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| UM TEXTO DE ALFREDO PINHEIRO MARQUES, 27.02.2025. Foto: daqui |
"Sou Europeu. E lamento a destruição e o fracasso da Europa.
E lamento que essa destruição e esse fracasso estejam hoje em dia consumados, em 2025, oitenta anos depois do general Patton e do marechal Jukov.
Eu temia esse fracasso e essa destruição, desde o primeiro momento, quando os vi começar a acontecer: em 1991, em 1997, em 1999, em 2004, em 2007, em 2014 e em 2022.
Mas eram inevitáveis. Tudo é inevitável, neste mundo, quando não se sabe História.
Tenho pena dos Ucranianos (quer dos pró-ocidentais, quer dos pró-russos), desde o primeiro momento, em 2014, quando os vi deixarem-se enredar no logro em que os enredaram; e que iria, sempre, significar a sua destruição. E significou. Exactamente tal como durante a II Guerra Mundial.
Os meus contemporâneos, nesta Europa, não leram Alexis de Tocqueville. E não sabem nada de História, nem de Geografia. Nem do século XIX, nem da II Guerra Mundial e do século XX. Os meus contemporâneos, nesta Europa, não leram nada de nada…
Limitam-se a consumir o que lhes é distribuído, quotidianamente, por umas pobres criaturas, bem pagas e contratadas para isso, desempenhando funções de "estadistas" e de "jornalistas" e de "comentadores" (os "historiadores", deste tempo, que vivem desta espuma quotidiana… a saliva de quem, por enquanto, está longe do sangue e da lama).
Os meus contemporâneos não leram nada de nada…! E muito menos no meu pobre país, em Portugal, em que ninguém lê senão o jornal "A Bola"… O país em que ninguém sabe História, nem Geografia (fazem "Comemorações dos Descobrimentos"…); e a Educação foi destruída, e as Escolas servem para semear a Ignorância (não precisavam de mim… compreende-se que me tenham querido dispensar… eu não servia para isso).
Os Portugueses, hoje em dia, nem a sua própria língua sabem falar! Nem escrever.
Nem sequer sabem ler nem escrever…
Para compreender o que está a acontecer, debaixo dos seus olhos. No seu país, e no mundo. E nesta Europa que, agora, fracassou, e está a ser destruída (como vão, depois, conseguir viver sem ela…?).
Quanto a mim, o meu currículo principal, de que me orgulho, é simples. É só assim: eu sei ler e escrever…
E, como sempre (gosto de me sentir igual a mim próprio…), leio o que sempre gostei de ler — sou muito conservador, nas minhas leituras (e não só), e não me dedico a procurar modernices, ditas intelectuais, e inteligências, ditas artificiais… —, leio exactamente o mesmo que já lia há mais de cinquenta anos, quando tinha dezasseis anos de idade: leio Tolstoi, e Leonard Cohen."