O mundo que temos é este em que vivemos. Portanto: «não importa para onde tentamos fugir, as injustiças existem em todo o lado, o melhor é encarar essa realidade de frente e tentar mudar alguma coisa.» Por pouco que seja, sempre há-de contribuir para aliviar...
Quero lá saber, se o PCP está apenas a adiar o apoio a Manuel Alegre para a segunda volta das presidenciais!... Quero lá saber, se os militantes do PS vão apoiar Manuel Alegre com a mesma convicção com que muitos dos católicos portugueses vão à missa!.. Quero lá saber, se vão ser os militantes do BE os motores da campanha de Manuel Alegre!.. Quero lá saber, se Sócrates não gosta de Manuel Alegre!.. Quero lá saber, se Manuel Alegre nunca gostou de Sócrates!.. Quero lá saber, se o Cavaco ganha as presidenciais!..
Fica o esclarecimento: depois do ruído feito durante anos - em especial, nos últimos 4 - eu, que até estava fortemente inclinado a votar no Poeta, não vou engolir em seco o sapo que para mim constituiu o silêncio táctico, frio, obsceno e calculista de Manuel Alegre nas últimas semanas, à espera da bênção de Sócrates. Manuel Alegre, mostrou ser mais um político, como tantos outros que para aí andam. Na hora da verdade, palavras leva-as o vento. Alguém acredita, por exemplo, que se fosse eleito, Manuel Alegre iria contestar o PEC?..
De sapos já tenho o saco cheio. Em especial, de um, chamado Mário Soares. Tenho dito. E escusam de chatear...
“Há muito que o Ministério da Educação (?) trabalha mais para a estatística que para o futuro dos jovens e, claro, o futuro do país. Por entre algumas medidas positivas, aquela que foi a paixão de António Guterres foi desbaratada pelos seus camaradas de partido em nome dos números que surgem nos relatórios internacionais. Mas só mesmo os estrangeiros poderão ficar impressionados. Por cá, já percebemos que é tudo uma mentira.”
Aos 84 anos, e vítima de doença prolongada, faleceu António Alva Rosa Coutinho. O "Almirante Vermelho", como também é conhecido, integrou a Junta de Salvação Nacional e esteve ligado ao movimento das Forças Armadas que desencadeou o 25 de Abril. Tive o privilégio de, em Fevereiro de 1983, ter falado com ele várias horas no Vale do Leão, onde pernoitou, por se ter deslocado à Figueira para participar na Homenagem promovida pelo jornal “Barca Nova” (onde então eu era chefe de redacção), a um dos nomes maiores da corrente literária conhecida por neo-realismo, - o poeta da “Incomodidade”, dr. Joaquim Namorado. Essa noite, ficou para sempre marcada na minha memória, por ter conhecido, ao vivo, os dois mais caluniados militares de Abril – o General Vasco Gonçalves e o Almirante Rosa Coutinho.
Ontem, fui ao CAE assistir ao filme/documentário do figueirense Jorge Pelicano PARE, ESCUTE, OLHE. Em boa hora o fiz. O filme fala de Trás-os-Montes, região esquecida e despovoada, tal como quase todo o resto do País, vítima de promessas políticas por cumprir. Mais do que uma ameaça à centenária linha ferroviária do Tua, o anúncio da construção de uma barragem é um atentado à identidade do povo transmontano. O filme, na minha opinião, excelente, além de muitas outras coisas, é um retrato fiel da classe política que tem estado à frente dos destinos deste desgraçado Portugal, nos últimos 36 anos. Basta ler a SINOPSE: “Dezembro de 91. Uma decisão política encerra metade da centenária linha ferroviária do Tua, entre Bragança e Mirandela. Quinze anos depois, o apito do comboio apenas ecoa na memória dos transmontanos. A sentença amputou o rumo de desenvolvimento e acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal, tornando‐o no país mais centralista da Europa Ocidental. Os velhos resistem nas aldeias quase desertificadas, sem crianças. A falta de emprego e vida na terra leva os jovens que restam a procurar oportunidades noutras fronteiras.” Este é o Portugal que temos em 2010 – e não só em Trás-os-Montes. PARE, ESCUTE, OLHE, uma autêntica viagem pelo Portugal profundo e esquecido, conduzida pela maestria de Jorge Pelicano, impressiona e não nos deixa indiferentes. Então, aquele silêncio próprio do isolamento a que o povo ficou condenado, esmaga. Aqueles sorrisos do Mexia e do Sócrates, as frases feitas de Mário Soares e Cavaco, são aviltantes para um povo gasto, velho, cansado sem futuro, que ficou condenado e esquecido por aqueles a quem deram o voto para o defender. Jorge Pelicano, que eu não conheço, é um figueirense que honra a Figueira. Nos seus, penso, que 32 anos, revela-se um humanista, ainda por cima competente e talentoso, que consegue passar-nos estas histórias humanas com um excelente ritmo cinematográfico. Como me disse um dia o talentoso jornalista Adelino Tavares da Silva, “é a contar estórias que a gente se entende”, por isso, apesar do conteúdo do filme do Jorge Pelicano, que, penso, não deixa ninguém indiferente, saí ontem do CAE, após a projecção do PARE, ESCUTE, OLHE, feliz, por ter tido a oportunidade de assistir a uma história, que fala de nós portugueses, mas que também fala de outros pontos do universo, ainda por cima magistralmente contada. Obrigado Jorge Pelicano.