segunda-feira, 11 de maio de 2026

A segunda vida ou a segunda morte de Carlos Brito?..

"Para nosso bem - e muito lhe devemos! - o PCP é, por vezes, o primeiro a sobressaltar-nos a consciência, a alertar-nos e a lutar contra os mais vis ataques a direitos, liberdades e garantias, para os quais deu um contributo de sangue. Teríamos um país mais injusto sem o PCP. Mas o partido continua a chegar tarde ao comboio da História. Não por acaso, o Avante! só usou a expressão "queda do muro" mais de 20 dias após os acontecimentos de Berlim, em 1989. Não é acidente."

"Em devido tempo, o próprio Saramago, reclamava mais reflexão, inteligência, sensibilidade política e simpatia humana."

As duas mortes de Carlos Brito, a segunda às mãos do PCP

Para ler melhor clicar na imagem

"O resistente antifascista Carlos Brito, antigo dirigente do PCP, preso político, interveniente na revolução do 25 de Abril, deputado Constituinte e à Assembleia da República, candidato presidencial, director do jornal “Avante”, escritor, morreu quinta-feira, dia 7 de Maio, na sua casa de Alcoutim, Algarve, aos 93 anos.

Carlos Alfredo de Brito nasceu em 1933, na antiga Lourenço Marques, actual Maputo, Moçambique, teve uma vida ligada à luta contra a ditadura, foi preso três vezes, tendo passado quase oito anos nas cadeias do Aljube, Caxias e Peniche.

Depois do 25 Abril dedicou-se à construção da democracia em Portugal como militante e dirigente do PCP durante 45 anos, partido do qual saiu no início doa anos 2000, por discordâncias ideológicas.

Foi protagonista de uma audaciosa fuga da cadeia do Aljube, em 25 de Maio de 1957, com Américo de Sousa e Rolando Verdial.

Carlos Brito iniciou a sua participação política enquanto estudante, tendo pertencido ao MUD Juvenil, foi preso pela PIDE, a primeira vez, aos 20 anos, tornando-se, então, militante do PCP. Voltou a ser preso, já como funcionário clandestino do PCP, em 1954. Foi de novo preso em Junho de 1959, na sequência da candidatura do General Humberto Delgado, julgado no Tribunal Plenário, só foi libertado sete anos e dois meses depois, em Agosto de 1966, após cumprir no Forte de Peniche quatro anos de condenação, a que foram adicionados três anos de “medidas de segurança”.

Após Abril, Carlos Brito desempenhou durante 15 anos a liderança do grupo parlamentar do PCP, e em 1980, foi candidato à presidência da República, tendo desistido a favor do General Ramalho Eanes, por decisão do PCP. Cessou funções em 1988 de director do jornal "Avante!" órgão central do PCP, regressando depois a Alcoutim, onde escreveu grande parte dos seus livros. Nas últimas eleições autárquicas, de 2025, foi presidente da Comissão de Honra de apoio à candidatura do PS no Concelho de Alcoutim.

Tem 11 livros publicados: cinco de poesia, três de ficção, dois de memórias biográficas e um sobre o desenvolvimento regional do Algarve.

A 9 de Junho de 1997 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, a 25 de abril de 2004, com a Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.

A URAP manifesta o seu pesar pela morte de Carlos Brito e envia aos seus familiares e amigos as mais sentidas condolências.»

1 comentário:

CeterisParibus disse...

De cavadela em cavadela, rumo à cova. Pelo caminho, ainda fazem os cheganos parecerem magnânimos.
Tu não gostas, tens razão nalguns apontamentos históricos, mas não se pode estar vestido de 1970 a viver em 2026.