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sexta-feira, 14 de maio de 2021

A MINHA CONCEPÇÃO DO MUNDO, DO TEMPO, E DA VIDA

Um texto de Alfredo Pinheiro Marques, de 12 de Maio de 2021, sobre si próprio, que também nos pode levar a reflectir sobre nós próprios, e colocar em questão o que andamos por aqui a fazer. A ler.

«Só é possível viver para o Futuro. Não vale a pena viver senão para criar uma obra: criar o que vai poder crescer, e ser Futuro. E, como há muito foi dito aos homens e às mulheres, há três tipos de obras que podemos criar: plantar árvores, gerar filhos, e escrever livros.

As árvores, os filhos e os livros são parecidos porque vão ter a sua própria vida, e não vão ser nossos. Como tudo. E é melhor assim. Quanto mais se possui mais se é possuído.
Devemos criar, e devemos libertar-nos. É por isso que devemos esforçar-nos, ter cuidado, e dar o nosso melhor com as árvores, os filhos e os livros que criarmos, enquanto os criarmos. E depois devemos contribuir para o Futuro, libertando-nos e libertando-os.

As árvores que plantei, longe, nas minhas origens passadas, vim depois a deixá-las lá. E lá irão crescer por si mesmas, junto à árvore maior, e não irão ser acompanhadas por mim.
Aqui e agora, onde vivo — espero viver, e espero morrer —, só quis plantar, e só plantei, duas árvores, nos meus jardins: uma palmeira virada para o Sul, e um ácer virado para o Norte.
E, além disso, tentei salvar, e salvei, regando-as, algumas que estavam, na rua, mais perto da minha porta. Elas estavam condenadas a morrer à nascença, pela hipocrisia dos Orcs do funcionalismo público e dos políticos pagos com o dinheiro público do Estado português, que fingem que plantam árvores (mandam-nas plantar à iniciativa privada, em troca do dinheiro do imobiliário), e depois fingem que as regam; e não regam uma só vez (e até as que já cresceram vêm a mandar cortar depois, para não terem de tratar delas). Algumas, das da minha rua, salvei-as eu, à nascença. E depois endireitei-as, enquanto jovens, apontando-as para o alto. Iriam crescer tortas, rasteiras e votadas a pouco futuro, e ninguém iria preocupar-se com isso (e assim até se iria justificar, depois, o seu corte).

Não gerei filhos (e talvez até tenha sido melhor assim, pois, em todo o caso, as situações com que fui confrontado no meu país, aos quarenta e oito anos de idade, iriam dificultar-me ter conseguido criá-los). Os que geram filhos somente esperando rever-se neles, e conseguir neles o que não conseguiram nas suas próprias vidas, podem vir a cometer um grande erro, e ter amargos resultados. Pois eles vão ser (como devem ser) eles próprios; e vão seguir o seu próprio caminho, que hão-de descobrir por si próprios ("Kata ton daimona eaytoy"). O que poderia ter sido feito (se tivesse sido feito) teria sido endireitá-los, quando jovens, apontando-os para o alto, para não crescerem tortos, rasteiros e votados a pouco futuro, e ninguém se preocupar com isso.

Não é possível viver senão para o Futuro. Sempre.
O Passado já passou, sempre. E o Presente nem sequer existe, nem vai nunca existir (e, também por isso, não é sequer possível viver para ele… e os que o fizerem simplesmente vão viver a rastejar, tortos e rasteiros).
Quem for inteligente sabe. Como os Japoneses, que nem sequer conhecem esse conceito de Presente. Nem sequer conhecem esse tempo verbal, nem o usam na sua linguagem (e quem já aprendeu japonês, ou tentou aprender, também tem obrigação de saber).
Neste mundo, só existe o Passado (a História) e o Não-Passado. O pretérito e o não-pretérito. Porque o Presente e o Futuro são a mesma coisa, vertiginosa ("O Futuro é Agora"), e  torna-se Passado (História) a cada momento. Vertiginosamente.
Na Primavera, depois de cada Inverno, florescem as cerejeiras, e os ácers renascem, e as palmeiras crescem um pouco mais, silenciosas e pacientes ("O Justo Florescerá como a Palmeira"). Lenta e vertiginosamente.

Neste mundo, a única coisa que podemos e devemos fazer ("dúplice dono, sem me dividir, de dever e de ser") é conhecer o Passado.
Conhecer — e explicar, para que se conheça (pois só se conhece o que se explica) — o Passado, a única coisa que verdadeiramente existe para ser conhecida.    
Só é possível criar o Futuro (o que ainda não existe) se se conhecer o Passado (a única coisa que existe). Conhecer, neste mundo, aquilo de que ele é feito: a "matéria", chamada tempo, de que é feito um mundo assim, como o nosso.

Porque o nosso Espaço só é compreensível no Tempo. Foi criado pelo Tempo.
Nós, os homens e as mulheres, os que vamos morrer, e sabemos que vamos morrer, somos, de facto, o contrário absoluto dos gatos (os "bons servos das leis fatais que regem pedras e gentes", os que sentem só o que sentem). Eles são, ou podem ser, por natureza, os maiores mestre do Zen e/ou da Geopolítica. Porque vivem, e dominam, no Espaço, e ignoram totalmente o Tempo. Ao contrário de nós, que vivemos (e não dominamos…) no Tempo… e ignoramos quase totalmente o Espaço (com excepção de alguns poucos de nós, que nos temos dedicado às viagens, à História dos Descobrimentos Geográficos e à Cartografia, ou à Astronomia…).

Nós só podemos viver no Tempo. Na História.
No espaço, o nosso mundo, sempre tão insignificantemente pequeno, é ainda assim grande de mais para nós (mais pequenos ainda): desde o mundo dos Japoneses (os do Sol Nascente), até ao nosso mundo, o dos Portugueses (os do Pôr-do-Sol), seus contrários absolutos. É claro que podemos encontrar-nos, podemos peregrinar, e o nosso homem, de aqui de Montemor-o-Velho, foi o que foi lá ao outro lado do mundo (e, depois dele, o meu Amigo Paulo Rocha). Mas todos sabemos, eles lá no Oriente, e nós cá no Ocidente, que somos do lugar onde nascemos e onde estão, na terra, as cinzas dos nossos antepassados.
Eu sou de ao pé da (nossa) mais alta montanha, a Serra da Estrela.
E, no fim do rio da minha infância, vim ter à foz do Mondego. Na Beira, do Mar.
Os Japoneses ensinaram-nos que a verdadeira força é a de, quando queremos (pacientes, no meio da vertigem), sermos capazes de ficar imóveis, como as montanhas.
À beira do rio vemos passar o cadáver do nosso inimigo. Mas sabemos que é o mesmo rio que vai levar o pó das nossas cinzas.

A História é a única realidade que existe. Que nos cerca ("Vivemos no meio dos mortos", e "a Morte comanda a Vida"). A única realidade em que vivemos, e que alguma vez poderemos conhecer, se alguma vez conseguirmos conhecer (explicar) alguma coisa.

Eu sou só um contra-regra no teatro do mundo, porque a minha própria história me fez assim. E sei que o autor da peça escreveu "Amanhã, e outra vez amanhã, e novamente amanhã, rastejam devagar dia a dia até à última sílaba do tempo. (…) A vida é só uma sombra que passa. Pobre actor que, por uma hora, freme e treme o seu papel no palco. E logo sai de cena”.

Nada mais existe, nem pode existir, neste mundo que é o nosso, senão a História. Porque, para nós, o Presente não existe, nem nunca vai existir ("a pedra quer ser pedra, e o tigre um tigre"). Até o próprio Borges quis ser Borges; e eu vou querer ser eu.

Só se pode viver para o Futuro, e é por isso que a minha obra, o livro que escrevo, a minha "magnum opus"… — para a qual todos os livros que até hoje escrevi foram sempre ainda somente aproximações… — vai ser uma obra de História, e para a História.
Para compreender e explicar. Memória e exemplo do Passado, para libertação do Futuro.

A partir de hoje ­— bem mais ainda do que, desde o meu passado, desde a juventude (desde há tanto tempo…) — eu vou querer ser somente um historiador. E o livro que vou escrever, como escritor, vai ser somente um livro de História. Até porque só agora é que — finalmente… — tenho a idade própria para conseguir. Finalmente, alcancei-a…
Vou (voltar a) querer ser só um historiador, e nada mais. E é por isso que vou passar a preferir ignorar a insignificância do (inexistente) Presente, e desprezar as suas "moscas da praça pública". Vou deixar de me preocupar com os animais que por aí vão relinchando, grunhindo e zurrando enquanto se esfregam uns nos outros (como dizia o meu Pai, "asinus asinum fricat"…). Há muito Orwell, o especialista dos animais de todas as quintas, nos explicou que são os porcos e os burocratas os que vivem para triunfar no Presente… porque bem sabem que quem vier a dominar o Passado vai dominar o Futuro, e quem domina o Presente domina o Passado. E, antes disso, o professor dele, Aldous Huxley (com quem tinha aprendido que vinha aí o "Admirável Mundo Novo", já muito antes de 1984), nos tinha explicado a todos que "a mais importante de todas as lições que a História tem para ensinar" é a de que "os homens não aprendem muito com as lições da História". E é por isso que é preciso fazer a História, e dizer a Verdade.
É por isso que, para o Futuro, eu vou querer — mais do que nunca, e para sempre — ser historiador. Do mundo. E de mim próprio. E do meu pobre país (subdesenvolvido e insustentável para sempre). E da minha própria família (incluindo o meu longínquo parente, dos séculos XV-XVI, Rui de Pina, o historiador que ficou amaldiçoado e maldito, para sempre, por ter sido o que, nas suas crónicas, contou a verdade… e deixou revelada, para o Futuro, a "Maldição da Memória"… e a verdadeira razão da desgraça, para sempre, desse pobre país subdesenvolvido e insustentável). Vou tentar fazer a história dos que me são queridos e próximos, e até dos que me são distantes e desconhecidos, mas com os quais poderei aprender alguma coisa.

Porque ἱστορία é compreender e explicar (é o contrário de rezar…). Quando, onde, quem, porquê, e de que maneira. Tempo, espaço, vida, e causalidade.

Amo, também, a Poesia (a magia religiosa, e a música dionisíaca)… mas prefiro seguir o caminho apolíneo da Lucidez (o Budismo)… Aquilo que, nós, aqui, Ocidentais, chamamos a Razão (a ciência, e a compaixão racional). Sigo a minha "Exacta Paixão

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Aeroporto na região Centro: em 2020 vamos continuar a "ver passar os aviões"...

Recordemos a anedota distrital de 2018:
NOTA -  O jornal é de 30 de Junho de 2018. De há ano e meio, portanto...
Em Novembro de 2019, via RTP/NOTÍCIAS
"O presidente da Câmara da Figueira da Foz, Carlos Monteiro (PS), defendeu ontem um aeroporto na região Centro e disse querer uma decisão sobre a abertura, ou não, da base aérea de Monte Real à aviação civil.

"Defendo Monte Real até ao momento em que alguém me disser que não é solução. Porque falamos de Monte Real e depois vêm dizer que não serve, por causa dos [caças] F-16 e dos `bunkers` dos F-16. Não sendo possível, não podemos andar mais dez anos a falar de Monte Real", argumentou Carlos Monteiro.

Intervindo na reunião do executivo municipal em resposta a uma questão de Ricardo Silva (PSD), que lhe perguntou se defende um aeroporto em Coimbra ou Monte Real, Carlos Monteiro afirmou que é "importante ter um aeroporto na região Centro", posição que partilha com a comunidade intermunicipal da Região de Coimbra.

"Temos tido reuniões intermunicipais e contactos com o novo Governo para pugnarmos sobre um aeroporto para a região Centro. O que está em cima da mesa é acabar ou não com a conversa da abertura de Monte Real [que dura] há 30, 40 ou 50 anos", argumentou.

"Para a Figueira, se [o aeroporto] for em Monte Real é um bom sítio, se for em Coimbra é um bom sítio, se for entre Coimbra e Leiria é um bom sítio", acrescentou o autarca."


Ponto da situação, via Daniel Santos:
"Quem, da minha geração, não assistiu desde tempos remotos, ao argumento de que a região carece de um aeroporto? Começou por ser a Base Aérea de Monte Real, teve um interregno na fase da guerra colonial, foi retomado com veemência depois do 25 de abril (já lá vão 45 anos!) por sucessivos candidatos a autarcas da região. Mudou de lugar, em nome da defesa dos interesses cá do burgo, onde os militares lhe desbravaram os terrenos a sul da actual Zona Industrial da Gala (ainda hoje as terraplanagens se encontram marcadas).
Na falta afinal de aeroporto, o argumento de tal necessidade, voou para Coimbra onde o candidato (depois presidente) garantiu a construção de tal infraestrutura dentro dos limites do seu concelho. E não era qualquer coisa, era internacional, olaré, pois então!
Vejam só! Era em Coimbra, mas os concelhos da região não foram chamados a pronunciar-se! E era internacional e o país nada comentou!
De tempos a tempos, lá volta o assunto à baila. Já anda por aí outra vez, pois então! Provavelmente, na falta de outras promessas mais plausíveis que atraiam economia e gente a esta terra e que se não verifique a prometida perda de população (ver estudos do actual PDM, onde se projeta que a população cá do burgo regresse a números dos anos cinquenta do século passado!) O que aliás se comprova: a população da Figueira regrediu cerca de 3% entre 2011 e 2015.
O modo de prometer o futuro da Figueira é afinal, nesta como noutras questões, o regresso ao passado!
O Sr. Presidente de Coimbra já se safou da promessa: Encomendou um estudo a um universitário que concluiu que o melhor local era afinal.,,, em Soure! Ufa, que já me safei!
Então e nós por cá, na falta de melhor solução, limitamo-nos a reivindicar o aeroporto de Monte Real.
Onde estão afinal os estudos, os números, a justificação, para a necessidade de um aeroporto por aqui perto? É que uma coisa daquelas custa dinheiro! Nosso! E os estudos também! Quem propõe deve justificar para não passar pela vergonha de ter que encomendar um estudo ao Professor Manuel Queiró (ou outro) para que se chegue à conclusão que, afinal, não se justifica.
A montante de qualquer decisão estarão sempre os tais números, as justificações, para que o comum dos mortais perceba se é ou não necessário construir um aeroporto na Região Centro. Mas antes, é necessário criá-la, conforme promete a Constituição da República.
E cuidado, caros autarcas, porque a descentralização em curso não é a mesma coisa. E pode até ser perigosa se o Estado Central alijar a carga toda para os municípios não lhes correspondendo em meios.
E atenção que a CIM não é a mesma coisa. Longe disso. É apenas o local onde os autarcas tratam dos interesses dos seus municípios. Quem defende afinal os interesses da região? É que esta é afinal a única com litoral que definha como o Alentejo. As Áreas Metropolitanas e o Algarve engordam a olhos vistos.
Um conjunto de autarcas a defender a Região em lugar de olhar apenas para o seu umbigo na CIM, é a única solução para, então sim, defender o aeroporto, se for defensável, claro!
Até lá, proponham-se soluções que aumentem o sector secundário para suportar o terciário que cresce como cogumelos!"

sábado, 26 de outubro de 2013

A "coisa" continua a dar que falar...

Tal como exprimi,  logo que de tal tomei conhecimento, “assim, a frio, a coisa pareceu-me desagradável...”
Isto aconteceu, em tempo real, pois a sessão camarária ainda estava a decorrer - por isso fui de certeza o primeiro a alertar para a gravidade da “coisa”...
Posteriormente, o meu amigo Fernando Campos, publicou um guião sobre a “coisa”.
A meu ver, completamente a martelo, meteu-me ao barulho ...
Ele lá saberá porquê...
O que está em causa - e isso, do meu ponto de vista,  é que é importante - é lembrar ao senhor que ocupa o cargo de presidente da câmara de uma cidade com tradições democráticas, que isso não é a mesma coisa que exercer as respeitáveis e difíceis funções de juiz.
Parafraseando um grande democrata figueirense, o doutor Luís Melo Biscaia, em democracia "nada há a esconder e é bom que quem dispõe da maioria num órgão político não julgue ter o direito de fazer o que quiser…"

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Porquê tanta preocupação com a “coisa” - manter alguns dossiês fora do conhecimento público?..

Tal como exprimi,  logo que de tal tomei conhecimento, “assim, a frio, a coisa pareceu-me desagradável...”
E a “coisa” é a seguinte: o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Dr. João Ataíde, um independente eleito numa lista do PS anunciou, ontem, que os jornalistas e o público só podem estar presentes na segunda reunião de câmara do mês.
Para justificar tal tomada de posição, o dr. João Ataíde recorreu à lei e à necessidade de reserva que alguns assuntos merecem para interromper uma prática que vigorava nesta autarquia desde Abril de 1974.
Acresce ainda que as reuniões sem público e sem jornalistas,  também não podem ser transmitidas pela internet, como acontecia até aqui -  e desde 2013.
Aliás, ontem, embora pelo menos estivessem jornalistas presentes, a reunião não foi transmitida pela internet.
O presidente da câmara frisou que a medida é aplicada, por enquanto, a título provisório e  garantiu que serão enviadas notas de imprensa sobre os assuntos deliberados nas reuniões sem a presença de jornalistas.
Miguel Almeida, líder da oposição (PSD), manifestou discordância: “vai exigir da parte dos vereadores algum cuidado, para não transformarmos o que se passou na reunião, através de fugas de informação, no que não se passou. Parece-me que vamos ter muitas reuniões de câmara nos jornais…”.
A proposta foi aprovada com os votos do PS.
No PSD houve duas abstenções (Azenha Gomes e João Armando Gonçalves. Anabela Tabaçó não participou nesta sessão) e um voto contra, o de Miguel Almeida.
Esta é a “coisa”.  Sobram as minhas inquietações.
Ao tomar esta atitude, a maioria absoluta que passou a gerir os destinos da Figueira desde 29 de setembro último, a meu ver, prepara-se para  não trazer para as reuniões públicas de câmara os assuntos mais importantes para os figueirenses.
Só pode ser por isso. Como diz o povo, “o segredo passa a ser a alma do negócio”, pois a regra geral, passará a ser que  as matérias importantes passem a ser aprovadas nas reuniões de câmara à porta fechada.
Se não fosse para manter alguns dossiês longe dos holofotes e do conhecimento público porquê tanta preocupação com o  secretismo por parte do Presidente João Ataíde?

quinta-feira, 12 de março de 2020

Vale a pena ler

POSTAL DO DIA, via Luís Osório

Sobre o Coronavírus e sobre nós

1.
"Manuel Luís Goucha e o marido partilharam alguns vídeos da sua viagem à Áustria e (creio) a Londres. Em dois curtos registos brincaram com o Coronavírus – num caso “gozando” com os chineses e no outro com um homem que adormecera no avião.
A cobertura noticiosa sobre esta pandemia tem sido desigual. Nuns casos muito boa, noutros superficial e noutros sensacionalista. Para vários meios, sobretudo televisivos, o que conta é a voragem. Quantos casos, se já há mortes, quais os erros, qual a pergunta mais implacável que podemos fazer, etc.
Ontem, na praia de Carcavelos estiveram centenas de pessoas. Umas em cima das outras aproveitavam o maravilhoso tempo e relaxavam.
Já hoje, Joaquim Miranda Sarmento, homem das finanças de Rui Rio, numa entrevista ao Público afirmou qualquer coisa como isto: agora é que vamos ver se Mário Centeno é ou não o Ronaldo das Finanças.
2.
Os quatro “acontecimentos” estão mais ligados do que parecem.
Manuel Luís Goucha é uma estrela de televisão. Há mais de trinta anos que apresenta diariamente programas em que as pessoas e os seus dramas e alegrias estão no centro. Fez largos milhares de entrevistas. A pessoas felizes e infelizes. A pessoas interessantes e não interessantes. A mulheres que foram batidas por maridos. A mães que perderam os filhos. A campeões, assassinos, corruptos, skinheads e santos. Os vídeos que publicou das suas férias mostram duas coisas: que é bem-disposto (o que é excelente) e que perdeu toda a ligação à realidade. Para Manuel Luís Goucha a realidade é uma abstração. As pessoas são abstrações. O seu sofrimento é apenas parte do seu décor televisivo. Ao fim de tantos anos a ouvir dramas ele já não sente nada porque se transformou na própria máscara que inventou para se proteger. Não é fácil ser uma estrela.
O jornalismo hoje é diferente do tempo em que comecei. Passaram mais de 25 anos, é normal que tenha mudado. Tem sido uma evolução que não é apenas negativa, mas a rapidez motivada pela revolução tecnológica (em múltiplas dimensões) levou a que se chegasse à paranoia angustiante de um jornalismo transformado numa série de entretenimento. Uma série que oferece à audiência o que ela quer, não o que ela precisa para estar realmente informada. Como para Goucha e o namorado, o sofrimento é uma abstração e um instrumento poderoso de conquista de audiências.
Nas praias do Sul largas centenas de jovens, filhos deste tempo, banharam-se encavalitados uns nos outros. Qual vírus, qual preocupação, qual medo? E quem os pode levar a mal? A televisão, as notícias, os vídeos nas redes sociais são parte de uma encenação, parte de alguma coisa que não é bem real, é (lá está) uma abstração. São uma geração que vive num mundo virtual em que o vírus (e toda a realidade) é a única coisa que detetam ser fake.
O homem que Rui Rio escolheu para ser seu porta voz para as Finanças poderia ter dito na entrevista ao Público. “Este é o tempo em que devemos confiar e colaborar. Estarmos vigilantes, mas disponíveis para ajudar no que for preciso, é uma emergência mundial e também nacional. No final veremos, se for caso disso, o que falhou, no final perceberemos se este governo esteve à altura e se o ministro Centeno é mesmo o Mourinho das Finanças”. Mas não, o que o senhor disse foi: “Agora é que vamos ver se Mário Centeno é ou não o Ronaldo das Finanças”. Lamenta-se, mas não me admira. O drama do Coronavírus é instrumental do seu próprio desejo de que tudo corra mal. Não que ele deseje a morte de pessoas, certamente que não. Mas porque a morte e o sofrimento são, como acontece em todos os exemplos que dei, uma abstração.
3.
O Coronavírus está para durar. Nos próximos dias, com alta probabilidade, os números dispararão. Todos estamos em risco. Não é virtual. Há milhares de pessoas que morreram e muitas mais irão morrer. Provavelmente gente das nossas famílias, amigos, conhecidos, ídolos. Não é uma coisa virtual, está a acontecer. Temos de nos preparar. Mas temos também, muitos de nós, de tirar as nossas máscaras de atores. Ser capazes de viver a vida real e não folhetins televisivos onde, em troca da nossa presença/audiência, oferecemos a nossa alma.
PS
Excelente o papel de Rodrigo Guedes de Carvalho, na SIC. E incrível o protagonismo de Jorge Torgal, do Conselho Nacional de Saúde Pública. A mesma pessoa que há três semanas defendeu que o Coronavírus era igual a qualquer gripe, o que tornava ridícula a excitação das pessoas, foi o mesmo que anunciou que não há qualquer razão para o governo fechar as escolas. Haja paciência."

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Pode-se passar de margarina para manteiga. Mas, nunca, de manteiga para margarina de novo…

"Não raras vezes, ouço a crítica, por parte de algumas pessoas a quem normalmente se concede o epíteto de forças vivas do concelho, de que a oposição na Câmara deveria ser mais vigorosa e que não devia facilitar tanto a vida ao presidente da Câmara. Normalmente, quando ainda me resta a esperança de que a crítica é genuína, pergunto quais os temas que deveríamos ter abordado e que deixámos de fora do debate político. É nesse momento que percebo, pelas respostas, que afinal não estou perante uma critica à oposição, mas sim perante o desejo de que esta funcione como “barriga de aluguer” para acertos de contas entre os meus interlocutores (e o que eles representam) e o presidente da Câmara. Para isso não estou, obviamente, disponível. A oposição deve ser a voz dos que não têm voz e deve ajudar a resolver os seus problemas, deve preocupar-se em defender os interesses do concelho e procurar defender as linhas que apresentou no seu compromisso eleitoral. Assim, não deve, nem pode, servir de caixa de ressonância ao interesse de outros, a quem a cobardia, a subserviência,ou a conveniência da circunstância impedem de falar. Tal como no poder, também na oposição é sempre possível fazer mais e melhor e trabalhar para defender o interesse colectivo, quer com a apresentação de propostas, quer chamando a atenção para os erros da governação. Quem estiver atento à comunicação social, às redes sociais e tiver a preocupação de saber as coisas fundamentadamente percebe bem o papel activo, responsável e fundamental que a oposição tem desempenhado. Para moço de recados, entrando em guerras que não são minhas e com as quais a Figueira nada ganha, não contem comigo."

Em tempo
Para bom entendedor, a crónica de hoje de Miguel Almeida, líder do Somos Figueira, é o "seu" balanço do "seu" mandato como vereador na oposição. A meu ver, não é apenas "O Recado" para "algumas pessoas a quem normalmente se concede o epíteto de forças vivas do concelho"mas "alguns recados", não só para o exterior, mas, também para dentro do PSD local. 
Será que vai haver clarificação nos próximos meses?..
Depois dos anos em que passou pelo poder na Figueira a credibilidade do partido de Miguel Almeida ficou em baixo - e ele sabe, melhor do ninguém, porquê. 
Para o PSD recuperar, não basta a continua descredibilização do PS figueirense.
Seria um erro confundir isso como um reforço da credibilidade do PSD na Figueira: uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa - são coisas muito diferentes.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Como se degrada a democracia...

O que se passou na Junta de Quiaios, foi um caso de polícia que seguiu para julgamento em tribunal.

Em 6 de Dezembro de 2019, a presidente da Junta de Freguesia de Quiaios,  Maria Fernanda Lorigo, e o secretário, Carlos Alberto Patrão, foram condenados pela prática de um crime de prevaricação de titular de cargo público a penas de prisão, suspensas, e à perda de mandato. À ex-tesoureira, Ana Raquel Correia, também foi decretada uma pena de prisão suspensa.

Os três arguidos foram julgados por terem favorecido o pai da autarca, Manuel Lorigo, para que este fizesse os serviços de manutenção das Piscinas da Praia de Quiaios. O tribunal considerou que Fernanda Lorigo foi quem teve “o papel mais activo” e aplicou-lhe uma pena de três anos e nove meses de prisão. Já Carlos Patrão foi condenado a dois anos e 10 meses e Ana Correia a dois anos e seis meses de prisão. Todas as penas foram suspensas por igual período.

Os três arguidos terão ainda de pagar ao Estado 8.700 euros em partes iguais.

Fernanda Lorigo recorreu para o Tribunal da Relação de Coimbra que confirmou a decisão da primeira instância e obrigou a presidente da Junta de Quiaios, Fernanda Lorigo, a perder o mandato, com efeitos a partir do passado 25 de Setembro, dia em que foi notificada sobre a decisão do acórdão.


A Juventude Socialista e Concelhia tiveram a reação que a imagem mostra. A banalidade destas solidariedades partidárias, impressiona. O exemplo deveria, em princípio, vir de cima. Perante uma sentença judicial, cai pela base qualquer argumentação a propósito de legitimidade democrática que permite aos partidos e aos políticos, comportarem-se deste modo vergonhoso. Isto não é populista, nem contra os partidos. Muito menos sou apologista de regimes sem partidos. Só gostava era de ver concretizado, na prática, que os partidos, neste caso concreto o PS, respeitam as regras democráticas da separação dos poderes. A primeira característica da ética é a lealdade. Não confundir com fidelidade porque essa é uma característica dos cães. 


Este, foi mais dos casos de polícia envolvendo personalidades que se tornaram conhecidas por via da política.

Isto tem acontecido, sobretudo nos dois partidos do chamado arco da governação, PS e PSD, e no agora quase moribundo  CDS.

Na guerrilha política, os partidos usam esses casos. É o que está acontecer na Figueira.

Neste caso da presidente de Quiaios foi destituída pelo Tribunal. Nem sequer está em causa se as acusações e suspeitas são ou não são verdadeiras, estão ou não  provadas, nem esquecer a presunção da inocência. 

O Tribunal julgou e aplicou a pena.

O  que interessa, neste momento, é que o Tribunal condenou comportamentos eticamente inaceitáveis. Neste caso houve condenação. Logo, a meu ver, o PS foi atingido, pois tem responsabilidades. Os partidos políticos individual e colectivamente têm responsabilidade naquilo que de ilegal fazem alguns dos seus altos dirigentes, em particular nos crimes que envolvem o exercício do poder, ou a influência adquirida pelo poder, porque não criaram no seu seio uma cultura de intransigência face a estes crimes, principalmente com todas as formas de tráfico de influência e corrupção, e convivem sem dificuldades com práticas que dão origem a verdadeiras carreiras, com algumas a desembocar no crime.


No actual estado de degradação das estruturas partidárias, em que a militância desinteressada e a adesão político-ideológica é quase irrelevante em relação à carreira no aparelho partidário, os partidos no seu interior são verdadeiras escolas de tráfico de influência, de práticas pouco democráticas como os sindicatos de voto, de caciquismo, de fraudes eleitorais, de corrupção. 

Um jovem que chegue hoje a um partido político por via das "jotas" entra numa secção e encontra imediatamente um mundo de conflitos internos em que as partes o vão tentar arregimentar. Quando entra, ele pode esperar vir para fazer política, mas vai imediatamente para um contínuo e duro confronto entre uma ou outra lista para delegados a um congresso, para a presidência de uma secção, para uma assembleia distrital, em que os que já lá estão coleccionaram uma soma de ódios. Ele entra para um mundo de confrontação pelos lugares, que se torna imediatamente obsessivo. Não se fala doutra coisa, não se faz outra coisa do que procurar "protagonismo" e "espaço político".

Se  tem apetência para este tipo de vida, passa a ter uma sucessão de reuniões e começa a pertencer a uma qualquer tribo, herdando os conflitos dos dirigentes dessa tribo e participando do tráfico de lugares e promessas e expectativas de carreira. Não lhe custa muito perceber que neste meio circulam várias possibilidades de ter funções cujo estatuto, salário e poder são muito maiores e com menos dificuldades do que se tiver que competir no mercado do trabalho, e tiver que melhorar as suas qualificações com estudos e cursos mais árduos. Por via partidária, ele acede à possibilidade de ser muita coisa: por exemplo,  presidente de junta, assessor, entrar para uma empresa municipalizada, ir para os lugares do Estado que as estruturas partidárias consideram "seus" como sejam as administrações regionais de saúde, hospitais, escolares, da segurança social. Etc...

Tudo isto ainda na faixa dos vinte, trinta anos. O grosso da sua actividade tem a ver com um contínuo entre o poder no partido e o poder na câmara municipal, ou no governo, um alimentando o outro. Com a ascensão na carreira, tornou-se ele próprio um chefe de tribo. Pode empregar, fazer favores, patrocinar negócios, e inicia-se quase sempre aqui no financiamento partidário e no perigoso jogo de influências que ele move. Como dirigente partidário ele é o chefe de um grupo que dele depende e que o apoia ou ataca em função dos resultados que tiver, em apoios, prebendas, lugares, empregos, oportunidades de negócios. 


Depois é sempre a somar. Entretanto, já se habituou a ter carro, telemóvel, almoços pagos... Paga do seu bolso muito pouca coisa e conhece todas as formas de viver com o dispêndio do menor esforço. O seu prestígio social é nulo. Contudo, o seu poder partidário cresceu. Entra nos combates partidários a favor dos seus e aliando-se com outros que considera de confiança, ou seja gente com o mesmo perfil. Como sabe que o seu "protagonismo" vem do seu poder interno, é a esse poder que dá a máxima atenção. Distribui favores. E quem quiser um favor tem que falar com ele no seu território. 

O seu sentimento de arrogância e de impunidade cresce... 

Até um dia. E é nessa altura que alguns, muito, muito poucos, caem de um dia para o outro, embora ainda menos sejam condenados. E alguns deles, os mais populistas, ainda conseguem voltar a eleger-se, mantendo os mecanismos do seu poder. A justiça conta pouco, mas, de vez em quando, há um acidente de percurso.

E é assim, como se viu a propósito do caso de Quiaios, e as reações corporativistas e de tribo, que se degrada a democracia.

sexta-feira, 3 de março de 2017

As circunstâncias...

Via AS BEIRAS:
"Cada vez que o mar se revolta, os residentes de São Pedro e da Leirosa temem o pior. As últimas agitações marítimas têm danificado as frágeis barreiras que se interpõem entre o Atlântico e as localidades, com a água a aproximar-se perigosamente das zonas residenciais: os cordões dunares já não são suficientemente resistentes para fazerem frente à força das ondas, que até pedras de grande porte arrastam para a via pública. 
A Praia da Cova, o Cabedelo e a Leirosa são as zonas mais fustigadas, mas a Tamargueira e a Costa de Lavos também têm sido afetadas pelo avanço do mar. 
«Há necessidade da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) criar um enrocamento para proteger a Praia da Cova, o que nos deixaria mais descansados nos próximos anos», defendeu  António Salgueiro, presidente da Junta de São Pedro. «Está prevista uma intervenção, desde o quinto molhe até à Costa de Lavos», acrescentou o autarca da margem sul da cidade. «O nosso receio é que o mar atinja as habitações», disse ainda ao jornal António Sagueiro." 

Este espaço começou, quase há 11 anos, com poucas dezenas de leitores diários.
A coisa foi crescendo. No tempo que passa, tem dias em que ultrapassa as 5 000 visualizações.
A média mensal, neste momento, está próxima das 100 000. 
Isto não aconteceu por acaso. Contra tudo e contra o oportunismo dos políticos com responsabilidades políticas na Aldeia e na cidade, sempre focámos a verdade e a realidade. 
Para OUTRA MARGEM, a protecção da Orla Costeira Portuguesa foi sempre uma necessidade de primeira ordem... 
O processo de erosão costeira assumiu, desde sempre, aspectos preocupantes numa percentagem significativa do litoral continental. Logo em 11 de Dezembro de 2006, alertámos para o estado em que se encontrava a duna logo a seguir ao chamado “Quinto Molhe”, a sul da Praia da Cova. 
Fomos acusados de tudo, caluniados, perseguidos, ostracizados, mas nunca nos calámos.
O "elogio" mais simpático que recebemos do poder local foi: "velhos do restelo e profetas da desgraça..."
Por vezes, ao centrar-se a atenção sobre o acessório, perde-se a oportunidade de resolver o essencial... Foi o que aconteceu na Aldeia e os resultados estão à vista. Podia haver falta de verba, mas existiam prioridades... E quem está no poder há mais de 20 anos, ou há mais de sete, tem responsabilidades políticas.

Confesso: conhecia pessoalmente alguns leitores,  antes de começar a editar o OUTRA MARGEM
Via OUTRA MARGEM, já conheci muita gente. 
Por exemplo, não é raro estar a fazer compras numa superficie comercial e, alguém que não conheço, vir abordar-me: não é o Agostinho da OUTRA MARGEM?..
Digo que sim...  E lá vem o incentivo: carregue neles...
Neste momento, tenho a certeza que não conheço pessoalmente a esmagadora maioria dos leitores deste espaço: não é que tenha interesse especial em saber o trabalho que desempenham, a  idade, o estado civil, onde votaram, o dinheiro da conta bancária, a casa onde moram, se para lá morar precisaram de crédito bancário ou dispunham da massa total para a compra, se têm carro, ou andam de transportes públicos, se frequentam igrejas, sinagogas ou mesquitas, se têm 20 ou 90 anos, se são agricultores, pescadores, professores, médicos, recepcionistas, enfermeiros, bancários (banqueiros não acredito...) se são homens ou mulheres, se comem mais peixe ou carne, se gostam de sopa, vegetais e fruta, se bebem mais leite, mais água ou mais vinho, se viajam, ou se não gostam de viajar, se gostam de ler, ou se gostam mais de futebol, etc...
A única coisa que presumo é que as circunstâncias de quem me lê, são as minhas...
E, como sabemos, em igualdade de circunstâncias, é mais feliz quem gosta de sorrir. 
Tristezas não pagam dívidas e as pessoas querem é ultrapassar os problemas que as afligem. 
Por isso, é que gosto de distribuir por aqui sorrisos...
Não há quem não sorria a um sorriso! 
E sabem uma coisa? 
Custa tão pouquinho!

Do alto da Serra da Boa Viagem, olhando para sul, tudo avistamos...
Contudo, quando estamos na praia da Cova, e olhamos para norte, sentimo-nos frágeis e pequenos... 
Todavia, somos a mesma pessoa: apenas a perspectiva é que mudou. 
Nada mais. 
Não nos iludamos. Nem com a nossa pequenez. Nem com a nossa importância. 
Ambas, são adjectivas ao substantivo que somos.
As circunstâncias exteriores é que se modificaram!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Balanço final de 4 páginas de jornal, baseado nas declarações do presidente da junta de freguesia de S. Pedro

Depois de nos últimos dias termos vindo a tentar focar, por temas, as declarações do senhor António Salgueiro, presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro, concedidas ao jornal AS Beiras na passada quarta-feira, o saldo final resume-se assim: o senhor Presidente da Junta de S. Pedro perdeu uma excelente oportunidade de permanecer calado.
Resumindo: de novo, nada foi dito.
A única "vantagem" foi esta: para quem não o conhecia, ficou a conhecê-lo um pouco melhor. Isto é: constatou o vazio de conteúdo que patenteou, e não pelo que, em substância, foi dito efectivamente.
Dá vontade de deixar escrito. 
Ganda presidente! 
Não só pelo conteúdo das declarações, mas ainda mais pelo ar cândido e forma displicente, como se gastou em 4 páginas de jornal, sem dizer coisa nenhuma!...
Para quem mostrou ambição política (o que não é negativo), com menos de 2 anos anos já para cumprir deste mandato e, depois de uma já longa carreira política, algo maior e de relevância, haveria a esperar
Ficou por  conhecer o essencial: a visão e a estratégia do desenvolvimento global, sustentado e planeado que, presumo, deverá ter para a freguesia de S. Pedro
As suas respostas, porém, conseguiram o desiderato: deixaram a nu e ilustram, sem sofismas, a atenção (ou melhor: a falta dela...) que os executivos municipais presididos por João Ataíde têm dispensado à nossa freguesia - nenhuma!
As pequenas freguesias, para quem não tem qualquer visão de desenvolvimento global, são apenas uma chatice que é necessário contornar, de quatro em quatro anos.

Pena, foi ter-se perdido uma excelente oportunidade de esclarecer a população da freguesia da margem sul do Mondego e ter optado por divagações e linguagem truncada de conotação aparentemente jocosa, mas, efectivamente bélica, referindo-se a inimigos imaginários, coisa  pouco inteligente para um político que ambiciona ainda construir uma carreira – apesar de estar na política activa há 30 anos

Devo confessar a surpresa com que verifiquei os remoques deixados nas declarações do presidente da junta, a quem, apenas, com lealdade, de alma aberta e transparente e sentido de servir a sua Terra, a sua solicitação, se prontificou colaborar com ele.
Apesar do reconhecimento da boa razão do “alerta costeiro”, entendeu que a forma era mais importante do que o conteúdo, e acabou por espalhar-se ao comprido, deixando pelo caminho, em diversos sectores da vida local, concelhia, distrital e até nacional, um suave perfume a ridículo, que o vai perseguir pela vida política que ainda lhe resta.

Na questão da erosão costeira, não fora a acção de alguma gente, e S. Pedro estaria numa situação ainda mais complicada. V. Exa. está há cerca de 30 ano ligado a uma lista de poder e a sua acção, neste caso, como em outros, tem sido tão só de colaboracionismo com o poder político figueirense.
foto sacada daqui
Nunca ouvi uma só palavra da sua parte a confrontar, quem de direito, com o problema que acabou de se agravar e consumar com o prolongamento dos tais 400 metros no molhe norte: a erosão costeira a sul e o perigo nas entradas e saídas da barra de muitos filhos da nossa Terra que têm de arriscar a vida para conseguir o pão para a família. 
Penso que ainda todos temos presente a sua intervenção no recente drama do naufrágio do Olívia Ribau: limitou-se a acompanhar, mudo, quedo e calado, o presidente da câmara no papel de "emplastro".
Assim como nunca ouvi da sua parte -  a Assembleia Municipal, realizada na passada segunda-feira, constituiu uma excelente oportunidade que foi desperdiçada, naquele órgão autárquico: num assunto que tem a ver directamente com a freguesia de que é presidente, o seu silêncio foi ensurdecedor... uma palavra sobre o caso do estacionamento do parque do hospital e as graves questões de operacionlidade para os veículos prioritários e de emergência no acesso a este estabelecimento hospitalar, que foram levadas à discussão pública.

Tal, como acontece desde 1990, ao arrepio da necessidade e dos princípios que estiveram na origem da sua constituição, em 1985,  o grupo de que emana o poder que tem definido a linha de rumo de S. Pedro, limita-se a tentar ter as melhores relações com quem está conjunturalmente e exerce o poder na Figueira. Dessa subserviência, ditada por favores, pessoais ou familiares, obtidos ao longo dos anos por certos membros da lista de que faz parte, os resultados estão à vista. 
Para simplificar, basta verificar as condições em que a juventude da nossa freguesia pratica desporto. Neste momento, o Grupo Desportivo Cova -Gala é a única equipa distrital que participa na divisão de honra com um campo peladoAlém de uma vergonha, é uma ameaça à integridade física dos atletas que são obrigados a participar num jogo de futebol, a contar para a prova rainha da AFC nas condições vergonhosas em que o Clube que representa a nossa Terra, por falta de apoios ao longo dos últimos 15 anos, tem para o fazer.

Quanto ao problema de fundo que me move, é  apenas este: gostaria que muitos outros cidadãos desta nossa pequena Aldeia, aspirassem e exigissem a viver numa terra mais digna, desenvolvida, capaz de garantir habitabilidade e emprego aos seus filhos - coisa que, até ao presente, não foi conseguida. 
Salvaram-se algumas, poucas, excepções. Daí, termos ainda por cá, 41 anos depois de Abril de 1974, reminiscências de um caciquismo místico, seráfico e serôdio.

De resto, a constatação há muito feita, de que esta presidência da autarquia figueirense despreza as pequenas freguesias, não chega para justificar a situação a que se deixou chegar esta Aldeia – ver, por exemplo, o abandono a que deixaram chegar as nossas “excelentes” praias
Em certas zonas, mais parece que estamos no terceiro mundo...
Já sei que a responsabilidade será de todos, logo, de ninguém. Mas, seguramente que será necessário gente nova, outra gente, que saiba traçar metas de desenvolvimento, que determinem planos e prazos de execução.
No fundo, que se disponha a governar no interesse do colectivo - e não governar-se a si e aos seus - para que algo mude.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

O caso de alguns dos comentários “censurados”


Quem anda à chuva, se não tomar precauções, pode molhar-se.
Como dizia o Velho Joaquim Namorado, “ninguém está livre de levar um coice de uma besta”.
Existe quem aproveite a liberdade, sem saber verdadeiramente o que isso é (e, sobretudo, sem imaginar sequer o que foi preciso sofrer para a termos nos dias de hoje em Portugal), para mostrar falta de tudo.
É o caso de um tal senhorito, que ao abrigo de um anonimato cobarde, medríocre e arrogante (será que a arrogância lhe vem do dinheiro herdado? ...), andou entretido a enviar comentários verdadeiramente abjectos para alguns blogs figueirenses, nos últimos dias.
Aqui, no OUTRA MARGEM teve o tratamento merecido. Noutros, conseguiu conspurcá-los.
Cada um é dono da sua casa e governa-a como entende. Nada a dizer sobre isso, portanto.
Com intuitos meramente profiláticos, ficam exemplos de comentários “censurados” neste blog.
Tapem o nariz, pois para a história dos comentários em blogs figueirenses ficam aqui, sem exemplo, alguns. Evidentemente, os mais softs...
As conclusões serão vossas.

“Tó Faia deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A licença do isqueiro! ...": Este gato preto mais o calceteiro maritimo são do melhor que tenho visto. Como esgóbios, mal informados, néscios e ignorantes não há melhor exemplo.Ao menos podiam limitar-se ao futebol ou às novelas da tvi. Mas como analfas e pouco mais que são, têm o desplante de se meter em conversas sérias sem antes, como é costume, se informarem e meditarem sobre assuntos sérios. A D. Ana tem razão. Isto, depois do 25 de Abril( Que não critico nem ataco) transformou-se num covil de ladrões. Tudo, mas tudo o que anda na politica é ladrão. Mário Soares é o maior ladrão de todos, o resto do bando e demais compinchas não lhe ficam atrás.Se bem se lembram, Salazar morreu pobre.

M. Alegre (reformado da RDP) deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Em democracia é assim": Só agora está a chegar a esta conclusão, Dr. Agostinho?Ditador não era o Salazar, ditador é cada português. Assim que se ache em posição de calcar e achincalhar o outro, o português não hesita.As frustações domésticas, ter de aturar a mulher e lavar a louça, aspirar e ainda ter de a levar a passear, faz com que cada portuga se transforme num ditador assim que tem a menor oportunidade. É no trabalho, sobre os subordinados, é na política sobre os que estão em minoria, é o uso da farda. Até a bombeirada manda, que isto de ser bombeiro não é mais que vir a ter a hipótese de vir a comandar alguém. Isso de apagar fogos e ajudar é tudo lérias. O importante é ser chefe de alguma coisa.É, como você costuma dizer, uma masturbação. Esta coisa é endémica, sabia? Aliás caso se desse o contrário você faria exactamente o mesmo, por isso estamos todos desculpados.

VIVA O SIMÃOZINHO!!!VIVA O TOZINHO!!!VIVA O CHICINHO!!!Estes indevidos são pior do que o Pinto da Costa ...Trafulhas...FORÇA AGOSTINHO...

Tó (da Lota) deixou um novo comentário sobre a sua postagem "MEMÓRIA - O Estado Novo, o isqueiro e a coca-cola": porque será que este "democrata" Dr. agostinho censura os posts?Uma coisa é certa. É muito avesso a verdades. Um estalinismo bacoco.

Tó Faia deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Não se perdeu": É um nojo que um gajo se arme em nazi e fascista de lapinhos azul, censurando comentários e manchando o bom nome da nossa terra.Aprende a ser humilde e democrata e depois aparece. antes disso deixa-te de porcarias, lava a cabeça por dentro e deixa de imitar o teu idolo. Os sociais-Fascistas Estaline e Ceaucescu!”

Mais palavras para quê?
As “pérolas” acima falam por si.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Como a meter água se pode sobreviver na politica figueirinhas - Monteiro pode mesmo vir a ser presidente do PS Figueira e, quiçá, o próximo edil figueirense.

Carlos Monteiro, iniciou-se tarde na política activa, mas a tempo de ser um vencedor? 
Já esteve mais longe. Na política figueirinhas, cada vez mais sobra o refugo.

Carlos, desconhecido professor de biologia do secundário, estilo motoqueiro, simpatizante maoísta, surge na politica activa na candidatura autárquica 1997, como apoiante independente de outro Carlos, só que este, com o apelido de Beja. Mas, os Carlitos, para além de homónimos, maíostas, e mais tarde socialistas, ambos têm algo mais em comum: o desejo de serem presidente de câmara. 
O percurso de Monteiro, no partido, é altamente sinuoso...
Um autêntico salta pocinhas, fazendo alianças com adversários, e até inimigos. 
Nem dentro, nem fora do partido ganhou qualquer eleição. Numas eleições internas, a sua lista teve menos votos que o número de elementos que a compunham - 56. Ficou na história do partido. 
Foi candidato à Junta de São Julião, onde foi esmagado.

E, depois destes desastres, como ainda sobrevive politicamente?
Carlos, é um péssimo comunicador, técnica e politicamente mal preparado e sem jeito para a coisa. 
Mas, é um falso simpático, profeta sedutor de promessas, ainda que não as consiga cumprir. Como estratega, actua de forma isolada, tipo verdadeiro lobo solitário. É muito resiliente, e não desiste nunca da sua presa, mesmo com danos colaterais (faz tudo pelo seu objectivo primário).
Depois de ter sido dado como politicamente morto, após a derrota dos 56 votos, João Paredes, seu opositor deu-lhe mão, e chegou a fazer dele o seu número dois na concelhia do PS e até o indicou para número dois na lista de Ataíde nas eleiçoes de 2009. 
Monteiro, tinha dado nas vistas, na luta da água (mais cara do país), que rapidamente esqueceu quando chegou ao poder. 
Ainda em plena campanha de 2009, foi dos primeiros a trair Paredes, pois sabia que este jamais lhe daria no futuro o seu apoio a uma eventual candidatura à Câmara. 
Os seus mandatos como vereador, são um desastre. Neste caso, compensa meter água, até nos enfeites de natal...
Se compensa.

Dilema - dois lugares para uma só cadeira. 
João Portugal, também nunca escondeu a ambição de querer ser edil figueirense. 
Neste momento, o jovem politico, ex-deputado e actual presidente da concelhia do PS da Figueira, tem uma vida muito ocupada pelas áfricas, a tratar dos seus negócios, e por limite de mandatos não se pode recandidatar. 
Estrategicamente, os apoiantes de João Portugal vão "apoiar" Monteiro, para nas próximas eleições para a concelhia (daqui a dois anos) o apearem. 
Será assim? 
Talvez não, digo eu. 
Monteiro, como professor de biologia, sabe que é preciso dar milho aos patos e quem lidera é o dono do saco do milho. 
No último mandato, ao ficar com o pelouro da obras municipais (saco do milho), ficou com o apoio dos patos das freguesias e viu crescer a sua influência. 
Pelos vistos, ainda vai crescer muito mais, e daqui a dois anos é capaz de ser o único dono da capoeira.

E Ataíde, no meio disto tudo?
O edil quer fazer o último mandato sem o incomodarem com as coisas "piquenas" do partido e se possível, antes do fim do mandato, ter um lugar ao sol.
E a democracia interna no PS? Listas únicas?! E a oposição interna, onde fica?
Pois, o PS está mesmo no refugo. 
Quem podia fazer alguma coisa de diferente, ou está cansado, ou fora da terrinha. 

E os jovens? 
Quais? 
Os poucos que pensam que o dinheiro é a coisa mais importante do mundo e que já decoram o rebanho, ou aqueles que não se deixam arrebanhar e são ostracizados pelo poder vigente? 
Os jovens, neste PS figueirinhas, não contam para o totobola.

Nota de rodapé.
O ANC-Caralhete News apurou que David Paredes está a preparar uma candidatura alternativa a Carlos Monteiro (um ex-aluno versus ex-professor...), para "obrigar" a que, pelo menos, os orgãos reúnam estatutariamente. 
Pelos vistos, porém, não está a ser fácil. 
Uns já passaram para o lado do milho, outros receiam retaliações e atitudes persecutórias e, outros ainda, vejam lá, temem um mau resultado. 
Será que David Paredes não arranja uns míseros 56 votos? 
Não tem nada que saber, é só plagiar o percurso do ex-professor Monteiro. 
Mas, primeiro, é preciso saber, se David Paredes está disposto a ser lobo solitário. 
O tempo o dirá...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Uma coisa e outra...

Sem que nos apercebamos lá muito bem, na Figueira, tal como no País, estamos a viver uma tragédia.
No País, a maior tragédia política do Portugal contemporâneo é a fraca presença de espírito do primeiro-ministro.
Não me refiro às políticas que têm sido seguidas, porque a política está reduzida à economia e finanças (vão perceber, mais uma vez, que PSD e PS são praticamente a mesma coisa,  quando o António Costa for primeiro-ministro, lá para o final deste ano....)
Refiro-me à personagem, por vezes grosseira, mas, sobretudo, cinzenta de Pedro Passos Coelho, da sua crónica falta de jeito para a retórica e da sua conhecida e reconhecida inclinação para a banalidade.
Na Figueira, refiro a falta de jeito para a retórica e para o exercício da política e da inclinação para a banalidade de quase todo o executivo camarário - e em especial do presidente.
Tanto na Figueira como no País, gostava de ter alguém no poder (e na oposição) que gostasse das pessoas, de falar para as pessoas (fora dos períodos em que decorrem as campanhas eleitorais) e tivesse coisas para dizer - mas sobretudo que gostasse das pessoas e de falar para as pessoas.
Na Figueira e no País, a meu ver, essa é a nossa tragédia colectiva.
Em vez disso, temos alguém no poder que está convencido de que está a cumprir uma «missão».
Espero sobreviver ao banho de cultura elitista que está a passar numa sala perto de mim. 
Está a ser uma festa. 
Por cá passaram - e vão continuar a passar - pessoas da cultura e outras figuras culturalmente menos relevantes. 
Por vezes, dou comigo a colocar a hipótese de que, por aqui, o 25 de Abril não ficou completo e temos de o acabar – estou a referir-me à «falta de liberdade». 
Isto, parecendo um completo absurdo, não assim é tão absurdo. 
Recordemos que se há algum tipo de virtude que possamos encontrar no Estado Novo, essa teve a ver com a capacidade de disciplinar as contas públicas...
Para o português comum, não deverá haver pecado maior da democracia portuguesa, nos últimos 40 anos, do que a má gestão económica e financeira dos recursos nacionais, que nunca se preocupou em deixar como herança a dívida pública contraída para a construção de "oásis rodoviários e afins..." 
Espero que compreendam, finalmente, a agitação em que ando desde que, em 1997, cá pela Figueira, uma cidade que sempre teve “os seus artistas políticos”, apareceu como candidato a alguma coisa Pedro Santana Lopes... 

terça-feira, 28 de julho de 2020

"Momentos Monteiro"

Na Figueira, há  quem trabalhe muito. Nomeadamente, quem exerce funções na área da propaganda. Trabalha-se muitas horas por dia.  Escolher  os temas da propaganda, fazer contrapropaganda e desinformação bastante profissionalizada, dá trabalho. Muito trabalho mesmo...
Já governar, é uma tarefa residual. Estudar os assuntos, identificar e resolver os problemas prioritários, implementar um planeamento, fazer qualquer coisinha por um território que está numa crise profunda, seria outra conversa. Daria trabalho, muito trabalho. 
A "pandemia", que é tratada como uma desculpa útil, vai continuar a ter as costas largas.

Já toda a gente percebeu, que o poder na Figueira incorpora todos os dias na sua agenda um pretexto, que tem como objectivo ou a propaganda directa de si próprio,  ou uma resposta às críticas. Todos os dias, insisto, todos os dias, a narrativa da propaganda desenrola-se aos nossos olhos como se fosse uma notícia, quando é apenas um puro tempo de antena. Se estivéssemos num concelho em que a comunicação social se regesse por critérios jornalísticos, como não há qualquer conteúdo informativo, o presidente limitava-se a  falar para os peixes. Ou, então, as suas declarações seriam tratadas no âmbito do puro conflito político e seguidas de uma resposta nos mesmos termos noticiosos da oposição.

Mas cá pela santa terrinha, os "momentos Monteiro" são tratados como matéria informativa e noticiosa e passados com reverência. 
Para o actual executivo, já se percebeu há muito,  esta é a verdadeira "saída para a crise": aparecer, mesmo que a anunciar coisa nenhuma, a fazer coisa nenhuma, a não ser propaganda. Propaganda, que todos pagamos, via os nossos impostos.

Se, um dia, por curiosidade alguém fizer a reposição e análise destes "momentos Monteiro", vai dar-se conta que isto é apenas montagem. A cuidada preparação do local onde são permitidas as câmaras, o controlo absoluto do plano do cenário a filmar para que não haja ângulos incómodos ou perguntas impertinentes que estraguem o objectivo: a acção de propaganda. 
Ninguém questiona. Jornalistas formados numa escola de espectáculo e marketing, acham normal passar propaganda em vez de darem notícias.

Não vemos a realidade: as obras, o estádio municipal, a piscina praia,  planos apertados da praia da Figueira, do Bairo Novo, das casas da Esplanada Silva Guimarães, do "mamarracho" que está a ser construído nas muralhas do Forte de Santa Catarina, do barco do sal a navegar, do Edifício O Trabalho.  Não vemos quase nada, porque na Figueira quase nada há para ver. 
Os anúncios de boca de iniciativas e obra sucedem-se uns aos outros. Os prazos para a sua execução são sempre para «breve»
O barco para o Cabedelo continua em terra. Mas, isto, não é de agora: o aeródromo na zona industrial, tinha desenhos com avionetas e nunca nenhuma levantou de lá voo. A linha do oeste continua parada no tempo. À da Beira Alta aconteceu pior: arrancaram-lhe os carris.

Mas, voltando aos últimos quase 11 anos: espreme-se e sai quase nada...
Quando uma coisa não corre bem, é rapidamente relegada para o esquecimento para que apenas a memória das boas imagens perdure.
Poucas coisas revelam melhor esta ausência de governação do que estes "momentos Monteiro".
Daqui a um mês temos as férias aviadas. Os figueirenses que saíram de casa retornam tão cansados quanto partiram. Esta é a natureza das férias modernas, mas ainda vai demorar algum tempo até que as pessoas se apercebam que é assim.
Deixo-vos, via Município da Figueira da Foz, com um filme propaganda. Bem conseguido, tendo em conta o objectivo...