domingo, 19 de abril de 2026

O combate à corrupção que vinha nos programas eleitorais, é isto?..

Machadada na transparência: oposição critica Hugo Soares e diz que registo de rendimentos e interesses deve continuar público

«“Campeão da opacidade”, “machadada na transparência”, ideia “contrária ao princípio da administração aberta”. Os partidos da oposição não viram com bons olhos as declarações do líder parlamentar e secretário-geral do PSD, Hugo Soares — que defendeu em entrevista ao Expresso que a declaração de rendimentos e interesses deve deixar de ser de acesso público e que desde 2019 só tem havido “disparates” no regime de transparência e escrutínio dos políticos — não poupando críticas. PS, IL, Livre, PCP, BE e PAN entendem que a transparência é fundamental para o escrutínio público e para proteger os próprios titulares dos cargos. E há quem não tenha dúvidas de que a intenção manifestada pelo número dois do PSD só surge à boleia do caso Spinumviva. “Seria uma machadada significativa na transparência na vida pública e na possibilidade de controlar conflitos de interesses, incompatibilidade e impedimentos de titulares de cargos públicos”, diz Pedro Delgado Alves, coordenador da bancada socialista na comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados. Opinião partilhada pela IL que admite que o “princípio da publicidade é essencial para assegurar que se cumprem os objetivos de transparência” da legislação. “Esse princípio deve ser complementado com a necessidade de fundamentar a consulta com finalidades relevantes”, vinca Rui Rocha, coordenador da bancada da IL na 15ª comissão, concordando com a fundamentação pedida pela Entidade para a Transparência (EpT) para a consulta de declarações de rendimentos e património.

Imagem:  Expresso 

Texto Filipe Tourais

"A onda começa com a legalização do lobby. Prossegue com a dispensa de visto prévio do Tribunal de Contas, até aqui obrigatório, em procedimentos de aquisição até 10 milhões de euros, dispensa que liberta o gestor da fiscalização e detecção de ilegalidades que possam parar os processos. Continua com a “simplificação” do Código dos Contratos Públicos, de forma a tornar possível fazer aquisições de dezenas de milhar de euros sem consultar mais do que um fornecedor para garantir que o organismo público compra ao melhor preço. E, para já, termina com a aprovação do segredo relativamente aos financiamentos dos partidos políticos. Deixará de ser público que spinumvivas, que fascistas ou que interesses ainda mais opacos financiam os partidos com interesse em aprovar a lei. É inacreditável como estão a dar cabo de tudo, contrariando tanta conversa fiada sobre combates imaginários à corrupção que estão a tratar de generalizar com o apoio inequívoco e entusiasmado daqueles que catequizaram a cúmulos de fanatismo. Os factos falam por si. Escancarar a porta à corrupção ainda é o contrário de combatê-la."

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