domingo, 15 de junho de 2025

“O desprezo pelos fracos tem-se tornado mais aceitável nos circuitos neoliberais”

 Via Público
"Hayek’s Bastards, livro recente de Quinn Slobodian, é um ensaio perturbador que desvela as ideias que sustentam a radicalização do neoliberalismo e ameaçam destruir valores que julgávamos inabaláveis."

Mariana dos seus encantos...

«SE NÃO É A MARIANA, OS DOMINGOS SERIAM UMA TRISTEZA»

"Com o mundo a ferro e fogo, pobreza a aumentar e problemas urgentes para os quais não se adivinham soluções, podemos sempre contar com os liberais portugueses para algum entretenimento.

Depois da saída de Rui Rocha, é a vez de Mariana Leitão testar a sua versão de liberalismo.
Antes de lá ir deixo aqui uma palavra para o Rui Rocha. Uma pessoa com quem nunca concordei ideologicamente e que sempre me pareceu ter dificuldades a passar a mensagem liberal (o que, reconheço, é quase uma impossibilidade técnica). Mas que fez a última campanha no meio de um drama familiar e que agora, segue o seu caminho, depois de aumentar a votação da IL, mostrando não estar agarrado ao poder. Isto, em Portugal, é por si só razão de destaque e merecedor de respeito.

Depois das versões liberais "na Estónia/Irlanda/Eslováquia/Suécia/Lituânia é que é", a Mariana decidiu meter as cartas todas no "claro que concordo com o Millei". Não quando despediu e mandou milhares para a pobreza, não quando a inflação baixou porque ninguém tinha dinheiro para comer. Agora, há 15 dias, quando saiu o primeiro relatório sobre crianças que já não são pobres (sem que se perceba de onde vem o dinheiro), a Mariana passou a fervorosa apoiante da motoserra.

E por onde vai ela pegar? Pela lei da greve nos serviços públicos. Não é pelos salários miseráveis. É pela greve que incomoda o utente. Onde é que já se viu isto? Greves com impacto...quem se lembraria de uma assim?

Mariana, Mariana, Mariana. Aceita um humilde conselho de um homem de meia-idade. Não percas tempo com vídeos cheios de indignação onde tentas passar algum conhecimento ideológico. Falta-te a oratória do Cotrim ou o humor do Guimarães e, ainda por cima, tens aquela cara de tia que não engana pobre algum.

Como não podes sequer recorrer ao truque da barba de 3 dias, que o Ventura usa para parecer mais homem do povo, sugiro que optes pelo discurso de choque. Assim mesmo, à Millei. Ciganos e nepaleses já estão ocupados. Salários baixos e problemas no SNS não são a tua praia. Desvios para PPPs também já estão seguros no PSD. TAP é chão que já não dá uva. A tua clientela está no ódio à função pública. É por aí. Mandar esses mamões todos para casa e entregar tudo aos privados.

Ainda por cima como o modelo IL desta semana já não é o sueco, podes malhar à vontade na função pública. Consegues apanhar os votos dos cheganos que sabem ler e uma boa parte do sector privado. E com algum jeito ainda consegues votos na função pública, também. Se há beneficiários do RSI a votar no Chega, em princípio algum funcionário público votará na IL. A estupidez humana é infinita, já lá dizia o poeta.

Portanto Mariana, deixa lá as greves (assim como assim não deves entrar num transporte colectivo desde a carrinha dos Maristas) e puxa da motoserra com medidas mais chocantes. Atira números ao calhas, ninguém os vai verificar. Olha...25% da função pública na rua até 2027. E com a poupança investe-se em escolas privadas onde os pobres podem ter "a liberdade" de concorrer e não entrar (mas não explicas esta parte, não vá algum gajo estar atento).
Esta levas de borla, para a próxima pagas que isto de ser empreendedor sem fatura pode passar por comunista. Deus nos livre dessa camaradagem.

De onde te vem esta inspiração toda, Mariana? Que força é essa que te dá vontade de correr com a pobrelhada toda num país pobre? Que sumo de sabedoria, para além do messias Millei, te inspira?
Mariana, sinto que nos vamos divertir."

Tiago Franco

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Port Wine

Um poema de Joaquim Namorado. 
Para ouvir na voz do Poeta, clicar aqui.

O Douro é um rio de vinho
que tem a foz em Liverpool e em Londres
e em Nova-York e no Rio e em Buenos Aires:
quando chega ao mar vai nos navios,
cria seus lodos em garrafeiras velhas,
desemboca nos clubes e nos bares.


O Douro é um rio de barcos
onde remam os barqueiros suas desgraças,
primeiro se afundam em terra as suas vidas
que no rio se afundam as barcaças.

Nas sobremesas finas, as garrafas
assemelham cristais cheios de rubis,
em Cape-Town, em Sidney, em Paris,
tem um sabor generoso e fino
o sangue que dos cais exportamos em barris.
As margens do Douro são penedos
fecundados de sangue e amarguras
onde cava o meu povo as vinhas
como quem abre as próprias sepulturas:
nos entrepostos dos cais, em armazéns,
comerciantes trocam por esterlinos
o vinho que é o sangue dos seus corpos,
moeda pobre que são os seus destinos.

Em Londres os lords e em Paris os snobs,
no Cabo e no Rio os fazendeiros ricos
acham no Porto um sabor divino,
mas a nós só nos sabe, só nos sabe,
à tristeza infinita de um destino.

O rio Douro é um rio de sangue,
por onde o sangue do meu povo corre.
Meu povo, liberta-te, liberta-te!,
Liberta-te, meu povo! – ou morre.

Vila Verde: "o município figueirense vai construir um pavilhão multiusos, com capacidade para receber eventos desportivos e musicais, feiras de atividades económicas e outros eventos de grande dimensão"...

 Via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)

"Afinal, a feira popular de S. João vai continuar a realizar-se no parque das Gaivotas. Pelo menos, este ano"...

 Via Diário as Beiras (para ler melhor clicar em cima da imagem)

"O município está a ampliar a área, no areal de Buarcos, para poder receber os equipamentos que continuam no parque da Gaivotas, na Figueira da Foz. No entanto, Manuel Domingues ressalvou que a roda gigante, devido aos custos elevados da deslo calização para Buarcos, que, disse, rondam os 100 mil euros, manter-se á no parque das Gaivotas até ao fim do prazo da licença, que termina no f inal do ano. A eventual saída das autocaravanas do parque das Gaivotas – poderão ir para a freguesia de São Pedro – e a mudança dos equipamentos de diversões para Buarcos têm por finalidade libertar mais lugares para aparcamento de viaturas no maior parque de estacio namento da cidade."


Joka Mateus: de futebolista, fundador da claque a presidente da Naval 1893

Via Diário as Beiras (para ver melhor clicar na imagem)

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Santana Lopes, presidente da Câmara da Figueira da Foz: “não há nada pior na política do que enganar as pessoas. O município, em diferentes épocas, por diferentes razões, de várias cores, não conseguiu concretizar isto”

Via Diário as Beiras (para ver melhor, clicar na imagem)

Um grupo neonazi não se varre para debaixo do tapete

 

A rotunda Poeta Joaquim Namorado: a injustiça dura sempre até um dia...

Teresa Namorado"homenagem ao meu Pai".

Por iniciativa de Santana Lopes, a Câmara da Figueira reparou uma injustiça que durava desde Janeiro de 1983.
A cerimónia teve a presença de familiares de Joaquim Namorado, dos presidentes de Câmara e Assembleia municipais, respectivamente, Pedro Santana Lopes e José Duarte Pereira, da presidente da Junta de Freguesia de Buarcos e São Julião, Rosa Batista, outros autarcas e personalidades ligadas ao Saber, à Cultura, à Literatura e a Política e alguns Amigos e admiradores do Poeta.

Joaquim Namorado, foi um Cidadão que teve uma vida integra, de sacrifício e de luta, sempre dedicada à total defesa dos interesses do Povo. Em 1982, Joaquim Namorado aparece em 3º. Lugar na lista APU concorrente à Assembleia Municipal da Figueira da Foz - e é eleito.
Em 1983, por iniciativa do semanário barca nova é lançada a ideia de uma “homenagem a Joaquim Namorado”. Nos dias 28 e 29 de Janeiro desse ano a Figueira prestou-lhe essa significativa Homenagem.
Dela faz parte uma exposição sobre “O neo-realismo e as suas margens”, que depois foi apresentada em Coimbra, Guimarães e Fafe, em versão simplificada.
O executivo da Câmara Municipal da Figueira da Foz, por proposta do então vereador da Cultura, António Augusto menano, cria o “Prémio Joaquim Namorado”, para ser atribuído a contos inéditos, invocando a acção cultural exercida por Joaquim Namorado no nosso concelho. Em 29 de Janeiro é conferida a Joaquim Namoarado a Ordem da Liberdade – Diário da República nº. 62, 2ª. Série de 16/3/1983. Era Presidente da República na altura o General Ramalho Eanes.
Seguiram-se outras homenagens. Recordo que a Assembleia Municipal de Alter do Chão, sua terra natal, em reunião de 4 de Fevereiro, por unanimidade, resolve associar-se à “Homenagem nacional prestada a Joaquim Namorado".
A Junta de Freguesia de S. Julião, delibera na sua reunião de 14 do mesmo mês no mesmo sentido.
A Assembleia Municipal e a Câmara de Coimbra atribuem-lhe, por unanimidade, a Medalha de Ouro da cidade.
Por esse tempo, Joaquim Namorado era um Homem feliz. Por esse tempo, eu, como elemento de um colectivo que se chamava barca nova, também era um homem feliz.
Na altura, também por proposta do Vereador da Cultura, António Augusto Menano, a integração na toponímia figueirense do nome do Poeta foi deliberada, por unanimidade, por um executivo camarário presidido pelo eng. Aguiar de Carvalho.
Chegou a ser aprovada a atribuição do seu nome a uma praceta, mas hoje o nome que lá está é outro - o de Madalena Perdigão.

Joaquim Namorado licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra, dedicando-se ao ensino. Exerceu durante dezenas de anos o professorado no ensino particular, já que o ensino oficial, durante o fascismo, lhe esteve vedado.
Depois do 25 de Abril, ingressou no quadro de professores da secção de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Notabilizou-se como poeta neo-realista, tendo colaborado nas revistas Seara Nova, Sol Nascente, Vértice, etc. Obras poéticas: Aviso à Navegação (1941), Incomodidade (1945), A Poesia Necessária (1966). Ensaio: Uma Poética da Cultura (1994).)
Dizem que foi o Joaquim Namorado quem, para iludir a PIDE e a Censura, camuflou de “neo-realismo” o tão falado “realismo socialista” apregoado pelo Jdanov...
Entre muitas outras actividades relevantes, foi redactor e director da Revista de cultura e arte Vértice, onde ficou célebre o episódio da publicação de pensamentos do Karl Marx, mas assinados com o pseudónimo Carlos Marques. Um dia, apareceu na redacção um agente da PIDE a intimidar: “ó Senhor Doutor Joaquim Namorado, avise o Carlos Marques para ter cuidadinho, que nós já estamos de olho nele”...
Na tarde de ontem, por iniciativa do Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Dr. Pedro Santana Lopes, a Figueira - e a sua população - pagou uma dívida de gratidão que tinha para com o Poeta e Cidadão Joaquim Namorado e que durava há demasiado tempo.

A homenagem ao Poeta Joaquim Namorado divulgada por outros.
"A atribuição do topónimo, aprovada por unanimidade em reunião de toponímia de 10 fevereiro de 2025, foi para o Presidente da Câmara Municipal da Foz, Pedro Santana Lopes, “um ato de justiça, ainda que tardio”, que fez alusão ao seu anterior mandato, no qual decidiu não dar continuidade ao Prémio Joaquim Namorado, uma responsabilidade que o autarca assumiu como inteiramente sua e não da então responsável municipal pela cultura.
Pedro Santana Lopes assumiu ainda que, à data, a autarquia atribuiu um novo nome ao prémio literário, «João Gaspar Simões», que ainda hoje promove, mas que deveria ter-se mantido o «Prémio Joaquim Namorado» ou, “ter criado outro”.
O edil sublinhou a sua satisfação em poder ter tido a oportunidade de reparar uma falta “que estava para ser reparada” e que o foi “por sua iniciativa”.
Para além do Presidente da Câmara Municipal a cerimónia contou com a presença da filha, netos e bisneto de Joaquim Namorado; do presidente da Assembleia Municipal, José Duarte Pereira; da presidente da Junta de Freguesia de Buarcos e São Julião, Rosa Batista; dos vereadores do executivo municipal; de personalidades de diversas áreas e das Guardas de Honra dos Bombeiros Voluntários e Sapadores Municipais.
Na sua intervenção, a presidente da Junta de Buarcos e São Julião salientou que “honrar a memória de Joaquim Namorado é não permitir que caia no vazio e no esquecimento muito daquilo que foram as suas vivências por estas terras.”
“Foi aqui que passou muito tempo, foi aqui que discutiu muitas ideias, e, portanto, entendemos [executivo da junta de freguesia] que este seria o local mais próximo daquela que foi a sua residência aqui na Figueira da Foz”, referiu a autarca.
“Tenho a certeza de que Joaquim Namorado onde se encontra também está feliz com esta atribuição”, advogou Rosa Batista.
Maria Teresa Namorado, filha do homenageado, agradeceu em nome da família, e em nome próprio, dos filhos, sobrinhos e netos e também de sua irmã, “muito recentemente falecida”, a “distinção e enorme honra que o município da Figueira da Foz” prestou “à memória de seu pai, “que não nasceu nem faleceu na Figueira da Foz, mas que fez desta cidade a sua terra, encontrando em muitos figueirenses, em muitos jovens universitários, um conjunto de correligionários políticos e intelectuais, uma plêiade de amigos e camaradas que consigo pensaram e defenderam as causas e os valores da liberdade e da democracia por que ele tanto pugnou”.
“O seu pensamento ideológico e o seu ativismo político, cívico e intelectual deixaram marca em muitas gerações” frisou Maria Teresa Namorado, que recordou que “a nossa casa na Serra era um entra e sai de amigos reunidos em seu torno, em tertúlia constante”.
A finalizar a sua intervenção, a filha de Joaquim Namorado sublinhou que “nestes tempos desconcertantes e incertos que vivemos”, há um poema do pai, de que gosta muito, que lhe vem muitas vezes à memória, pela sua “atualidade”, «É preciso que saibas»:
Se espetas / Certeiro/ Ao coração do Povo/ É a ti que feres.
Se cercas / De grades / A vida do Povo / É a ti que prendes.
Se julgas / Sem Justiça / O direito do Povo / É a ti que condenas.
Se negas / A verdade / À palavra do Povo / É a ti que mentes.
Se lavras /No duro chão dos dias / O tempo futuro / É nele que vives."

Diário as Beiras, edição de 12 de Julho de 2025.
Diário de Coimbra: edição de 12 de Julho de 2025.

Joaquim Namorado dá nome a rotunda em Buarcos

"A rotunda que faz interligação entre a Avenida Dr. Mário Soares e a Rua da Várzea de Buarcos tem uma nova designação. Desde ontem à tarde que se apelida de Rotunda Poeta Joaquim Namorado, numa homenagem a um dos iniciadores e teóricos do movimento neorrealista em Portugal, cuja cerimónia de inauguração do topónimo decorreu perante a presença do executivo da Câmara da Figueira da Foz e da Junta de Freguesia de Buarcos e S. Julião, bem como representantes de diversas entidades figueirenses, família e amigos do homenageado a título póstumo."

Campeão das ProvínciasPoeta Joaquim Namorado eternizado numa rotunda da Figueira da Foz


Figueira na Hora: Rotunda Poeta Joaquim Namorado: “era uma falta que estava para ser reparada”

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Rotunda Joaquim Namorado: a inauguração do topónimo é realizada hoje, pelas 18H00

"O Município da Figueira da Foz atribuiu o nome de Joaquim Namorado à rotunda junto ao Centro de Saúde de Buarcos, na avenida Mário Soares. A inauguração do topónimo é realizada hoje, pelas 18H00, cerimónia que conta com o presidente da câmara, Santana Lopes e familiares do homenageado."

Imagem via Diário as Beiras


Joaquim Namorado viveu entre 1914 e 1986. Nasceu em Alter do Chão, Alentejo, em 30 de Junho. Alter do Chão, Coimbra e a Figueira da Foz, foram as terras por onde repartiu a sua vida.
Joaquim Namorado, em vida teve uma Homenagem (para ele) especial. Tal aconteceu nos dias 28 e 29 de Janeiro de 1983. Por iniciativa do jornal barca nova, a Figueira prestou-lhe uma significativa Homenagem, que constituiu um acontecimento nacional de relevante envergadura, onde participaram vultos eminentes da cultura e da democracia portuguesa. O vídeo acima, contém a gravação do discurso que Joaquim Namorado fez na oportunidade – já lá vão mais de 42 anos. 
Há pessoas que nos estimulam. São as pessoas que nunca se renderam ao percurso da manada. Joaquim Namorado foi desses raros Homens e Mulheres que conheci. Considerava-se um figueirense de coração e de acção – chegou a ser membro da Assembleia Municipal, eleito pela APU. Teve uma modesta residência na vertente sul da Serra da Boa Viagem. Essa casa, aliás, serviu de local para reuniões preparatórias da fundação do jornal barca nova
Joaquim Namorado, foi um Cidadão que teve uma vida integra, de sacrifício e de luta, sempre dedicada à total defesa dos interesses do Povo. 
Como já ficou escrito antes, nos dias 28 e 29 de Janeiro de 1983, por iniciativa do jornal barca nova, a Figueira prestou-lhe uma significativa Homenagem. Na altura, lembro-me como se fosse hoje, nos bastidores do Casino Peninsular, escutei-o com deslumbramento. Ao reviver o seu discurso, o que consegui a partir de uma gravação que obtive por um feliz acaso do destino, fiquei com a certeza de que era necessário trazê-lo até aqui (fica o meu agradecimento ao Pedro Agostinho Cruz), pois o que escutei fala mais de quem foi e continua a ser Joaquim Namorado, no panorama cultural português, do que tudo o que alguém, por mais talentoso que seja, conseguiria alguma vez transmitir sobre uma personalidade tão especial e genuína. Neste documento, para mim com uma carga emocional enorme, está o Joaquim Namorado com quem convivi nas mesas do velho café Nau e na redacção do barca nova, que permanece vivo na minha memória. Ainda por cima, ouve-se também, ainda que de forma breve, a voz do Zé Martins. 
Na sequência dessa homenagem, a Câmara Municipal da Figueira, durante anos, teve um prémio literário, que alcançou grande prestígio a nível nacional. Santana Lopes, quando passou pela Figueira, como Presidente de Câmara, decidiu acabar com o “Prémio do Conto Joaquim Namorado”
Joaquim Namorado licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra, dedicando-se ao ensino. Exerceu durante dezenas de anos o professorado no ensino particular, já que o ensino oficial, durante o fascismo, lhe esteve vedado. Depois do 25 de Abril, ingressou no quadro de professores da secção de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Notabilizou-se como poeta neo-realista, tendo colaborado nas revistas Seara Nova, Sol Nascente, Vértice, etc. Obras poéticas: Aviso à Navegação (1941), Incomodidade (1945), A Poesia Necessária (1966). Ensaio: Uma Poética da Cultura (1994).) Dizem que foi o Joaquim Namorado quem, para iludir a PIDE e a Censura, camuflou de “neo-realismo” o tão falado “realismo socialista” apregoado pelo Jdanov... 
Entre muitas outras actividades relevantes, foi redactor e director da Revista de cultura e arte Vértice, onde ficou célebre o episódio da publicação de pensamentos do Karl Marx, mas assinados com o pseudónimo Carlos Marques. Um dia, apareceu na redacção um agente da PIDE a intimidar: “ó Senhor Doutor Joaquim Namorado, avise o Carlos Marques para ter cuidadinho, que nós já estamos de olho nele”... 

Aquilo que se passou - o passado realmente acontecido - é o que resta na nossa memória. Joaquim Namorado sempre continuou presente na minha memória. E é uma memória de que tenho orgulho. 
Doutor (foi assim que sempre o tratei) - também sou um Homem coberto de dívidas. Consigo e com o Zé, aprendi mais do que na escola: ensinamentos esses que deram sentido à minha vida, onde cabem a honra, a honestidade, a coragem, a justiça, o amor, a ternura, a fidelidade, o humor! Mas, para Companheiros do barca nova nada há agradecer... “É assim que as coisas se têm de continuar a fazer, pois a sarna reaccionária continua a andar por aí...” A luta por uma outra maré continua!.. 
Até sempre e parabéns pela inauguração da rotunda, meu caro Doutor Joaquim Namorado. 

Há pessoas que nos estimulam. São as pessoas  que nunca se renderam ao percurso da manada. Joaquim Namorado foi desses raros Homens e Mulheres que conheci.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Paço de Maiorca a caminho do destino final?..

 Via Diário as Beiras


Mais um episódio da série actualmente em exbição na Figueira, "Santana, a caminho da maioria absoluta"

 Via Diário as Beiras:

«O presidente da Junta de Maiorca, Rui Ferreira, recandidata-se pela coligação da recandidatura independente de Santana Lopes, adiantou o autarca maiorquense ao DIÁRIO AS BEIRAS, acrescentando que se desfiliará em breve do PS. Rui Ferreira afirmou que decidiu mudar de força política por causa do “relacionamento nulo com a Concelhia do PS” e porque “grande parte das pessoas da secção de Maiorca do PS não teriam interesse que fosse o candidato do partido”.»

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Hoje há reunião de câmara e a concessão da piscina-mar vai a votos


A proposta para a celebração do acordo de cedência de utilização e exploração do complexo piscina-mar está na ordem de trabalhos da reunião de Câmara da Figueira da Foz que se realiza esta tarde, a partir das 17 horas. Após aprovação por este órgão autárquico, a proposta passará pelo crivo da Assembleia Municipal, onde será sujeita a votação.
Como sabemos o município irá conceder a exploração do equipamento, por 40 anos, à Empresa Nacional de Turismo (Enatur), cujo presidente do conselho de administração é Paulo Pereira Coelho, antigo vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, ex-secretário de Estado e ex-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, que anunciou fazer um investimento inicial de seis milhões de euros.
Nesta época balnear, a reabertura da Piscina-Praia está prevista para o dia 02 de julho.

Texto: daqui
Foto de Paulo Pereira Coelho; daqui 

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Festa é festa

 Em 2025, o mês de Junho é em grande na Figueira.

É habitual ouvir dizer: “todos os anos deveria haver eleições”. Porém, na minha já longa vida, vi anos seguidos de eleições com a Figueira e o País a ficarem sempre mais para trás.
Logo a seguir ao 25 de Abril, a cada vitória do PS/Figueira, os vencedores logo diziam que os figueirenses tinham validado a sua estratégia e, com este argumento, nunca se corrigiram.
A Figueira estagnou e foi sempre caindo. As vitórias socialistas municipais no nosso concelho, só fizeram a Figueira perder importância no distrito e no País.
Depois, entre 1997 e 2009, tivemos a alternância: o PSD. Primeiro, com Santana Lopes (e, da acusação nunca se livrou, o despesismo...). Depois, com Duarte Silva (que levou o PSD/FIGUEIRA a implodir, pura e simplesmente...).
Em 2009, voltámos à desgraça que desembocou entre 2019 e 2021 na gestão trágica por sucessão de Carlos Monteiro.
Em Setembro de 2021, Santana Lopes, em circunstâncias muito difíceis, conseguiu uma maioria relativa, que passou a absoluta, com a cooptação de Ricardo Silva, único vereador eleito pelo PSD em 2021.
Foi um sinal para o que viria a seguir.
Mas a Figueira não podia ser mais?
Podia...

Mas vamos ao que interessa ao Povo.
Via Diário As Beiras: "a cantora Daniela Mercury é cabeça de cartaz das Festas da Cidade da Figueira da Foz, que celebram o S. João. A brasileira tem o palco reservado para o dia 23 deste mês. O espetáculo começa após o desfile das marchas populares. Além de Daniela Mercury, uma das maiores referências da música popular brasileira, o cartaz das Festas da Cidade inclui outros nomes sonantes, mas da música feita no lado de cá do Atlântico lusófono. Pedro Abrunhosa actua no dia 21, Paulo Gonzo no dia 22, os Anjos no dia 24, os Sons do Minho no dia 20, Romana no dia 14 e Némanus no dia 13. Estes artistas portugueses completam um cartaz de espetáculos que privilegia a diversidade de público.
O programa conta, também, com actuação diária de djs.
Os espetáculos, com entrada livre, realizam-se na praça João Ataíde. É neste espaço ribeirinho onde também decorrerão a Festa da Sardinha, de 8 a 10, e a Feira das Freguesias, de 13 a 24."

A abordagem política à gestão de uma Câmara Municipal, pode ser feita de diversos ângulos.
Desde logo.
Se não houver Festas da Cidade com vedetas nacionais e internacionais contratadas ao preço do mercado o que ficam a pensar os figueirenses?
Estarão disponíveis para compreender e aceitar estas poupanças em festas e fogo de artificio?
Sinceramente, duvido. E além do mais, não daria votos.
Como justificação, diz-se que estas festanças atraem milhares de turistas à cidade.
Não duvido.
Contudo, qual o seu efeito reprodutivo na economia figueirense?
É significativo, ou estamos perante um turismo de massas onde poucos consomem e muito poucos pernoitam na cidade?
Não tenho, como penso ninguém ter, resposta concreta e objectiva para estas perguntas.
Que eu saiba, apesar dos milhões já gastos pela autarquia figueirense nos últimos 50 anos neste tipo de eventos (S. João, passagem de ano e Carnaval) está por realizar o estudo que fundamente, ou não, esta dispendiosa opção política de turismo de massas.

Em Junho de 2025, mais uma vez, vamos ter dias felizes aqui pela Figueira!
Na nossa cidade, a vida só é dura para os fracos e moles.
Alguém se interessa por saber quanto é que isto vai custar?
Festa é festa. Siga a Festa.
Depois, para mim, que já estou naquela idade (é preciso explicar?..), em que bom, muito bom mesmo, é comemorar o que acontece sem datas.
Dançar, apenas pelo prazer de movimentar o corpo, beber e comer com bons amigos, apenas pelo prazer e pela extravagância de viver.
Dia a dia. Cada dia.

Texto: daqui

Na foto, obtida via Diário As Beiras Daniela Mercury que actua na noite de S. João na Figueira.

sexta-feira, 30 de maio de 2025

E tudo o vento levou.: a pegada socialista está a ser dizimada também na Figueira da Foz

Para quem não consiguiu perceber a importância de um executivo, de maioria absoluta socialista, que esteve 12 anos no poder na Figueira da Foz (2009/2021), aqui está um bom exemplo da criação e manutenção de espaços públicos ao serviço das populações.

Foto da minha saudosa Amiga Clara Gil

Um parque de merendas, instalado em plena Praia outrora da Claridade, transformada em praia da calamidade.
Quando tirei esta foto (em 23 de Maio de 2017) não fui preparado, mas um tempo depois, deliciei-me com uma bela bucha: uma sandes de leitão regada com coca cola.
Nunca levei foi um garrafão de 5 litros para fazer um piquenique com todos os matadores.
Agora, já é tarde: as mesas e os bancos foram retirados deste local mais do que apropriado para os excursoniastas torrarem.
Pelo que julgo saber, estas mesas e bancos não estão desperdiçados: vão servir para melhorarem S. Pedro (Parque de Merendas?) e Bom Sucesso (Lagoa das Velas?).
Chama-se a isto repartir o mal pelas Aldeias....
O presidente P P Santana Lopes não dorme em serviço.