sábado, 25 de maio de 2013

O esplendor da direita…


Em tempo.
Nos tempos que correm em Portugal, as castas iluminadas  – de que fazem parte os banqueiros, gestores e economistas de topo, membros de conselhos de administração, governantes,  e afins -, que, todos juntos,  não devem ser mais que um por cento da população, ganharam o  hábito de chamar privilegiados à maior parte dos restantes 99 por cento.
Daqui, estranhamente, está a dar-se  uma inversão do sentido de privilegiado.
Hoje, chama-se privilegiado a alguém que tenha perdido o  emprego,  e esteja a receber subsídio.
Este mero facto é a ilustração grotesca de quão baixo e mesquinho descemos em Portugal…
A continuar assim, a breve trecho, serão "privilegiados" todos aqueles que não estiverem a morrer de fome…
Curiosamente, porém, nunca são estes que trazem o tema do privilégio para a praça pública. Os desempregados não atacam o privilégio de se ter um emprego; querem apenas conquistá-lo.
Mas um banqueiro como este Salgado, que tem poucas oportunidades de ficar desempregado, defensor da  liberalização dos despedimento em Portugal - a benefício, supostamente, dos desempregados – ainda tem o desplante de dizer o que diz…
Aliás, é vulgar nos jornais, facilmente encontramos senhores que podem determinar o valor das suas pensões ou aumentar-se legalmente a si mesmos, que acusam o cidadão comum de, com os seus “privilégios”, estar a colocar em risco a sobrevivência de Portugal.
A esses senhoritos aproveito para lembrar o que dizia o padre António Vieira: “se é preciso muito peixe miúdo para alimentar um peixe grande, somente um peixe grande bastaria para alimentar muitos pequenos.”
Chegados aqui em que é que ficamos?
Ficamos a pensar, o  que já não é pouco, - não sendo embora um “privilégio” - nos cerca de 500 000 desempregados que não têm direito a subsídio... 

Uma palavra para o Miguel

Na Figueira, a vida democrática tem existido com alternância de poder, e é por isso que  andas  por  cá a mostrar a mensagem que queres passar.
"O  Miguel  está aqui, anda a  ver tudo. E vai  tomar conta de tudo.
Comigo, o futuro da Figueira brilhará…
E  brilhará de todas as maneiras possíveis, até ao infinito."
Felicidades  Miguel.
A Figueira merece-te.
E tu mereces a Figueira.
Vai ser  difícil?
Vai…  Mas se calhar, mais uma vez,  estarei  errado...

A direita no seu esplendor...

"Nem todos tiveram a oportunidade de assistir ao debate, há uns dias, sobre uma proposta de resolução dos Verdes que recomendava ao Governo o acesso à Constituição (CRP) por todos os alunos e a inserção do ensino da mesma nos programas curriculares.
Naturalmente, caberia ao Governo a concretização da recomendação. Não se tratava de pedir a alunos de 15 anos que estudassem a lei das leis como a mesma é estudada numa disciplina de direito constitucional no curso de Direito.
O que estava, e bem, em causa era permitir que os estudantes concluíssem a sua escolaridade com uma capacidade de cidadania acrescida. Saberem o que é a CRP; conhecerem os seus princípios básicos, como o da igualdade; conhecerem os (seus) direitos e deveres fundamentais; perceberem o sistema político no qual estão integrados, desde logo pelo direito ao voto; nesse sentido, por exemplo, ser-lhes facultado o estudo dos órgãos de soberania e das respetivas competências fundamentais; enfim, isto.
Para surpresa de toda a esquerda, a direita levantou-se como um equinócio contra a proposta. Como se a CRP fosse esquerdista ou ideológica ou rígida e aleijasse menores.
Sendo a CRP naturalmente de todos e tendo a direita votado favoravelmente todas as revisões constitucionais, desde logo ao lado do PS, a argumentação no debate foi um embaraço.
Um Deputado do PSD explicou como, noutras disciplinas – como a de história – se ensina a evolução constitucional portuguesa desde 1822. Sim, dizia, os alunos sabem que depois houve a Carta de 1826 e – pasme-se – também estudaram a primeira Constituição republicana, a de “1933”. O Deputado, provavelmente escutado por jovens, não sabia que deu-se o caso de uma revolução republicana em 1910 e de uma consequente e primeira Constituição republicana, a de 1911. Parece que o republicanismo constitucional se iniciou, então, com uma Constituição fascista.
Dir-se-á que erros acontecem, mas os Deputados escolhidos para intervir devem ser os mais preparados na matéria em questão."