domingo, 6 de fevereiro de 2022
«Quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga»
"Não tenho características para ser líder do PCP": ser comunista, é "um percurso que se vai fazendo"...
João Oliveira, em entrevista ao Diário de Notícias
"... um partido vive dos votos e dos eleitores...
Um partido como o nosso não. Se fosse assim, nem sequer existíamos, pois se durante 48 anos não pudemos participar em eleições, já viu se vivêssemos dos votos? Essa questão é que é a questão verdadeiramente decisiva: nós não vivemos nem dependemos de votos para viver. O nosso partido vive e sobrevive, sobretudo, da relação e ligação direta aos trabalhadores e às suas necessidades.
...enquanto partido político, temos um papel que não é o papel dos sindicatos. Acho que não vale a pena sequer ninguém viver amedrontado com isso. Repare que, cinco anos depois de termos sido criados, houve um golpe militar que instaurou o fascismo em Portugal. E logo nessa altura uma das grandes orientações do golpe que permitiu implantar o fascismo em Portugal era acabar com a ameaça comunista. Pela experiência que já temos destes quase 100 anos, temos bagagem que nos permite encontrar soluções para evitar que isso aconteça. Ao longo dos anos, o PCP foi sofrendo golpes duríssimos e em alguns momentos até com a prisão de quase todos os dirigentes. Houve circunstâncias durante o período da ditadura em que os principais dirigentes do PCP estiveram encarcerados. Por tudo isto, não vivemos desesperados com aquilo que são os resultados eleitorais.
Porque é que é comunista?
Porque continuo a achar que não podemos viver na sociedade em que estamos e que a humanidade tem condições para dar a todos os seres humanos outras condições mais próximas das suas realizações enquanto seres humanos.
Isso é ser comunista?
Sim, é lutar pela transformação da sociedade para garantir que as condições que existem no mundo devem ser postas ao serviço de todos os seres humanos, e não apenas de alguns. Portanto, a minha conceção dessa sociedade nova é esta, que se encaixa na perspetiva com que o PCP continua a intervir."
sábado, 5 de fevereiro de 2022
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022
Diogo Pacheco de Amorim
«Tem mais de ex-presidiário do que qualquer outra coisa, mas nunca cumpriu pena nem nunca foi julgado como devia apesar de ter militado no MDLP. Para quem não saiba, e como se verá adiante é perfeitamente natural que a maioria não saiba, o MDLP foi um grupo terrorista armado liderado por António de Spínola. Este não teve dificuldade em ser escolhido para Presidente da Junta de Salvação Nacional logo a seguir ao 25 de Abril e, de seguida, ser designado Presidente da República.
Maus cheiros a sul: uma realidade com dezenas de anos...
Em 12 anos de poder autárquico, o PS não resolveu nada sobre este assunto.
Retrato da seca em Portugal
Ao tempo que não sentimos o que é ter de volta o inverno e a nossa amiga chuva.
Depois de meses de seca, ansiamos começar a repôr os níveis de água nas barragens e albufeiras nacionais.
Janeiro, o primeiro mês de 2022, foi um dos três janeiros mais secos dos últimos 20 anos.
Grande entrevista com Santana Lopes
Embora em nítidas manobras de aproximação ao partido da sua família política natural, Pedro Santana Lopes é independente, desde 2021. Foi nessa condição que, 20 anos depois, através do movimento Figueira A Primeira (FAP), regressou ao lugar onde já fora feliz. Ganhou a Câmara da Figueira da Foz, com maioria relativa. Nesta entrevista (texto Jot’Alves /fotografia Pedro Agostinho Cruz), a propósito dos primeiros 100 dias de mandato, não poupa nas críticas à oposição e manifesta determinação para cumprir o programa eleitoral com que se apresentou ao acto eleitoral realizado em 26 de Setembro de 2021.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
Morreu Lauro António, o "maior divulgador da história do cinema" em Portugal
Foi também realizador de filmes. O mais conhecido é Manhã Submersa.
Marcelo e os "humildes" ficaram com o problema de gerir esta maioria absoluta de Costa...
A maioria absoluta do PS surpreendeu. Foi mais bem recebida, porém, do que qualquer acordo à direita que envolvesse o Chega, um cenário “tenebroso”, para quase todos, incluindo o presidente Marcelo.
O que estava em causa em 2004 era, como aconteceu, a remoção do líder do PPD-PSD, Santana Lopes.
Agora, a onda foi surfada pelo Presidente Marcelo com calculismo e frieza: o objectivo era afastar a esquerda da esquerda da esfera de influência do poder.
Só que não contou com um pormenor inesperado: a maioria absoluta alcançada por António Costa.
Em circunstâncias normais tal não seria possível. O PS não merecia ganhar com maioria absoluta. O papão do Chega foi decisivo.
Dadas as actuais circunstâncias, a exigência é máxima ao futuro governo de maioria absoluta. Esta maioria absoluta obrigou o PS a vir a ter de governar.
As desculpas acabaram. O PS de maioria absoluta não se pode refugiar em subterfúgios disfarçados sob o manto diáfono do diálogo com os pequenos partidos.
Por falar em pequenos partidos: quer o BE, quer a CDU, quer o CDS, mais este último, tiveram uma surpresa desagradável no passado domingo. À esquerda, o eleitorado amedrontado e condicionado pelas sondagens, borrifou-se para a CDU e para o BE, que se apresentaram como caucionadores da moralidade e bons costumes do partido maior - neste caso o PS.
Esta maioria absoluta vai ser um problema, mal tome posse o novo Governo. Desde logo, para o Presidente da República. Viu-se livre do problema da governabilidade, mas ficou com um novo: como irá Marcelo Rebelo de Sousa fiscalizar um governo e um primeiro-ministro com maioria absoluta?
O protesto e agitação nas ruas vai reganhar importância e frequência.
Como é que Marcelo Rebelo de Sousa vai gerir "a sua natureza" e utilizar todas as suas prorrogativas constitucionais e também do seu magistério de influência, que certamente contará com novas e criativas soluções, diatribes e estratagemas, próprias daquela "sua natureza" que o fez falar no Dia de Reflexão?
Mário Soares inventou as Presidências Abertas para apoquentar Cavaco Silva.
Qual será a criação que Marcelo Rebelo de Sousa encontrará para aborrecer a vida ao "absoluto" António Costa?
A vitória de António Costa foi impressionante, mas os efeitos vão ser brutais.
A não ser que se venha a provar que António Costa pode fazer a diferença.
António Costa tem um desafio gigantesco: fazer frente ao nacional-porreirismo, a ideologia oficial do PS. Gostaria de estar optimista, mas não acredito que o pântano seque tão cedo.