É pena que na melhor, mais enérgica e mais criativa fase da vida se opte por fazer da realidade um mero parque de diversões.
Que saudades de Grândola, terra da fraternidade...
“Vamos ter de pressionar [a Comboios de Portugal e a Infraestruturas de Portugal] sobre o estado dos imóveis na zona da estação”, disse o autarca figueirense, falando numa reunião de câmara.
O ministro das Infraestruturas e Habitação sabe que os imóveis em causa estão degradados e devolutos. No dia 1 de agosto de 2024, aproveitando a presença no governante na cidade, Santana Lopes levou Miguel Pinto Luz àquela zona da cidade, para ver o estado em que aquele património do Estado se encontra.
“Este é um passivo toxico da cidade e, portanto, tem de sair. O senhor ministro diz que o caminho mais adequado é passar para a câmara e a câmara fazer o que entender. Eu pus duas hipóteses: vir abaixo ou passar para a câmara”, disse, naquele dia, ao DIÁRIO AS BEIRAS Santana Lopes, no final da visita.
Se o Direito Internacional precisava de um funeral, ele aí está. Donald Trump decidiu raptar Nicolas Maduro, chefe de estado de um país soberano. Curiosamente, são os autocratas (e alguns líderes sul-americanos) quem mais condena abertamente a operação norte-americana; os líderes das democracias, com destaque para a Europa, fazem o equilíbrio impossível: defender o Direito Internacional sem condenar expressamente a intervenção dos Estados Unidos.
A reacção tímida do governo português não surpreende. Porque é sempre tímida e porque há uma considerável comunidade portuguesa no país que obriga a manter opções em aberto. Se este dado nos permite alguma compreensão e se a dimensão portuguesa obriga a medir todas as palavras, a posição do governo português face ao ataque dos Estados Unidos a um país soberano, tornou evidente o receio de condenar frontalmente a violação da soberania de um Estado membro das Nações Unidas.
As palavras de Paulo Rangel, ministro dos negócios estrangeiros, significam que Portugal sanciona a política do facto consumado. Apesar de dizer que Portugal defende o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas (documentos que impedem o que os Estados Unidos fizeram na Venezuela), diz simultaneamente que Portugal vai trabalhar com parceiros internacionais para construir uma solução democrática e estável, para o futuro da Venezuela, que vá ao encontro da vontade demonstrada nas eleições de Julho de 2024 e que não foi respeitada pelo ditador Nicolas Maduro. Paulo Rangel nunca respondeu directamente, mesmo questionado várias vezes, se Portugal condena ou não a operação dos Estados Unidos para raptar Nicolas Maduro.
Na foto (publicada pela Casa Branca na rede X), o secretário da defesa, Pete Hegseth, de dedo em riste e Donald Trump, seguem o desenrolar da operação de rapto de Nicolas Maduro.
"Os imperadores romanos – pelas imagens chegam aos nossos dias – tinham pose. Trump nem isso. Não consegue ir além da pose do xerife, o cowboy com os coldres a meia perna que desafia quem se lhe atravessa no caminho, dispara e sopra o cano fumegante do revólver, antes de a devolver ao coldre depois de rodar a arma no indicador que puxou o gatilho. No entanto, a verdade, é que tem o poder de um Imperador.
A Conferência de Imprensa em Mar-a-Lago, na Florida, foi uma exibição de poder imperial. Donald Trump, Marco Rubio (com sangue cubano nas veias), Pete Hegseth e o General Dan Caine (responsável militar pela operação que raptou Nicolas Maduro), encheram o peito, celebraram o poder da força militar, o unilateralismo e o desprezo pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas. Sopraram o fumo que saía dos revólveres e banalizaram o mal. Tudo de uma assentada: eis o que se espera de uma grande democracia e de um presidente que acabou de amnistiar os apoiantes que invadiram e vandalizaram o Capitólio, em Janeiro de 2021, quando estava a ser certificada a vitória de Joe Biden. Na longa conferência de imprensa em Mar-a-Lago só faltou J. D. Vance, para que o séquito imperial estivesse completo, talvez porque Vance é um MAGA (Make America Great Again) que não alinha muito como este tipo de políticas expansionistas.
Petróleo
Se houvesse dúvidas quanto ao objectivo do presidente norte-americano, todas ficaram esclarecidas tal a insistência do próprio na palavra mágica: petróleo! Os Estados Unidos querem ser ressarcidos do que dizem ter sido o roubo dos investimentos norte-americanos na indústria petrolífera do país. Trump anunciou o regresso à Venezuela das empresas petrolíferas norte-americanas, anunciou forte investimento na reparação das infraestruturas petrolíferas e, cereja no topo do bolo, o investimento será feito com os lucros gerados pelo petróleo venezuelano, que servirão ainda para ressarcir o tal roubo de que os Estados Unidos dizem ter sido vítimas. Convém referir que esse “roubo” refere-se principalmente à primeira década do século, quando Hugo Chávez ordenou às petrolíferas estrangeiras que operavam na Faixa do Orinoco que convertessem os seus projetos em joint ventures maioritariamente detidas pelo Estado, com a PDVSA (petrolífera do Estado venezuelano) a deter pelo menos 60%. As empresas que aceitaram permaneceram, as que recusaram foram expulsas. A ExxonMobil foi uma das que recusou e saiu da Venezuela. A Chevron continuou até hoje.
Independentemente da ferocidade das ditaduras que lideram, desde que aceitem as condições das empresas e dos governos ocidentais, presidentes e primeiros-ministros dos países produtores de petróleo podem continuar eternamente no poder porque têm a bênção dos poderosos.
A Democracia na Venezuela é a última das preocupações norte-americanas. A prova disso é que Washington tem relações amistosas com muitas ditaduras e autocratas piores do que o regime de Chavez/Maduro. Se a preocupação fosse a democracia e os Direitos Humanos, muitos outros regimes já teriam enfrentado acções com a que se abateu agora sobre a Venezuela, apesar da ameaça feita por Trump: “o que aconteceu a Maduro pode acontecer a outros que não sejam justos com os seus povos”. Talvez Cuba esteja no topo da lista. Certamente que Marco Rubio fará força nesse sentido. E é bom que tomemos nota: Donald Trump referiu o Hemisfério Ocidental como sendo da esfera de responsabilidade dos Estados Unidos e aí estão incluídos Canadá e Gronelândia.
Donald Trump prometeu que os Estados Unidos vão gerir a Venezuela. Não disse como, mas avisou que pode haver uma segunda vaga mais violenta se houver uma tentativa de manter o regime: “vamos gerir a Venezuela até que haja uma transição justa. Não podemos permitir que venha alguém para continuar o que Maduro estava a fazer”. Quem será então? Não se sabe? Tal como não se sabe como vão os venezuelanos responder a este ataque norte-americano. A Venezuela é um país imenso que não pode ser controlado facilmente se os militares venezuelanos recusarem a tutela norte-americana. A grande incógnita é saber que vontade e capacidade tem o regime – que ficou sem o líder – de responder e enfrentar a vontade norte-americana.
Logo a seguir à conferência de imprensa de Trump em que foi anunciado que Marco Rubio falara com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, tendo Trump dado a entender que tinha havido algum tipo de entendimento, foi a própria a responder que Nicolas Maduro é o presidente legítimo da Venezuela, estendendo igual legitimidade ao governo que detém o poder em Caracas.
Não estando em causa a bondade do regime de Maduro, as relações internacionais não podem ter como bússola a força militar das grandes potências. Não é esse o caminho para a paz."
Via Diário as Beiras: "A nova administração dos portos da Figueira da Foz e de Aveiro tomou ontem posse. A equipa é liderada por Teresa Cardoso (ex-presidente da Câmara de Anadia) e inclui o figueirense Valter Rainho (quadro superior do Município da Figueira da Foz) e o ilhavense Rogério Carlos (ex-vice-presidente da Câmara de Aveiro). A anterior administração portuária foi nomeada pelo Governo do PS. No entanto, Santana Lopes recomendou o socialista Carlos Monteiro, era Pedro Nuno Santos ministro das Infraestruturas. O autarca figueirense tem reiterado publicamente que, por sua vontade, pelo menos Carlos Monteiro seria reconduzido no cargo que ocupava".
Imagem via Diário as Beiras
Via jornal Público
Via Diário as Beiras:
"No dia do aniversário, decorria a sessão solene, foi anunciado o aumento do apoio financeiro atribuído pelo Município da Figueira da Foz. Foi uma dupla prenda de anos, já que a medida abrange as verbas mensais e anuais. A vereadora Olga Brás revelou que o apoio financeiro mensal atribuído pelo município passou de seis mil euros para 7.500 euros. Por sua vez, o apoio anual, destinado à aquisição de equipamento de proteção individual, subiu de 30 mil euros para 35 mil euros."
Via Diário as Beiras: "entre elogios, críticas e reparos, a maioria FAP viu aprovados os instrumentos financeiros da gestão autárquica para 2026".
"Gonzalo não detém meios de produção. Não é dono de terras nem de fábricas. Não é sequer proprietário do seu próprio teto. Tem de trabalhar num emprego que muito provavelmente é por turnos e cujo pagamento não andará muito longe do salário mínimo espanhol. E mesmo assim não se sustenta. Mesmo assim, não consegue viver fora de casa dos pais. Mas, apesar de tudo isso, acha que não é da classe trabalhadora. Gonzalo identifica-se como classe alta. E quem sou eu para contrariar aquilo com que alguém se identifica?
Gonzalo é o oprimido ideal. Não questiona a sua própria condição, porque acha que é tudo uma questão de esforço. E ele está a esforçar-se. Se todo esse esforço não der em nada, pode sempre culpar os “subsídio-dependentes”, os imigrantes, os negros ou os ciganos. E só o facto de os apontar a dedo e de lhes cuspir na cara, nem que seja apenas em caixas de comentários das redes sociais, o fará sentir-se melhor. E é sentindo-se melhor, julgando ter “o pack completo de beto”, que será gozado pelos betos a sério, aqueles que nasceram em famílias ricas como a da marquesa com quem ele sonha, que estudaram nos melhores colégios e mal nasceram estavam já destinados a ser acionistas de grandes empresas, proprietários de latifúndios, donos de contas bancárias recheadas, com as quais podem comprar casas como aquela em que Gonzalo vive com os pais, para as transformar em fichas de casino, enviando o dinheiro, livre de impostos, para paraísos fiscais, enquanto o pobre repositor de supermercado pena no inferno doméstico. Gonzalo está contente consigo próprio. Os herdeiros ricos também. E agradecem-lhe muito que lute pela baixa dos impostos, que queira ver a saúde pública reduzida a nada, para aumentar a quota de negócio dos privados, que desdenhe de sindicatos e lutas de trabalhadores, que se mostre contente por ser precário e flexível. E culpe sempre os de baixo.
O mais certo é que Gonzalo nunca se case com uma marquesa. Mas a marquesa deve-lhe muito mais do que pode imaginar."
«Com a questão das revelações do interesses privados -empresariais, clientelares, etc.- dos candidatos a entrar em força na luta eleitoral, António Filipe, o candidato comunista à Presidência da República, exibiu ontem, no seu último debate televisivo, uma folha em branco: “Esta é a lista dos meus clientes. Nenhum”.