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domingo, 25 de outubro de 2026

A “chata” Helena Roseta

Via Luís Osório: (a mulher que nunca desistiu de si própria)

1.
Helena Roseta, já com 78 anos, é uma mulher extraordinária. Estou particularmente à vontade pois, há muitos anos, era eu diretor do jornal A Capital, entrou-me pelo gabinete aos berros por causa de um assunto de que, sinceramente, não me lembro. Alguma coisa que escrevi no editorial fê-la galgar caminhos, entrar na redação e tentar apanhar-me na curva.

Do mesmo se queixam muitos do que com ela trabalharam. É absoluta, colérica e muitas vezes injusta, mas pensa, faz e o que pensa e o que faz vem-lhe de dentro, das suas convicções, da sua vontade de fazer bem, da necessidade de ajudar as pessoas a serem pessoas, de querer muito que os mais pobres possam ser menos pobres, de desejar que a política seja um campo onde se combate pela justiça, por uma ideia de igualdade e pela liberdade.

2.
Mulheres como esta, ou homens assim, devem ser celebrados. São incómodas e incómodos, chateiam com pormenores e minudências, mas no final das contas são as que permitem que se avance e que as que evitam o conformismo e todas as espécies de corrupção, a começar pela da alma.

Aos 78 anos, depois de uma carreira longa e cheia de duros combates, podia estar descansada em casa.

Podia, nada.

Helena foi sempre uma mulher impossível de controlar. Esteve com Sá Carneiro e na fundação da AD onde, com Gonçalo Ribeiro Teles, falou pela primeira vez de conceitos novos e estratosféricos como o ambiente e a importância da organização das cidades.

Apesar de direita e católica dava-se com os poetas e artistas de esquerda. Com eles, e a sua amiga Natália Correia, guerreava argumentos, poemas e canções, em longas madrugadas no Botequim, um bar que chegou a ser seu.

Presidiu à Câmara de Cascais e dirigiu o “Povo Livre”, jornal do PSD, mas em 1986 pôs na cabeça que devia apoiar Mário Soares e não Freitas do Amaral. No seu partido foi o bom e o bonito e ela, podendo perder tudo o que conquistara, mandou tudo às malvas e saiu do PSD.

Fundou associações cívicas e foi bastonária dos arquitetos, mas nunca se agarrou a coisa nenhuma, forma que para ela certamente equivaleria a uma desistência de si própria.

Helena Roseta é uma mulher que não desiste da vida que lhe corre nas veias. E não me importo nada que me volte a entrar numa sala para me desancar por uma qualquer coisa que lhe passe pela cabeça. Não será por isso que não lhe darei um abraço e lhe direi “obrigado”.»

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Desobediência civil

Rafael Barbosa, Director do JN
"A desobediência civil não é uma anormalidade. Ao contrário, o protesto no espaço público, as palavras de ordem, a pressão da rua, não são mais do que o sinal da vitalidade e liberdade de uma sociedade. A democracia não se esgota no voto. E ainda menos no cano de esgoto em que se transformaram as redes sociais. Isso seria absurdo.
Não vivemos num país ou numa região do Mundo onde a única coisa que há a esperar da vida é uma sucessão de misérias e guerras. Mas também não vivemos no país dos contos de fadas. Não se iludam com as estatísticas e os números agradáveis da macroeconomia. A riqueza per capita pode crescer e esconder, ainda assim, uma desigualdade cada vez mais acentuada.Há razões mais do que suficientes para protestar por não se poder pagar ou arrendar uma casa, por causa do aumento desmesurado do preço dos combustíveis e do custo de vida, pelos salários mínimos que não chegam ao fim do mês, pelas pensões miseráveis dos mais velhos.
Não é só Luís Montenegro que prefere viver num país sem turbulência. Ninguém quer ser testemunha, nas nossas cidades, do nível de violência e destruição a que assistimos em França. Mas isso não significa que os atos de desobediência civil inicial dos estudantes franceses ou o dos jovens que se juntaram na Praça de D. João I tenham de ser tratados como um ato criminoso.
Há uns anos, cruzei-me com as teorias de John Rawls e Jurgen Habermas, o primeiro por causa do liberalismo, o segundo pela democracia deliberativa. Ambos tiverem em conta o protesto e a desobediência nos seus escritos complexos mas luminosos. O primeiro definiu os pilares que a deviam sustentar: dar visibilidade a uma injustiça, ser pacífica, aceitar as consequências legais e servir como apelo ao sentido de justiça da maioria. O segundo defendeu desobediência civil como uma parte fundamental e até uma salvaguarda da democracia, por ser motor da transformação social.
Habermas recusou conceções legalistas e positivistas do direito, como as que temos ouvido por estes dias a Pedro Duarte, Luís Montenegro ou até António José Seguro. Como escreveu, "uma cultura política madura é aquela que reconhece na desobediência civil um sinal de vitalidade democrática. (...) Quando certos princípios ou direitos fundamentais estão em jogo e parecem ser seriamente contrariados pela legislação ou por um ato do Governo, a desobediência civil é legítima - mais do que isso, é desejável e necessária". Confundi-la com delinquência diminui as democracias e abre caminho ao autoritarismo."

sábado, 17 de outubro de 2026

Os eufemismos inventados para falar da realidade "ferem"

Via Diário as Beiras, uma passagem do "discurso da presidente da Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, que mereceu elogios, até de Marcelo".
Referindo-se à linguagem actualmente utilizada nas políticas sociais, a autarca criticou a crescente substituição de palavras como “pobreza”, “carência” ou “miséria” por conceitos menos incómodos. “Passou-se a falar de vulnerabilidade, fragilidades socioeconómicas, risco de exclusão, pobreza energética ou insegurança alimentar. A intenção pode ser positiva, mas a boa intenção e o resultado real não são a mesma coisa”, afirmou. 
Para Helena Teodósio, estes eufemismos podem ajudar a esconder a realidade social e afastar o debate das suas verdadeiras causas.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Iluminações de Natal....

Na Figueira, "cada dia uma coisa"?..

A iluminação de Natal na Figueira é aquilo que acontece uma vez por ano para lembrar aos figueirenses que a vida podia ser bem pior. 

domingo, 11 de outubro de 2026

Estado do Concelho

"O valor do trabalho, o preço de uma casa", é o tema desta edição que tem moderação de Joana Alvim.
"Quem fica com a riqueza que o trabalho produz? E como garantir uma casa a quem não consegue acompanhar os preços do mercado? No segundo episódio do Estado do Concelho, Miguel Pereira abriu o debate sobre salários, custo de vida, competitividade e repartição da riqueza. António Albuquerque trouxe a habitação, numa discussão sobre como traduzir uma estratégia nacional em respostas adequadas à região e aos municípios."
Em tempo.
Ouvi parte do programa e fiquei baralhado.
Uma coisa eu sei: há países que criam e distribuem riqueza e trabalho, outros que se limitam a criar ricos e a distribuir sacrifícios. 
Este é o caso de Portugal. 
E fiquei com uma dúvida: quais são as regras do jogo que promovem o desenvolvimento deste modelo e quais são as alterações necessárias para o superar?

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

5 de Outubro de 1910

A implantação da República em Portugal, aconteceu como um golpe inevitável dado o clima que se vivia no país.

Nos últimos anos de monarquia a situação sócio- económica do país agravava-se de dia para dia, a crise tinha-se instalado, o povo vivia na miséria em contraste com a abundância em que viviam a classe política, a burguesia e a nobreza. Esta situação agravou-se com a questão do Ultimato Inglês, onde era exigido que Portugal se retirasse do território entre Angola e Moçambique (zona do Mapa cor-de-rosa), perdendo os benefícios de que usufruía nessa região. O descontentamento foi geral, tanto mais que ainda reforçava o poder do Rei, e os ânimos exaltaram-se. A partir de 1906 conjurava-se já o derrube da monarquia constitucional. Em 1908 deu-se, efectivamente, uma primeira tentativa de destituição da monarquia, mas falhou, tendo sido, no entanto, morto o Rei D. Carlos I e o Príncipe herdeiro D. Luís Filipe. O regicídio deu-se no Terreiro de Paço, onde foram ambos abatidos a tiro. D. Manuel foi o seu sucessor. Nos anos seguintes o clima foi-se agravando e, em 1910 o país vivia num caos com conspirações dos republicanos de um lado, conspirações dos monárquicos do outro, os operários faziam greve reclamando melhores condições de trabalho e de vida e a classe média, mostrava-se tão furiosa como o operariado, pois perdiam com a falência do banco Crédito Predial Português, dirigido por chefes políticos da monarquia. Os republicanos reclamavam, acima de tudo, com a ordem forçada em que se vivia, reclamavam uma “greve geral” e a ideia, por muito disparatada que parecesse, começou a soar bem. As operações que levaram à queda da monarquia revelaram-se fáceis face à desorganização das forças monárquicas.
A Figueira também viveu os acontecimentos de Outubro de 1910.
Quem sempre determina o rumo do mundo, são duas espécies de seres humanos.
Os que fazem da sua vida uma inspiração a luta pela esperança, pela democracia e pelo futuro. 
E os outros.
É por isso, que quando desaparece alguém que deu exemplo de generosidade e dedicação, que olhou para diferentes como semelhantes ou para semelhantes como iguais, ficamos abandonados à sorte de uma humanidade que continua a revelar-se animalesca, verificando-se, nos últimos tempos, uma  revalorização do ódio, uma perseguição do outro, a obsessão da identidade nacional como desculpa para a agressão.
É por isso que Portugal em 2026 está a ficar tão perigoso.

Manuel Gaspar de Barros, Memórias
"Nos anos que precederam a proclamação da República, os republicanos organizavam conferências de propaganda em todo o país. Na Figueira isso acontecia frequentemente, com numerosos vultos políticos. Só quero agora referir que conhecei então o Prof. Miguel Bombarda. Veio uma vez fazer umas dessas conferências no Teatro Príncipe, que mais tarde ardeu.
Em 1910 eu tinha 9 anos. A nossa habitação era na rua da Lomba e o meu pai tinha um pequeno escritório no rés-do-chão. No dia 3 de Outubro à noitinha o meu pai disse-me: “Vais ser um homenzinho e quero-te dizer uma coisa. Rebentou em Lisboa uma revolução para proclamar a República. Hoje aqui não sabemos mais nada”. Mas no dia seguinte, 4 de Outubro, o meu pai não veio almoçar e à noite não veio jantar. Não sabíamos dele e, ao entrar da noite, minha Mãe começou a ficar inquieta, não sabia o que havia de fazer. A cidade estava agitada, corriam muitos boatos, na madrugada do dia 5, perante a inquietação de minha mãe a minha avó, que tinha grande ascendente sobre meu Pai, resolveu-se afazer alguma coisa. Mandou um empregado procurá-lo pela cidade e dizer-lhe que ela lhe queria falar; ele não apareceu à hora matutina do primeiro almoço, e contou que, de pé, dum banco da praça Nova, tinha conseguido pelo seu prestígio político, manter ordeira toda a população agitadíssima pela vitória da República em Lisboa.
Nos dias seguintes, talvez nos dias 5 e 6 de Outubro, eram manifestações e cortejos por toda a cidade. Vivas, discursos, a cada paragem, homens roucos de tanto gritar. Meu pai seguia nessas manifestações e eu acompanhava-o. Um dos tribunos mais em evidencia era o Snr. António Lino Franco, farmacêutico na Praça Velha. Nas manifestações as filarmónicas tocavam incessantemente a “Portuguesa”, o nosso hino. Em seguida foi a mudança da bandeira azul e branca, da Monarquia, pela verde rubra da República, nos edifícios públicos. No forte de Santa Catarina deixaram-me puxar a adriça para içar a bandeira verde-encarnada. Possuo uma fotografia da cerimónia."

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Rebentou a polémica da "bolha de plástico"...

Mesmo que não queira, um gajo fica mais do que impressionado ou perturbado. Fica mesmo siderado, com esta treta toda.
Começa a ser verdadeiramente insuportável a carga genial que invadiu a gestão do trânsito na Figueira, com gente que, certamente, acha que descobriu a pólvora e, alguns em simultâneo, a roda.
A Figueira tornou-se uma terra de sábios que falam sem sequer terem ido na leitura além da página dois do manual...
No início do Outouno do ano da graça de 2026, este concelho é algo extraordinário. Daqui a uma dezena de anos, quem ainda por cá andar certamente que perguntará como foi possível uma coisa como esta: uma "ROTUNDA DE PLÁSTICO"!..

"Esta pseuda rotunda, colocada no cruzamento entre as Rua Joaquim Sotto Mayor, Rua da Liberdade, Rua do Viso, Rua da Fonte e Rua Dr Luis Carriço, é materializada através de um pino plástico e marcas pintadas no pavimento, sendo pouco visível de noite." "Esta pseudo rotunda", segundo Mais pela Figueira, "não resolve os problemas do trânsito e pode até ser uma fonte de acidentes de viação."

Contudo, para a vice-presidente Olga Brás, "O ESSENCIAL É A SEGURANÇA. A solução adotada num cruzamento complexo, onde convergem cinco ruas, pretende ordenar as prioridades de circulação, reduzir velocidades e pontos de conflito, facilitar as diferentes mudanças de direção e melhorar a segurança de condutores e peões. Uma rotunda não se torna mais eficaz apenas por ser construída em betão ou possuir uma ilha central elevada."

domingo, 20 de setembro de 2026

Bom dia Figueira da Foz


Muitos Parabéns, Figueira-cidade, cidade-menina desde 20 setembro 1882.

 “ … Tudo pode desaparecer na penumbra velada do passado, impelida pela marcha incessante do tempo, mas uma coisa o homem jamais esquece: a sua terra, que é a parcela, digamos, mais querida, dentro da pátria, ao seu coração …”.

[Carlos Sombrio - FIGUEIRA DA FOZ das suas tradições populares, dos seus encantos. Edição Papelaria Moderna, 1941, 40 p.], via Miguel Carvalho

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Trump e a sardinha

Uma crónica do eng. Daniel Santos publicada no Diário as Beiras em 16 de Setembro de 2016

"Esta foi uma semana para esquecer. Donald Trump ficou mandatado para mandar no país mais poderoso do mundo. Com ele, está prometido o regresso de uma carga de ódio, racismo e misoginia que nos revelam perigos que todos julgávamos enterrados para sempre há já mais de setenta anos. Exatamente no momento em que morreu o poeta cuja voz transmitia um sentimento de melancolia de estranha e suave tranquilidade. Que nos impôs, por isso, tentar perceber as suas mensagens.
Com tanta coisa a correr mal, prefiro então dedicar-me às sardinhas. Às pequenas coisas do nosso quotidiano que também nos vão retirando acanhadas esperanças de manifestação de humildade, de contrição, que não ocorrem. Quem sabe se também por causa deste momento estranho que vivemos que nos coarta as expetativas de um futuro melhor.
A interpretação que faço do motivo escultórico que constitui uma homenagem aos laboriosos pescadores e peixeiras que ali mesmo labutavam há décadas atrás nas atividades da lota da sardinha, independentemente da sua qualidade artística e da repetição (que não pretendo discutir agora), transmite-me exatamente o seu labor e o clamor da atividade. E também o movimento. Que já vinha do mar com os pescadores.
Por isso mesmo, a justa homenagem merece a correção do topónimo inscrito na Memória. Vá lá, ao menos nestas pequenas coisas, venha de lá um pequeno sinal de humildade.
Era mesmo a Praia da Sardinha! "


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

50 anos de Festa do Avante!

Esta edição muito especial de 2026 da Festa do Avante!, na qual se celebram 50 anos desta grande construção colectiva, abre hoje, dia 4 de Setembro, e decorre até ao próximo domingo dia 6. 
Fazendo minhas as palvras de Janita Salomé na edição desta semana da Revista Visão: "regressei sempre com uma alegria renovada, porque há qualquer coisa naquele lugar que é difícil encontrar noutro sítio. Independentemente dos locais por onde passou ao longo destes 50 anos, a Festa do Avante! foi sempre, para mim, um encontro de liberdade e de intercultura. Quando entramos na Festa, o ambiente é diferente. Deixamos por algum tempo de sentir que pertencemos a estatutos diferentes para pertencermos a um só género. Somos todos irmãos de espécie, reunidos em torno de um desejo pacífico de liberdade e de igualdade."
Frequentada, há meio século, por comunistas e não comunistas, a Festa do Avante! ganhou, ao longo dos anos, uma mística muito própria, que a torna um evento único no panorama cultural e político nacional. Pioneira na programação, que reune músicos nacionais e internacionais e harmoniza sons, estilos e culturas, a “Festa”, como também é, simplesmente, chamada pelos mais “íntimos”, é mais do que um comício, mais do que um festival de verão e mais do que um convívio popular. 
Estive na primeira edição, em 1976, que se realizou na FIL, em Lisboa. Até se fixar na Quinta da Atalaia, Seixal, num terreno comprado pelo PCP, após subscrição, andou por mais três locais. 
Nestes 50 anos, fui dezenas de vezes à Festa do Avante!, a mais recente das quais na edição de 2024. Contudo, na minha memória, a mais presente, continua a ser a primeira. Tinha 22 anos e fui com a minha namorada. Ambos tinhamos simpatia pelo PCP. Foi, pois, com toda a naturalidade que estivémos presentes na primeira Festa do Avante!, na antiga FIL, no ano de 1976.  Tinha 22 anos e todos os sonhos do mundo e acreditava que "A vitória era difícil, mas era nossa!" e que "O povo unido jamais será vencido!". Lembro-me, sobretudo, de ter ficado deslumbrado com a descoberta de um artista, para mim até ao momento completamente deconhecido, que se viria a tornar uma das maiores figuras da música angolana e do mundo, de seu nome Waldemar Bastos.
Imagem: daqui

Edição de 1976

A primeira edição da Festa do Avante! foi realizada em setembro de 1976, na antiga Feira Internacional de Lisboa. O local já fora usado pelo PCP em 74 e 75 para passagens de ano e iniciativas do jornal Avante!. No entanto, existiam problemas como o seu tamanho diminuto e problemas securitários, nomeadamente o atentado bombista que se deu três dias antes da sua estreia.

Edições de 1977 e 1978

Em 1977, no âmbito da segunda edição, a Associação Industrial Portuguesa recusa ceder o espaço para a realização da Festa, para além de exigir ao PCP que cobrisse os estragos causados pela bomba. Escolheu-se mudar para um local ao ar livre, devido à natureza de um acontecimento popular e de massas.

No início, procurou-se utilizar a Quinta das Conchas, mas devido a preocupações ambientais o local não foi cedido. A segunda e terceira edição, em 1977 e 1978 respetivamente, realizaram-se no hipódromo do complexo desportivo do antigo estádio Nacional, até ser impedido pelo governo Mota Pinto/PPD/CDS, a pretexto de uma construção que nunca se chegou a realizar.

Edições de 1979 a 1987

De 1979 a 1986, realizou-se no Alto da Ajuda, mais precisamente, no Casalinho da Ajuda em Monsanto. No entanto, a impossibilidade de reutilização das infraestruturas era agravada pela vastidão do terreno, precisando de muitas pessoas para as construir.

Em 1987, a recusa da cedência do terreno pouco antes da realização da edição pelo então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Krus Abecasis, impossibilitou a realização da edição desse ano.

Edições de 1988 e 1989

De 1988 a 1989, realizou-se na Quinta do Infantado, em Loures. No entanto, esta era uma solução provisória, já que, devido a pertencer a um particular, requeria uma despesa extraordinária.

Edições de 1990 à actualidade

Devido às dificuldades das edições passadas, o PCP realizou uma campanha de angariação de fundos. Como resultado, ainda na edição de 1989, o então secretário-geral Álvaro Cunhal anunciou a Quinta da Atalaia, no Seixal, como o novo e definitivo local de realização da Festa do Avante!. A aquisição da Quinta da Atalaia permitiu a reutilização das infraestruturas e eram evadidas as «burocracias do foro finceiro e de prazos».

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Sai moção ou não sai moção?..

Via Público


«Luís Neves tornou-se o centro do Governo. Se deixar as suas funções, isso significará uma vitoria de interesses obscuros, de desejos de vingançа ou, usando um termo próximo dos que o próprio gosta de usar, do mal. Basicamente, foi isto que tentou dizer ao país no discurso que fez ontem na Madeira.... 

... qualquer partido tem legitimidade para questionar autoridade política de Luís Neves enquanto ministro. Coisa diferente são as insinuações feitas por André Ventura nesta semana: "Só falta ver o ministro a passar droga na rua." Isto pelo facto de conduzir um carro apreendido a um narcotraficante. Declarações inadmissíveis, que mergulham o debate político numa autêntica lama.»

domingo, 23 de agosto de 2026

Forte de Santa Catarina, mais uma telenovela figueirense em "reprise"...

Foto: Luís Fidalgo

Via Diário de Coimbra
"Os moradores das imediações do Forte de Santa Catarina estão indignados com o ruído provocado pelo espaço de restauração e diversão que está instalado naquele icónico monumento da cidade. O estabelecimento, conhecido pelas festas com DJ's e sessões de sunset, tem prolongado a animação pela noite dentro com a música a ecoar pela madrugada fora, sobretudo aos fins de semana, durante o mês de agosto. A situação está a gerar contestação por parte de residentes, que exigem a intervenção urgente da Câmara Municipal.

Os habitantes referem que o som projetado a partir das muralhas se propaga com facilidade em direção aos edifícios vizinhos do Forte de Santa Catarina (onde existem hotéis, espaços de alojamento local e habitações particulares), considerando que o impacto é agravado pela total ausência de barreiras acústicas na estrutura histórica. «Tornou-se impossível descansar ao fim de semana. É inadmissível ter música alta e pessoas a cantar às 04h00 da madrugada», criticam as pessoas que se sentem lesadas no direito ao seu descanso.

Contactado pelo Diário de Coimbra sobre esta situação, João Martins, vereador com o pelouro de Taxas e Licenças (licenças especiais de ruído), esclarece que o espaço em causa opera como um estabelecimento de restauração e bebidas e que a estrutura está instalada num espaço que pertence ao Ministério da Defesa Nacional, pelo que o funcionamento está enquadrado pela legislação e o horário autorizado estende-se, atualmente, até às 4h00."

Em tempo.

Há notícias que já não me causam o mínimo de admiração e, muito menos, indignação. Para esse peditório já dei. E muito... Tudo foi dito. Revejam no OUTRA MARGEM Player.
Embora isto seja algo herdado do passado, o actual executivo sabe que a CONCESSÃO DA EXPLORAÇÃO DE ESPAÇO INTEGRADO NO FORTE DE SANTA CATARINA é um asunto de interesse público. O Forte de Santa Catarina é um património do Estado. Já podia ter feito alguma coisa. Contudo, a salvaguarda do património cultural na Figueira da Foz continua a não ser um assunto interessante para a classe política.
Limito-me, portanto, a recordar a intervenção da deputada municipal Maria Isabel Sousa – PSD, no decorrer da Assembleia Municipal realizada no dia 27 de junho de 2020. 

"O Forte de Santa Catarina, cuja construção atual remonta ao reinado de Filipe I de Portugal (finais do séc. XVI), poderia ser transformado num digno centro interpretativo da Guerra Peninsular (sobre as invasões Francesas e auxílio do exército Inglês, na primeira década do séc. XIX), assim como dos ataques históricos de corsários ingleses no séc. XVII.
Este conjunto arquitetónico militar poderia servir de laboratório histórico, aberto a visitas a turistas e estudantes, respondendo aos desígnios da flexibilidade curricular preconizada pelo Ministério da Educação, que evoca a necessidade de criar novos e diferentes ambientes de aprendizagem.
Ao invés disso, no seu interior foi implantado um complexo de bar/restaurante, ornado com sombreiros de colmo ao estilo do Caribe, completamente descontextualizados da envolvente, ferindo o propósito da criação daquela edificação, perfurando a muralha em vários pontos para melhor servir o acesso dos possíveis utilizadores do espaço. Uma escada de betão rompe a muralha histórica, esta, volta a sofrer ferimentos com a fixação de um dístico completamente redundante, onde se lê “Forte”. E é nas traseiras do complexo do Ténis Clube  onde se encontra a ser construído mais um disparate arquitetónico, uma pretensa Casa de Chá, voltada para o rio, mas que para ser construída, fere de novo a muralha do Forte de Santa Catarina, oculta-a e quem se desloca de sul para norte, fica com uma visão limitada da grandeza e beleza desta fortificação, escondida que está atrás de um edifício modernista de ferro, madeira e (futuramente) vidro. Muitas outras cidades tentaram uma coexistência entre o património histórico e as construções modernistas/funcionalistas, a maior parte delas com o objetivo de criar equipamentos culturais, que melhor servissem a cidade. Aqui não é o caso, um edifício histórico, está ao serviço da economia e do comércio de particulares, sem qualquer preocupação com o significado da real preservação do património.
Já nos bastava a colonização pelo Ténis Clube nas suas traseiras, nas áreas mais baixas junto à circular, no qual estão construídos mais dois courts de Ténis, que para facilitar o acesso aos praticantes da modalidade, mais uma vez criaram uma incisão na muralha na qual se fixa uma escada em madeira, mesmo ao lado da dita construção, futura Casa de Chá.
Perguntamos, como foi possível viabilizar este (e o outro estabelecimento) no coração histórico da nossa cidade, sem que para tal ninguém tivesse uma palavra a dizer. Uma estrutura que nasceu da noite para o dia, que peca por ocultar uma parte significativa do Forte de Santa Catarina e do substrato rochoso sobre o qual este foi construído, vestígios do antigo promontório de Santa Catarina, constitui um atentado urbanístico,  que muito nos desagrada, somos veementemente contra tal situação, e questionamo-nos como tal abjeção foi autorizada pela tutela, quando se trata de um edifício classificado como Imóvel de Interesse Público,  desde 1961.
Se tivéssemos muitos edifícios históricos, poderíamos de algum modo explicar este desaire, mas não, a nossa cidade não é assim tão rica em património, por isso não o podemos desvirtuar ao sabor de outros interesses que não sejam os de zelar pelo legado que os nossos antepassados nos deixaram e que conta a nossa História.  Deveríamos antes criar todas as condições para que os alunos tivessem naquele local aulas, no exterior dos muros da escola, que tão enriquecedoras são, proporcionando-lhes aprendizagens verdadeiramente significativas."

O presidente da Câmara por sucessão, Carlos Monteiro, na altura, respondeu nos termos que pode ler clicando aqui.

sábado, 22 de agosto de 2026

Pimenta no cú dos outros é refresco...

O partido das virgens ofendidas

«Jerónimo de Sousa, o "avô bêbado que a gente tem em casa que, a partir de um certo momento, começa a não achar graça às piadas".

 "Marcelo está em casa, mas de máscara para a câmara. Sozinho, parecia uma espécie de fantasma. Não estou a dizer que é um esqueleto, estou a dizer que parecia...".

Ana Gomes "contrabandista", João Ferreira, "ar de operário beto de Cascais".

 Lula da Silva esteve em Belém com Ventura a gritar: "Lula, ladrão, o teu lugar é na prisão".

E podíamos continuar a ronda pelo resto da bancada para lamentar [não é gralha], a começar no "desconizar" do deputado Frazão até ao deputado beijoqueiro Melo, passando pela deputada Cid a chamar "assassina" à deputada Isabel Moreira. Agora "Fuck Chega" é que não pode ser. Não. Isso é insultar 1.437.881 portugueses que votaram em meia-dúzia que se dedica a insultar os outros 4 880 068, num festival pago com o dinheiro dos contribuintes, coisa que não acontece com os deputados do partido da taberna que estão no Parlamento a expensas próprias.»

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Uma “almofada” de €48,7 mil milhões é demasiado poderosa para não ser entregue a “profissionais”...

 Foto: daqui.

"Almofada das pensões já dá para pagar cinco novos aeroportos de Lisboa"

Nunca desistem.   

"Jorge Bravo, com historial de consultoria e estudos ligados aos seguros e fundos de pensões, personalidade do ano para a associação de fundos de pensões, e que nos idos do governo "Passos Coelho - Troika - Paulo Portas" participou na Comissão Interministerial da Reforma do Sistema da Segurança Social que previu um défice superior a 2,4 mil milhões de euros por volta de 2025 caso não fossem aplicadas "reformas estruturais profundas", volta ao ataque, ao lado de Carla Castro, ex-deputada ilusionista liberal, agora pela mão de Luís 'o meu passado chama-se Passos' Montenegro, com nova previsão catastrofista do fim do mundo em cuecas. Isto está mal porque depende de como são feitas as contas, disse sem rir, depois de meter nas contas a Caixa Geral de Aposentações que há 20 anos não aceita novas entradas. E sublinhou que não há qualquer tipo de privatização e coise, da última coisa do Estado que ainda não foi saqueada, e sem "enviesamento ideológico", outra vez sem se rir."

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A Figueira, o "turismo do espectáculo", o poder local, os empreendedores e o que está por planear e realizar.....

Diário as Beiras: "em jeito de balanço, a hotelaria e a restauração figueirenses fecharam o mês de julho com resultados superiores ao habitual, devido aos concertos de Sting e Lewis Capaldi, na Praia do Relógio, e ao habitual fim de semana prolongado do festival de música eletrónica RFM SOMNII, no mesmo local
Se a meteorologia não interferir com as estatísticas, Agosto será um mês perto da lotação esgotada.
A hotelaria e a restauração da Figueira da Foz, para além do verão, têm outras duas épocas altas intercalares – a passagem de ano e a Semana Santa, a segunda com elevada quantidade de turistas espanhóis, como manda a tradição."
A Figueira está a assumir cada vez com mais clareza que o turismo é o motor da economia local.
É assim em Cabo Verde, Angola, Brasil e Portugal. E também na Figueira.
Problemas locais.
1. Será que o poder político conhece de facto, na óptica do orgão decisor, quais são os verdadeiros problemas do turismo na Figueira?
2. Será que o poder político figueirense tem capacidade para resolver os problemas que o desenvolvimento do sector acarreta? 

A Figueira foi considerada a partir do início do século 20, um paraíso,  principalmente por turistas espanhóis. Um pouco mais tarde, nos anos 50, para além da Figueira as grandes estâncias turísticas eram as praias de Cascais e Estoril. O Algarve era ainda um deserto inexplorado com poucos habitantes residentes e que tinha nas actividades ligadas ao mar a sua fonte de sustentação - pesca, indústria conserveira e exploração das salinas. No interior a agricultura e a pecuária ditavam a dimensão do escasso orçamento familiar.
Aos poucos a região começou graças às suas excelentes condições naturais e climáticas a entrar no roteiro de viajantes e turistas do mundo inteiro. Começam a surgir hóteis de luxo para a época e inicia-se um fluxo migratório do Norte do País para o Algarve com vista a estabelecerem-se na região, quer na abertura de restaurantes, quer na exploração de hóteis. 
Aos poucos a região vai percebendo que o turismo é uma actividade com retorno económico. Com base nesta percepção vai-se adaptando à actividade. 
É nesta altura que acontece o primeiro erro histórico: a região deixou desde muito cedo que fosse o turismo a ditar o desenvolvimento e não o desenvolvimento da região a potenciar a actividade turística. Aos poucos a região foi-se internacionalizando e copiando alguns dos piores exemplos em matéria de urbanismo e ordenamento do território, quintiplicando a sua capacidade hoteleira e de restauração, mas começando a diminuir os padrões de qualidade que caracterizaram a região nos anos 50. Locais inóspitos como Armação de Pera ou Quarteira ficaram transformados em autênticas urbes sem qualidade e esteticamente reprováveis. Começa a surgir o fenómeno do time-sharing e das vendas de apartamentos, a construção civil apoiada pela expansão da capacidade hoteleira torna-se na segunda actividade da região superando o comércio. É precisamente na década de 80 que se cometem os maiores atentados a sustentabilidade do meio ambiente.
Se, por um lado, a região recebia milhares de turistas, por outro lado era ponto assente que não tinha criado as infra estruturas de base consentâneas com uma actividade motor de toda uma região. Pela primeira vez, o termo sazonalidade entra nos dicionários económicos e nem mesmo a entrada de Portugal para a CEE com consequente aumento da exploração da actividade em 1986 foi capaz de o eliminar.
A região fica perto do pleno emprego no Verão, contudo o número de pedidos de subsídio de desemprego dispara no Outuno. 

Voltando à Figueira.
O tecido empresarial do concelho continua a mostrar a forte influência do turismo no desenvolvimento local. 
Contudo, ainda estarão por aproveitar algumas vantagens que a Figueira possui. 
Por isso, apostar demasiado no "turismo do espectáculo", mostra que a Figueira é uma urbe pouco planeada, desorganizada, sem sustentabilidade e com fracas noções de estratégia de desenvolvimento.
Numa altura em que até o Algarve sofre concorrência de mercados mais atraentes, por um lado, e, ao mesmo tempo, recebe visitantes que outrora preferiam países hoje marcados pelo terrorismo, é importante pensar – algo difícil – na estratégia que a Figueira quer para o futuro, mas, sobretudo nos meios que se vão utilizar para alcançar os fins desejados. 
Torna-se decisivo definir se os empresários ligados ao turismo figueirense querem continuar a apostar no turismo da forma que está a ser feita, ou se querem em sintonia com o poder político, introduzir algo inovador - Planeamento.

Muito há a disciplinar.
As autarquias, como sabemos, são os verdadeiros responsáveis pelo desordenamento do território - os orçamentos municipais são equilibrados através da cobrança do IMI (Imposto Municipal de Imóveis), daí terem sido autorizadas construções em altura, em locais onde nos respectivos PDM´s constavam áreas para moradias ou espaços verdes. 
Muito está por ser feito.
Por exemplo, definir algumas linhas do sector, nomeadamente fazer um levantamento da qualidade e da quantidade da oferta turística existente. Se a região recebe x de visitantes por ano, faz algum sentido ter uma oferta de x mais y de camas? 
Na Figueira, alguém sabe quais os sectores económicos que mais teriam a ganhar com uma colagem ao turismo? 
Se forem produzidos produtos ou serviços para o turismo, se os mesmos forem de qualidade, seriam certamente utilizados por consumidores fora da região e durante todo o ano.
E aí sim, o Multiusus teria um papel fulcral.

A Figueira tem de se convencer de uma coisa: o produto turístico que tem para vender não é único no mundo.
O sol nasce em todo o lado.
Portanto, o factor decisivo é outro: aquilo que a Figueira for capaz de oferecer, para além do sol, para atrair o turista. 
Será o "turismo do espectáculo"?
Na Figueira, em 2026, quem tem poder para intervir nestas questões, se não puder ou souber estar ao alcance dos desafios, limite-se a deixar fazer aquilo que sempre se fez: Turismo.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Passos Coelho anda por aí... E que tal eleições?

E que tal, antes que aconteça a elevacão até ao trono de Passos Coelho, com os votos da maioria AD/Chega na AR e sem nenhum plebiscito popular,
"irmos para eleições?"
Sem maioria absoluta do Chega, qualquer governo que resultasse de umas eleições teria de se esforçar e investir muito para conseguir ser pior que esta coisa que temos a comandar os destinos do País.

Irritantes pessimistas: não vêm algo de positivo na realização de eleições?
É preciso ser mesmo muito masoquista para aceitar que esta legislatura chegue ao fim... 

Será que já não se recordam destas palavras de Pedro Passos Coelho?

"Estar desempregado não pode ser um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma. Tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida. Tem de representar uma livre escolha, uma mobilidade da própria sociedade." 

Estas infantis declarações de Passos Coelho sobre o desemprego não têm nenhum sentido político ou ideológico. Na altura, estávamos em 2015, eram apenas a prova de que é possível chegar aos 47 anos, com a experiência social de um adolescente, a cargos de responsabilidade com o currículo de jotinha, a líder partidário com a inteligência de uma ameba, a primeiro-ministro com a sofisticação intelectual de um cliente habitual do fórum TSF e a governante sem nunca chegar a perceber que não é para receberem sermões idiotas sobre a forma como vivem que os cidadãos participam em eleições. 

Terei sido insultuoso no que escrevo? Não chego aos calcanhares de quem fala com a leviandade expressa acima sobre as dificuldades da vida de pessoas que nunca conheceram outra coisa que não fosse viver em "risco".

Só de de pensar que esta personagem anda por aí, dá-me voltas ao estômago... Uma enxadazinha fazia-lhe tão bem...

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Santana Lopes já havia dito em março que considerava um “gasto excessivo”

"Câmara deixa de assegurar iluminação de Natal".
A iluminação de Natal na Figueira é aquilo que acontece uma vez por ano para lembrar aos figueirenses que a vida podia ser bem pior. 
Calma. Ainda falta muito para o Natal! Na Figueira, "cada dia uma coisa"?..

 Via Diário as Beiras

Nota de rodapé.

Em Março passado, segundo o Diário as Beiras, "as buscas da PJ reforçaram a posição que Santana Lopes há muito vinha defendendo: o investimento do município na iluminação decorativa de Natal deve ser simbólico."  

Estou de acordo.
Há muito que defendo que nem todas as datas são comemoráveis.
O natal é uma delas.
A  meu ver, o consumismo, o desperdício, o sorriso de circunstância - resumindo, a hipocrisia em que transformaram o que era o Natal, não é  para comemorar.
E depois na Figueira tivemos a cereja em cima do bolo!..
Numa cidade que chegou a apagar, pelo menos, metade das lâmpadas de iluminação pública para poupar, chegados ao natal, tínhamos as ditas iluminações de Natal!
 
Isso irritava-me: ao menos, dessem-lhe o nome correcto.
Chamassem-lhe iluminações comerciais, já que só surgiam para apelar ao comércio. 
Esse apelo desmedido ao consumismo, num mundo que tanto precisa de uma melhor distribuição da riqueza, é uma afronta a quem tenha um sentido mínimo de humanidade.

As comemorações dos aniversários do CAE (para o ano são 25 anos), os natais de forte  investimento a engalanar as árvores, as ruas e avenidas da cidade, foi chão que deu uvas. 
Mas será mesmo assim?
Veremos. 

O tempo passa depressa. A quadra natalícia aproxima-se.
Vamos ver se, entretanto, o executivo figueirense não perde o medo de gastar na luz, no som, na cor e na alegria. 
Como sabemos, o programa de animação de Natal e Passagem de Ano foi sempre uma opção dos executivos figueirenses. Podemos apoiar ou torcer o nariz a esta forma de autarcas gastarem o dinheiro. Estou em crer, porém, que a maioria da população do concelho, apoia esta opção política camarária. Santana Lopes, tal como os seus antecessores, «quer que a cidade receba bem e que as pessoas voltem e desfrutem».

domingo, 7 de junho de 2026

É disto que o povo gosta: comer, música e animação!

"De 8 a 24 de junho, vivem-se as tradicionais Festas da Cidade e do São João na Figueira da Foz, com dias cheios de animação, música, tradição e muita alegria!"
Em termos de animação, o povo come o que come, porque gosta desta comida.
Nada, porém, acontece por acaso: durante décadas e décadas, o pimba foi alimentado, de norte a sul do país, por autarquias do CDS, PSD, PS e CDU.
Foi um investimento e peras. 
Há quem diga (que não eu, que não tenho estudos para afirmar tal coisa) que isto  poderá roçar o financiamento ilegal.
O certo, porém, é que o sucesso tem sido enorme.
O povo come - pudera, os espectáculos são (aparentemente) à borla.
Os políticos do momento, dão o que o povo sempre gostou: pão e circo.
Todos - eleitores e eleitos - ficam contentes e felizes. 
Que interesse tinha na Figuiera, por exemplo, ter sido retomado um festival internacional de cinema de autor, ou um festival de música clássica dirigido por Sequeira Costa? 
Isso são coisas elitistas e pouco apelativas para um povo educado para evitar pratos de mais difícil digestão.
Interessa é manter e promover o glamour do pimba. 
Ao povo o que o povo gosta.
Ainda existem histórias com finais felizes: ... e, assim (há lá coisa mais bonita?) todos vamos ser felizes para sempre!