sábado, 9 de maio de 2026

Sorri, foste assaltado pela extrema-direita. Outra vez.

"Nunca é demais reforçar o factual: nenhuma gasolineira sobe os preços por necessidade ou por risco de falência. Os combustíveis que estão a vender foram comprados há vários meses, a preços bem mais baixos do que valor de referência à data de hoje. O que as gasolineiras estão a fazer é aproveitar-se da instabilidade causada pela guerra e de um monopólio controlado por meia-dúzia de empresas para aumentar os seus lucros.

O argumento dos impostos é falacioso. O problema não está nos impostos, mesmo que concordemos – e eu concordo – que são excessivos. Mas não foram os impostos que aumentaram. Foram os preços. Artificialmente.

Mas sim, é óbvio que impostos sobre os combustíveis devem descer. Aliás, já deviam ter descido. Basta olhar para o que fez o governo espanhol, aqui ao lado, para perceber que o nosso governo podia fazer muito mais. Escolheu agarrar-se ao aumento da receita fiscal. Há dois anos chamavam-lhe “socialismo”, não sei qual será o termo a aplicar agora.

Seja como for, o responsável pelo aumento do preço do barril é Donald Trump, que decidiu iniciar uma guerra contra o Irão, com as consequências que todos conhecemos. É ele, e os seus oligarcas, que ganham com o aumento do preço do petróleo, com a venda de armas e com esquemas fraudulentos nas casas de apostas, com inside information para fazer insider trading.

Isto vem reforçar a santa aliança entre os delinquentes do capitalismo de casino e a extrema-direita da exploração, da miséria e da morte. É natural que os primeiros financiem os segundos. E é natural que os segundos queiram abafar a origem desse financiamento. Lá se ia a fantochada dos homens providenciais do povo, que pugnam pela transparência e pelo bem-estar das massas. As massas pagam e não bufam, porque não tem alternativa. O resto é paleio de saco dos discípulos de Epstein."

João Mendes

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