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sábado, 24 de janeiro de 2026

Os "nem-nem" presidenciais

«Na segunda volta das presidenciais, os "nem-nem", que não apoiam nem Seguro nem Ventura, como Luís Montenegro, ficarão para a História como passivos-ativos que se refugiaram na hibridez calculista e não tiveram a coragem de dizer uma coisa tão simples e definidora como esta: havendo dois pratos na mesma, há um que me recuso a comer», escreve na edição de hoje o diretor-adjunto do JN Pedro Ivo Carvalho.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Sessão realiza-se no próximo dia 29 na Incubadora Mar&Indústria da Figueira da Foz

Ouvido pelo DIÁRIO AS BEIRAS,  António Lé, armador figueirense e cofundador e dirigente da cooperativa de produtores de peixe Centro Litoral, com sede na Figueira da Foz, começou por dizer, que o “o setor das pescas a única coisa que quer é ser sempre uma mais-valia e estar do lado da resolução daquilo que são os benefícios para a população figueirense, em primeiro lugar. Estamos de acordo que se faça uma transição [energética], desde que se façam estudos, por entidades públicas completamente independentes”.
No entanto, o empresário e dirigente alertou para os impactos na pesca advindos da produção de eletricidade em alto-mar.
Questionado pelo DIÁRIO AS BEIRAS acerca do impacto da instalação de eólicas em alto-mar para o setor das pescas, o armador e dirigente figueirense António Lé afirmou que os impactos “são catastróficos”, porque “há uma área muito vasta de impossibilidade de navegação e de pesca”. António Lé baseou a sua afirmação em estudos e conclusões apuradas em diversos países onde se produz energia em alto-mar. “Precisamos de preservar os recursos e estimá-los cada vez mais e termos regras sobre os recursos, porque a população depende essencialmente do oceano”, advogou o empresário figueirense.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Valha-nos a nossa pobre cabecinha ...

Vídeo daqui
Quem andou anos a contestar as eleições de Maduro e aceita os comportamentos de Trump, sente-se confortável para aceitar os resultados de umas eleições na Venezuela, ou noutro País, em que seja Trump a decidir o vencedor?
Quem acredita na narrativa da droga, em relação a Maduro, não ficou perturbado com o perdão ao traficante das Honduras?
Quem considera que os EUA lutam pela liberdade dos venezuelanos, não viu o Trump explicar bem explicadinho que foram à Venezuela para ganhar dinheirinho fácil e do bom com o petróleo, diamantes e outras riquezas venezuelanas?
Já esqueceram o que aconteceu no Iraque, Síria, Líbia, Afeganistão e Kuwait. Todos tiveram a experiência da democracia oferecida pelo pentágono. Digam lá o resultado?
As revoluções fazem-se com o povo do país. Com o povo e pelo povo. Por imposição de uma potência estrangeira, não são revoluções. São outra coisa: processos de colonização. 
Está difícil suportar ver os canais de notícias. Com a realidade a meter-se pelos olhos dentro, há "especialistas" em permanência 24 sobre 24 horas nas televisões, a tentar criar uma lógica e narrativas para tentar justificar o que não tem justificação. O que se está a passar é terrorismo a entrar nas nossas casas sem pedir licença. 
Valha-me a possibilidade de ainda ser a minha pobre cabecinha a fazer a última reflexão...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Ministra avisa na Figueira da Foz que nomeações nas ULS cabem ao Governo e não a autarcas

Recentemente, autarcas de Leiria e de Coimbra tornaram público  que "querem que Governo não afaste líder da ULS e saíram  em sua defesa".
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, esclareceu hoje que os autarcas não fazem parte do processo de nomeação de administrações das Unidades Locais de Saúde (ULS) e que essa responsabilidade cabe ao Governo.
A ministra foi questionada pelos jornalistas, na Figueira da Foz, sobre a posição assumida por autarcas e comunidades intermunicipais (CIM) em defesa da manutenção em funções de alguns conselhos de administração de ULS.
Na ULS de Coimbra, por exemplo, a substituição do presidente do conselho de administração, Alexandre Lourenço, foi contestada pelas CIM de Coimbra e de Leiria.
“Os autarcas não fazem parte do processo, não é? Os autarcas têm outros processos e, nomeadamente, decidem sobre a sua autarquia”, alegou Ana Paula Martins.
A governante notou, no entanto, que os presidentes dos municípios “têm uma coisa muito importante”, ao nível das comunidades intermunicipais, “que é decidirem quem são os membros, ou o membro, que indicam para os conselhos de administração”.
“Isso é aquilo que compete aos autarcas. E nós temos um grande gosto de receber nos conselhos de administração esse contributo, que é fundamental, da parte dos autarcas”, disse a governante.
Ana Paula Martins reiterou no entanto que “os autarcas não são quem nomeia os conselhos de administração das ULS”.
“Nessa matéria, naturalmente que respeitamos a posição, e compreendemos, mas cada um tem de cumprir a sua função e o Governo tem de cumprir a sua e a Direção Executiva [do Serviço Nacional de Saúde (SNS)] também”, argumentou a ministra.
Sobre se considera irrevogável a substituição da administração da ULS de Coimbra, Ana Paula Martins revelou que essa substituição já foi comunicada pelo diretor executivo do SNS e o Governo irá avançar com a mudança dos administradores “nos próximos dias”.
Questionada pela agência Lusa sobre se o médico José Manuel Silva, anterior presidente da Câmara Municipal e antigo bastonário da Ordem dos Médicos será o novo presidente do conselho de administração da ULS Coimbra, a ministra recusou responder: “Não vou falar sobre esse assunto, têm de esperar pela resolução do Conselho de Ministros”.
O tema da substituição ou eventual recondução de conselhos de administração de ULS nacionais foi um dos abordados por Ana Paula Martins, em declarações aos jornalistas, na Figueira da Foz, à margem de uma visita ao hospital local, sede da ULS do Baixo Mondego, com a ministra, sem especificar, a dizer que em alguns casos das 10 administrações que cessaram funções a 31 de dezembro de 2025 já há decisões tomadas e outros ainda estão em avaliação.
Lembrou que, segundo a lei, as comissões de serviço são de três anos e podem ser até três comissões (uma indigitação e duas renovações de mandato)
“E só há duas possibilidades, ou são reconduzidas ou são substituídas. Quando há uma mudança de equipa, a que substitui tem de ir à CRESAP [Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública] e essa avaliação demora tempo, só depois dos relatórios feitos é que o Governo pode tomar uma decisão final”, frisou Ana Paula Martins.
As 10 administrações de ULS que cessaram funções a 31 de dezembro de 2025 foram as do Nordeste (Bragança), Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real), S. João e Sto António (Porto), Matosinhos, Coimbra, Médio Tejo (Abrantes), S. José (Lisboa), Litoral Alentejano (Santiago do Cacém) e Baixo Alentejo (Beja).

sábado, 20 de dezembro de 2025

Bem vindos ao País dos porteiros...

Este País é muito rico e tem muita coisa. Alegadamente, pasme-se, até tem um partido de porteiros... E depois, em tempo de campanhas eleitorais, assiste, como assistiu ontem, com estupefacção e voyeurismo, mas também com deleite e prazer mórbido, a uma série de eventos e afirmações, as quais nunca passariam pela cabeça de ninguém,  mesmo àquele que mantém vivo o pequeno cantinho alternativo, que é no fundo este espaço, quanto mais a dois candidatos a Presidente da República...

«Passos Coelho era porteiro. "O Pedro é que abria as portas todas", disse-o o patrão da Tecnoforma, que não se lembra de quanto é que pagava ao outro pelo serviço, que por sua vez também não se lembrava de quanto recebia. Gorjetas miseráveis, é o que era.

Montenegro era porteiro. Tinha, e alegadamente já não tem, uma empresa com uma carteira de clientes, conhecidos, que incluía a Radio Popular, a Solverde, a Ferpinta, a ITAU, a Sogenave, entre outros, que o escolheram pelos seus lindos olhos, pelas suas qualidades profissionais, não obrigatoriamente por esta ordem, e não por ter sido quem foi e as possibilidades nas casas de apostas de ser quem veio a ser.

Marques Mendes é porteiro. “Imagine que um cliente precisa da sociedade de advogados para um projecto, ou um investimento - a sociedade recorre ao consultor para abrir portas, se for preciso". Mais sabido que os outros, recusa dizer a quem abria portas e a origem das gorjetas que lhe eram dadas. E antes destes houve outros mas na altura o pagode não ligava a ponta de um corno a estas espertezas de quem entra na política com uma mão à frente e outra atrás e sai com as duas nos bolsos e a conta recheada.

Depois o povo farta-se destas merdas e desata a votar no primeiro merdas que lhe aparecer atrás do balcão da taberna a dizer-lhe o que gosta de ouvir. "A corrupção", "o bar aberto", "50 anos disto", "o compadrio". E para o taberneiro não ser eleito, o povo, o outro, tem de votar no porteiro. A democracia é liiiiinda, tipo pregão de peixeira, "é de spinumviiiiiva", [é de Espinho viva].»

Imagem de autor desconhecido

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

17 DE DEZEMBRO… O "DIA DO DESTINO PORTUGUÊS"…

Alfredo Pinheiro Marqueshistoriador e director do Centro de Estudos do Mar e das Navegações Luís de Albuquerque - CEMAR

"17 de Dezembro, é o dia que o autor destas linhas, Alfredo Pinheiro Marques, desde há muitos anos, baptizou como "o Dia do Destino Português", o dia que considera que deve ser comemorado todos os anos, e que, por isso, todos os anos, pontualmente, comemora… 

É o dia em que, por acaso, se deu a coincidência de o destino de Portugal e da sua História ter feito coincidir, de maneira tristemente irónica, na mesma noite de 17 de Dezembro, dois momentos simbólicos e indissociáveis.

Nessa noite, em 17 de Dezembro de 1961, Sophia de Mello Breyner Andresen estava a escrever o seu poema acerca da figura do Infante Dom Pedro das Sete Partidas e de Alfarrobeira… (e da verdadeira origem dos célebres “Descobrimentos Portugueses”…?… e da verdadeira origem da Expansão Ultramarina Portuguesa no Mundo…?), e veio a ter que o deixar interrompido. Mas, mesmo assim, depois, publicou-o, em 1962, e fez questão de deixar lá escrito, em epígrafe, que esse era um poema que havia sido deixado interrompido (!)... e deixar lá escrita a razão por que havia sido deixado interrompido: a queda de Goa, ocupada pela União Indiana…

E o poema, de facto, veio a ser publicado com essa menção, expressa, que lá ficou para sempre.

Trata-se do poema "Pranto pelo Infante D. Pedro das Sete Partidas", acerca da figura mais significativa, e simbólica, e silenciada,  da História de Portugal — mas… significativa e simbólica, infelizmente, da secular falência de Portugal... Da sua mentira e da sua insustentabilidade, e da sua injustiça, e do seu fracasso (desde há muito, muito, tempo…). O poema que, não por acaso, é também o que, nesse livro de Sophia, antecede o outro poema imediatamente seguinte, e indissociável, nesse mesmo livro: o "Pranto pelo Dia de Hoje”. Acerca do Presente e do Futuro possível para os Portugueses (então, em 1961… e… sempre…?). Acerca de “o gesto criador ser impedido”… e ”quem ousa lutar é destruído”“por troças, por insídias, por venenos”

Sophia de Mello Breyner Andresen estava a escrever o seu poema sobre o Infante Dom Pedro ao mesmo tempo que — nesse mesmo dia, nessa mesma hora, nessa mesma noite de 17 de Dezembro do ano de 1961… — se iniciou a derrocada e o fim do insustentável “Império Ultramarino Português” nascido da errada Expansão Ultramarina Portuguesa… Na Índia, e, logo depois, de seguida, em África.

O colonialismo africano português. O “Império” e o “imperialismo” errados — secularmente errados… desde há muito muito tempo… — devido à maneira errada como foi feita, desde 1495, essa Expansão Ultramarina Portuguesa: uma Expansão Ultramarina em termos feudais... senhoriais… Em vez de em termos modernos... comerciais…

A Expansão Ultramarina em termos errados, que, no século XX, teimaram em repetir, e manter, sempre, o Prof. Doutor Oliveira Salazar (da Universidade de Coimbra), e o seu Ministro da Educação, o "Professor" José Hermano Saraiva (o aluno de História que, já vinte anos antes disso, em 1941, tinha agredido [!] o seu próprio professor que lhe tinha feito o seu último exame e lhe tinha dado a sua medíocre nota de licenciatura…), e o seu Prof. Doutor Torquato de Sousa Soares (o catedrático de História e Director da História na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra… e que até foi quem editou a "Crónica dos Feitos de Guiné" de Gomes Eanes de Zurara… mas que, por acaso, lá na sua terra, em Amarante, onde era latifundiário, se dava a coincidência de ser o informador que dava informações ao governo para depois a polícia política PIDE ir prender os oposicionistas…)… Todos juntos, os Profs. Doutores, e o Ministro da Educação que agredia professores, e o catedrático que era informador.

E… seria por acaso que este sábio professor catedrático da Universidade de Coimbra, Torquato de Sousa Soares, para além de dar essas informações lá na sua terra (e em Coimbra…), andou também, continuando as melhores tradições da sua escola, a proclamar, em Coimbra, do alto da sua cátedra conimbricense, que em Portugal nunca existiu o Feudalismo…?! …

Portugal é assim… (Portugal foi sempre assim…). Portugal é "especial"... E Coimbra é assim… É "sábia"… ("Conhecimento"…)

Gerações de alunos dessa Universidade ouviram isso, nos bancos da escola… durante décadas: "Em Portugal não houve Feudalismo"

Em Portugal, a História serve para esconder a História… 

Todos juntos, teimaram em manter, sempre… e mantiveram sempre. E teimaram em continuar a chamar-lhe, em pleno século XX — a essa Expansão Colonial Ultramarina errada, feita em termos feudais… —, “os Descobrimentos Portugueses” [sic]… Assim confundindo, e identificando, deliberadamente, os Descobrimentos Geográficos e a Expansão Colonial numa única realidade… Como se essas duas coisas, diferentes e sucessivas (e distintas entre si), fossem uma só coisa…!... (e não são…).

E a hipocrisia salazarista fez (continuou a fazer…) dessa identificação abusiva o essencial da História de Portugal. Para assim justificar e legitimar as suas guerras ultramarinas africanas.

A hipocrisia salazarista que continuou para sempre (comemorando, infindavelmente, os "Descobrimentos" [sic]…), e ainda hoje, em Portugal, cinquenta anos depois de 1974 (!), é considerada como fazendo parte do senso comum e do óbvio… Os “Descobrimentos” e o “Império” [sic] são a mesma coisa (!)…

O Doutor Oliveira Salazar (Universidade de Coimbra) e, com ele, o seu Infante Dom Henrique, reinam… ainda hoje... em Portugal…

O dia 17 de Dezembro é o dia em que, portanto, todos os anos, para sempre… se deve “celebrar" (embora,  na verdade, ninguém queira celebrá-la…[!] e, bem pelo contrário, tantos a queiram sim silenciar… e continuar a escondê-la para sempre…) a coincidência de, por acaso, esse poema de Sophia de Mello Breyner Andresen estar a ser escrito ao mesmo tempo que se dava a entrada inevitável dos soldados indianos em Goa… O início do fim do insustentável “Império” que os Doutores de Coimbra (e o Ministro da Educação agressor do seu próprio professor...) queriam teimar em manter, chamando-lhe “os Descobrimentos” [sic]… em vez de navegarem com os “Ventos da História"… (embora bem soubessem que essa manutenção iria ser impossível, para os soldados portugueses, por muito tempo…).


A coincidência que Sophia de Mello Breyner Andresen, significativamente, deixou expressa, como epígrafe, para sempre, no seu poema. É isso a História, a sério. Mas teve que ser feita por uma Mulher, Poeta… E não pelos Doutores, e Ministros, e Catedráticos.

A História, em Portugal, teve que ser feita por uma Mulher, e Poeta.

De facto, neste país, sempre existiram Doutores, e Ministros, e Catedráticos a mais… De anedota… Ganhando e gastando o dinheiro público (enquanto os pobres, secularmente, tiveram sempre que emigrar, para poderem sobreviver, e ir viver dignamente no estrangeiro). Doutores, e Ministros, e Catedráticos de anedota. Nos anedóticos "milieus" universitários, culturais e "científicos" portugueses.

O “Império” português, na verdade, acabou nessa noite de 17 de Dezembro de 1961… Embora os Doutores ainda tenham querido continuar a teimar… e tenham querido continuar a mandar aos soldados portugueses que fossem morrer, e matar, durante mais treze (13) anos… em vez de fazerem política, e arranjarem uma solução inteligente… que é para isso que deveriam servir os doutores e os políticos, e os intelectuais, e os epistemólogos, e os académicos… (os que não vão para as guerras… por serem muito inteligentes, e especialistas de encontrar soluções inteligentes…).

17 de Dezembro é, portanto, todos os anos, o "DIA DO DESTINO PORTUGUÊS"… (segundo Alfredo Pinheiro Marques…). No país que foi destruído, secularmente ("pelo mundo em pedaços repartido"…) pelas ambições coloniais erradas e insustentáveis das suas elites feudais.


O Infante Dom Pedro de Coimbra, o das "Sete Partidas do Mundo" e de Alfarrobeira, bem tinha avisado… logo no princípio… logo em 1436: "não perder boa capa por mau capelo, pois era certo perder-se Portugal, e não se ganhar África"… Ora aí está a razão porque esse homem tinha que morrer, e ficar maldito, e ser feito desaparecer (ele, e a sua Memória futura…), para sempre, na História de Portugal… ELE TINHA RAZÃO…

E o que foi feito, secularmente, foi o errado; e o resultado foi o previsível.

Em Portugal reina, como sempre, a sem razão…

E valeria a pena perguntar, hoje (como já em 1961): não seria melhor os Portugueses criarem para si próprios outro “Dia de Hoje”, diferente, para o seu Futuro…? Um Futuro sem “o gesto criador ser impedido”… e ”quem ousa lutar é destruído”“por troças, por insídias, por venenos”

Em Mira, em 1996, no dia em que erguemos a primeira estátua do Infante Dom Pedro (a primeira estátua do homem que, no seu tempo, recusou que lhe erguessem uma estátua em vida…) colocámos-lhe lá, gravado na pedra, esse poema de Sophia de Mello Breiner Andresen. O poema que, por isso, aí ficará, desde esse dia, tão simbólico para a História de Portugal, em que, em Mira, a terra dos Tavares, foi erguida a primeira estátua do homem de Alfarrobeira. Para sempre, gravado na pedra. "

Pranto pelo Infante D. Pedro das Sete Partidas

(poema escrito na noite de 17.12.1961, e interrompido pela notícia da entrada dos soldados indianos em Goa)
 
Nunca choraremos bastante nem com pranto
Assaz amargo e forte
Aquele que fundou glória e grandeza
recebeu em paga insulto e morte
 
Pranto pelo Dia de Hoje
 
Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que não podem sequer ser bem descritas

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Um "fardo" chamado Figueira...

Quem gosta de política, aprecia quem pratica a "coisa"  e sente necessidade de ser inventivo e criador nas soluções para a resolução dos problemas.
Isso inquieta os mais conservadores, pois trata-se de algo novo, que tem a ver com a meditação filosófica que introduz no espaço semântico o poder dos instintos e relações de sobrevivência, neste caso política.
Politicamente falando, Santana Lopes, aparentemente, tem a Figueira a seus pés. A maioria absoluta obtida recentemente é disso a melhor e a mais evidente prova.

Os aparelhos partidários do PSD e do PS estão em cacos. A esquerda (CDU, BE e Livre), por escolha dos eleitores, não está representada na vereação camarária. Na Assembleia Municipal e nas Assembleias de Freguesia tem representação residual. O chega, tem alguma representação, mas é uma casa difícil de gerir, turbulenta e em organização.
Santana domina. Em tese, pode fazer o que quiser. 

Em tese, até pode dar a novidade em directo a uma vereadora do seu executivo, no caso Anabela Tabaçó, sua convidada no seu programa de entretenimento político no NOW, "que voltava a ter sob a sua alçada o Pelouro do Urbanismo, que tutelou entre 2021 e 2025 e que desde o início do actual mandato era tutelado pelo presidente da Câmara da Figueira da Foz". 

Santana é humano. Como qualquer um de nós, tem méritos e tem defeitos.
Em finais de 2025, Santana, como qualquer um de nós, tem vários problemas.
Um deles (a meu ver) concreto: para um politico inquieto, inventivo e criador, para quem a descrição não é o forte, a Figueira e as suas limitações (incluindo alguns dos figueirenses que lhe deram recentemente uma maioria absoluta), pode estar a tornar-se num dos seus maiores pesadelos.
Imagem via Diário as Beiras


domingo, 23 de novembro de 2025

25 de Novembro de 1975: na actualidade "ninguém (ou muitos poucos) sabe o que foi"...

Na imagem: Ramalho Eanes, comandante operacional, com Costa Gomes (Presidente da República e CEMGFA), Melo Antunes, líder do grupo moderado dos Nove, Jaime Neves, chefe dos Comandos, e Mário Soares, líder do PS
Marcelo Rebelo de Sousa, foi o verdadeiro pai da ideia de esvaziar as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. Foi montada uma farsa. Alguns políticos assumiram-se como os truões ao serviço. A comunicação social tem-se encarregado de soprar trombetas a anunciar o espetáculo! Mais existem comentadores documentados, como José Pacheco Pereira.

Os pontos nos ii do 25 de Novembro

«Estamos em plena mistificação política associada às comemorações do 25 de Novembro, que o Governo entregou ao CDS, exactamente um partido que pouco teve a ver com o 25 de Novembro e se teve foi um dos derrotados dessa data ao não conseguir, por via dos sectores da direita militar, interditar o PCP.

A mistificação assenta no combate político dos nossos dias, na minimização do papel das eleições para a Constituinte, no apagar do papel do “Verão Quente” de Agosto de 1975, e na falsa atribuição de papéis e intenções ao PCP no 25 de Novembro. Essas interpretações não se sustentam em nenhuma base sólida com o carácter de fonte histórica e destinam-se a dar ao 25 de Novembro um papel de “segundo 25 de Abril”, na prática, mais relevante para a construção da democracia, o que não é verdade.

Que problemas defrontava o PCP na 2.ª metade de 1975?

Essencialmente quatro: a formulação de uma estratégia e uma táctica que conciliasse a situação portuguesa com a orientação internacional do movimento comunista ligado à URSS no período da distensão (détente); a perda da influência no interior do poder militar do MFA; o assalto anticomunista com destruição de sedes, perseguição a militantes conhecidos do PCP no Norte, atentados; e a “rua” dominada pelos esquerdistas com o apoio dos militares ligados ao Copcon.

1.º A posição do PC da URSS (PCUS)

O Departamento Internacional do PCUS era já, há mais de uma década, o substituto da Internacional. Era por aí que passava o controlo político dos partidos comunistas, os financiamentos e as operações de apoio clandestino. Em 1974-1975, antes e durante a “revolução portuguesa”, a estratégia soviética resultava de uma discussão interna sobre o golpe de Pinochet no Chile. Essa discussão era entre os que achavam que Allende devia ter ido mais longe, e os que achavam que tinha ido longe demais. A segunda posição era dominante e acompanhava a política externa da URSS ligada à Conferencia de Helsínquia. Suslov, de quem Cunhal era próximo, e Ponomariev, a última coisa que queriam era uma “Cuba na Europa” ou uma “comuna de Lisboa” e Cunhal sabia-o muito bem.

A preocupação com Angola e a sua independência e a guerra civil é outra dimensão, mas não altera a orientação soviética ao PCP.

2.º A perda de influência do PCP no MFA

Para o PCP, o mais grave da situação de 1975 era a perda de influência nas cúpulas do MFA, em particular depois dos fracos resultados das eleições para a Constituinte, da queda de Vasco Gonçalves e do ascenso do Grupo dos Nove. Cunhal, num discurso ao Comité Central do PCP em Agosto de 1975, que permaneceu secreto na sua integralidade — o que significa que temos de o tomar muito a sério —, manifestou essa preocupação maior e pretendia responder, não com a rua, mas com a “ronha”, termo que utilizou.

3.º O terrível mês de Agosto

O PCP foi o alvo principal (mas não único, com o MDP e a FSP) de uma sublevação a norte de Rio Maior que juntou as organizações clandestinas de extrema-direita, como o ELP, e a Igreja, mas que ia mais longe: era um movimento genuinamente popular, resultado de um anticomunismo alimentado pelos medos de perda da propriedade das terras no minifúndio, resultado entre outras coisas dos erros das campanhas de dinamização, e da defesa da Igreja.

O PCP sai desse mês acossado, e consciente de que os militares não lhe davam a protecção de que precisava. O resultado foi um “basta” interior, com o PCP disposto a ter uma defesa mais agressiva, em particular das sedes. A minimização do que aconteceu em Agosto é um dos aspectos da mistificação actual das “comemorações” do 25 de Novembro, ao negar essa parte do contexto.

4.º O PCP perdeu o controlo da “rua”

A partir de Agosto, em particular em Lisboa, o PCP perdeu o controlo da “rua” para os “esquerdistas”. Isto era, para Cunhal e para a direcção do PCP, um enorme problema, porque punha em causa a táctica da “ronha”, acelerava o processo político e acentuava uma radicalização que o PCP sabia ser imprudente. O PCP, como sempre, não podia abandonar a “rua”, e mantinha-se na sua habitual posição de ter um pé dentro e outro fora. Mas actuava com relutância, como aconteceu na entrada e saída da FUR, ou na participação incomodada em manifestações em que se gritava contra o “social-imperialismo soviético”. Este padrão de um pé dentro e outro fora foi seguido para o “cerco” da Assembleia e o 25 de Novembro.

Que "esquerdistas" são estes?

Podemos designar o esquerdismo de 1974-75 aquele que participa nas manifestações, aquele que cria comissões de moradores, comissões de trabalhadores, ocupações de empresas, organizações dentro dos quartéis, e que tem no topo militar o Copcon, como um neo-esquerdismo, diferente do que vinha de antes do 25 de Abril. As organizações dominantemente maoistas anteriores ao 25 de Abril eram, na sua maioria, constituídas por estudantes, e quase sem penetração nos meios operários. Todas estão presentes nos movimentos de 1975, mesmo no campo militar com os trotkistas nos SUV, mas tinham políticas diferenciadas, como o MRPP ou o PCP(ML)/Vilar, e estão longe de controlar as movimentações, em comparação, por exemplo, com as organizações das intercomissões dos trabalhadores.

Este neo-esquerdismo tem uma força de movimento popular muito mais significativa do que o antigo esquerdismo, e é um fruto do impacto da liberdade pós-25 de Abril. Em bom rigor, os dois movimentos com base popular são o contra-revolucionário a norte e o “popular” na zona de Lisboa e Setúbal, estendendo-se já, com influência do PCP, pelo Alentejo. Este neo-esquerdismo lida muito melhor com organizações não-leninistas, como o PRP-BR e a LUAR, e nalguns aspectos como o MES.

A comparação com a Revolução Russa de 1917

Uma das acusações da direita, que o PS também usou, apresenta alguns acontecimentos de 1975 como uma repetição por parte do PCP do modelo da revolução bolchevique.

O único aspecto que pode permitir a comparação é a existência de uma dualidade de poderes, como em 1917, entre os sovietes e o Governo menchevique. Em Portugal, há de facto em 1975 uma dualidade de poderes, entre o Governo fragilizado, mas com um apoio militar que se veio a perceber ser poderoso em 25 de Novembro de 1975, a legitimidade eleitoral da Assembleia Constituinte, e o “poder popular” esquerdista, que foi sempre a nível nacional fraco, embora mais forte na “comuna” de Lisboa, mas que estava a perder poder de forma acelerada.

Havia um plano de tomar o poder no 25 de Novembro?

Não. Não houve e não há qualquer prova de um plano de tomada de poder, quer por parte do PCP, quer por parte dos militares esquerdistas no 25 de Novembro.

Nenhum assalto ao poder nas movimentações militares dos pára-quedistas cujos objectivos eram corporativos e, quando muito, reforçar a componente “popular” da dualidade de poderes. Como aconteceu em várias manifestações de apoio ao Copcon, mesmo com chaimites, quando chegavam ao fim, apontavam as armas, gritavam frases revolucionárias e iam-se embora pacificamente. Não sabiam o que fazer.

Esteve o PCP presente no 25 de Novembro?

Sim, no princípio, mas não o iniciou nem participou nele para tomar o poder e instituir uma qualquer variante de ditadura do proletariado. Como referimos antes, o PCP em casos como este tem sempre um pé dentro e outro fora, e o pé dentro tem muito a ver com a decisão de não mais ficar passivamente a ver o que se tinha passado a norte de Rio Maior em Agosto. Tinha logística na rua, principalmente com os veículos pesados da construção civil que já tinham estado presentes no “cerco” à Constituinte, no aparelho de comunicações paralelo, e nos militantes armados nas sedes para as defender. Mas não só os sectores militares mais significativos ligados ao PCP como a Marinha desde cedo informaram Costa Gomes que aceitavam o seu comando, como todo este aparelho foi retirado quando o PCP se apercebeu de que a movimentação militar esquerdista ia falhar, logo, nem sequer valia ter um pé dentro. Mas nada disto significa iniciativa, plano, intenção de tomar o poder, comando dos acontecimentos.

Deve-se comemorar o 25 de Novembro?

Pode e deve-se, se for com rigor. Sem dúvida que o 25 de Novembro é um passo fundamental do caminho aberto pelo 25 de Abril. No dia 25 com a vitória militar contra o esquerdismo; e no dia 26 pela recusa da ilegalização do PCP.

Os heróis do 25 de Novembro são aqueles que se quer hoje apagar da história por serem inconvenientes para a visão da direita radical do que aconteceu: Costa Gomes, Presidente da República, o Grupo dos Nove do MFA, com relevo para Vasco Lourenço, Ernesto Melo Antunes, o general Ramalho Eanes como elemento do comando, e entre os comandados Jaime Neves e no plano civil Mário Soares e o PS.

Essa comemoração, se for séria, deve acompanhar os passos que vão da liberdade à democratização. Durou mais de dez anos, mas resultou.»

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Avarias constantes da embarcação Carlos Simão não são normais: o que está a acontecer?

Segundo o Município da Figueira da Foz, devido a avaria da embarcação, a travessia fluvial entre as duas margens da foz do Mondego encontra-se  “suspensa por tempo ainda por determinar”.
Entretanto, o serviço é assegurado pelo miniautocarro elétrico “Fozbus”.
Em finais de Setembro de 2020«a Câmara da Figueira da Foz já tinha estudado o assunto e anunciou que iria apresentar a curto prazo uma embarcação elétrica para efetuar transporte de passageiros entre as duas margens do rio Mondego.
Em declarações aos jornalistas, o presidente da autarquia na altura, Dr. Carlos Monteiro, adiantou que o município estava a preparar o processo de aquisição.»
Segundo Carlos Monteiro, trata-se de uma embarcação com painéis fotovoltaicos, com capacidade para 45 a 50 passageiros e transporte de bicicletas, cujo preço ronda os 530 mil euros. 
Veio uma embarcação com lotação para 30 e poucos passageiros e transporte de bicicletas...
“Havendo uma embarcação elétrica, a transição entre margens é muito menos poluente e mais rápida”, sublinhou o autarca, que pretendia ter a embarcação a operar todos os dias. 
O presidente da câmara justificou ainda a aposta nas ligações de barco no Mondego com o facto de o Hospital Distrital da Figueira da Foz, que “tem 800 funcionários”, se encontrar na margem sul da cidade. Depois de ouvir a intenção do autarca, a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, disse que não será “nada difícil incluir” o projeto nas “elegibilidades”, com vista a financiamento. A governante destacou o projeto da Ciclovia do Mondego como um exemplo de coesão e de diminuição do trânsito e da poluição em zonas urbanas. “Esta primeira fase é simbólica e é sinal da aposta deste concelho numa mobilidade de futuro”, salientou a ministra, na inauguração dos primeiros quatro quilómetros da ciclovia no concelho da Figueira da Foz, entre a estação de caminho-de-ferro e Vila Verde, no distrito de Coimbra.»
Os anos passaram. Mudou o presidente de Câmara e no dia 24 de Maio de 2023 realizou-se na Estação Fluvial da Margem Sul – Cabedelo (Figueira da Foz) a cerimónia de Baptismo do Barco Eléctrico que passou a ter o nome do ex Presidente da Junta de Freguesia de São Pedro, Carlos Simão.
A retoma da travessia do Mondego por barco foi um sucesso e foi necessário o reforço com outra embarcação: o Costa Nova que veio de Aveiro.
«As embarcações Carlos Simão e Costa Nova, as duas embarcações que asseguraram a travessia da foz do Rio Mondego nesse verão, uma elétrica e outra com motor de combustão, entre 16 de julho e 30 de novembro de 2023, transportaram 69.744 passageiros.»
O Costa Nova desapareceu e a embarcação Carlos Simão tem tido avarias constantes.
Neste momento, a travessia fluvial entre as duas margens da foz do Mondego encontra-se  “suspensa por tempo ainda por determinar”. 
Alguma coisa está a correr menos bem: tantas avarias numa embarcação com pouco mais de 2 anos de actividade não será algo anormal?..

domingo, 9 de novembro de 2025

... a exploração da doença, esse enorme negócio...

Via UM JEITO MANSO

"Ouço e leio jornalistas a falarem em médicos tarefeiros contratados por empresas e vejo que ainda não perceberam o esquema.

Os médicos, para fugirem aos impostos e, ao mesmo tempo, para conseguirem fazer os horários que lhes apetecer e, cereja em cima do bolo, para não terem que se sujeitar a protocolos, 'serviços mínimos' ou ao que for, formam as suas próprias empresas. São empresas unipessoais, ou quase, e podem estar em nome deles ou das mulheres ou deles e de amigos. Não sei se há estatísticas mas diria que a maioria são empresas unipessoais, empresas com nomes criativos que nada têm a ver com os seus nomes (por exemplo, 'Sol Radiante', 'Plano Azul', 'Bem Sentir', etc.). 

De forma automática, é muito difícil saber qual o médico que está por detrás da dita empresa pois, quando os médicos prestam serviço aos hospitais, ou clínicas, ou lares, 'escondem-se' atrás dos nomes das ditas empresas. Os hospitais, clínicas, lares. etc, pagam a essas empresas, que aparecem como simples fornecedores. Estatisticamente, de forma directa, não se consegue saber de que médicos se está a falar pois não aparecem enquanto tal. O hospital ou a clínica contrata a 'empresa', não o médico.

Na contabilidade e nos sistemas de informação dos hospitais (ou clínicas, ou o que for), ao passo que os médicos do quadro podem ser controlados facilmente -- quanto ganham, quantas horas trabalham, quantas horas extraordinárias fazem, em que escala estão, etc. -- já o mesmo não acontece com os que médicos que 'faz de conta' que são tarefeiros, estando 'escondidos' atrás do nome da empresa. As ditas 'empresas' (que, na prática são os próprios médicos) cobram, e cobram bem (e com esta ministra, então, upa, upa, em especial ao fim de semana, em especial nas urgências) consoante as horas que os médicos fazem. 

Muitas vezes, os médicos trabalham para o SNS e depois, como tarefeiros, escondidos atrás do nome da sua própria empresa, vão trabalhar para o Privado. Ou vice-versa. Até em simultâneo... ou seja, para o SNS enquanto médicos do SNS e depois, enquanto tarefeiros, a fazer mais horas, por exemplo ao fim de semana. Ou para o Privado enquanto assalariados e, em simultâneo, enquanto tarefeiros.

Qual a vantagem para estes médicos (e gostava de saber quantos médicos não recorrem a este estratagema...)?

É simples. Enquanto assalariados, tudo o que ganham é sujeito a IRS (e têm que se sujeitar às escalas e etc). Enquanto tarefeiros, quem recebe o dinheiro são as suas empresas. Ou seja, não pagam IRS sobre essas verbas chorudas. E, por outro lado, nessa empresa metem toda a espécie de despesas até porque a sede é, quase sempre, a própria casa. E a casa tem que ser limpa, tem despesas de água, luz, comunicações, a empresa tem um carro que é preciso pagar, bem como o combustível, reparações, portagens, etc. E, se calhar, a própria casa tem que ser paga. E há despesas de representação e deslocações e estadias e, portanto, restaurantes, hotéis e viagens 'vai tudo' para a empresa. Claro que há que pagar ao gerente mas pode ser um ordenado baixinho, neutro em termos de IRS. Em contrapartida, a empresa, afogada em custos fica isenta de IRC ou, em casos raros, pagará uma bagatela. Claro que, na prática, o dinheiro vai todo para os médicos. O resto são liberalidades e habilidades contabilísticas e fiscais.

Estes médicos, que são muitos, se calhar a maioria dos médicos (pelo menos nos locais em que há mais procura - Grande Lisboa, Algarve, etc), tal como o meu marido referiu no outro dia, conseguem ter uma vida tão regalada que, com as verbas que recebem enquanto tarefeiros (que, face às habilidades acima referidas, são líquidas ou quase), já se dão ao luxo de escolher os dias em que já não querem trabalhar. Há muitos que já fazem semana de 4 dias ou 3 dias e meio, compondo o ordenado com um ou dois fins de semana enquanto tarefeiros.

E com o que esta ministra lhes paga, claro que os médicos já não querem outra coisa. Trabalham quando querem e ganham o que querem. Nessa qualidade não há vínculo laboral, não podem ser sujeitos a sanções, a processos disciplinares nem a serviços mínimos. Se os chatearem vão oferecer os seus serviços, através das ditas empresas, a outro lado.

Como se pode acabar com esta pouca vergonha?

Não é fácil. Só mesmo com um grande entendimento entre muita gente, entre partidos e entre entidades contratantes, SNS, Privados ou Sociais.

Para isso, deveria haver uma regra 'simples', uma regra que deveria ter forma de lei. Quem precisar de médicos, deve contratar médicos -- não 'empresas' nem free lancers. Só isto, mudaria tudo.

Se for preciso criar um regime laboral específico para eles, que se crie. Podem ser vínculos temporários, pode o horário ser mais 'liberal' -- mas a regra deve ser esta. Médicos devem ser contratados como médicos. Idem para enfermeiros, claro. Quando se conseguir isto, acaba a 'bandalheira' que é hoje esta brincadeira dos tarefeiros (leia-se, habilidosos fiscais).

Enquanto não se chegar a este ponto, pois este entendimento pode demorar, deveria ser obrigatório que as empresas de prestação de serviços médicos ou de enfermagem declarem o nome e o NIF dos médicos que, enquanto tarefeiros, trabalharão num qualquer hospital, clínica, lar, etc. E os hospitais, clínicas, lares, deveriam ser obrigadas a comunicar essa informação à AT.

E a AT, por seu lado, deveria, em paralelo, desencadear uma acção contra estas empresas unipessoais ou quase (usadas por profissionais de saúde para fugirem ao fisco, mas também por advogados, consultores, senhorios e sabe-se lá mais o quê, se calhar até jornalistas -- que, se calhar, por isso até fazem de conta que não percebem de que se fala quando se fala de tarefeiros...) que são apenas um ardil legal para pagar menos impostos.

E depois há a questão fiscal de base. Os médicos, se declarassem para efeito de IRS, tudo o que ganham ficariam todos no último escalão, ou seja, cerca de 50%. A somar a isso, a TSU. Ou seja, na prática, recebem menos de metade do que ganham. Concorde-se que não é motivador. É, isso sim, um esbulho.

Também já o referi. Sei de médicos reformados, a receberem a reforma, e que ainda trabalham. Fazem bem. Gostam do que fazem e com a falta de médicos, é útil que trabalhem. Mas mais do que dois dias por semana, dizem eles que é para os impostos. Por isso, não trabalham mais que dois dias por semana.

E é também este exagero de carga fiscal que faz com que muitos jovens que foram estudar lá para fora depois não voltem (pois rapidamente atingem os 35 anos e não estão para receber trocos face ao que ganham líquido lá fora).

Não sei quando é que vamos ter um Governo verdadeiramente reformista, que avance sem medo para uma reforma fiscal que acabe com tanto escalão e que seja justa e decente no dinheiro que retira aos contribuintes. Se houvesse justiça e razoabilidade não haveria tanta gente (tanta, tanta!) a recorrer a habilidades para fugir ao fisco.

Enquanto não se encararem os assuntos de frente, enquanto não se chamarem os bois pelos nomes e enquanto não se resolverem os assuntos pela raiz não sairemos da cepa torta, uns tontos às voltas dos problemas, incapazes de resolver o que quer que seja."

Nota de rodapé

"A saúde, meus amigos, é cada vez mais um bom negócio.
Senão olhem. O governo fecha. Os privados abrem.
Porque será?
Entretanto, fica a memória: da democracia nasceu o Serviço Nacional de Saúde.
Antes do 25 de Abril a saúde estava a cargo das famílias, das instituições privadas ou da previdência. Não havia serviço de saúde universal, hospitais e médicos espalhados pelo país ou acesso assegurado a todos os portugueses.

O Serviço Nacional de Saúde foi implantado em Portugal em Setembro de 1979 (com os votos contra do PSD e CDS) e só a partir desse momento os portugueses passaram a dispor de um sistema que assegura uma cobertura de saúde universal a cargo do Estado."

Via António Agostinho

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

O drama de Ventura

Todos os dias Ventura tem dado uma entrevista nas televisões. 
Ontem, foi na RTP
Anteontem, tinha sido na CNN.
Não há cassete que resista a tanta exposição. Esta desmesurada exposição de Ventura já começa a cansar largos sectores de eleitores portugueses. Aquilo é sempre a mesma coisa. Quando não consegue falar ao megafone, sobra o homem. E é aí que se percebe o drama: «sem gritar, Ventura não existe.
“Os seus argumentos sobre imigração são como a carne picada do supermercado. Até podem ter alguma coisa boa, mas ninguém confia nela.” É o ponto em que se vê nos olhos de Ventura o mesmo pânico de quem percebe, à saída do talho, que o rótulo diz “validade até Janeiro”.
“Vale mais um deputado do Chega condenado do que um imigrante ou um cigano cumpridor da lei?” E foi aí que o silêncio (aquele som que Ventura mais teme), ainda que momentâneo, se fez ouvir por cima dos gritos. Porque não há resposta boa para quem construiu o prestígio à custa de medir o valor das pessoas pela origem e não pela decência. E Ventura sabe-o: o eco dessa pergunta é mais alto do que todos os seus berros juntos.»

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Passos Coelho vai ser o unificador da direita

"Ο regresso de Passos Coelho era para acontecer antes: uma eventual derrota de Luís Montenegro nas europeias abriria o caminho a que o ex-primeiro-ministro se voltasse a candidatar à liderança. Só que, entretanto, António Costa demitiu-se, houve novas legislativas antes das europeias, Montenegro ganhou e o retorno de Passos ficou em banho-maria. 
Foi há precisamente 10 anos que Passos Coelho (em aliança como CDS de Portas) foi o "candidato a primeiro-ministro" mais votado. Nessa época, o PS não era especialmente forte, mas a esquerda era-o e, com a maioria de esquerda no Parlamento, António Costa conseguiu formar governo com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda e remeteu Passos à oposição. 
Os dias de Passos na oposição foram duros. São sempre, mas ainda mais quando já se foi primeiro-ministro, com o novo governo em estado de graça. A frase "vem aí o diabo" - a sua previsão sobre a gestão das contas públicas pelo governo PS - marcou esse tempo. O diabo não veio. Agora, Passos avisa para novo diabo, desta vez com um Governo PSD. 
Passos podia ter ido trabalhar para um sítio qualquer e, neste momento, estar a ganhar muito dinheiro. Oportunidades destas nunca faltam a antigos primeiros-ministros. Não o fez: manteve-se professor universitário, com um salário que qualquer antigo primeiro-ministro haveria de considerar baixo: pouco mais de 2000 euros. 
As suas intervenções públicas têm confirmado uma aproximação ao discurso do Chega - desde o combate às aulas de cidadania ao mais recente apontar do risco de "os portugueses se sentirem estrangeiros na sua terra". 
É um facto que o Governo também se tem aproximado do discurso do Chega, mas há uma diferença - Passos é contra o "“não é não". A sua relação com André Ventura é conhecida. Foi Passos que indicou Ventura para candidato do PSD à Câmara de Loures e que não lhe retirou a confiança depois do discurso anti-ciganos, ao contrário do que fez Assunção Cristas, na altura líder do CDS. 
Com Pedro Passos Coelho na liderança do PSD será fácil um acordo de governação com André Ventura. Ventura é fã de Passos: seria o único candidato presidencial que admitia apoiar, depois da desilusão com Gouveia e Melo. Passos não quis ser candidato a Belém, mas agradeceu o apoio de Ventura (ao contrário do que fez Gouveia e Melo). Quando lhe perguntaram se sentia incomodado com este anunciado apoio, respondeu, a 20 de Setembro: "Porque é que eu havia de ficar incomodado com alguém que diz que votava em mim e me apoiava sempre que me candidatasse? Não estou a ver por que é que havia de ficar incomodado". 
Na sexta-feira, Passos Coelho fez uma crítica violenta e uma verdadeira demarcação ao Governo de Montenegro e ao Orçamento, crítica com a qual até o secretário-geral do PS se identificou. "Chegámos ao fim das margens de manobra que nos permitem adiar decisões importantes. Agora, não vale a pena haver mais cálculos eleitorais nem perder tempo com preocupações distributivas", disse Passos, criticando as "habilidades orçamentais para salvar o ano" e defendendo um crescimento que não seja apenas por via do consumo. 
Tem havido um crescendo nas críticas de Passos a Montenegro. As eleições foram em Maio e o avanço de Passos para o poder (em coligação com Ventura) pode parecer a muitos uma coisa fora de tempo. 
Mas uma sombra paira sobre o primeiro-ministro. Até agora, que seja público, Luís Montenegro ainda não deu os esclarecimentos ao Ministério Público no âmbito da averiguação preventiva do caso Spinumviva. A 19 de Setembro o primeiro-ministro disse que "iria aproveitar a tarde para tentar reunir os documentos que foram solicitados e enviá-los o mais rápido possível". É verdade que Montenegro disse, aa 8 de Outubro, que enviou elementos, mas devem ter-se perdido pelo caminho e não terão chegado ao destinatário.
É muito difícil conceber que não venha a ser aberto um inquérito-crime tendo em conta o que está em causa. È certo que os portugueses não são um povo muito exigente com a transparência dos seus políticos e a vitória de Montenegro em Março funcionou como uma espécie de absolvição em tribunal popular. Mas ficou muito por esclarecer. 
A dúvida é se Montenegro terá condições de continuar primeiro-ministro se o Ministério Público abrir o inquérito. Num cenário em que as condições não estejam reunidas, é óbvio que Pedro Passos Coelho é o primeiro da fila para a sucessão (Carlos Moedas nunca se candidatará contra o ex-primeiro-ministro). E já sabemos que Passos faz o acordo com o Chega."

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

O "sistema" no seu melhor...

Via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)
«Único presidente de junta eleito pelo Chega no distrito de Coimbra toma posse a 31 de Outubro.Viabilização do executivo está assegurada pelo PS.
“Tiveram a amabilidade de conversar comigo e disse-lhes que eles ganharam as eleições e, por isso, vão governar. Vamos viabilizar o Orçamento da Junta e as obras que sejam importantes para a freguesia”, vincou, por seu lado, António Jesus.
Nuno Santos, de 43 anos, eletricista, foi eleito presidente da Junta de Maiorca com maioria relativa. O prometido “diálogo saudável” deverá facilitar-lhe o mandato. O seu tom de voz sereno - muito sereno, aliás, mesmo quando comparado com as vozes políticas mais comedidas – e o seu discurso moderado também poderão contribuir para eliminar “ruído” na comunicação com a oposição (FAP e PS). Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, o recém-eleito autarca do Chega não poupou elogios à sua equipa e definiu como prioridades a limpeza urbana e a eliminação de zonas perigosas das vias rodoviárias da freguesia.
Habitaçãó pública
Nuno Santos veria com bons olhos a construção de habitação com renda acessível na Casa da Praça, no centro histórico da vila de Maiorca, para a classe média, que vários setores da sociedade maiorquense contestaram quando foi proposta pelo Município da Figueira da Foz, receando tratar-se de habitação social, que não é. Entretanto, o processo, que também envolveu o Instituto da Habitação, não avançou. “Na minha opinião, é uma mais valia”, sustentou o presidente eleito da junta.»

Nota de rodapé.
Na Figueira, estas eleições autárquicas alteraram alguma coisa? 
No essencial, não.
Apenas sublinharam divergências (não mudanças) que já vinham de trás.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

5 de Outubro de 1910, a Figueira e os Homens de bem

Quem sempre determina o rumo do mundo, são duas espécies de seres humanos.
Os que fazem da sua vida uma inspiração a luta pela esperança, pela democracia e pelo futuro. 
E os outros.
É por isso, que quando desaparece alguém que deu exemplo de generosidade e dedicação, que olhou para diferentes como semelhantes ou para semelhantes como iguais, ficamos abandonados à sorte de uma humanidade que continua a revelar-se animalesca, verificando-se, nos últimos tempos, uma  revalorização do ódio, uma perseguição do outro, a obsessão da identidade nacional como desculpa para a agressão.
É por isso que Portugal em 2025 está a ficar tão perigoso.

A implantação da República em Portugal, aconteceu como um golpe inevitável dado o clima que se vivia no país.
Nos últimos anos de monarquia a situação sócio- económica do país agravava-se de dia para dia, a crise tinha-se instalado, o povo vivia na miséria em contraste com a abundância em que viviam a classe política, a burguesia e a nobreza. Esta situação agravou-se com a questão do Ultimato Inglês, onde era exigido que Portugal se retirasse do território entre Angola e Moçambique (zona do Mapa cor-de-rosa), perdendo os benefícios de que usufruía nessa região. O descontentamento foi geral, tanto mais que ainda reforçava o poder do Rei, e os ânimos exaltaram-se. A partir de 1906 conjurava-se já o derrube da monarquia constitucional. Em 1908 deu-se, efectivamente, uma primeira tentativa de destituição da monarquia, mas falhou, tendo sido, no entanto, morto o Rei D. Carlos I e o Príncipe herdeiro D. Luís Filipe. O regicídio deu-se no Terreiro de Paço, onde foram ambos abatidos a tiro. D. Manuel foi o seu sucessor. Nos anos seguintes o clima foi-se agravando e, em 1910 o país vivia num caos com conspirações dos republicanos de um lado, conspirações dos monárquicos do outro, os operários faziam greve reclamando melhores condições de trabalho e de vida e a classe média, mostrava-se tão furiosa como o operariado, pois perdiam com a falência do banco Crédito Predial Português, dirigido por chefes políticos da monarquia. Os republicanos reclamavam, acima de tudo, com a ordem forçada em que se vivia, reclamavam uma “greve geral” e a ideia, por muito disparatada que parecesse, começou a soar bem. As operações que levaram à queda da monarquia revelaram-se fáceis face à desorganização das forças monárquicas.

A Figueira também viveu os acontecimentos de Outubro de 1910.
Manuel Gaspar de Barros, Memórias
"Nos anos que precederam a proclamação da República, os republicanos organizavam conferências de propaganda em todo o país. Na Figueira isso acontecia frequentemente, com numerosos vultos políticos. Só quero agora referir que conhecei então o Prof. Miguel Bombarda. Veio uma vez fazer umas dessas conferências no Teatro Príncipe, que mais tarde ardeu.
Em 1910 eu tinha 9 anos. A nossa habitação era na rua da Lomba e o meu pai tinha um pequeno escritório no rés-do-chão. No dia 3 de Outubro à noitinha o meu pai disse-me: “Vais ser um homenzinho e quero-te dizer uma coisa. Rebentou em Lisboa uma revolução para proclamar a República. Hoje aqui não sabemos mais nada”. Mas no dia seguinte, 4 de Outubro, o meu pai não veio almoçar e à noite não veio jantar. Não sabíamos dele e, ao entrar da noite, minha Mãe começou a ficar inquieta, não sabia o que havia de fazer. A cidade estava agitada, corriam muitos boatos, na madrugada do dia 5, perante a inquietação de minha mãe a minha avó, que tinha grande ascendente sobre meu Pai, resolveu-se afazer alguma coisa. Mandou um empregado procurá-lo pela cidade e dizer-lhe que ela lhe queria falar; ele não apareceu à hora matutina do primeiro almoço, e contou que, de pé, dum banco da praça Nova, tinha conseguido pelo seu prestígio político, manter ordeira toda a população agitadíssima pela vitória da República em Lisboa.
Nos dias seguintes, talvez nos dias 5 e 6 de Outubro, eram manifestações e cortejos por toda a cidade. Vivas, discursos, a cada paragem, homens roucos de tanto gritar. Meu pai seguia nessas manifestações e eu acompanhava-o. Um dos tribunos mais em evidencia era o Snr. António Lino Franco, farmacêutico na Praça Velha. Nas manifestações as filarmónicas tocavam incessantemente a “Portuguesa”, o nosso hino. Em seguida foi a mudança da bandeira azul e branca, da Monarquia, pela verde rubra da República, nos edifícios públicos. No forte de Santa Catarina deixaram-me puxar a adriça para içar a bandeira verde-encarnada. Possuo uma fotografia da cerimónia."

Na foto da comemoração do 5 de Outubro de 1971 na Figueira, (obtida via Mário Bertô Ribeiro) é visível o Homem e  o Mestre da política e da escrita, de seu nome José Fernandes Martins.
Morreu em 28 de Abril de 2000. Tinha nascido a 17 de Fevereiro de 1941. Nome completo: José Alberto de Castro Fernandes Martins. Para os Amigos, simplesmente o ZÉ. 
Purista do verbo e do enredo no dissertar da pena, concebia o jornalismo como uma arte e uma missão nobre. “Também a lança pode ser uma pena/também a pena pode ser chicote!” 
Andarilho e contador de histórias vividas, passou em palavras escritas pelo Notícias da Figueira, Diário de Coimbra, Diário Popular, Jornal de Notícias, Diário de Lisboa, República, Opinião, Vértice, Mar Alto (de que foi co-fundador), Barca Nova (de que foi fundador e Director) e Linha do Oeste. 
No associativismo passou pelo Ginásio Clube Figueirense e Sociedade Boa União Alhadense. 
Lutador contra o regime deposto pelo 25 de Abril de 1974, teve ficha na PIDE. Foi membro da Comissão Nacional do 3º. Congresso da Oposição Democrática que se realizou em 1969 em Aveiro. Chegou a ser preso pela polícia política. 
Com a sua morte, a Figueira perdeu uma parte do seu rosto. Não a visível, mas a essencial. Era crítico e exigente. Mas, ao mesmo tempo, bom, tolerante e solidário. 
Mais de 25 anos depois da sua morte, a Figueira, a cidade que amou toda a vida, continua a ignorá-lo.
Zé Martins, de costas e em primeiro plano, é o terceiro a contar da direita

domingo, 28 de setembro de 2025

Em rota de colisão


 Tiago Franco

"Até 2022, mais coisa menos coisa, havia esquerda, direita, o PAN e um facho na AR. A partir daí, na voz de uns quantos Morgados, passou a haver centro-esquerda e centro-direita. E depois os extremistas. Chega de um lado, PCP/BE/Livre de outro. Não vou perder tempo a comparar os programas dos "extremos" porque, qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe que não foi a esquerda que mudou ou que passou a defender coisas diferentes. Simplesmente foi preciso normalizar um partido fascista e, como tal, procuraram-se contra-pesos.

Cheganos acreditam nisso, como já acreditavam que eram pobres há 30 anos porque um nepalês lhe entrega uberEats desde o ano passado. E por mim tudo bem. Cada vez mais aprecio o silêncio enquanto observo a estupidez e a ignorância que se tornaram formas de estar.
A AR tem partidos à esquerda, tem alguns ao centro e tem outros à direita. Tem apenas um nos extremos que cumpre todos os requisitos para o ser: populista, propagandista, racista, xenófobo, apela ao ódio, apela à divisão e ataca as minorias, enquanto elege criminosos. Esta é a realidade, o resto é a ficção em que cada um escolhe acreditar, ou por ignorância ou para aliviar as frustrações da vida. Por esta altura do campeonato é-me indiferente. Dormirão na cama que fizerem.
O professor Astromar, à direita na imagem e de quem sou grande fã desde os tempos do Vietname, disse que o orçamento de Luis Montenegro podia ter sido assinado por António Costa, tal a semelhança entre eles. Portanto, é um liberal a dizer que PS e PSD são siameses, ficando como é óbvio a esquerda parlamentar entregue a Livre, BE e PCP. Sem extremos. Se nem assim conseguem perceber, também não consigo ajudar muito mais.
Quando o discurso passa por planos ocultos para "inundar países europeus com imigração", eu sinto que falta algo à conversa. Talvez alguém do ADN, a Joana Amaral Dias ou alguém do género, que possa trazer teorias e agendas escondidas em horário nobre.
Se pensarem bem, o programa ainda não é suficientemente mau. A SIC Notícias tem margem para o piorar. Não desistam, ainda. A população precisa de ser educada e o big brother não pode fazer tudo sozinho."