quinta-feira, 30 de abril de 2026

Quero saber quem financia a política, e tu?

"Há decisões que não fazem barulho imediato, mas que deixam um eco prolongado na qualidade da democracia. 

Recusar a partilha de informação sobre o financiamento dos partidos é uma delas. Não é um tema mobilizador à superfície, porém, diria eu, toca no nervo central da confiança política.
Para os partidos, as vantagens são evidentes. 

Menos escrutínio significa maior margem de manobra, já que permite gerir apoios, donativos e relações com financiadores com menor exposição pública, reduzindo o risco de desgaste mediático e de leituras simplistas ou instrumentalizadas. A política exige responsabilidade acrescida, porque lida com o interesse público e, por isso, os códigos de conduta devem ser claros, os mecanismos de fiscalização eficazes e deverá existir comunicação frontal sobre financiamento. Nada disto é acessório, são condições mínimas de legitimidade. Digo eu e não creio que esteja sozinha."

Filipa Martins Romancista, argumentista e realizadora de cinema

"Se aquilo que eu escrever conseguir pôr alguém a pensar, especialmente se for de uma geração mais jovem, atualmente desequilibrada, então já tenho a missão cumprida. Não acho que vá mudar o mundo, mas é isso que me faz levantar todos os dias".

Imagem via Filipa Martins
O mundo que temos é este em que vivemos. 
Portanto: «não importa para onde tentamos fugir, as injustiças existem em todo o lado, o melhor é encarar essa realidade de frente e tentar mudar alguma coisa.» 
Por pouco que seja, sempre há-de contribuir para aliviar...

Pelas 15 horas realiza-se uma sessão da Assembleia Municipal

"JOSE DUARTE PEREIRA, Presidente da Assembleia Municipal da Figueira da Foz, no uso das competências que lhe são conferidas pelo n.° 1 do art.° 27.° e alínea b) do n.° 1 do art.° 30.° do Anexo I da Lei n.° 75/2013, de 12 de setembro, convoca uma Sessão Ordinária deste Órgão a realizar no próximo dia 30 de abril de 2026 (quinta-feira), pelas 15,00 horas, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, com a seguinte Ordem de Trabalhos."
Para conhecer a Ordem de Trabalhos, clicar aqui,

"O dia 2 de abril de 1976 fica para a história de Portugal como o dia em que foi aprovada a Constituição que o 25 de Abril havia prometido"

"A Constituição que Abril de 1974 prometera foi aprovada também com os votos de deputados figueirenses", pode ler-se na edição de hoje do Diário as Beiras.
"A Figueira da Foz esteve representada com três deputados – Henrique de Barros, Vítor Brás e Melo Biscaia. Vítor Brás, de 80 anos, é o único deputado constituinte figueirense vivo".
para ler melhor clicar em cima da imagem
Todos somos mortais. 
Nascemos, crescemos, amamos, odiamos, temos poder e somos frágeis. 
O final é o mesmo: a morte.
Naturalmente que desejo a Vitor Brás muitos anos de vida.
Portugal ficou melhor e tornou-se mais interessante por ter havido o 25 de Abril de 1974 e por Vitor Brás e todos os deputados à Assembleia Constituinte, entre junho de 1975 a abril de 1976, terem trabalhado na elaboração da Constituição da República Portuguesa. 
No final do mês de Abril de 2026, espero que Portugal saiba continuar a melhorar e ser cada vez mais interessante por Vitor Brás e todos deputados "constituintes" terem estado por cá e terem feito o que fizeram. 
Contudo, sou mais pessimista que Vitor Brás. 
"A democracia vai correndo alguns riscos e há algumas tentativas de abalá-la", apesar "da eleição do actual Presidente da República", António José Seguro.
E tenho duvidas sobre este PSD de Montenegro e Hugo Soares...
Gostaria de ser eu a estar errado - aliás, neste caso, duplamente errado.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ana Abrunhosa pede desculpa “por momento infeliz”

Via Diário as Beiras
«A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, pediu hoje publicamente desculpa, em sede de Assembleia Municipal, à Agência Lusa e ao jornalista João Gaspar pelo momento que classificou como “infeliz”, referindo-se às suas declarações proferidas na reunião de câmara de Coimbra, a 10 de abril.
“Quero aqui reafirmar o nosso compromisso de total respeito e abertura no relacionamento com os profissionais da Agência Lusa. Já falei por telefone com a diretora da Lusa, Luísa Meireles, e pessoalmente com o jornalista João Gaspar e tive a oportunidade de me desculpar por um momento infeliz, que não se voltará a repetir”, esclareceu Ana Abrunhosa.
A autarca pediu ainda aos deputados municipais, com base no trabalho dos “poucos e intensos” meses de governação, o “benefício da dúvida”

ACCFF "afirma-se na confederação com vários dirigentes nos corpos sociais"

 Via Diário as Beiras


PS e Chega abstiveram-se na aprovação de contas de 2025

A Câmara da Figueira da Foz registou em 2025 um resultado líquido positivo de 244 mil euros, de acordo com o relatório de prestação de contas aprovado por maioria.
Pelo que foi possível de observar no decorrer da sessão camarária realizada ontem no Salão Nobre dos Paços do Município, circula por aí alguma agitação no pequeno mundo da política figueirense.

O documento foi aprovado com os votos favoráveis da maioria da coligação PSD/CDS-PP e as abstenções dos dois vereadores do PS e o único eleito do Chega.

O socialista João Paulo Rodrigues justificou a abstenção com “falhas preocupantes no investimento” e perda de eficiência operacional, traduzida no “aumento significativo” dos gastos com pessoal e os “níveis elevados” dos fornecimentos e serviços externos. O vereador do PS salientou que os gastos com pessoal “aumentaram significativamente para 23,1 milhões em 2025, quando em 2024 eram de 20,4 milhões, representando um crescimento de 13,2%”, enquanto os fornecimentos e serviços externos atingem os 23,3 milhões. João Paulo Rodrigues denunciou ainda a existência de inúmeras transferências aprovadas para as freguesias que não foram feitas, bem como subsídios a várias entidades e bolsas de ensino por liquidar.

 Por sua vez, o vereador único do Chega questionou  o executivo camarário acerca do aumento do prazo de pagamento a fornecedores, de 16 dias em 2024 para 26 dias em 2025. A resposta chegou através uma técnica superior que apoiava a reunião de câmara realizada ontem durante a apresentação das contas do exercício de 2025 da Câmara da Figueira da Foz, segundo a qual trata-se de “um valor médio relativamente baixo”.

Imagem via Diário as Beiras

terça-feira, 28 de abril de 2026

Homem morre num acidente com grua em Buarcos

"Um homem com cerca de 50 anos morreu hoje num acidente de trabalho em Buarcos (Travessa Rua Alto da Fonte), na Figueira da Foz."

JMT de vez em quando consegue surpreender

"As costas de Delgado Alves fizeram bem mais pela honra do Parlamento do que as palavras frontais do presidente da Assembleia da República."


Para ler melhor clicar na imagem.

Está explicado o "fenómeno": estrondo audível na Figueira da Foz foi de missão operacional da Força Aérea

O presidente Santana Lopes, no decorrer da reunião de câmara hoje realizada,  clarificou algo que estava a intrigar o País inteiro.

Segundo a Força Aérea, o “estrondo audível” sentido na Figueira da Foz na segunda-feira resultou da “realização de uma missão operacional de F-16M, no âmbito da defesa aérea, em que houve necessidade de ultrapassar a barreira do som”.

“Este tipo de actividade é essencial para garantir a prontidão e eficácia dos meios nacionais na salvaguarda do espaço aéreo, estando a todo o momento assegurado o controlo da situação/actividade”, revelou a Força Aérea, em comunicado.
Esta instituição esclareceu ainda que em “determinadas condições atmosféricas, nomeadamente inversões térmicas ou variações de densidade do ar, pode verificar-se uma maior propagação das ondas de choque, tornando o fenómeno mais audível e abrangente que o expectável à superfície”.
A Força Aérea acrescentou que “não existiu qualquer situação de perigo para a população, tratando-se de uma ocorrência pontual decorrente de operações essenciais à segurança e defesa nacional. A Instituição mantém o seu compromisso permanente com a defesa do espaço aéreo nacional e a segurança dos cidadãos”.

Memória: "o mais talentoso torturador da PIDE mal sabia ler"

Entre a classe dos pobres - na qual me incluo - viver entre a raiva dos humilhados e o medo dos oprimidos e a ignorância cultivada, tão conveniente a todos os regimes autoritários, não pode justificar todos os "cheganos" desta vida.
Os pobres de todas as idades, tiveram uma janela de oportunidade a partir do 25 de Abril. Aos pobres de todas as idades que não viveram, ignoram ou desconhecem a realidade contada pelo Luís Osório neste postal do dia, não quero que passem pelo mesmo.
O dinheiro nunca deveria estar primeiro que os valores e a dignidade humana.
"1. Há precisamente 52 anos, no dia 24 de abril de 1974, na Rua António Maria Cardoso, sede da PIDE, um homem sentia-se recompensado. 
Tinha subido a pulso. 
Uma vida de trabalho, de abnegação e de sacrifício pela Pátria. 
É certo que na vida nada é perfeito, o homem de que te falo estava apaziguado, mas ainda não se refizera da morte de Salazar, a figura que mais amara. 
2. Chamava-se Adelino da Silva Tinoco e nascera na aldeia de Arazede, concelho de Montemor-o-Velho. 
Abalou jovem para Lisboa onde entrou na PIDE para fazer o que fosse preciso. Tinha a 4.ª classe, mas era esperto. 
Tinha força bruta e ambição. 
Aprendeu o ofício com os mais velhos, mas rapidamente o aprendiz substituiu os mestres na arte de humilhar e espancar comunistas e subversivos.
3. Tinoco era baixo e a sua cara transformava-se nos interrogatórios. 
Não fazia distinções entre homens e mulheres, adorava rebentar a arrogância das comunistas como Conceição Matos a quem proibiu de ir à casa de banho durante vários dias, a quem espancou deliciado, a quem humilhou chamando agentes para a verem despida e suja. 
4. Não penses que era um bárbaro. 
Tinoco mal sabia ler, mas admirava Silva Pais e Barbieri que cheiravam bem, que vestiam bem, que eram de boas famílias. 
Queria ser como eles, dar aos seus a oportunidade de serem distintos. 
Chorou baba e ranho quando foi condecorado em São Bento. 
Pagava o almoço aos mais novos quando o dinheiro se acabava no final do mês. 
5. Considerava-se uma boa pessoa. 
Ia à missa. Comungava. 
Dizia o Pai Nosso e o Credo. Gostava de queimar velinhas em Fátima. Tanto como gostava de rebentar à porrada traidores de Salazar. 
Tirava-lhes as unhas, apertava-lhes mamilos, batia-lhes onde mais doía, era catedrático na máquina de choques elétricos, na tortura do sono, na estátua. 
Ia às lágrimas de tanto rir quando fazia sons que enlouqueciam presos depois de quatro ou cinco dias sem dormir.
6. Tinoco era perfeito.
Mal sabia ler, mas conhecia tudo sobre o sofrimento.
Era o mais competente dos que torturavam, o que mais confissões arrancou.
E no dia 24 de abril de 1974, há precisamente 52 anos, estava contente no seu gabinete na Rua António Maria Cardoso.
Tinha estatuto, fora nomeado inspetor-adjunto no ano anterior, sentia-se recompensado e retribuído pela vida.
Pela sua cabeça não passou a estranha e extravagante ideia de que, no dia seguinte, o seu mundo colapsaria."

"Empreitada começou ontem, custa 400 mil euros e tem um prazo de execução de seis meses"

«Foi assinado ontem o contrato de consignação da empreitada para a substituição das infraestruturas de águas e saneamento na rua Direita do Monte, na Baixa da cidade da Figueira da Foz. 

Os trabalhos começaram de imediato, com sondagens e outros preparativos. A obra foi lançada com um orçamento de 398.793 euros e um prazo de execução de 180 dias. Os trabalhos decorrerão ao longo de 300 metros, com início na zona junto à praça 8 de maio. O Município da Figueira da Foz assume cerca de 280 mil euros e o restante é da responsabilidade da Águas da Figueira, concessionária das redes de água e saneamento do concelho. 

A cerimónia foi presidida pelo presidente da câmara municipal, Santana Lopes, na qual também participaram responsáveis da Águas da Figueira e da construtora Marsilop. 

As atuais infraestruturas são obsoletas e foram construídas em ferro e fibrocimento. Por outro lado, as águas residuais domésticas partilham a conduta com as águas pluviais. A empreitada serve para separar as águas e instalar redes com materiais modernos e duradouros. “[Esta é] mais uma obra do plano de investimentos da Águas da Figueira”, frisou o diretor geral da empresa, João Damasceno, na sua intervenção. E realiza-se numa “zona muito sensível”, destacou, tendo em conta a antiguidade e as caraterísticas urbanísticas daquela zona da cidade. 

A rua Direita do Monte era a entrada da cidade, segundo registos do século 16. Daí ter estado vários anos em estudo, por parte da Câmara da Figueira da Foz e da concessionária. A empreitada tem acompanhamento arqueológico. 

Para o vereador da Câmara da Figueira da Foz com o pelouro das Obras Municipais e do Ambiente – Santana Lopes não usou da palavra - , aquela é “uma pequena obra, mas com grande importância”. E, destacou, já devia estar feita, uma vez que estava previsto arrancar no anterior mandato autárquico. “Foi sempre adiada”, frisou Ricardo Silva. Entretanto, adiantou Ricardo Silva, está a ser estudada uma intervenção semelhante na vizinha rua 10 de Agosto, onde também serão criadas condições para pessoas com mobilidade reduzida poderem circular em segurança. “[Aquela obra] requer mais trabalho”, indicou o autarca. 

Por sua vez, o início das obras da rua da Liberdade, já adjudicadas, foi adiado para 1 de setembro, para não afetar o turismo durante o verão e os diversos eventos programados para o areal urbano em plena época alta.»

A "proeza": saldo positivo nas contas da Câmara em 2025

Recorde-se: o executivo municipal da Figueira da Foz apresentou para 2025 um Orçamento de 139 milhões de euros, o maior orçamento alguma vez apresentado no município. Esta proposta, que assentou em três áreas fundamentais (educação, saúde e habitação), refletia não apenas uma visão de futuro, mas uma resposta concreta às exigências e necessidades prementes dos cidadãos figueirenses. Independentemente dos contextos macroeconómicos e da instabilidade global, este orçamento revelou uma estratégia clara, ancorada em mecanismos de financiamento como o PRR, o Portugal 2020 e o Portugal 2030.
Como se devem lembrar, na altura PS/Figueira ficou dividido na votação que aprovou o Orçamento para 2025.

Imagem via Diário as Beiras

Reunião da Câmara da Figueira da Foz que foi suspensa para reorganizar agenda de trabalho prossegue hoje

A partir das 11 horas continua a reunião de câmara que foi interrompida no passado dia 23

Recorde-se que a autarquia da Figueira da Foz suspendeu a sessão de Câmara - na qual esteve ausente o presidente Santana Lopes - para reorganização da agenda de trabalho, após vários pontos terem sido retirados. 
Antes da suspensão da reunião, a vice-presidente Olga Brás, que conduziu a sessão, já tinha aceitado adiar a discussão e votação do relatório de contas de 2025 devido à entrega fora de prazo dos documentos aos vereadores da oposição.
Por sua vez, a vereação do PS pediu a retirada da ordem de trabalhos da reunião de câmara a apresentação e votação das contas da câmara do exercício de 2025, alegando que o executivo camarário não enviou o dossiê, com mil páginas, com a devida antecedência, de oito dias. Ultimamente, aliás, destacou o vereador João Paulo Rodrigues, “a documentação não tem chegado a horas para as reuniões de câmara”
A vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, Olga Brás (FAP), que, na ausência de Santana Lopes na sessão, assumiu funções presidenciais, atendeu à proposta do principal partido da oposição.
A Ordem de Trabalhos para a reunião que tem início pelas 11 horas de hoje, pode ser consultada aqui.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O cravo de Seguro

Luís Osório, jornalista e escritor
"Há 20 anos que um Presidente da República não entrava na Assembleia da República com um cravo na lapela.
Parece difícil de acreditar que muitos de nós não tenham orgulho num dos momentos mais bonitos e identitários de ser português – enquanto na Guerra Civil espanhola morreram mais de meio milhão de pessoas, não contabilizando os 100 mil que desapareceram, em Portugal preferimos armar as espingardas com cravos a matar-nos uns aos outros.
Os cravos são um símbolo da democracia, não necessariamente um património exclusivo da esquerda. Representam a vida em oposição à morte, a esperança em oposição ao medo, o otimismo em oposição ao fatalismo. É o símbolo da nossa inocência, de uma ingenuidade poética que me emociona e orgulha.
É também um abraço à memória de uma mulher, a dona Celeste, que começou a distribuir, por puro instinto, cravos aos soldados revoltosos, entusiasmando vendedoras de várias praças de Lisboa a fazerem o mesmo.
Não é bonito? Não é extraordinário? Não foi um verdadeiro milagre?"

Resolver "atentados contra a saúde pública, que têm gerado reclamações dos residentes e que não respeitam o PDM", é possível na Figueira...

A exploração de suinicultura encerra dentro de cinco meses. 
Os terrenos deverão ser utilizados para habitação a custos controlados. 
A compra custa 400 mil euros, a pagar em dois anos.
O DIÁRIO AS BEIRAS questionou Santana Lopes acerca do destino a dar aos terrenos da Crigado. “Estamos a estudar o assunto. Será um espaço verde ou habitação, mas espaços verdes já há muitos [na localidade]. O que as pessoas precisam é de habitação”, respondeu o autarca. Questionado sobre o tipo de habitação que ali poderá vir a ser construída, o presidente da autarquia figueirense avançou que será na modalidade de “custos controlados e acessíveis, em princípio para vender”. E destacou: “espero que recuperemos o investimento, se fizermos habitação”.
O acordo para a compra dos terrenos da Crigado foi alcançado no dia 24 de abril, disse ainda  Santana Lopes. 
Dentro de cinco meses, a propriedade passa para o município. “Esta é uma das decisões ou realizações que mais me enche de orgulho, porque foi muito difícil”, afirmou ainda Santana Lopes ao jornal. 
O município terá de demolir as instalações e tratar os solos. Por outro lado, se o destino a dar aos terrenos for habitação, terá de ser feita uma “alteração simples” ao Plano Diretor Municipal.
“Eles pediram muito mais e tiveram ofertas de compra superiores à nossa, mas fechámos o acordo. Eles perceberam que era bom ser o município [a ficar com os terrenos] e que não queríamos mais, ali, explorações do género”, sublinhou Santana Lopes, em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS.

25 de Abril: a Festa na rua é para quem ama a liberdade

Na Figueira da Foz, cidade maravilhosa, de carnaval em Abril, mas também de grandes tradições democráticas e de Manuel Fernandes Tomás, "O Patriarca da Liberdade" e da consciência cívica que, pelos vistos ficou perdida no tempo,  as Comemorações do 25 de Abril de 2026 promovidas pela autarquia ficaram reduzidas a isto.
"A sessão extraordinária da Assembleia Municipal (AM), comemorativa do 52º aniversário do 25 de Abril, que decorreu ontem pelas 10h30 no Centro de Artes e Espectáculos, contou com as intervenções do orador convidado, o professor e historiador Miguel Cardina, e do representante da Associação 25 de Abril, Coronel Gois Moço. Deu voz aos representantes de todos os partidos e movimentos de cidadãos com assento na Assembleia Municipal, bem como ao presidente da Câmara Municipal, Pedro Santana Lopes."

A música e o 25 de Abril sempre andaram de mãos dadas.
A celebração do 52.º aniversário da Revolução dos Cravos fez-se de norte a sul do País este fim de semana e, entre as diferentes actividades, houve vários concertos para assistir. 
Mais: muitos deles foram ao ar livre e com entrada gratuita.
Na Figueira, onde se realizam concertos com entrada gratuita por tudo e por nada (até numa noite gélida do final de Novembro, na praia...), as comemorações do 25 de Abril deste ano limitaram-se ao formal, a que já praticamente ninguém liga.
Nem a considerada "intensa" (segundo a publicação do Município da Figueira da Foz) intervenção de Balbina Oliveira, do Chega, foi novidade na cerimónia realizada no CAE no sábado passado.
  
Se a Câmara Municipal da Figueira da Foz quisesse que o 25 de Abril fosse festa, entre nomes consagrados, novas vozes e projetos mais alternativos, teria encontrado opções para todos os gostos. 
Tal não aconteceu em 2026. Fica o registo para memória futura.
Numa terra em que é sempre carnaval, não deve ter sido por falta de dinheiro, que foi reirada a componente popular das comemorações.
A alegria que o 25 de Abril trouxe ao Povo Português é o simbolismo da data.
 
Nada disto acontece por acaso.
Há uns anos havia um certo pudor. Mas, os tempos estão a mudar, o que facilita o reescrever a história.
Não vai ser tarefa fácil. 
O 25 de Abril de 74 é o dia mais importante da nossa história contemporânea. É o dia em que nos libertámos de uma ditadura e iniciámos o caminho para vivermos numa democracia.

Vivi 20 anos em ditadura.
A quem anda desalentado com o rumo que as coisas tomaram, apenas tenho a dizer que não há nada pior do que viver em ditadura. 
Quem sonha com esses tempos, das duas uma: ou não os viveu ou era beneficiário do regime. 
Pode haver fachos no parlamento, nas câmaras e assembleias municipais e nas juntas de freguesia, mas a rua (como se viu há dois dias) estará sempre do lado da democracia, da liberdade e de quem foi torturado e assassinado para que hoje se possa dizer isto, sem medo de ir preso.

Abril não falhou. 
Abril terminou com a ditadura.
A minha geração é que falhou. 
Ao mesmo tempo que permitimos que o nosso país se arrastasse na pobreza, nos baixos salários, nas falhas da saúde e da habitação, colocámos com o nosso voto gente a governar que se tornou milionária. 
"Nós, com o nosso voto, é que permitimos e levámos ao poder gente como o Sócrates, o Montenegro, o Passos, o Durão, o Vara, o Relvas, o Ventura e demais trafulhas.
Nós é que assistimos, de braços cruzados, à construção de mais autoestradas e IPs, enquanto a cada Setembro as escolas não arrancam por falta de professores.
Nós é que apoiamos guerras, do Iraque ao Irão, de Gaza a Kiev, sem percebermos que a fatura chega sempre aos países pobres. 
Nós é que desvalorizamos a necessidade da educação e a luta por condições de trabalho. 
Nós é que vemos o país a ser vendido ao retalho, desde os sectores estratégicos até aos prédios absorvidos por fundos imobiliários.
Nós é que demos votos a gente como o Cavaco ou Marcelo, que nos garantiram a solidez do BES, do BPP ou do BPN, dias antes de nos virem apresentar a conta pelas falências. 
Assistimos, impávidos e serenos, a 50 anos de decisões erradas, apostas em falso e a uma gestão interminável de fundos europeus. Pouco ou nada se fez para crescer, inovar, ser autónomo financeiramente."

Em 2026, 52 anos depois de Abril, estamos há quatro décadas na UE, mas continuamos a ser dos mais pobres desta "união".
Os que adquiriram melhor e maior formação emigraram.
Os mais velhos esperam.
Pela morte, claro, mas antes em cada verão que se aproxima, por nova enchente de turistas. 
E "lá vamos cantando e rindo, levados, levados, sim".
Em 2026, vivemos num País onde 20% dos eleitores votam num partido que admira os feitos da ditadura.
O governo, para sobreviver, segue as políticas ditadas por esse partido.
 
Contudo, Abril continua a ser o dia que nos devia fazer pensar e acordar para a vida.
Viver em liberdade dá trabalho e nunca foi "um direito adquirido".
A liberdade vive dias difíceis, mas quem a ama não desiste.
Por isso, é que quem não gosta dela assim tanto, evita a festa da liberdade na rua.

domingo, 26 de abril de 2026

Trump, Ventura, tempo de suceder o inimaginável

José Carlos de Vasconcelos

"Trump, o senhor da guerra, que decide os destinos do mundo, com o pensamento, a formação política e o estofo moral que se conhece, agora é também o Divino Espírito Santo, pois a ele, revelou, deve Leão XIV a sua eleição como Papa.

Trump é quem mais ordena − Nunca pensei, como cidadão comum, ver/viver em minha vida coisas como as que estou a ver/viver hoje. O que tenho a certeza acontece com muito mais gente de variadas gerações. E não estou a referir-me, infelizmente, aos enormes progressos científicos e técnicos, mesmo sociais e comportamentais, verificados em diversos domínios. Eles têm existido, mas estão hoje longe de assumir a dimensão das desgraças, das violações dos Direitos Humanos e de valores essenciais de um mundo livre e civilizado.

...em Portugal, tem sido o nosso “Trump caseiro” a fazer-nos ver/ viver o inimaginável. São inúmeros os exemplos disso, mas agora fico-me pelo do seu − de André Ventura −, discurso no Parlamento, na comemoração dos 50 anos da Constituição da República. De facto, como seria “imaginável”, há meia dúzia de anos, que alguém, para mais deputado, e ainda por cima “duce” de uma bancada parlamentar com 60 cadeiras, 52 anos depois de uma revolução que derrubou uma cruel e decrépita ditadura; uma revolução em todo o mundo conhecida como “dos cravos”, por não ter havido outra tão pacífica e sem derramamento de sangue (os três mortos no dia 25 de Abril foram os últimos assassinados pela PIDE); uma revolução com todos os seus princípios democráticos e humanistas institucionalizados na Constituição que se celebrava − fosse classificada por Ventura como “uma revolução miserável”?... Como seria “imaginável” que alguém, mesmo o mesmo Ventura que tem feito da mentira, da difamação, da propagação do ódio, seu instrumento constante, levasse o seu despudor ao ponto de afirmar ter havido mais presos políticos depois do que antes do 25 de Abril? (o imediatamente antes e depois pressupõe uma “falsa comparação”, porque o depois abrange os que durante 48 anos cometeram crimes impunes, mormente na polícia política)."