domingo, 24 de agosto de 2025

A realidade de merda que temos....

Citando Margarida Davim.
«Eduardo Lourenço dizia que “não trabalhar foi sempre, em Portugal, sinal de nobreza”, o trabalho, dizia, era “para o preto”. Por muito que os portugueses se tenham matado sempre a trabalhar, as elites nacionais fugiam como o Diabo da cruz da ética protestante do trabalho. Hoje, essa fuga ao trabalho é incutida nos filhos pelas classes a quem o 25 de Abril deu instrumentos de mobilidade social. Aqueles que sabem o que era amargar no campo, nem que seja pela memória da avó de lenço na cabeça e pés descalços, querem poupar os filhos a isso. É perfeitamente compreensível. Só não se entende quem, afinal, virá fazer o trabalho, se não o queremos feito por nós nem pelos nossos filhos e também não queremos que cá venham os de fora fazê-lo.»
O que valeu na agricultura, passou-se na pesca, acrescento eu que conheço bem essa realidade.

Enquanto povo demitimo-nos e esquecemos os limites da decência e da competência. 
Duvidam. Os sinais estão aí e não enganam.
Citando novamente Margarida Davim.
«“As pessoas conseguem ser muito más”, diz a minha sobrinha, 9 anos acabados de fazer, enquanto falamos sobre as notícias acerca de um grupo de pessoas que deram à costa no Algarve e lhe explico que elas terão de abandonar o País. Quando se tem 9 anos, o difícil é entender por que motivo não se acolhem aqueles que arriscaram a vida, dias a fio numa casca de noz, a tentar fugir da miséria. “As pessoas são burras”, acrescenta a minha filha, de 7 anos, indignada, enquanto explica à prima que quem vem para cá só está à procura de um trabalho e de viver num país em paz. “Se houvesse uma guerra, eu também fugia”, diz ela, olhando para o mar, talvez à procura de vestígios de outras embarcações que pudesse salvar. Faz uma pausa. E começa a explicar à prima que as bolas de Berlim que acabaram de me pedir na praia foram trazidas para Portugal por judeus que fugiam à guerra “e a um mau mesmo muito mau”

Temos corruptos e apontados corruptos a candidatarem-se a eleições. E as sondagens colocam alguns no poder.
O regime democrático está transformado numa partidocracia. Os partidos políticos foram tomados de assalto por grupos de interesses.
Os políticos, na sua esmagadora maioria, são verdadeiros vendedores de banha-da-cobra.
Os homens bons da terra, foram substituídos pelos padrinhos, por políticos de aviário, os chamados jotinhas.
A merda da realidade (ou melhor, a realidade de merda) está aí.
Continuando a citar Margarida Davim: «Suponho que a empatia seja uma coisa que se gasta. Parecemos bastante dotados dela quando ainda não chegámos à puberdade e entendemos facilmente a ideia de ajudar quem precisa. Depois, começamos a ficar enterrados dentro do próprio umbigo, assustados com um conceito que as crianças não dominam: a escassez. Quanto mais nos convencemos de que o que existe é limitado, mais ameaçadora nos parece a ideia de partilhar o que temos. A questão é que existe, muitas vezes, uma manipulação da ideia de escassez: apresentam-nos como escassos bens que poderíamos facilmente partilhar, ao mesmo tempo que se ocultam as possibilidades multiplicadoras que têm certas ações. Uma fila de gente com turbante à porta de um Centro de Saúde no litoral alentejano parece uma ameaça à possibilidade de ter uma consulta, num local onde há cada vez menos médicos. Uma fila dessa mesma gente no campo, apanhando fruta sob um sol escaldante, pelo contrário, não parece suscitar qualquer ideia sobre os benefícios desse trabalho. Porquê? Porque, muito provavelmente, os benefícios desse trabalho sofrido e mal pago vão quase exclusivamente para os bolsos de quem explora aqueles campos agrícolas e não é obrigado a dar nada (ou quase nada) em troca à população que ali vive.
Quando um produtor de vinho desespera porque não consegue contratar pessoal para a vindima, apesar de oferecer boas condições, oiço-o a explicar-me que os jovens lá da terra se recusam a trabalhar e nem lhe atendem o telefone. São portugueses e não vivem de outro subsídio que não seja a mesada paga pelos pais, que lhes garantem telefones topo de gama e um verão sem responsabilidades, entre os ecrãs e as praias fluviais da zona. Os mesmos pais que se incomodam com a presença cada vez mais visível de africanos e indostânicos nas ruas da terra, onde nunca antes se tinha visto gente tão escura, vindos precisamente para aceitar os trabalhos que que os seus filhos recusam.»

O interesse público foi metido na gaveta e os interesses partidários e clientelares norteiam a malta governante.
O princípio da legalidade, é elástico e moldado aos interesses dos grupos de pressão.
As estruturas do Estado sugadas até ao amago. Veja-se o que acontece aos biliões dos fundos europeus, o que acontece nos Institutos públicos, nas enpresas públicas por onde se passeiam regularmente os cães de fila, os homens de mão dos partidos, sugando milhões aos cofres do Estado, directa e indirectamente, enquanto o povo sua as estopinhas para pagar a factura.
O compadrio, a cunha e a informação privilegiada, tornaram-se a forma habitual e banalizada de gerir a coisa pública.
Temos o negócio admitido (quando não fomentado) dos incêndios.
Os projectos megalómanos decididos sem estudos prévios mas que certamente servem interesses clientelares ávidos destes ElDorados, destes paraísos da corrupção, capazes de transformar orçamentos de milhões em despesa de biliões. Para a sua barriguinha, para a barriguinha dos senhores políticos e quejandos e dos respectivos partidos políticos.

A terminar, citando Margarida Davim.
“Vocês não vão expulsar ninguém, ninguém. E muito menos milhões de pessoas. Primeiro, porque se expulsam tanta gente, no final vai ter de trabalhar até o Abascal. E, segundo, porque não representam os imigrantes. Representam os empresários que os exploram. E se os empresários exploradores perceberem o que querem fazer, até vos comem”.
Não podendo andar a distribuir enxadas ou luvas de trabalho entre os apoiantes dos partidos que querem criminalizar a imigração, talvez seja importante voltar à ideia do trabalho como fonte de dignidade. Não o dinheiro. Não o sucesso. O trabalho. Aquilo que se consegue fazer usando as mãos e a cabeça. Aquilo que produz alguma coisa.»

sábado, 23 de agosto de 2025

Governo tropeça nas taxas

Armando Esteves Pereira

"Para apagar o fogo político e os danos de imagem que o governo sofreu com o inferno dos incêndios Luís Montenegro resolveu quinta-feira anunciar um pacote, a quente. Entre as 45 medidas consta o “reforço dos cuidados de saúde nas zonas afetadas”. O  primeiro-ministro afirmou que esse reforço abrange a “isenção de taxas moderadoras e a dispensa gratuita de medicamentos pelas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, sem adiantar mais detalhes. Na sequência deste anúncio, a antiga ministra da Saúde, Marta Temido, lembrou que já há isenção das taxas de moderadoras em todo o País, desde 2022,  "salvo urgências não referenciadas" . Temido disse que estremeceu ao ouvir o anúncio de Luís Montenegro e todos nós temos razões para temer com o amadorismo e a falta de rigor da equipa governativa.

Na sequência polémica o Ministério da Saúde já esclareceu que a isenção anunciada de taxas moderadoras nas urgências é para “doentes não referenciados” através de uma unidade de saúde. O diabo está sempre nos detalhes a e máquina política do governo está a cometer demasiados erros e parece perder a cabeça. Já na festa do Pontal o primeiro-ministro tinha anunciado, no âmbito da reforma do Estado, a criação do serviço “perdi a carteira” onde se poderá tratar de todos os documentos de uma só vez. Acontece que este serviço já existe e está em funcionamento na Loja do Cidadão das Laranjeiras, em Lisboa,  há anos e em 2024 foi anunciado que iria ser alargado a todo o País. Se o governo não tiver mais cuidado com o rigor da sua ação, vai perder mais do que a carteira."

«...ciclista figueirense Luís Santos enfrenta as 24 Horas de Le Mans, a solo, por uma causa solidária»

 Via Diário as Beiras

Evento solidário em Caceira

 Via Diário as Beiras

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

"De facto, o que havia para festejar de quase ano e meio de governação? Porque era o Pontal tão imprescindível?" *

* Miguel Sousa Tavares

"É difícil de entender que, com tão imprescindíveis consultores de imagem e assessorias de imprensa, ninguém tenha explicado ao Governo que fazer uma festa pública no calçadão de Quarteira para celebrar os seus feitos, enquanto metade do país ardia furiosamente há dias e milhares de civis e de bombeiros lutavam pelas suas casas e as suas aldeias e com as festas tradicionais canceladas, era… brincar com o fogo. Ver ministros a dançar num lado dos ecrãs e labaredas descontroladas a devorar floresta no outro foi coisa para revoltar qualquer português de bom senso e ficar na memória colectiva durante muito tempo. Não, ao contrário do que reclamou Montenegro, a culpa não era do mensageiro, era mesmo da mensagem. O futuro, mesmo o futuro próximo das eleições autárquicas, encarregar-se-á de mostrar se os danos causados à imagem da AD e do Governo se ficarão pela imagem ou terão outras consequências. . Mas o acontecimento do Pontal, em si mesmo, e o discurso que lá levou o primeiro-ministro confirmam sinais de um deslumbramento com o ainda jovem poder e uma arrogância no seu exercício que os próprios tendem a confundir com determinação e capacidade de decisão. De facto, o que havia para festejar de quase ano e meio de governação?"

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Autárquicas 2025 - CDU

A CDU Figueira da Foz apresentou a sua candidatura à Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Juntas de Freguesia da Figueira da Foz. Paulo Ferreira, é o candidato á Câmara Municipal.

Autárquicas 2025 - Partdo Socilaista

Foram entregues oficialmente as listas do Partido Socialista às eleições autárquicas de 2025 no Tribunal da Figueira da Foz!

A candidatura à Câmara Municipal é liderada por João Paulo Rodrigues.

Autárquicas 2025 - Coligação Figueira a Primeira (PSD/CDS)

No passado dia 18, foi formalizada a entrega no Tribunal da Figueira da Foz das listas de candidatos aos vários orgãos que concorrem nas eleições autárquicas de 12 de outubro da coligação Figueira a Primeira (PSD/CDS). Santana Lopes é o candidato à presidência da câmara Municipal. Ricardo Silva, vereador PSD no actual executivo camarário, número 2 em 2021, na lista então apresentada pelos sociaisdemocratas, vai em 5º. lugar na lista dos nomes dos candidatos à Câmara Municipal apresentada pela coligação Figueira a Primeira (PSD/CDS) em 2025!..

A lista é a seguinte:

  1. Pedro Santana Lopes 
  2. Anabela Tabaçó
  3. Olga Brás 
  4. Manuel Domingues 
  5. Ricardo Silva 
  6. Claúdia Rocha 
  7. João Paulo  Martins 
  8. Alda Marcelo 
  9. Susana  Cabete
  10.  Carlos Tenreiro
  11.  Maria do Rosário Oliveira
  12.  Maria Paula Neto

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

A história não se pode apagar...

Vasco Gonçalves há 50 anos em Almada

"Foi em 18 de Agosto de 1975 que Vasco Gonçalves proferiu, em Almada, perante 15.000 pessoas, um discurso que durou uma hora e meia e que foi transmitido em directo pela RTP. Pode ser visto e ouvido em dois vídeos AQUI e AQUI.

Um discurso que acabou com Vasco Gonçalves lavado em lágrimas, como descreve o Diário de Lisboa do dia seguinte:
Dramática foi a carta que Otelo lhe escreveu 24 horas depois: «Percorremos juntos e com muita amizade um curto-longo caminho da nossa História. Agora companheiro, separamo-nos. Julgo estar dentro da realidade correcta deste País ao assim proceder. (...) Peço-lhe que descanse, repouse, serene, medite e leia. Bem necessita de um repouso muito prolongado e bem merecido pelo que esta maratona da Revolução de si exigiu até hoje. Pelo seu patriotismo, a sua abnegação, o seu espírito de sacrifício e de revolucionário».

O V Governo Provisório, que tomara posse dez dias antes, tinha as semanas contadas e não houve muralha de aço que lhe valesse. A 19 de Setembro, Pinheiro de Azevedo assumiria as rédeas do VI. O 25 de Novembro estava à vista."

No Pontal, um primeiro-ministro a brincar com o fogo

Público

"Montenegro sustentou, no discurso do Pontal, que é possível "fazer a festa" e acompanhar o que se passa no terreno. Pois, mas as percepções de que ninguém está a acompanhar a sério foram evidentes. E, já agora, também era possível comemorar o 25 de Abril e chorar a morte do papa Francisco - aliás, com muito mais propriedade - e Montenegro suspendeu as festividades."

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Ardemos porque não aprendemos nem cumprimos

"Depois dos trágicos incêndios de 2017 registou-se um progresso considerável na preparação de uma estratégia para a prevençãoe combate dos fogos em Portugal. Foram tomadas medidas de política pública, discutidas com especialistas, participadas poragentes locais e acompanhadas por relatórios periódicosda Agência para a Gestão dos IncêndiosFlorestais (AGIF). Os resultados foram, pelo menos até final de 2024, menos ignições, menos área ardida, mais recursos, mais orçamento. Amédia da área ardida caiu 59%, o número de incêndios reduziu-se 63% e o orçamento anual multiplicou-se por 4,5.A distribuição de verbas também se alterou, deixando para trás o modelo centrado quase exclusivamente no combate (80%) e passando para uma lógica mais equilibrada, com 55% em prevenção e45% em combate. Houve igualmente um reforço de 45% nos recursos humanos. Mas este verão voltou a mostrar queo problema estrutural permanece."

Foto Leonardo Negrão

Luís Montenegro "virou à direita" (“cheganizou-se”)...

"A liberdade é sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir." (GEORGE ORWELl.)
"Sinto que a estupidez subiu ao poder". (ZEFERINO COELHO) 
O que esperam para acordar?
Acordem! 
A ameaça continua a ser os que dominam o sistema há imensos séculos. 
A ameaça são os mesmos. Os do sistema que desde a primeira hora quer exterminar os direitos conquistados com a Liberdade de Abril. 
"Acordai acordai homens que dormis a embalar a dor dos silêncios vis". (JOSÉ GOMES FERREIRA)

Onde ficou a promessa do "não é não" de Luís Montenegro!
A viragem à direita do PSD é reconhecida por muitos. Até por Miguel Morgado, professor auxiliar do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, que foi assessor político do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que admite que o PSD "está a ir atrás do Chega".  
Numa perspectiva histórica, António Barreto considera que "o PSD é o partido mais incerto da vida política portuguesa, é o que tem menos ideologia e mais base social".  E precisa que "a parte programática é pouco firme, mas tem um raro apoio na comunidade, na pequena indústria, no pequeno comércio, nos funcionários públicos, nos pensionistas, nos trabalhadores das autarquias", em suma, "tem uma base social de interesses locais". Segundo este sociólogo, "desde o final dos governos de Aníbal Cavaco Silva que o PSD está à procura" de um projecto para o país. Antes há "o período glorioso com Sá Carneiro, mas não deu para ver, ele fez prova de vontade de luta, mas não fez nada, não teve tempo". Já "Cavaco Silva foi predestinado da sorte, fez o que queria, liberalização, privatização". Teve "o dinheiro europeu a ajudar e Mário Soares contribuiu muito, no primeiro mandato como Presidente".

O objetivo do actual líder do PSD, partido de centro-direita, fundador do regime democrático em Portugal, é manter o PSD como partido dominante da direita. Daí o primeiro-ministro marcar a governação com medidas que esvaziem o discurso populista radical de Ventura. 
O partido de André Ventura tem sido o parceiro parlamentar que tem apoiado várias medidas legislativas do Governo ou se tem disponíbilizado para o fazer. Desde medidas sobre imigração, como as mudanças na Lei dos Estrangeiros e na Lei da Nacionalidade, às alterações à disciplina de Cidadania, passando pela proposta de reforma da legislação laboral, no sentido da sua flexibilização. E, ainda, em medidas como a baixa de impostos para trabalhadores e empresas e a aprovação de um suplemento extraordinário de pensões. O sociólogo António Barreto afirma, em declarações ao PÚBLICO, que "todos os partidos vão mudando" e o que se passa é que, com Luís Montenegro, "o PSD está à procura de si mesmo"
Será que, depois de Momtenegro, o PSD ainda vai conseguir reencontrar a sua matriz natural?

domingo, 17 de agosto de 2025

A silly season dá cabo da malta...

Via UM JEITO MANSO

iMAGEM JORNAL PÚBLICO

«A silly season dá cabo da malta. Que o diga o Marcelo a quem manifestamente o sol de Monte Gordo não trouxe melhoras. Ir anteontem fazer de bombeiro privado do Luís (segundo o Valupi, com base em artigo do Público) e dizer que a coordenação no combate aos incêndios tem sido "espetacular" dá que pensar. 

Estando perante uma das piores semanas de sempre de incêndios, o que teria acontecido se a coordenação tivesse sido um bocadinho menos "espetacular"? Boa presidente Marcelo, boa! 

Semelhante a esta só aquela do Marcelo que não ia falar da saúde porque a ministra tinha prometido resolver os problemas. 

Silly season é uma coisa, hipocrisia é outra coisa. E a conjugação de uma com a outra dão um produto chamado Marcelo.»

Incêndios

JOÃO OLIVEIRA, 22 de Março de 2018, NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA...
FOI A PARTIR DESTA INTERVENÇÃO "EXTREMISTA", QUE O PCP ACENTUOU A SUA QUEDA!.. 

O que fazer quando tudo arde?

"O Governo espanhol ativou esta quarta-feira o mecanismo europeu de proteção civil devido aos grandes incêndios que assolam o país."
Área ardida já é 17 vezes superior à de 2024. Entretanto, os incêndios continuam a assolar Portugal continental.  Ao 13º dia consecutivo de fogos de grandes dimensões Portugal pediu ajuda à união europeia.

João Rodrigues

«O que fazer quando tudo arde? O que escrever quando tudo arde? É fraco consolo saber que está tudo limpo à volta da casa cercada por castanheiros, árvore resistente, árvore protetora. É só um lugar, ainda que seja o nosso lugar familiar, mas e o resto? A Presidente da Câmara Municipal de Penedono, do PSD, denunciou: fomos deixados ao abandono


Socorro-me de outros para escrever, dependemos sempre de outros. “A resposta que pode ser dada à degradação por vezes violenta do estado da natureza depende, em última instância, da natureza do Estado”, esclarece Pierre Blanc em Géopolitique et Climat

Portugal já não é bem um Estado. Sem instrumentos de política económica decentes, carcomido pela austeridade permanente, dominado por interesses de classe predadores, de resto apoiantes do processo de fascização em curso, o Estado nem uma frota robusta de aviões de combate a incêndios detém. 

É claro que podemos ter todos os aviões, mas o território ou é ocupado por gente e pelo seu trabalho, na terra e outro, ou haverá sempre, e cada vez mais, combustível em vez de território nacional. 

O Governo acabou de inscrever mais mil milhões de euros no Orçamento este ano para o desperdício armamentista, note-se. Luís Montenegro, um videirinho, anunciou em plena catástrofe o regresso de carros a fazer barulho, vulgo Fórmula 1, essa expressão cultural do capitalismo fóssil que nos conduziu a este estado da natureza. 

Entretanto, lembro-me de Susana Moreira Marques, da sua definição de patriotismo que falta às elites do poder, as que abandonam o país: 

 “Desiludo-me mais quando é o meu país. A negligência, a desorganização, o abandono, os contrastes entre belo e feio, triste e alegre, pobre e menos pobre, que observo quando ando na estrada, ferem-me como não acontece se viajo em países distantes em que as falhas me podem suscitar curiosidade ou até mesmo emoção, mas não me interpelam directamente. Pergunto-me, inevitavelmente, o que posso fazer. Pergunto-me o que diz sobre mim o facto de amar esta paisagem.”»

sábado, 16 de agosto de 2025

Lusiaves e os odores

"Entretanto, ressalvou a empresa, até à entrada em funcionamento da nova ETAR, “poderão ainda ocorrer situações pontuais e temporárias de odores”. E explicou porquê: “Os novos equipamentos de controlo de odores, já instalados e fundamentais para a melhoria substancial deste processo, não poderem ser ativados” até a nova ETAR da fábrica entrar em funcionamento."

 Via Diário as Beiras. Para ler melhor clicar na imagem