segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

“Acordo verbal”, que deu a presidência da mesa da Assembleia de Freguesia ao PS, permite que o Chega governe Maiorca...

Em julho do ano passado, Eurico Brilhante Dias defendeu que, depois duma entrevista do primeiro-ministro à Antena 1, ficou claro que o Governo escolheu o Chega como “parceiro preferencial”, aliando-se à “agenda da extrema-direita”, e assegurou que “o Partido Socialista não vai transformar a vida política portuguesa numa espécie de reality show”.
“O Governo, pela voz do primeiro-ministro, entendeu dar mais um passo na normalização da extrema-direita”, lamentou na altura o presidente do Grupo Parlamentar do PS em declarações à comunicação social, numa reação à entrevista de Luís Montenegro ao programa ‘Política com Assinatura’ da Antena 1.
O primeiro-ministro escolheu criar “um bloco radical de direita”, sustentou Eurico Brilhante Dias, comentando que “tem sido patente que, a cada proposta da extrema-direita, o Governo aceita”. “São más propostas que não resolvem os problemas, dividem os portugueses e deslaçam a sociedade”, criticou.
Entretanto, realizaram-se as eleições autárquicas de Setembro passado e os esforços para a normalização do Chega têm-se acentuado. 
E o Chega não mudou nada. Antes pelo contrário: cada vez está mais radicalizado.
Por onde anda o “Partido Socialista disponível para um diálogo democrático e não para participar na implementação e numa normalização de uma agenda que é nociva aos portugueses”?
Infelizmente, não é só o Governo que escolheu ser radical e construir um bloco radical à direita.
Em Maiorca, com este acordo, não foi o partido Chega que foi “normalizado”: foi o regime.
A exclusão do Chega, exigida pelos democratas e aceite por parte da direita e por parte do PS, só nos pode conduzir a um regime anormal.
Por onde andam os socialistas figueirenses?
A campanha de normalização do Chega, nunca chega... 

Imagem via Diário as Beiras

domingo, 11 de janeiro de 2026

Quem vota em candidatos propostos pelo partido da treta está a contribuir para transformar em "bandalheira" a democracia em Portugal...

Via Diário as Beiras

«A vereadora da Câmara Municipal de Coimbra Maria Lencastre Portugal anunciou hoje a desfiliação do partido Chega, com efeitos imediatos, invocando razões relacionadas com o enquadramento do exercício do mandato, para o qual foi eleita em outubro.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a autarca explicou que a decisão resulta de uma “incompatibilidade objetiva” entre orientações internas recentemente aprovadas pelo Chega e a forma como entende que deve ser exercido o mandato local, “assente na autonomia dos eleitos e na representação direta dos cidadãos”.

“As orientações para o exercício do Estatuto do Direito de Oposição 2026”, aprovadas pela Comissão Autárquica Nacional do Chega, introduzem procedimentos de articulação política interna que não são conciliáveis com o modelo de mandato livre consagrado na Constituição e no Estatuto dos Eleitos Locais».

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Para Santana Lopes, "recuperar a autonomia administrativa para o porto é um desafio deste mandato autárquico"

 Via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)

Três regulamentos enviados para consulta pública

Via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)

Policia Municipal: proposta - "16 elementos o que dá em permanência 2 ou 3 quase 24 horas por dia"

A Câmara da Figueira da Foz aprovou a proposta de discussão pública do regulamento e funcionamento do corpo da Polícia Municipal, que, inicialmente, terá um efetivo de 16 elementos.
“Nesta primeira fase, estamos a propor 16 elementos, podendo depois variar conforme as necessidades, que vai permitir ter em permanência dois ou três elementos quase 24 horas por dia”, explicou aos jornalistas o vereador Manuel Domingues.
O autarca, que falava no final da sessão de Câmara de ontem de manhã, disse que os custos anuais para um efetivo de 16 polícias municipais é de cerca de meio milhão de euros.
Para o PS “a expectativa não é grande”.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Viver na Figueira é uma benção...

Uma pessoa, por mais que se tente alhear, anda cá com uma angústia tão grande, tão grande, que medida em quilómetros, dava para percorrer várias vezes Portugal, indo pelas autoestradas nacionais. 
Assim houvesse dinheiro para o combustível e para as portagens e era o que faria já hoje: ia arejar...
Que fique claro, porém: é uma benção viver  na Figueira, uma "cidade à beira-mar e à beira rio-plantada"!..

"Sempre que o assunto é a chegada ou a espera dos Reis Magos na Figueira da Foz, torna-se inevitável referir que, nesta cidade à beira-mar e à beira-rio plantada, não são três, mas seis os soberanos que, na noite do dia 5 de janeiro, visitam o Menino Jesus, naquela que é  uma tradição sustentada, há várias décadas, pela Sociedade Filarmónica Figueirense e pela Sociedade Filarmónica Dez de Agosto, cada uma com o seu cortejo de Reis Magos, com diferentes pontos de partida e chegada ao mesmo local - a lapinha instalada na praça 8 de Maio."
Mas isto vai mudar: o presidente do executivo, Manuel Rascão Marques, adiantou ao DIÁRIO AS BEIRAS que, no próximo ano, serão introduzi das mudanças. “Entendemos que tínhamos de ser nós a organizar o evento, e aqui estamos com força”, vincou o autarca. E aquelas duas coletividades da cidade concordaram.
Este ano o tempo foi curto, já que o executivo entrou em funções em novembro de 2025. “Esperamos voltar a organizar a Chegada dos Reis Magos também no próximo ano, com mais tempo. Iremos tentar fazer algumas alterações, mas mantendo a tradição”, adiantou Manuel Rascão Marques. “Vamos todos, em conjunto, falar sobre isso”.
Questionado acerca das mudanças, o autarca respondeu assim: “Ainda não vou dizer nada, porque ainda estão em estudo. Vamos ver como vai correr o evento de hoje [segunda-feira]. O que nós queremos é que corra tudo bem”. Apesar do frio, uma multidão assistiu ao evento, que inclui distribuição de guloseimas pelas crianças e animação musical ao vivo. Este ano, no entanto, apenas a Dez de Agosto realizou o cortejo a cavalo, enquanto os Reis Magos da congénere Figueirense desfilaram a pé, decisão alheia à organização. Por outro lado, só a Filarmónica Figueirense levou à cena a peça de teatro “Autos pastoris”.
Chegados aqui, como diria o outro, a maior parte dos problemas que temos vêm, não do facto de o poder ser demasiado forte, mas de o poder ser demasiado fraco.
É pena que na melhor, mais enérgica e mais criativa fase da vida se opte por fazer da realidade um mero parque de diversões. 
Que saudades de Grândola, terra da fraternidade...

"Imóveis estão na área de abrangência da requalificação da entrada da cidade, uma das prioridades do mandato"

 “Vamos ter de pressionar [a Comboios de Portugal e a Infraestruturas de Portugal] sobre o estado dos imóveis na zona da estação”, disse o autarca figueirense, falando numa reunião de câmara.

O ministro das Infraestruturas e Habitação sabe que os imóveis em causa estão degradados e devolutos. No dia 1 de agosto de 2024, aproveitando a presença no governante na cidade, Santana Lopes levou Miguel Pinto Luz àquela zona da cidade, para ver o estado em que aquele património do Estado se encontra.

“Este é um passivo toxico da cidade e, portanto, tem de sair. O senhor ministro diz que o caminho mais adequado é passar para a câmara e a câmara fazer o que entender. Eu pus duas hipóteses: vir abaixo ou passar para a câmara”, disse, naquele dia, ao DIÁRIO AS BEIRAS Santana Lopes, no final da visita.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Valha-nos a nossa pobre cabecinha ...

Vídeo daqui
Quem andou anos a contestar as eleições de Maduro e aceita os comportamentos de Trump, sente-se confortável para aceitar os resultados de umas eleições na Venezuela, ou noutro País, em que seja Trump a decidir o vencedor?
Quem acredita na narrativa da droga, em relação a Maduro, não ficou perturbado com o perdão ao traficante das Honduras?
Quem considera que os EUA lutam pela liberdade dos venezuelanos, não viu o Trump explicar bem explicadinho que foram à Venezuela para ganhar dinheirinho fácil e do bom com o petróleo, diamantes e outras riquezas venezuelanas?
Já esqueceram o que aconteceu no Iraque, Síria, Líbia, Afeganistão e Kuwait. Todos tiveram a experiência da democracia oferecida pelo pentágono. Digam lá o resultado?
As revoluções fazem-se com o povo do país. Com o povo e pelo povo. Por imposição de uma potência estrangeira, não são revoluções. São outra coisa: processos de colonização. 
Está difícil suportar ver os canais de notícias. Com a realidade a meter-se pelos olhos dentro, há "especialistas" em permanência 24 sobre 24 horas nas televisões, a tentar criar uma lógica e narrativas para tentar justificar o que não tem justificação. O que se está a passar é terrorismo a entrar nas nossas casas sem pedir licença. 
Valha-me a possibilidade de ainda ser a minha pobre cabecinha a fazer a última reflexão...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Ministra avisa na Figueira da Foz que nomeações nas ULS cabem ao Governo e não a autarcas

Recentemente, autarcas de Leiria e de Coimbra tornaram público  que "querem que Governo não afaste líder da ULS e saíram  em sua defesa".
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, esclareceu hoje que os autarcas não fazem parte do processo de nomeação de administrações das Unidades Locais de Saúde (ULS) e que essa responsabilidade cabe ao Governo.
A ministra foi questionada pelos jornalistas, na Figueira da Foz, sobre a posição assumida por autarcas e comunidades intermunicipais (CIM) em defesa da manutenção em funções de alguns conselhos de administração de ULS.
Na ULS de Coimbra, por exemplo, a substituição do presidente do conselho de administração, Alexandre Lourenço, foi contestada pelas CIM de Coimbra e de Leiria.
“Os autarcas não fazem parte do processo, não é? Os autarcas têm outros processos e, nomeadamente, decidem sobre a sua autarquia”, alegou Ana Paula Martins.
A governante notou, no entanto, que os presidentes dos municípios “têm uma coisa muito importante”, ao nível das comunidades intermunicipais, “que é decidirem quem são os membros, ou o membro, que indicam para os conselhos de administração”.
“Isso é aquilo que compete aos autarcas. E nós temos um grande gosto de receber nos conselhos de administração esse contributo, que é fundamental, da parte dos autarcas”, disse a governante.
Ana Paula Martins reiterou no entanto que “os autarcas não são quem nomeia os conselhos de administração das ULS”.
“Nessa matéria, naturalmente que respeitamos a posição, e compreendemos, mas cada um tem de cumprir a sua função e o Governo tem de cumprir a sua e a Direção Executiva [do Serviço Nacional de Saúde (SNS)] também”, argumentou a ministra.
Sobre se considera irrevogável a substituição da administração da ULS de Coimbra, Ana Paula Martins revelou que essa substituição já foi comunicada pelo diretor executivo do SNS e o Governo irá avançar com a mudança dos administradores “nos próximos dias”.
Questionada pela agência Lusa sobre se o médico José Manuel Silva, anterior presidente da Câmara Municipal e antigo bastonário da Ordem dos Médicos será o novo presidente do conselho de administração da ULS Coimbra, a ministra recusou responder: “Não vou falar sobre esse assunto, têm de esperar pela resolução do Conselho de Ministros”.
O tema da substituição ou eventual recondução de conselhos de administração de ULS nacionais foi um dos abordados por Ana Paula Martins, em declarações aos jornalistas, na Figueira da Foz, à margem de uma visita ao hospital local, sede da ULS do Baixo Mondego, com a ministra, sem especificar, a dizer que em alguns casos das 10 administrações que cessaram funções a 31 de dezembro de 2025 já há decisões tomadas e outros ainda estão em avaliação.
Lembrou que, segundo a lei, as comissões de serviço são de três anos e podem ser até três comissões (uma indigitação e duas renovações de mandato)
“E só há duas possibilidades, ou são reconduzidas ou são substituídas. Quando há uma mudança de equipa, a que substitui tem de ir à CRESAP [Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública] e essa avaliação demora tempo, só depois dos relatórios feitos é que o Governo pode tomar uma decisão final”, frisou Ana Paula Martins.
As 10 administrações de ULS que cessaram funções a 31 de dezembro de 2025 foram as do Nordeste (Bragança), Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real), S. João e Sto António (Porto), Matosinhos, Coimbra, Médio Tejo (Abrantes), S. José (Lisboa), Litoral Alentejano (Santiago do Cacém) e Baixo Alentejo (Beja).

A Câmara da Figueira da Foz garante alojamento para estudantes do campus da UC

Via Diário as Beiras
"A vereadora Olga Brás garantiu, na Assembleia Municipal, que a Câmara da Figueira da Foz reservará 20% dos fogos de habitação pública da modalidade de renda acessível – para a classe média – , em construção, para residências universitárias. A autarquia figueirense chegou a ponderar a possibilidade de destinar um dos quatro blocos dos chamados prédios militares, junto ao Parque das Abadias – dois em reabilitação e outros dois em construção – para uma residência universitária. 
Na sessão da Assembleia Municipal, onde foi questionada pelo deputado municipal do PS Daniel Azenha, quando se debatia o Orçamento do Município para 2026, a intervenção da vereadora da maioria FAP permitiu inferir que os de fogos destinados a estudantes do Campus da Universidade de Coimbra serão distribuídos pelos imóveis em construção ou reabilitação em diferentes zonas da cidade. “Não tenha dúvidas [de que no próximo ano haverá fogos para estudantes do ensino superior]”, garantiu a edil, ainda quando respondia àquele deputado da Assembleia Municipal da Figueira da Foz da oposição. Contactada pelo DIÁRIO AS BEIRAS, Olga Brás não respondeu às perguntas que visavam esclarecer onde serão alojados os estudantes universitários a quem o município da Figueira da Foz vai reservar 20% dos apartamentos com renda acessível, já a partir do próximo ano letivo. 
O próximo ano letivo deverá arrancar no Campus da Universidade de Coimbra da Figueira da Foz com uma nova licenciatura, em Engenharia Naval e Oceânica, o que levará ao aumento do número de estudantes do ensino superior na cidade com necessidade de alojamento. “Os estudantes que, neste ano letivo, pediram apoio [para alojamento] estão a ser apoiados”, garantiu ao DIÁRIO AS BEIRAS o diretor do Campus da Universidade de Coimbra, Miguel Pardal. Neste momento, no campus universitário são lecionados uma licenciatura em Biologia Marinha, diversos mestrados e cursos de curta duração não conferentes de grau académico.
A parceria
O alojamento de estudantes com apoio social é da responsabilidade das instituições de ensino superior, o que não as impede de criarem parcerias. Neste contexto, a Universidade de Coimbra e o Município da Figueira da Foz estão a estudar formas céleres de garantir alojamento aos alunos que frequentam o campus universitário. Neste momento, 12 dentre os cerca de 70 alunos que frequentam a licenciatura e os diversos mestrados lecionados no Campus da Universidade de Coimbra da Figueira da Foz beneficiam de apoio social, incluindo alojamento. Os beneficiários estão alojados em apartamentos arrendados.
Na vanguarda
O município figueirense tem em curso a construção de novos edifícios e a reabilitação de outros para habitação pública, num total de 170 fogos. Esta aposta coloca a Figueira da Foz no grupo dos concelhos portugueses que mais estão a investir em habitação com verbas oriundas do Plano de Recuperação e Resiliência. Só o investimento na modalidade de custos controlados para arrendamento acessível (para a classe média), em parceria com o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, ronda os 25 milhões de euros. Mas há outros programas que sustentam o investimento global em curso."

domingo, 4 de janeiro de 2026

Público, um diário a cair de maduro...

"Esta não pode ser a capa do melhor diário português. Não pode. Ou então já vale tudo e não nos avisaram."

O Império apresenta-se

Se o Direito Internacional precisava de um funeral, ele aí está. Donald Trump decidiu raptar Nicolas Maduro, chefe de estado de um país soberano. Curiosamente, são os autocratas (e alguns líderes sul-americanos) quem mais condena abertamente a operação norte-americana; os líderes das democracias, com destaque para a Europa, fazem o equilíbrio impossível: defender o Direito Internacional sem condenar expressamente a intervenção dos Estados Unidos. 

A reacção tímida do governo português não surpreende. Porque é sempre tímida e porque há uma considerável comunidade portuguesa no país que obriga a manter opções em aberto. Se este dado nos permite alguma compreensão e se a dimensão portuguesa obriga a medir todas as palavras, a posição do governo português face ao ataque dos Estados Unidos a um país soberano, tornou evidente o receio de condenar frontalmente a violação da soberania de um Estado membro das Nações Unidas.

As palavras de Paulo Rangel, ministro dos negócios estrangeiros, significam que Portugal sanciona a política do facto consumado. Apesar de dizer que Portugal defende o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas (documentos que impedem o que os Estados Unidos fizeram na Venezuela), diz simultaneamente que Portugal vai trabalhar com parceiros internacionais para construir uma solução democrática e estável, para o futuro da Venezuela, que vá ao encontro da vontade demonstrada nas eleições de Julho de 2024 e que não foi respeitada pelo ditador Nicolas Maduro. Paulo Rangel nunca respondeu directamente, mesmo questionado várias vezes, se Portugal condena ou não a operação dos Estados Unidos para raptar Nicolas Maduro.

Na foto (publicada pela Casa Branca na rede X), o secretário da defesa, Pete Hegseth, de dedo em riste e Donald Trump, seguem o desenrolar da operação de rapto de Nicolas Maduro.

Via Meu Mundo Minha Aldeia


"Os imperadores romanos  – pelas imagens chegam aos nossos dias – tinham pose. Trump nem isso. Não consegue ir além da pose do xerife, o cowboy com os coldres a meia perna que desafia quem se lhe atravessa no caminho, dispara e sopra o cano fumegante do revólver, antes de a devolver ao coldre depois de rodar a arma no indicador que puxou o gatilho. No entanto, a verdade, é que tem o poder de um Imperador.

A Conferência de Imprensa em Mar-a-Lago, na Florida, foi uma exibição de poder imperial. Donald Trump, Marco Rubio (com sangue cubano nas veias), Pete Hegseth e o General Dan Caine (responsável militar pela operação que raptou Nicolas Maduro), encheram o peito, celebraram o poder da força militar, o unilateralismo e o desprezo pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas. Sopraram o fumo que saía dos revólveres e banalizaram o mal. Tudo de uma assentada: eis o que se espera de uma grande democracia e de um presidente que acabou de amnistiar os apoiantes que invadiram e vandalizaram o Capitólio, em Janeiro de 2021, quando estava a ser certificada a vitória de Joe Biden. Na longa conferência de imprensa em Mar-a-Lago só faltou J. D. Vance, para que o séquito imperial estivesse completo, talvez porque Vance é um MAGA (Make America Great Again) que não alinha muito como este tipo de políticas expansionistas.

Petróleo

Se houvesse dúvidas quanto ao objectivo do presidente norte-americano, todas ficaram esclarecidas tal a insistência do próprio na palavra mágica: petróleo! Os Estados Unidos querem ser ressarcidos do que dizem ter sido o roubo dos investimentos norte-americanos na indústria petrolífera do país. Trump anunciou o regresso à Venezuela das empresas petrolíferas norte-americanas, anunciou forte investimento na reparação das infraestruturas petrolíferas e, cereja no topo do bolo, o investimento será feito com os lucros gerados pelo petróleo venezuelano, que servirão ainda para ressarcir o tal roubo de que os Estados Unidos dizem ter sido vítimas. Convém referir que esse “roubo” refere-se principalmente à primeira década do século, quando Hugo Chávez ordenou às petrolíferas estrangeiras que operavam na Faixa do Orinoco que convertessem os seus projetos em joint ventures maioritariamente detidas pelo Estado, com a PDVSA (petrolífera do Estado venezuelano) a deter pelo menos 60%. As empresas que aceitaram permaneceram, as que recusaram foram expulsas. A ExxonMobil foi uma das que recusou e saiu da Venezuela. A Chevron continuou até hoje.

Independentemente da ferocidade das ditaduras que lideram, desde que aceitem as condições das empresas e dos governos ocidentais, presidentes e primeiros-ministros dos países produtores de petróleo podem continuar eternamente no poder porque têm a bênção dos poderosos.

A Democracia na Venezuela é a última das preocupações norte-americanas. A prova disso é que Washington tem relações amistosas com muitas ditaduras e autocratas piores do que o regime de Chavez/Maduro. Se a preocupação fosse a democracia e os Direitos Humanos, muitos outros regimes já teriam enfrentado acções com a que se abateu agora sobre a Venezuela, apesar da ameaça feita por Trump: “o que aconteceu a Maduro pode acontecer a outros que não sejam justos com os seus povos”. Talvez Cuba esteja no topo da lista. Certamente que Marco Rubio fará força nesse sentido. E é bom que tomemos nota: Donald Trump referiu o Hemisfério Ocidental como sendo da esfera de responsabilidade dos Estados Unidos e aí estão incluídos Canadá e Gronelândia.

Donald Trump prometeu que os Estados Unidos vão gerir a Venezuela. Não disse como, mas avisou que pode haver uma segunda vaga mais violenta se houver uma tentativa de manter o regime: “vamos gerir a Venezuela até que haja uma transição justa. Não podemos permitir que venha alguém para continuar o que Maduro estava a fazer”. Quem será então? Não se sabe? Tal como não se sabe como vão os venezuelanos responder a este ataque norte-americano. A Venezuela é um país imenso que não pode ser controlado facilmente se os militares venezuelanos recusarem a tutela norte-americana. A grande incógnita é saber que vontade e capacidade tem o regime – que ficou sem o líder – de responder e enfrentar a vontade norte-americana.

Logo a seguir à conferência de imprensa de Trump em que foi anunciado que Marco Rubio falara com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, tendo Trump dado a entender que tinha havido algum tipo de entendimento, foi a própria a responder que Nicolas Maduro é o presidente legítimo da Venezuela, estendendo igual legitimidade ao governo que detém o poder em Caracas.

Não estando em causa a bondade do regime de Maduro, as relações internacionais não podem ter como bússola a força militar das grandes potências. Não é esse o caminho para a paz."

sábado, 3 de janeiro de 2026

Equipa liderado por Teresa Cardoso, que inclui o figueirense Valter Rainho, tomou ontem posse

Via Diário as Beiras: "A nova administração dos portos da Figueira da Foz e de Aveiro tomou ontem posse. A equipa é liderada por Teresa Cardoso (ex-presidente da Câmara de Anadia) e inclui o figueirense Valter Rainho (quadro superior do Município da Figueira da Foz) e o ilhavense Rogério Carlos (ex-vice-presidente da Câmara de Aveiro). A anterior administração portuária foi nomeada pelo Governo do PS. No entanto, Santana Lopes recomendou o socialista Carlos Monteiro, era Pedro Nuno Santos ministro das Infraestruturas. O autarca figueirense tem reiterado publicamente que, por sua vontade, pelo menos Carlos Monteiro seria reconduzido no cargo que ocupava".

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

João César Monteiro da terra e do céu — retrospectiva integral

Os filmes do realizador João César Monteiro vão voltar a ser exibidos nas salas de cinema, a partir de 08 de janeiro, em cópias restauradas e digitalizadas pela Cinemateca Portuguesa, revelou a distribuidora Medeia Filmes.

Implacável e Livre, João César Monteiro nasceu a 2 de Fevereiro de 1939 e morreu a 3 de Fevereiro de 2003. 23 anos depois da sua morte, continua a ser um dos realizadores portugueses mais controversos no seu país e um dos mais aplaudidos no estrangeiro. 
Em 2020, "o cineasta João César Monteiro foi  homenageado pelo município da Figueira da Foz, com a atribuição do seu nome a um auditório do Centro de Artes e Espectáculos (CAE). A homenagem teve lugar nos dias 31 – com a exibição do último filme de César Monteiro, “Vai e Vem” (2003) – e 01 de fevereiro, data em que foi atribuído o nome de João César Monteiro ao Pequeno Auditório do CAE (espaço costumam ser exibidos filmes do chamado cinema alternativo e de autor). Na mesma oportunidade, realizou-se um colóquio sobre a vida e obra do cineasta. 
O programa encerrou com a exibição de “As Bodas de Deus”, longa-metragem de 1999, ano anterior àquele em que César Monteiro protagonizou uma das maiores polémicas do cinema português ao estrear “Branca de Neve”, um filme inspirado na obra de Robert Walser, em que aos diálogos se sobrepunha um longo plano em “vários tens de cinzento”, como afirmava, entrecortado por curtas sequências de luz e de céu azul, com nuvens."

Imagem via Diário as Beiras