Esta edição muito especial de 2026 da Festa do Avante!, na qual se celebram 50 anos desta grande construção colectiva, abre hoje, dia 4 de Setembro, e decorre até ao próximo domingo dia 6. Fazendo minhas as palvras de Janita Salomé na edição desta semana da Revista Visão: "regressei sempre com uma alegria renovada, porque há qualquer coisa naquele lugar que é difícil encontrar noutro sítio. Independentemente dos locais por onde passou ao longo destes 50 anos, a Festa do Avante! foi sempre, para mim, um encontro de liberdade e de intercultura. Quando entramos na Festa, o ambiente é diferente. Deixamos por algum tempo de sentir que pertencemos a estatutos diferentes para pertencermos a um só género. Somos todos irmãos de espécie, reunidos em torno de um desejo pacífico de liberdade e de igualdade."
Frequentada, há meio século, por comunistas e não comunistas, a Festa do Avante! ganhou, ao longo dos anos, uma mística muito própria, que a torna um evento único no panorama cultural e político nacional. Pioneira na programação, que reune músicos nacionais e internacionais e harmoniza sons, estilos e culturas, a “Festa”, como também é, simplesmente, chamada pelos mais “íntimos”, é mais do que um comício, mais do que um festival de verão e mais do que um convívio popular.
Estive na primeira edição, em 1976, que se realizou na FIL, em Lisboa. Até se fixar na Quinta da Atalaia, Seixal, num terreno comprado pelo PCP, após subscrição, andou por mais três locais.
Nestes 50 anos, fui dezenas de vezes à Festa do Avante!, a mais recente das quais na edição de 2024. Contudo, na minha memória, a mais presente, continua a ser a primeira. Tinha 22 anos e fui com a minha namorada. Ambos tinhamos simpatia pelo PCP. Foi, pois, com toda a naturalidade que estivémos presentes na primeira Festa do Avante!,
na antiga FIL, no ano de 1976. Tinha 22 anos e todos os sonhos do mundo e acreditava que "A vitória era difícil, mas era nossa!" e que "O povo unido jamais será vencido!". Lembro-me, sobretudo, de ter ficado deslumbrado com a descoberta de um artista, para mim até ao momento completamente deconhecido, que se viria a tornar uma das maiores figuras da música angolana e do mundo, de seu nome Waldemar Bastos.Edição de 1976
A primeira edição da Festa do Avante! foi realizada em setembro de 1976, na antiga Feira Internacional de Lisboa. O local já fora usado pelo PCP em 74 e 75 para passagens de ano e iniciativas do jornal Avante!. No entanto, existiam problemas como o seu tamanho diminuto e problemas securitários, nomeadamente o atentado bombista que se deu três dias antes da sua estreia.
Edições de 1977 e 1978
Em 1977, no âmbito da segunda edição, a Associação Industrial Portuguesa recusa ceder o espaço para a realização da Festa, para além de exigir ao PCP que cobrisse os estragos causados pela bomba. Escolheu-se mudar para um local ao ar livre, devido à natureza de um acontecimento popular e de massas.
No início, procurou-se utilizar a Quinta das Conchas, mas devido a preocupações ambientais o local não foi cedido. A segunda e terceira edição, em 1977 e 1978 respetivamente, realizaram-se no hipódromo do complexo desportivo do antigo estádio Nacional, até ser impedido pelo governo Mota Pinto/PPD/CDS, a pretexto de uma construção que nunca se chegou a realizar.
Edições de 1979 a 1987
De 1979 a 1986, realizou-se no Alto da Ajuda, mais precisamente, no Casalinho da Ajuda em Monsanto. No entanto, a impossibilidade de reutilização das infraestruturas era agravada pela vastidão do terreno, precisando de muitas pessoas para as construir.
Em 1987, a recusa da cedência do terreno pouco antes da realização da edição pelo então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Krus Abecasis, impossibilitou a realização da edição desse ano.
Edições de 1988 e 1989
De 1988 a 1989, realizou-se na Quinta do Infantado, em Loures. No entanto, esta era uma solução provisória, já que, devido a pertencer a um particular, requeria uma despesa extraordinária.
Edições de 1990 à actualidade
Devido às dificuldades das edições passadas, o PCP realizou uma campanha de angariação de fundos. Como resultado, ainda na edição de 1989, o então secretário-geral Álvaro Cunhal anunciou a Quinta da Atalaia, no Seixal, como o novo e definitivo local de realização da Festa do Avante!. A aquisição da Quinta da Atalaia permitiu a reutilização das infraestruturas e eram evadidas as «burocracias do foro finceiro e de prazos».
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