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"Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos" na Figueira.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Porquê?

"Interrompo a reflexão sobre questões mais metafísicas, depois de, na semana passada, não ter sido publicado o texto preparado, pela necessidade do espaço para contemplar a informação sobre a tragédia que nos assolou.

E é sobre esse assunto que coloco algumas questões, a partir da correção de três erros que vão fazendo, infelizmente, o seu percurso:

1.º A tempestade Leslie (a mais poderosa que atingiu Portugal desde 1842) foi corretamente esperada e os meios utilizados para prevenir as suas consequências foram os mais adequados (cada dia que passa mostra o contrário);

2.º Não convém neste momento avaliar o que não foi bem feito, sendo mais importante trabalhar para repor o mais rapidamente possível a normalidade (como se uma coisa anule necessariamente a outra);

3.º É considerado “aproveitamento partidário” manifestar qualquer opinião que não seja a “oficial” (neste como em todos os casos).

Ora, em profunda e sentida solidariedade relativamente a quem se viu, num doloroso instante, privado do labor do seu trabalho de anos, formulo algumas questões de âmbito concelhio:

– Que tipo de alerta existia no sábado? Por que não foram recebidas sms de alerta, como noutros locais?

– Porque não foram previamente cancelados o concerto no CAE e outros espetáculos?

– Porque é que funcionários da CMFF (ex. Divisão do Ambiente) não foram colocados em alerta?

– Conforme a Lei de Bases da Proteção Civil, porque não foi declarado o estado de calamidade pública, pelo Governo?

– Porque não foi ativado um Fundo de Emergência Municipal?

Tem a palavra quem de direito."

Teotónio Cavaco, ontem no DIÁRIO AS BEIRAS

Figueira da Foz, Cova-Gala, Praia da Leirosa, em grande reportagem no programa da RTP1, Linha da Frente: O Furacão, hoje, às 21 horas, logo após o Telejornal.


Parque Verde, depois da reunião na Câmara: "não saímos convencidos..."

Ana Mesquita, deputada do PCP, esteve ontem nas instalações do Grupo Desportivo Cova-Gala

Foto António Agostinho
A deputada do Grupo Parlamentar do Partido Comunista, na Assembleia da República, Ana Mesquita, esteve ontem nas instalações do Grupo Desportivo Cova-Gala, onde lhe foram mostrados os elevados danos e os problemas de funcionamento, que a tempestade Leslie provocou no dia a dia da  freguesia de S. Pedro.
André Mora, o presidente da Direcção do Cova-Gala, mostrou apreensão pelo futuro do clube (os prejuízos rondam os 140 mil euros), ao mesmo tempo que explicou à deputada Ana Mesquita o papel do Cova-Gala junto da juventude de uma freguesia com tantos problemas sociais e humanos como São Pedro.
A deputada do PCP, embora realçando as limitações do PCP, pois tem poucos deputados, mostrou-se sensível ao assunto e prometeu levar este caso ao conhecimento da Assembleia da República. 
Registe-se que, neste momento, o Grupo Desportivo Cova-Gala, devido à falta de condições de segurança, está impedido de realizar jogos no campo de futebol 11, o que pode custar uma penalização monetária de 400 euros por fim de semana, devido às multas aplicadas pela AFC.
A hipótese do clube da margem sul da cidade da Figueira da Foz utilizar outras infraestruturas do concelho está fora de questão, uma vez que, esclareceu André Mora, o Clube não dispõem de meios de transporte próprio. 
Recorde-se que a tempestade Leslie destruiu a vedação e a iluminação do campo do Grupo Desportivo Cova-Gala, tendo ainda atingido outras zonas e estruturas do recinto desportivo. 

Por cá,é muita parra e pouca uva. E todos sabemos porquê...

"O movimento cívico SOS Sado entregou ontem segunda-feira no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada (TAF) uma providência cautelar, sob a forma de acção popular, para suspender as dragagens previstas para o estuário do Sado.  
O SOS SADO considera que “a empreitada, promovida pela administração do porto de Setúbal e apoiada pelo Governo, irá causar danos irreversíveis no ecossistema setubalense” e alega que as “repercussões nefastas” das dragagens não foram devidamente identificadas e aprofundadas em sede de Estudo de Impacte Ambiental."

Via Observador

Ainda a noite de 13 de outubro de 2018...

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Porta fechada...

REUNIÃO CMFF 19/10/2018, via Carlos Tenreiro
Lamentavelmente, pouco haverá a dizer acerca da ultima reunião da CMFF que teve lugar na ultima sexta feira e decorreu, inexplicavelmente (atento aos últimos acontecimentos), à porta fechada.
1.assunto do temporal: ficou-se com a ideia firme (pelas explicações dadas pelo Sr.Presidente) que nada ou muito pouco foi feito ou coordenado para prevenir ou atenuar os efeitos da intempérie - a esse propósito recomenda-se vivamente a entrevista dada no sábado no Diário das Beiras pelo Presidente da CMFF, um verdadeiro hino à demagogia e populismo. Felizmente que não houve perdas humanas. Resta-nos agora concentrar na forma como a CMFF vai procurar obter os apoios públicos junto do Governo para que esta disponibilize os dinheiros necessários à indemnização dos milhões de prejuízos sofridos no concelho.
2.assunto das árvores cortadas em Buarcos: pedimos atempadamente que identificassem os espécimes a abater, entregassem os relatórios de saúde referentes às arvores alegadamente doentes e anunciassem a data do seu abate, apenas nos foi respondida a primeira questão. Não foi entregue relatório algum de saúde, assim como não houve informação do dia do abate.
Um verdadeiro Atropelo à Democracia e um autêntico Desrespeito para com Autarcas legitimamente eleitos. Não deixámos de registar a nossa profunda indignação.

"Serra da Boa Viagem destruída pela tempestade Leslie"

Foto António Agostinho
A notícia pode ser lida no jornal Público...

É preciso um esforço sério por parte das autoridades para resolver os problemas das pessoas...

Depois do Leslie... Prioridades do Presidente da Câmara da Figueira da Foz: o sentido de oportunidade...

Há ocasiões únicas! 
A maravilha que foi esta ocasião para os desígnios há muito manifestados pelo presidente Ataíde, felizmente, dificilmente se repetem.
E é claro, que ficou grato por esta oportunidade de "fazer voar de vez o Parque de Campismo do Cabedelo"... Neste momento preciso.

O parque de campismo do Cabedelo, na freguesia de São Pedro, foi uma das vítimas da tempestade “Leslie”. Os prejuízos, segundo João Queirós, presidente da Federação Portuguesa de Campismo e Montanhismo, concessionária do espaço, rondam um milhão de euros - 800 mil de caravanas, autocaravanas e viaturas destruídas e os 200 mil de danos nas estruturas, pode ler-se na edição de hoje de o DIÁRIO AS BEIRAS.
Oportunidade, pelos vistos, para João Ataíde, é igual a coceira no nariz para todos nós. Quando aparece ninguém quer estar com as duas mãos ocupadas...
“É conhecida a minha posição: sempre achei que aquele não é o local adequado para ter um parque de campismo. E com esta questão das alterações climáticas, mais se justifica que não seja retomada a actividade de campismo naquele sítio”, defende o presidente da Câmara da Figueira da Foz, João Ataíde, em entrevista ao mesmo jornal.
Para o autarca João Ataíde, a tempestade “Leslie” veio “demonstrar que o espaço não só é demasiado nobre para ser alocado a benefício de alguns campistas", o que já sabíamos, "como veio a provar que é vulnerável”, o que também sabemos, pois toda a freguesia de S. Pedro, neste momento, vítima que é da erosão da costeira a sul da foz do Mondego
Assim sendo, advogou João Ataíde ao, o melhor é o parque de campismo, instalado junto ao mar, não reabrir. 
Por essa ordem de ideias toda a freguesia seria para fechar senhor presidente? 
Ou vai atacar a sério e sem demagogia o problema da erosão costeira, a sul, e do excesso de areia, a norte, da foz do rio Mondego?

Então, dada a vulnerabilidade patente do espaço do Parque de Campismo do Cabedelo, vai ser ocupado, concretamente, com que equipamentos senhor presidente?
“Não sou o decisor, pois há um protocolo [entre a câmara e administração portuária]. Quando entrarmos na segunda fase da obra, a administração do porto procederá à cessação da concessão, que está a título precário. Portanto, acho que agora era uma oportunidade para, definitivamente, pôr cobro àquele parque de campismo”, sustenta João Ataíde na entrevista que pode ser lida na edição de hoje do DIÁRIO AS BEIRAS e de que citámos apenas algumas partes.

Desde o dia 19 de Setembro de 2004, que os portugueses têm a  grande oportunidade de serem chicos! 
Com o fim do serviço militar obrigatório extinguiu-se a classe dos milicianos... 
Passaram todos a chicos... 
Tratou-se de uma medida clarificadora... 
Agora uma coisa é certa: se os figueirenses tiveram a oportunidade de mudar e não mudaram, não têm de que se queixar!
O senhor presidente, depois da passagem do "Leslie", continua ao seu nível.
E os figueirenses têm o que merecem.
O casamento é popular porque combina o máximo de tentação com o máximo de oportunidade.
Resta o divórcio: mas, para isso, seria preciso coragem. Muita coragem. E eu sei do que estou a falar...

domingo, 21 de outubro de 2018

GRATIDÃO

Daqui
Não importa o motivo em concreto - e até foi importante -  mas o acto. 
Também não importa saber se o acto é justificado ou não - e, neste caso, é. 
Importa é o acto em si: reconhecer uma foto que lhe mudou a vida, só dignifica quem o faz - neste caso o Rodrigo Koxa.
Ser-se reconhecido perante alguém é sempre uma atitude nobre.

PEDRO AGOSTINHO CRUZ, UM ENORME FOTOJORNALISTA. E FIGUEIRENSE...

DAQUI
Decorreu hoje, no Forte de S. Miguel Arcanjo, na Praia do Norte a entrega do certificado do novo recorde mundial da maior onda surfada no planeta por Rodrigo Koxa, a 8 de novembro de 2017. 
A homenagem contou com presença de Gary Linden, um dos elementos da Liga Mundial de Surf (World Surf League - WSL) e Walter Chicharro, Presidente da Câmara da Nazaré.
Gary Linden destacou a importância do feito para a modalidade e o carácter e determinação do surfista brasileiro que teve a capacidade de ultrapassar os seus medos, depois de apanhar o maior susto da sua vida na Praia do Norte.
Walter Chicharro fez uma pequena retrospectiva de todo este enorme caminho: "Este feito é a prova que a Praia do Norte é uma marca Mundial. Sou um presidente super feliz. Este é um dos momentos mais felizes e importantes do meu mandato, se não o mais importante", disse o autarca. 
Rodrigo Koxa mostrou-se grato por esta homenagem, falou da importância desta onda e fotografia na sua vida, e partilhou o prémio com todos os surfistas que desafiam o canhão nazareno.
A réplica do record mundial, assim como a fotografia do feito vão estar expostos no Carsurf, no Centro de Alto Rendimento na Nazaré.

Amanhã, pelas 18 horas, frente à Câmara Municipal da Figueira da Foz


Qualquer semelhança com a realidade figueirense, só pode ser pura coincidência...


"O reerguer da Figueira da Foz" pós Leslie... Prioridades da Câmara: "insultar a inteligência dos figueirenses"?..

"Esclarecimento sobre o património arbóreo da Figueira da Foz"...

Carlos Vitória
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"Fazendo as contas, em 19 arvores, apenas 2 foram derrubadas pela tempestade, 7 foram abaixo por opção do projetista e ainda faltam duas (um total de 9), 2 foram removidas por "fitossanidade", mas que no projeto estão estão no meio da rua (calculo que não iam fazer a rua com elas no meio), 1 é para manter e 4 talvez. Ou seja, de 19 árvores, a tempestade derruba 2 e sobram de pé um máximo de 5!"
Daniela Cordeiro
"Enquanto Figueirense, Bióloga e Botânica, expliquem-me, por favor, como é que um ápice partido de uma Araucaria heterofila a impede de se desenvolver? Não é razão para o seu abate, de maneira nenhuma! Aqui mesmo no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra temos uma Araucaria heterofila com o ápice partido e ela continua de pé e bem!"
Daniela Cordeiro
"Na imagem, "árvores a manter" é apenas 1! Está no vosso projecto a reposição de árvores?? Espero que sim. Irão usar espécies nativas? Também espero que sim."
Município da Figueira da Foz
"Cara Daniela Cordeiro, os serviços técnicos municipais estão disponíveis para a receber e esclarecer estas opções, atendendo ao caso concreto. Obrigado pelo seu interesse."
Daniela Cordeiro
"Município da Figueira da Foz não responderam à pergunta! Já que é um assunto público, gostava de ver esse esclarecimento público. Já que o que aprendi em Devenvolvimento das Plantas não vai de encontro ao que dizem...
Município da Figueira da Foz
Boa tarde. O projeto de requalificação prevê a plantação de mais de duas centenas de árvores. Para qualquer outra questão relacionada consulte os nossos serviços técnicos. Obrigado."
Helio Ricardo
"Sr.a Daniela Cordeiro acho que foi a unica pessoa que mereceu resposta, uma vez que é a unica que demonstrou atraves dos seus estudos que percebe tanto ou mais que sua ex. Sr. Veredador com o pelouro na C.M.F.F. é por estes motivos e outros que deve ser a juventude a lutar pelo futuro.... Estamos a auto destruir-nos como seres humanos, nao preservamos o que de melhor temos... neste momento estamos a ficar sem eco-sistema.... no espaco de um ano perdemos quase tudo.... dois pulmões muito fortes.... o pinhal de leiria ou do rei e a mata nacional ente Figueira e Mira... com o temporal o resto que sobrou vai ter de ser abatido, uma vez que foram partidos pelo meio... ajude-nos juntamente com o sr. Vereador a olhar por todos.... explicando-lhe que temos de preservar, defender e tratar do pouco que nos resta... bem ha-ja..."
Daniela Cordeiro
"Helio Ricardo eu estou ao dispor! Basta que a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia ouçam os cidadãos. Os jardins públicos são das e para as pessoas. E como tal devemos ter uma palavra a dizer. Se bem que deveria de haver alguém na comunidade política da nossa câmara a zelar por estes assuntos e impedir que se matem seres vivos só porque sim! Estou mesmo triste com esta situação e muito mais de saber que é na minha terra..."
Ricardo Costa
"Esta publicação merece apenas um comentário: Não insultem a inteligência dos Figueirenses! Município da Figueira da Foz João Ataíde Carlos Ângelo Ferreira Monteiro."

Depois do Leslie: Vereador Ricardo Silva (PSD) quer saber medidas tomadas pela autarquia

Ricardo Silva (PSD), em requerimento, coloca algumas questões ao presidente da Câmara:

(…)
Foto Pedro Agostinho Cruz
“Entre o dia 12 e 13 de Outubro, a que horas se concretizou a reunião da protecção civil da Figueira da Foz, com vista para tomar medidas preventivas ao anunciado “Leslie”?
Que avisos específicos locais de prevenção foram emitidos, a que horas e com que teor?
A que horas foi accionado o Plano Municipal de Emergência?
Quais os serviços municipais que ficaram de escala para domingo, para fazer face aos prejuízos do Leslie?
Esclarecimento urgente e definitivo sobre se o município da Figueira da Foz declarou o estado de calamidade, a exemplo dos concelhos limítrofes de Montemor-o-Velho e de Soure, se sim, quando e a que horas?”.

Via Figueira na Hora

Bom domingo

sábado, 20 de outubro de 2018

Heróis e mitos...

para ler melhor, clicar na imagem
Porque é importante aprender a viver com os  heróis e mitos figueirenses aqui fica o registo para a eternidade. 
Eles, os nossos heróis e nossos mitos, fazem parte, não do nosso ter, mas do nosso ser. Temos de reconhecer que o seu lugar é num pedestal. Temos de aprender a olhá-los de baixo e distantes.
Temos de reconhecer o óbvio: eles, os nosso heróis e mitos, são-nos superiores! 
A proximidade destrói o herói e o mito...

Há que tirar o chapéu a João Ataíde, "dono disto tudo" e anestesista-mor da Figueira...

Ainda a entrevista ao jornal AS BEIRAS...
Pergunta - Se não cortar mais árvores em zonas que ponham em risco bens e pessoas será por falta de coragem política? 
Resposta - Olhe, no fundo, o desempenho político é uma combinação de interesses, e nós, na decisão política, temos de ser assertivos, determinados e flexíveis. Em Buarcos, vamos ter um espaço verde de melhor qualidade. Falou na rua da Liberdade, chamada a rua das árvores: não é um problema fácil; como não é fácil compaginar a planura dos passeios com as árvores.
Pergunta - Na rua da Liberdade não vai ousar mexer, pois não? 
Resposta - Se tiver de mexer, mexo. Mas, na ponderação do gosto das pessoas em terem as árvores e a necessidade de relevante interesse público, terei de ponderar.

Depois do Leslie: no fundo, Nuno Osório, acabou por ser o "bode expiatório"... (II)

Ontem, escrevi o seguinte: "o Presidente Câmara Municipal, é a autoridade máxima da Protecção Civil da Figueira da Foz.
Na Figueira, cumpriu-se o habitual: a demissão de um responsável, neste caso Nuno Osório, «para que a culpa não morra solteira», foi o primeiro passo para que, de facto, a culpa venha a morrer solteira."
Na edição de hoje do jornal AS BEIRAS, João Ataíde diz algumas coisas interessantes para a compreensão daquilo que se passou na noite de 13 para 14 de outubro de 2018, data que  ficará para a história da Figueira da Foz como o evento meteorológico mais devastador de sempre, e de como vai ser gerida politicamente a prestação lamentável do executivo figueirense no maior desafio que teve de enfrentar até ao momento. 
Para aguçar o apetite para a entrevista, com a devida vénia, vou aqui dar realce a algumas passagens.
Passo a citar.

"Pergunta - Disse, esta semana, que, e passo a citá-lo, “temos de levar a sério os alertas vermelhos”. Isso é a assunção de que a proteção Civil Municipal subestimou o aviso? 
Resposta - Não. Aliás, na fita do tempo verificámos que os vários comunicados que foram lançados pela Proteção Civil cumprem, rigorosamente, as orientações da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC). 
Pergunta - Por que é que esse plano não foi ativado? 
Resposta - Não foi ativado porque não havia dados que o justificasse.
Pergunta - Em algumas zonas do país, foram cancelados espetáculos e na Figueira da Foz, durante o pico da tempestade, estava a decorrer um concerto no Centro de Artes e Espetáculos (CAE). 
Resposta - Cancelaram alguns pelas suas características. Quanto ao CAE, foi-me colocada a situação às sete da tarde. Cancelar o espetáculo… As pessoas vinham, necessariamente, para levantar o bilhete ou só tinham conhecimento quando chegassem ao local e criavam uma situação ainda mais caótica. No fundo, a decisão, embora arriscada, acabou por ser prudente: o CAE alojou cerca de mil pessoas e albergou cerca de 300 viaturas. Eu próprio estava no espetáculo, na expectativa de que nada ocorreria, porque, conforme lhe disse, os dados não apontavam para a Figueira da Foz. Quando caiu a energia, fiquei um bocado receoso e telefonei ao comandante [operacional da Proteção Civil Municipal, Nuno Osório] e disse-me que estrava tudo num alvoroço. Olhe, saí, eu e a minha mulher, na minha viatura, arrisquei a vida. Pusemonos a caminho, porque tinha a perceção de que era preciso proteger as pessoas que estavam dentro do CAE e ter um exercício de autoridade externo: não era internamente que ia conseguir dominar a situação. Os primeiros avisos começam a ser dados para o CAE e, de acordo com a ANPC, ninguém podia sair até cerca da meia-noite. Havia pessoas que diziam que era um sequestro público.
Pergunta - Realizaram-se reuniões dos agentes da Proteção Civil Municipal no período que antecedeu a tempestade? 
Resposta - Não acompanhei os “briefings”, porque não estive na Proteção Civil. Durante a tarde, estive por casa, acompanhando, mas não houve “briefings”. 
Pergunta - O presidente da câmara é o responsável máximo da Proteção Civil Municipal. Resposta - Essa é uma coisa vaga. Mas não excluo… Não sou operacional. Vou acompanhando...
Pergunta - Já visitou as localidades mais afetadas? 
Resposta - Não. Tenho estado aqui [nos paços do concelho], permanentemente, neste exercício. É muito mais útil estar aqui, a falar com o ministro, secretário de Estado, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional… Ainda não parei, praticamente...
Pergunta - Os restantes municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra a que preside também subestimaram o alerta vermelho? 
Resposta - De uma forma geral, atuámos todos da mesma maneira. O presidente da Câmara de Soure deu crédito, e bem, a uma rede [social] e ele próprio acho que acompanhou esse processo. Nós tomámos o procedimento habitual destas circunstâncias.
Pergunta - Se o comandante operacional da Proteção Civil Municipal e dos Bombeiros Municipais da Figueira da Foz, Nuno Osório, não se tivesse demitido, tê-lo-ia demitido? 
Resposta - As demissões na função pública não decorrem com essa simplicidade...."

Podem ler a entrevista completa na edição impressa deste fim de semana, 20 e 21 de outubro, do Diário As Beiras.