terça-feira, 8 de julho de 2014

Situação em S. Pedro: vamos então falar politicamente daquilo que é político - deixem-se de tacticismos políticos e vão ao cerne do problema...

Segundo nota de imprensa da coligação Somos Figueira lida aqui, na reunião de Câmara de ontem, vedada à comunicação social e ao público, "o presidente João Ataíde abordou a situação que se vive no seio do executivo da junta de freguesia de S. Pedro, após o secretário e a tesoureira terem anunciado que pretendiam a demissão das suas funções, na sequência de António Samuel, líder do executivo, ter utilizado dinheiro público, entretanto reposto, para pagar despesas pessoais. O edil defendeu que estas condutas são censuráveis e que, apesar de considerar que há pouca sustentabilidade para António Samuel se manter no cargo, a Assembleia de Freguesia tem autonomia para demonstrar a sua vontade, independentemente da decisão tomada pelo presidente da junta.

Miguel Almeida, vereador da coligação Somos Figueira, lamentou a demora na resolução do processo, afirmou que o presidente da junta de S. Pedro já deveria ter pedido, taxativamente, a demissão do cargo e relembrou também a contratação da filha de António Samuel como trabalhadora da junta, que está mal esclarecida e que não seguiu os trâmites legais. O vereador da coligação considera que, constatada a demissão de todo o executivo da junta, não há alternativa à convocatória de eleições intercalares. Miguel Almeida disse ainda que seria bom o Partido Socialista tornar pública, inequivocamente, a sua posição sobre o problema e que há um momento em que o silêncio passa a ser penoso para todos.

O vereador executivo João Portugal também interveio e considerou que há vários cenários em aberto, sendo que não é obrigatório que haja eleições intercalares na freguesia de S. Pedro e que pode surgir um novo executivo aprovado pela Assembleia de Freguesia local. Por fim, Miguel Almeida manifestou a sua incredulidade perante a opinião de João Portugal e reforçou que, perante a demissão de todo o executivo, é sensato que se realizem eleições intercalares na freguesia de S. Pedro".


Pronto: o caso já está na mais alta esfera da política concelhia. 
A  inabilidade que o presidente da junta  tem revelado na gestão mediática deste caso poderia ser louvável no plano dos princípios. Mas julgo que teria sido possível, sem ferir os imperativos da dignidade, não se deixar trucidar, que é o que está a acontecer, pelas feras deste circo politico, mediático e partidário com o qual teve de coexistir. 
Neste momento e neste caso, apresentar-se como ingénuo, ou tentar fazer-se de tal, para continuar a vestir o fato de vítima, não é a melhor estratégia. 
Os rumores há muito que circulavam na Aldeia. 
Depois, vieram as notícias nos jornais. 
Só depois os blogues apareceram. 
Ao contrário do que sucede com os jornais, os blogues reflectem o que os seus autores pensam ou sentem em cada momento. 
O que se escreve em muitos blogues, não é mais do que qualquer cidadão comum comenta com o amigo na mesa do café. É evidente que uma opinião transmitida na mesa do café não tem o mesmo impacto do que se for escrita num blogue, ainda que este seja lido apenas por umas centenas de leitores.
Esta democratização da opinião mudou as coisas: agora os cidadãos não se limitam a consumir informação, são eles que, mal ou bem, produzem informação. 
Quer se queira, quer não o mundo mudou, a Figueira também e a Aldeia idem, idem, aspas, aspas.
Da mesma forma que tudo mudou quando Abril pôs fim à ditadura e as forças policiais deixaram de poder proibir ajuntamentos de mais de quatro pessoas, agora as pessoas podem juntar-se no número que entenderem e até podem escrever em blogues. 
Isso, é uma dor de cabeça para o poder, mas é assim e só pode continuar neste caminho. E, quanto mais mais profunda for a democracia, mais difícil é a vida para os políticos, até para os que chegaram ao poder já depois da existência de blogues e ajudados por esses, agora, malditos blogues.

Todos os dramas são, antes de mais, humanos.
Manifestamente, agora que aconteceu o que era normal e previsível - a guerra dos partidos pelo poder - o presidente da junta de freguesia de S. Pedro está - e vai continuar - a passar um mau bocado. 
Descobriu, ou está prestes a descobrir, da pior maneira possível, que não era, afinal, o centro da freguesia de S. Pedro, e que, pior, também ele é, afinal, como todos nós, dispensável.
Cresci a conviver com o Tó Samuel. Por isso, repito aqui o que já lhe disse pessoalmente: i
ndependentemente do que se passe, ou deixe de passar, o actual presidente da junta de freguesia de S. Pedro, acabou politicamente.
Bem pode continuar a queixar-se de tudo - do mundo, do azar e da traição...
O António Samuel é, de facto uma vítima - mas, na minha opinião, em primeiro lugar e antes de tudo, dele mesmo.
Começou por ser traído por ele próprio... 
Depois, a meu ver, ainda não entendeu o óbvio: que para o partido que o apresentou às eleições não passou nunca de um meio; para o PSD, nesta conjuntura, não passa de um meio para atingir Ataíde, o que não deve desagradar por aí além a João Portugal...

Governar não é fácil.
Bertoldt Brecht,  escreveu um poema no qual glosava a infinita dificuldade de governar. 
"Como é difícil governar!", começava assim, para terminar a escrever que ...
"É só porque toda a gente é tão estúpida que há necessidade de alguns tão inteligentes. 
Ou será que governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira 
São coisas que custam a aprender?"

Alguns dos que passam por aqui, mais atentos, já terão percebido que o que se passa na junta de freguesia de S. Pedro, me foi sempre, ao longo dos anos,  um assunto muito caro. 
E a explicação é simples: entre 1986 e 1989, como secretário, fiz parte do primeiro executivo da autarquia da minha Aldeia.
Sempre enfermei de um pecado: olhar para a política como uma intervenção cidadã e sem qualquer ambição de nenhum género.
Sei que nesta Figueira e nesta Aldeia quem está errado sou eu... 
Contudo, embora não perceba nada desta política, sei que o que é político tem de ser tratado politicamente.
De uma vez por todas e para  tranquilidade de todos, atrevo-me a lembrar que aquilo que era uma promessa da lista do PS, vencedora nas últimas eleições autárquicas na minha Aldeia - e que não foi concretizado até aqui -, acabe por acontecer: uma auditoria à gestão da junta de freguesia de S. Pedro nos últimos 15 anos.
Tem a palavra quem de direito.
Neste momento, face ao que aconteceu, é o mínimo que se pode esperar...
Este executivo foi eleito para cortar com o passado. 
Há uma pergunta que requer uma resposta clara e tão rápida quanto possível: será que foi isso que aconteceu?..

6 comentários:

Anónimo disse...

Não vale a pena continuar a chover no molhado é urgente novas eleições tudo para alem disso e o atrazo das mesmas e é continuar a trucidar o homem ---Antonio Samuel---.
Errou como tantos outros.
Como já aqui foi dito que seja o seu fim político mas que o homem continue.

Anónimo disse...

Independentemente da politiquice e de quem sairá beneficiado ou não, á face da lei não há outra solução que não eleições antecipadas, pois a demissão do Presidente do Executivo a isso obriga pois ele foi o único eleito por sufrágio direto.
Decerto o Dr. João Ataíde distinto homem de leis não permitirá outro desfecho desta malfadada historia e não se deixará levar em jogos de poder absolutamente ilegítimos.

Anónimo disse...

É claro que o Tó Samuel é uma vitima mas é uma vitima dele próprio.
Está a ser trucidado pela maquina politica.
O ps tem obrigação de defender este seu eleito e já o devia ter feito.
É urgente eleições intercalares para que o homem possa sobreviver aos interesses politicos.
É claro que o Dr. Ataíde é um homem integro e não vai permitir os habituais jogos e aproveitamentos politicos da situação.

Daniel Santos disse...

Caro António:
Salvo erro, houve um tempo em que não eram aqui permitidos comentários anónimos. Ou estou enganado?
Independentemente de concordar ou não com os comentários, enquanto colocados por anónimos, não lhes dou qualquer importância.
Não devo estar longe da verdade achando que o meu amigo também pensa assim.
Um abraço.

Antonio Agostinho disse...

Tem razão, durante algum tempo não foram permitidos comentários anónimos.
Sobre a importância dos comentários anónimos a minha opinião é igual à sua.

Anónimo disse...

Caro amigo Daniel Santos antes de mais um respeitoso abraço nada tenho contra os comentários anónimos desde que sejam feitos com postura dignidade e respeito de contrário cá está o mentor do blog para lhes dar o destino merecido que é o caixote do lixo.
Quanto á importância a dar aos ditos cada um dá-lhe a que quer mas isso tambem se aplica aos comentários identificados.
Respeitosos cumprimentos aos dois.