domingo, 6 de junho de 2021

Isto vai aquecer...

Em cinco séculos de história da tipografia, do livro e da imprensa em Portugal, poucos e raros foram os períodos em que a(s) censura(s) se não fizeram sentir de forma muito presente. A imposição da censura e o exercício das práticas censórias, independentemente da sua origem e do modo mais ou menos determinado como foi executada, foi, sem qualquer sombra de dúvida, um factor fortemente constrangedor da cultura e do conhecimento em Portugal ao longo de toda a sua história - muito em particular a partir do século xiv, desde D. Afonso IV -, tendo tido, naturalmente, efeitos óbvios no âmbito da experiência de cidadania, na emancipação de um povo e na formação de uma opinião pública. 
E, no entanto, poder-se-ia dizer que essas velhas fórmulas de coacção da expressão e do pensamento não são, infelizmente, apenas passado. No pós 25 de Abril, mesmo após a plena radicação do regime democrático, tem-se falado de novas formas de censura, naturalmente não institucionalizada, que podem adquirir diversas características, das mais evidentes às mais subliminares e sibilinas. Alguns blogues também são alvo dessas tentativas de silenciamento.
Até ao início de Outubro isto vai aquecer. Temos no horizonte o verão e as eleições autárquicas. 
Ainda é demasiado cedo para perder a compostura. Todavia, os sinais do nervosismo começam a ser evidentes. Isso é bom, muito bom...
As coisas são o que são. O que conta é o futuro. O nosso futuro colectivo e não o futuro de meia dúzia de ilustres pseudos donos disto tudo.
Esses, que se consideram de uma casta superior, olham apenas para a sua barriga de pequenos reis. A democracia pouco lhes importa. Assim como, em anos eleitorais, as contas públicas.

sábado, 5 de junho de 2021

FASCISMO E LISTAS NEGRAS

Via Samuel Quedas

"Fascismo não é só isto. Está longe de ser apenas isto… mas também é isto.
Atenção ao avanço destes matarruanos e criminosos!
Claro que posições destas, ou seja, a inscrição de nomes de artistas em “listas negras”, não são um exclusivo de uma coloração política específica, mas sim uma tentação politicamente transversal. Felizmente, é uma tentação ainda minoritária no conjunto das entidade culturais autárquicas contratantes… e outras.
Apenas como pormenor… a criatura que redigiu o anúncio de “lista negra” contra os artistas, foi eleita nas listas do PS, do qual já se desvinculou, para concorrer pelos fascistas do “chega”… o que torna esta história pelo menos um pouco mais entendível.

A vida é um somatório

Na vida umas vezes vencemos. Noutras perdemos.
A culpa, porém, é quase sempre nossa.

Por mim falo. 
Em quase todas as derrotas, sinto que não me empenhei o suficiente. 
Houve até derrotas que procurei, talvez deliberadamente, tal a falta de empenho e displicência.

Contudo, quando damos tudo e falhamos, quando damos o nosso melhor e o nosso melhor não chega, é impossível continuar tudo como dantes e não extrair conclusões, não tomar decisões, não ter algumas dúvidas que são certezas. 
E a atitude determinada foi sempre a mesma: quando o meu melhor não chega, nada mais valeu a pena.

As ruínas não passam de ruínas. 
Todavia, podemos olhar para as ruínas de duas maneiras.
Nas ruínas podemos ver com um olhar desmoralizado o que aquilo foi antes da degradação que levou à decadência. 
Ou então podemos imaginar ver a passagem para o que pode vir a ser..
Se nos limitarmos a viver a idade que temos e esquecermos todas as idades que tivemos, arriscamo-nos a perder o melhor da vida que estamos a viver.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

O Governo não pode passar a vida a "dar ares de esquerda", para efeitos de marketing político...

Via Diário as Beiras

Tomou ontem posse a Comissão Administrativa que vai estar à frente dos destinos da Freguesia de Quiaios até às eleições autárquicas de 2021


Via Informação Quiaios: "a Presidente é Helena Machado (PS)", o que não deixa de ser estranho, "irónico" e curioso. 
Recorde-se que em Setembro de 2020, a tesoureira, Maria Helena Custódia Machado renunciou ao cargo.
Os restantes membros são Ricardo Santos (PS) e Vítor Ribeiro (PSD). 
A CDU, a terceira força que estava representada na Assembleia de freguesia de Quiaios, ficou de fora. 
Ricardo Santos, para já, viu o sonho de ser presidente da Junta adiado.

"Um País que acolhe finais de futebol e acolhe sem controle uma horda de adeptos, nem «exibe regras claras» nem inspira confiança..."

 Via Jornal Público

Há leitores e leitores

Diverte-me quando alguém me diz em tom próprio de quem fala de algo que detesta: «olhe que eu costumo ler o que você escreve no blogue»
Confesso que não tenho nenhuma ideia sobre como deve ser escrito um blogue para agradar a esse tipo de pessoas. 
Todavia, penso que esse seria o blogue que não quero que seja o meu. 
Não quero um blogue cheio de boas intenções (de boas intenções está o inferno cheio), politicamente correcto e conservador.
Gosto da irreverência e do patusco.
E não gosto de gente que pensa poder dispor da vida dos outros.
Quanto ao mais: dos fracos não reza a História...

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Autárquicas 2021 um processo em estagnação?..

Nestes últimos 6 meses, tem sido muito interessante ver a quantidade de pessoas competentes, talentosas, trabalhadoras, brilhantes,  impolutas quanto a vícios partidários, a saírem do armário nesta pré-campanha eleitoral, quando estamos a cerca de 4 meses das autárquicas.
Entretanto, desde 31 de de Janeiro de 2021, que ninguém mais se lembrou de fazer um manifesto carta-aberta a "a bem do nação figueirense"Estão à espera de quê?
Como ninguém se voltou a chegar à frente, recordo a última dirigida ao Exº Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Exº. Presidente da Assembleia Municipal da Figueira da Foz e Exmos. vereadores e deputados da Assembleia Municipal.

Até setembro é aproveitar...

 Via Diário as Beiras

Este é o tempo de perceber os políticos, para poder fazer boas escolhas...

Lembrança do escritor Luís Pacheco. Esta passagem de O Teodolito é obra.

"Onde estão agora os que foram meninos comigo, meus companheiros de bibe e calção? Gostava de ir lá vê-los à nossa infância, de irmos todos, reconhecermos todos como nossa ainda a pureza antiga, os projectos que enterrámos, as ilusões, os actos falhados. E, com efeito, o mundo dos adultos está cada vez mais triste, mais crápula, mais ratazana. É uma bicharada que vai a correr prò buraco do coval, comprometida e lassa, sem alegria, sem carácter, sem sentimentos, sem dignidade nenhuma. Não são gente: são baratas medrosas, assustadas sempre, que andam de luto por eles-mesmos e se escondem quando pressentem uma luz, a ousadia dum gesto, a virtude duma palavra. Adultos, cadáveres jovens. Metem dó, metem nojo, tão velhinhos e tão resignados. Cagarolas. Gostaria de os tornar a ver como eram, na infância."

No tempo em que havia meninos no Cabedelo

O carisma de um político não se compra: ou se tem ou não se tem.
O divórcio entre a população e a classe política atinge níveis preocupantes.
O discurso oficial passa por dar a entender que é necessário trazer de volta a população à política e ao interesse pela coisa pública.
Contudo, será que interessa mesmo à classe política a participação do povo?
Claro que esta interrogação não tem aplicação para os indefectíveis partidários.
O povo é convocado e faz jeito em época de  actos eleitorais e respectivas campanhas - nas inaugurações, nas sondagens, e pouco mais. 
É a época das acções de rua, dos beijos, dos apertos de mão, das saudações, das multidões, dos palcos, das  arruadas, dos discursos, dos aplausos, dos sorrisos, dos brindes, dos panfletos, etc. E no dia de ir a votos.
Uma das razões do afastamento do povo da classe política é esta comunicação sazonal que praticamente só existe de 4 em 4 anos. 
Por curtos períodos, toda a gente consegue perceber o que os políticos dizem. Precisam de se fazer entender, têm de ser claros, objectivos e directos, fazendo passar a sua mensagem. Depois das eleições tudo muda.
Vão ver a partir de Outubro próximo futuro. 

quarta-feira, 2 de junho de 2021

António, é assim como diz Julio Cortázar, não é?


Campo das traseiras, a cantar de galo e em remodelação, pelo menos, desde 2015!..

 Via Município da Figueira da Foz

Via Figueira na Hora, 5 de Novembro 2018
Via Diário as Beiras, 2 de Junho de 2021

O desinteresse estratégico do papel da cultura e a demonstração de que os decisores políticos não a consideram como um factor essencial no desenvolvimento do país....

"Inquérito divulgado pelo SICAD revela o perfil e as escolhas dos apostadores nacionais. E mostra que são os que menos rendimento têm quem mais joga."
Quando começaram a surgir rumores que se estava a considerar criar uma raspadinha para apoiar o financiamento do Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, reconheço que não lhes atribuí qualquer credibilidade, tão fantasioso e despropositado me parecia tal movimento.
Promover a cultura do vício para proteger a cultura do património é tão acertado como a probabilidade de ganhar o melhor prémio numa raspadinha. Muito próximo de zero.

O carisma não se compra, não se treina, não se adquire com o tempo, não se ganha por repetição ou imitação. Ou se tem ou não se tem...

Morreu Carlos Ferreira, com 73 anos, o homem que em 2020 subiu sozinho, com a bandeira nacional, a Avenida da Liberdade no 25 de Abril.
O Senhor Carlos Ferreira vai continuar a desfilar nos próximos anos nas comemorações do 25 de Abril de 1974. Contudo, no futuro, debelada a pandemia, não irá desfilar sozinho. Vai ter largos milhares a acompanhá-lo e a recordá-lo, pois pessoas como o Senhor Carlos Ferreira são especiais para o Povo que gosta de comemorar o 25 de Abril de 1974.

terça-feira, 1 de junho de 2021

MOMENTO DE ANTOLOGIA DO DISPARATE AMBIENTAL QUE ESTÁ EM CURSO NO CABEDELO

 "Betonar a praia", via SOS/CABEDELO

Triste: é só artistas...

O que aconteceu aos restantes elementos que juntamente com o busto formavam o monumento a Mário Silva no Cabedelo? A última informação a que tive acesso era que estava ao cuidado da Junta de Freguesia de S. Pedro.
Foto António Agostinho
D
eprimido e com a auto-estima em baixo, o zé povinho já nem sequer tem forças para fazer um manguito ao que está a acontecer no Cabedelo.
Para além dos “tinhosos” dos campistas, o monumento ao Mário Silva vai ficar reduzido ao mínimo.
Do monumento que lá estava, vai sobrar algo parecido com que a foto mostra.
Se a Câmara tivesse actuado com transparência neste processo, que passaria por ter dialogado com todos os agentes económicos que desenvolvem a sua actividade no Cabedelo - nem era difícil, pois são meia dúzia... – ter-se-ia instalado um clima de confiança que daria mais tranquilidade a todos. 
Ao proceder como procedeu, falando com dois ou três, esquecendo os outros, a Câmara complicou tudo e crispou o clima...
Se essa foi a estratégia, parabéns: surtiu o efeito desejado. A política é muito mais nobre e  muito mais bonita, feita com honestidade e transparência.
A vantagem da honestidade e da transparência, na política portuguesa, é que a concorrência é pequena...
Tão importante como nos orgulharmos da nossa História e das nossas gentes, é reflectirmos no que podia ter sido feito para não deixar estragar ainda mais esta cidade e este concelho...
Apesar do que lhe fizeram no Cabedelo, Mário Silva vai continuar a ser "um artista grande". E a Figueira, governada por estes políticos, "uma cidade pequena", de grandes artistas...

Coisas verdadeiramente importantes: a segurança (2)

 Via Diário as Beiras

Só o PS aprovou

 Via Diário as Beiras