omissões da verdade e sugestões de falsidade, a panóplia total das formas de mentir, proferidas no púlpito. Aí, ainda estamos no domínio da liberdade de expressão, mas essa liberdade tem consequências quando faz parte de uma espécie de guerra civil contra o 25 de Abril e a democracia. Feita onde foi e perante quem foi, é um insulto e uma intimação para um confronto. Nessa liberdade diz-se alguma coisa que está para além do Parlamento: o que se diz é que a luta dos portugueses já não só pela liberdade conquistada em 25 de Abril, mas na construção posterior da democracia, foi uma “traição” aos portugueses de lei que gostavam de Salazar, das prisões políticas e da guerra colonial, cujo número de mortos nunca se refere como se não tivesse nada a ver connosco.
O Chega e o toureiro de novilhos do CDS comportaram-se como se fossem uma delegação de santos que descessem do paraíso “patriótico” aos infernos “democráticos” para aumentar ainda mais as penas dos malditos. Estes não gostaram e fizeram o mínimo, viraram-lhes as costas.
Que sorte que eles têm em estarmos em 2026, em terem à sua frente gente com princípios e educação, gente que já demonstrou a sua coragem, e que lhes deu uma lição, mesmo assim muito “limpa” face à sujidade que lhes atiraram.»
Aqui cruzam-se inovação, tecnologia e design com espólio etnográfico e histórico do concelho, através de uma linguagem multitemática, combinando «patrimónios» diversificados: o território, a memória local, os vestígios culturais de presença humana, o espírito do lugar, entre outros; seguindo uma visão transdisciplinar e diacrónica.
Este é o local de interpretação do passado. Aqui podemos fazer uma experiência sensorial viajando pela história de uma comunidade dividida entre o Mar e a Terra. Aqui podemos conhecer um lugar e um edifício que evolui ao longo dos tempos. Podemos descobrir as artes tradicionais de outrora e a sua ligação com o território (Arte Xávega), a construção tradicional dos palheiros, as vivências de uma comunidade dividida entre a Terra e o Mar.
Conta com exposições únicas no seu interior, que refletem a história do nosso povo e da nossa região. Venha fazer uma “viagem ao nosso passado”.»
Imagem via Pedro Santana Lopes
Via Diário as Beiras: "síntese de algumas intervenções das 3 forças do executivo."
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Via Diário as Beiras: «Santana Lopes considerou “intolerável levar com esta história na praça pública” sendo o executivo camarário alheio ao processo».