terça-feira, 10 de março de 2026

Pretextos e razões para a subida dos preços dos combustíveis

Via Diário de Notícias

"Os preços dos combustíveis voltam a subir de forma escandalosa, arrastando uma previsível escalada geral dos preços, fazendo aumentar o custo de vida e ameaçando degradar ainda mais as já difíceis condições de vida do povo português.

Ouvimos dizer que o aumento dos preços dos combustíveis é o preço a pagar por uma guerra feita para levar a democracia ao Irão. Querem ainda convencer-nos de que esse aumento de preços é inevitável e resulta de uma relação supostamente científica entre a oferta e a procura que sustentaria o equilíbrio de mercados que funcionam livremente.

O problema é que não é nada assim.

A guerra não se destina a levar democracia a lado nenhum. O aumento de preços dos combustíveis não é inevitável, nem resulta directamente de quaisquer equilíbrios económicos. Muito menos os mercados são entidades abstratas que funcionam equilibrada e livremente.

Não há como construir uma democracia bombardeando o povo que se diz querer libertar para esse objectivo. E a agressão dos EUA e Israel ao Irão não tem na sua essência qualquer motivação democrática. É o controlo político do Médio Oriente e a apropriação dos seus recursos naturais que está em causa em função das ambições de domínio hegemónico dos EUA e Israel à escala regional e global.

A agressão dos EUA e Israel ao Irão implica, obviamente, graves perturbações no fornecimento internacional de petróleo e seus derivados. Essas dificuldades devem ser mais um (não o único, nem o principal, mas mais um) dos muitos argumentos que justificam a exigência do fim da guerra e da desestabilização que os EUA e Israel têm levado a praticamente todos os povos daquela região.

Mesmo neste contexto, a subida dos preços dos combustíveis não é inevitável. Ela resulta em boa parte do aproveitamento que os grandes grupos económicos do sector energético, particularmente as petrolíferas, estão a fazer desse conjunto de circunstâncias para fazer aumentar os preços e, assim, aumentarem os seus já escandalosos lucros bilionários.

Fazem-no usando o poder que têm para fixar os preços a seu bel-prazer, sem qualquer consideração pelos impactos económicos e sociais gerais dessas decisões.

Fazem-no sabendo que contam com um poder político maioritariamente submisso aos seus interesses, que não oferece resistência aos seus intentos, antes encontra forma de a eles se acomodar, transferindo até para o Estado e os cofres públicos parte dos seus impactos financeiros.

Fazem-no comprovando que os mercados não são entidades abstratas, são sim uma realidade concreta que resulta da composição de poderosos interesses económicos e financeiros que se movem exclusivamente pelos objetivos da multiplicação dos lucros e da acumulação de capital.

Fazem-no sabendo que, aproveitando hoje os pretextos para aumentar escandalosamente os preços e os seus lucros, não mais farão regressar à base aqueles preços, mesmo que desapareçam os pretextos hoje utilizados.

Regular, tabelar e fixar os preços dos combustíveis é, claramente, a solução que se impõe por dever democrático de defender os interesses do povo e o desenvolvimento nacional."

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