| foto de Pedro Agostinho Cruz |
Quem vive na Cova-Gala , sabe, pelo saber da experência, que
em dias de inverno, é normal ouvir a voz do mar - muitas vezes colérica, mas, quando engrossa, como ontem, mete medo.
É um rebramir, em fundo, que acaba sempre na mesma nota profunda – u-uu
– que entra pela Aldeia e pelas nossas almas dentro.
Lembro-me de, em
miúdo, colocar um velho búzio no ouvido,
para tentar perceber distintamente a grande voz do mar.
Nunca mais a esqueci.
Sempre tive uma relação estranha com o mar.
Adoro-o. Custa-me, imenso, estar, um dia que seja, sem o escutar ou sem o ver.
Mas, mas, por vezes, como aconteceu ontem, olho-o como se
olha para um carrasco cego, insensível e injusto...
Em tempo.
Tomei conhecimento, via O Figueira na Hora que “a Capitania
do Porto da Figueira da Foz tem hoje a
Bandeira Nacional a meia haste, em sinal de luto pelo trágico desfecho do
naufrágio de ontem no Cabedelo, onde perderam a vida Adriano Martins, de 41
anos, agente da Polícia Marítima e ex militar da Marinha, e um tripulante
alemão da embarcação ‘Meri Tuuli'.”
A minha solidariedade.










