sexta-feira, 20 de maio de 2022

Orçamento Participativo (5)

 Via Diário as Beiras

Gás russo...

"PARAFRASEANDO FRASE CÉLEBRE DOS FILMES DE TRIBUNAL: NUNCA AMEAÇAR CORTAR O GÁS QUANDO NÃO SE TEM A CERTEZA DE PODER CORTAR O GÁS."

Ponto da situação: acho que já excedemos todas as expectativas - incluindo as nossas...


Se este ajuste directo fosse feito a uma empresa ligada a alguém da área do BE ou do PCP, estaríamos perante o pagamento de um favor. Ou perante a compra de silêncio... 
Neste caso, tratando-se de pessoas impolutas de direita, é o reconhecimento da competência e do mérito.
O importante nunca foi seres o melhor. 
O importante sempre foi estares no lado certo. 
E o lado certo todos sabemos qual é.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Orçamento Participativo... (4)

 Via Diário as Beiras

Mar, refugiados ucranianos e Quinta das Olaias estiveram ontem em destaque na reunião de Câmara

Via Diário as Beiras
"O mar voltou a fazer das suas no Cabedelo, inundando a estrada e armazéns no porto de pesca. As obras realizadas pelo anterior executivo camarário, que mereceram um oceano de críticas, continuam a agitar as águas políticas". 

"Refugiados ucranianos voltam a ser pretexto de debate político devido a uma carta aberta". 

"A Quinta das Olaias, propriedade do município, será a base do polo que a Universidade de Coimbra (UC) vai criar na Figueira da Foz. A informação foi avançada, ontem, pelo presidente da autarquia, Santana Lopes, aos jornalistas. O autarca revelou ainda, na reunião de câmara, que uma delegação da UC liderada pelo reitor, Amílcar Falcão, visitou aquele espaço, o Centro de Artes e Espetáculos (CAE) e o antigo terminal rodoviário. Por outro lado, aos jornalistas, Santana Lopes não afastou a possibilidade de o polo da UC e o centro de formação que o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) vai instalar no Sítio das Artes poderem coexistir no mesmo espaço. Solução que, aliás, vem defendendo. Todavia, a decisão está do lado da UC e do IEFP. Para ganhar tempo, já que a UC deverá iniciar a sua atividade na Figueira da Foz já no próximo ano letivo, a Quinta das Olaias é, neste momento, o imóvel que reúne melhores condições." 

"No período da reunião de câmara destinado à intervenção do público, o munícipe Miguel Amaral, baseando-se nas notícias publicadas, manifestou a sua oposição à utilização da Quinta das Olaias pela UC. Deixou, contudo, claro que apoia o regresso do ensino superior à cidade." 

"Pedro Santana Lopes optou por não fazer considerações sobre a intervenção do munícipe. Não obstante, e sem se referir a ele, afirmou aos jornalistas: “Não recebo lições de ninguém sobre o apreço, o reconhecimento de valor daquele edifício, daquele conjunto. Ninguém fez mais por aquilo do que eu”. De resto, o município adquiriu a propriedade a privados no primeiro mandato do autarca (1997-2001), para construir o CAE."

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Em 8 horas, mais de 9 mil visualizações... (E, vai continuar a somar)...

(Já ultrapassou as 52 000....)
Vídeo via António Agostinho
O resto é música... Tudo isto existiu, tudo isto foi triste, tudo isto foi o nosso fado durante 12 anos...

Orçamento Participativo... (3)

 Via Diário as Beiras

Carlos Batista, presidente de A Malta do Viso: “quando nos deparámos com esta situação, comunicámos à câmara que isto é um presente envenenado”

 Via Diário as Beiras

"Tudo o que se faz com vontade e com amor"...

NA MORTE DE JOÃO TRANCA (JOÃO MARIA REIGOTA)...

«O Centro de Estudos do Mar e das Navegações Luís de Albuquerque - CEMAR (Figueira da Foz do Mondego e Praia de Mira) cumpre a sua dolorosa obrigação de anunciar publicamente o falecimento, em 15.05.2022, aos noventa e dois anos de idade, do seu Associado, e membro do seu Conselho Consultivo e Científico, o Tio João Tranca (João Maria Reigota, 1930-2022), um dos homens mais prestigiados e acarinhados da comunidade dos Pescadores da Praia de Mira — emblemático pescador (revezeiro) dos grandes "Barcos-do-Mar" antigos —, e que, para além disso, nos últimos anos havia também contribuído decisivamente, como artesão e artífice da Memória colectiva, para as iniciativas culturais e identitárias que ao longo de mais de duas décadas aí foram levadas a cabo pelo CEMAR e as entidades autárquicas locais, em parceria, para a dignificação e a salvaguarda dessa Memória.

Este grande homem, que nos honrou com a sua presença e com a sua colaboração, sempre franca e generosa, e que nos orgulhámos de ter tido no Conselho Consultivo e Científico da nossa associação científica e cultural, foi um homem corajoso e forte, que viveu desde a infância uma vida de sacrifícios e dificuldades — as circunstâncias materiais do que era então a comunidade dos pescadores da Praia de Mira não lhe permitiram aprender a ler e escrever, e por isso era iletrado. E, no entanto, apesar disso, veio a ser nos dias da sua vida uma das figuras mais prestigiadas da sua comunidade, e veio a ser reconhecido por todos quantos tiveram a ventura de com ele contactar pelo seu carácter, pela sua coragem, pela sua força e pelo seu exemplo de vida. 

João Maria Reigota (Tranca), pescador, revezeiro e redeiro, nasceu em 2 de Fevereiro de 1930, na Praia de Mira. Desde a infância, nessa terra que era a sua, desenvolveu a sua principal actividade no âmbito da Pesca de Arrasto para Terra, a pesca local que os Pescadores desta e de outras localidades semelhantes da Beira Litoral (desde Espinho e o Furadouro até à Vieira) antigamente chamavam simplesmente "a Arte" "a Companha", e que veio depois a ser designada legalmente pelas entidades estatais das capitanias e do Estado português com o nome oficial de "Arte-Xávega" (para além de, entretanto, erroneamente, ter sido chamada "Xávega", como se fosse igual à do Algarve [!], por muitos divulgadores, académicos, universitários, jornalistas, e outros "eruditos" que nada sabem, nem querem verdadeiramente saber, do mundo dos pescadores).
Tal como tantos outros pescadores da "Arte", à medida que tal tipo de pesca foi decaindo e diminuindo (desde o Furadouro até à Vieira), João Tranca veio a trabalhar também como pescador em traineiras de pesca da sardinha (na Figueira da Foz), e num barco alemão de pesca do bacalhau (na Alemanha e na Terra Nova). Do trabalho nas traineiras,  em Portugal, viria depois a reformar-se, em 1989. A partir desse ano, voltou às companhas da "Arte" (Arrasto para Terra), na sua terra natal da Praia de Mira e na vizinha praia do Areão.

Para além do seu trabalho como pescador, em que desempenhou as importantes e corajosas funções de "revezeiro", em que se cotou como um dos mais considerados de sempre na Praia de Mira, foi também responsável por funções de "redeiro" (especialidade em que foi sempre apreciado como particularmente competente), e foi o proprietário de um dos últimos exemplares do tipo de embarcação chamada "Bateira do Mexoalho" ("Bateira de Buarcos" ou "Bateira da Praia de Mira") que existiram em Buarcos e na Praia de Mira (o seu exemplar foi precisamente o último que foi possível ser preservado para a posteridade, para um dia os vindouros virem a saber como era esse tipo de embarcação). Tratou-se da sua bateira "Lina Maria", que nos anos 80 do século XX foi obtida na Praia de Mira e meritoriamente salvaguardada pela Marinha Portuguesa, que então a levou, para fins museológicos, para o Museu de Marinha de Lisboa, onde desde então se encontra (e onde é apresentada com o nome de "Buarcos").»

LIBERDADE

 A crónica de António Agostinho publicada na Revista Óbvia em Abril de 2022

Foto António Agostinho. Local: Praça da República, Coimbra.

No dia 25 de abril de 1974 tinha 20 anos de idade. Vivia na Cova e Gala, uma Aldeia bisonha, cinzenta, deprimida e triste. Quase todas as mulheres vestiam de preto, incluindo as que me estavam mais próximas. O preto era a cor das suas vidas. A minha avó Carmina Pereira, Mãe do meu Pai, viúva de um pescador do bacalhau, desde a década de sessenta que vestia de preto. A minha avó Rosa Maia, Mãe da minha Mãe, viúva de um combatente da I Guerra Mundial, vestia de preto desde 1928. 

A minha Mãe, ficou viúva a 6 de Junho de 1974. No dia 25 de abril de 1974 tinha 20 anos de idade. Vivia na Cova e Gala, uma Aldeia bisonha, cinzenta, deprimida e triste. Quase todas as mulheres vestiam de preto, incluindo as que me estavam mais próximas. O preto era a cor das suas vidas. A minha avó Carmina Pereira, Mãe do meu Pai, viúva de um pescador do bacalhau, desde a década de sessenta que vestia de preto. A minha avó Rosa Maia, Mãe da minha Mãe, viúva de um combatente da I Guerra Mundial, vestia de preto desde 1928. 

Passou, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, a vestir de preto até 14 de Julho de 2015, dia em que morreu.

O 25 de Abril de 1974 vai fazer 48 anos. 

Portugal, antes, era diferente! Havia guerra nas colónias, fome, bairros de lata, analfabetismo, pessoas descalças nas ruas, censura prévia na imprensa, presos políticos, tribunais plenários, direito de voto limitado, licença para poder usar isqueiro... 

E havia medo, muito medo.


Apesar das dificuldades actuais, mudou-se muito. E para melhor. 

A democracia política foi conquistada. Em 2022, não é o 25 de Abril que está em causa. O que está em causa é o retrocesso de quase todos os valores de Abril. Em nome de um economicismo balofo que despreza as pessoas, estão a descaracterizar tudo o que de positivo, a nível social e laboral, foi conquistado nos anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. 

Temos assistido ao esvaziamento de conquistas fundamentais da revolução. Neste momento, estamos perante a tentativa da  hegemonia da ideologia política da economia neoliberal e do seu projeto regressivo de nova opacidade e gerador de novas desigualdades. Têm vindo a tirar o básico aos portugueses: pão nas mesas, acesso à saúde, ensino de qualidade e habitação digna, em nome de que valores civilizacionais? 

Portugal, antes do 25 de Abril de 1974, era um país pobre que tinha alguns ricos. Vivia em ditadura, mas havia democratas que lutavam e morriam pela Liberdade (com os comunistas na primeira linha do combate). Vivia em capitalismo, mas os empreendedores eram quase todos "merceeiros protegidos do regime salazarista". Vivia isolado, mas tinha uma "ala moderada" que aspirava europeizar-se. Era um País ameno e de brandos costumes, mas onde quem procurava remar contra a maré era perseguido, preso, torturado e até morto. Dizia-se crente e civilizado, mas era bárbaro. Religioso, mas não praticante. Recusava ser considerado fascista, mas tinha a PIDE e presos políticos encarcerados sem julgamento, ou com julgamentos fantoches. 


Nesse País havia a minha Aldeia. A Cova e Gala era, em Abril de 1974, um pequeno povoado mal iluminado. Quase que não existiam ruas. As casas eram praticamente todas desconfortáveis. Na altura, a Cova e Gala era uma pequena Aldeia esquecida, com cerca de  2 000 habitantes, localizada à beira do Atlântico. Vivia-se ainda pior na minha Aldeia que em algumas localidades vizinhas: nas casas não havia esgotos e a corrente eléctrica era  ausência em muitas habitações. Existia muita miséria material, fome e outras privações, as condições de trabalho eram desumanas, existia má nutrição. E havia quadros familiares de risco. 

A vivência na  Cova e Gala era influenciada pelo que se passava no Atlântico Norte a bordo dos barcos da "faina maior". A pesca ao bacalhau era  sustento das família e uma vida para pessoas moldadas às agruras de uma existência dependente de ventos e marés, rijas de corpo e com o coração curtido pelas perdas de amigos e familiares dedicados à mesma lida, mas que encontravam na pesca do bacalhau a expressão máxima desse sacrifício diário que lhes proporcionava angariar o sustento das famílias. 

Gente habituada a ter de arriscar a vida para continuar a existir.

O cenário em que cresci, foi o de uma Aldeia de um País negro nas ideias, economicamente débil, que vivia na escuridão de uma ditadura com 48 anos de existência. 

Em 25 de Abril de 1974 caiu a ditadura. Chegou a democracia. Considero-me um privilegiado. Nunca deixei (nem deixarei enquanto tiver forças para isso) de exercer o voto, “um direito” que adquiri com a democracia e um “legado” de todos aqueles que lutaram décadas (com os comunistas na primeira linha) para que eu pudesse ter uma vida vivida "quase" toda em democracia, que foi o melhor que ganhei com o 25 de Abril.

O dia 27 de Abril de 1974, na Figueira, foi “uma loucura, extraordinária”. Foi talvez o momento mais vibrante da democracia figueirense. Foi único - nunca vi tanta gente na Rua a manifestar-se. Nunca vi manifestação tão genuína, tão forte, tão festiva, tão alegre e tão intensa no nosso concelho.

Nos anos a seguir ao 25 de Abril o povo envolveu-se e participou na construção da democracia. 

Deixo o meu testemunho: a  única coisa que me interessava era participar na construção democrática de um País renascido. Preocupei-me em conhecer gente culta e politicamente evoluída para aprender. Fui dirigente sindical. Participei em listas para eleições autárquicas. Fui dirigente associativo. Nessa altura, os partidos estavam activos. Na Gala, ajudei a abrir uma delegação do MDP/CDE. Da sua actividade, recordo a alfabetização de muitas mulheres que tinham os filhos emigrados e não sabiam ler as cartas que recebiam. 

Anos mais tarde, em 1986, fiz parte do primeiro executivo da Junta de Freguesia de S. Pedro.

A liberdade de informação e o fim da censura foi uma conquista fundamental e “imbatível” da democracia. 

Em 1976, com 22 anos de idade, o jovem que eu era, curioso e sedento de aprender, que vivia numa Aldeia "que era como um novelo de lã em que não sabíamos onde estava a ponta por onde se devia puxar para a desenvolver”, começa a interessar-se pelo exercício do jornalismo. Primeiro, como correspondente do jornal O Diário. Depois, fazendo parte da equipa Barca Nova, onde conheci pessoas extraordinárias, com quem muito aprendi e evoluí.

O que sou hoje, devo-o na totalidade ao facto de ter tido a oportunidade de viver a maior parte da minha vida em liberdade. Por ter vivido 20 anos no salazarismo, que é o nome que se dá ao Estado Novo português, período ditatorial que foi iniciado em 1933 e finalizado em 1974, com o triunfo da Revolução dos Cravos, sei avaliar o que é viver numa ditadura e a reconstrução de uma democracia. Olhando para os 68 anos que tenho de vida, recordo os primeiros 20, os que vivi em ditadura, como um espaço de tempo que custou a passar. Os 48 que vivi em democracia passaram num instante. Do 25 de Abril de 1974 para cá, tudo parece que foi ontem.

A ditadura castra e oprime, bloqueia o pensamento e impede que se escolha. 

Viva a Liberdade! Viva o 25 de Abril! Sempre!

terça-feira, 17 de maio de 2022

Os figueirenses há muito que procuram políticos que lutem pelos seus interesses. Contudo, só acharam políticos que lutam pelos seus interesses...

A Figueira anda há mais de 100 anos à procura de uma solução para a barra.
Existe um estudo sobre como melhorar o Porto da Figueira. Quem estiver interessado pode consultá-lo na Biblioteca Municipal, num dos jornais locais de 1914.
Esse precioso e importante trabalho, refere a construção de um "paredão a partir do Cabo Mondego em direcção ao quadrante sul"

Esse projecto, da autoria do Eng. Baldaque da Silva,  para a construção da obra de um "Porto Oceânico", foi aprovado na Assembleia de Deputados para ser posto a concurso, o que nunca aconteceu, pois foi colocado numa gaveta. 
Neste momento, como as coisas estão na enseada de Buarcos, já não deverá ser possível colocar ali o "Porto Oceânico", uma vez que as construções ocuparam os terrenos necessários ao acesso àquilo que seria um porto daquela envergadura.
Porém, o estudo do Eng. Baldaque da Silva poderia servir de base para a construção de um paredão com cerca de 1 800 metros, que serviria para obstruir o acesso das areias à enseada de Buarcos, traria benefícios consideráveis: acabaria o depósito de areias na enseada, barra, rio e praia; ficaria protegida a zona do Cabo Mondego e Buarcos, evitando a erosão das praias da zona e os constantes prejuízos na ida Marginal; serviria de abrigo à própria barra, quando a ondulação predominasse de Oeste ou O/N.

In a Voz da Figueira de 30 abril 1959:

"Discursando na inauguração das obras exteriores do porto de Portimão, o Venerando Chefe de Estado, Sr. Contra-Almirante Américo Tomaz, pronunciou mais um dos seus saborosos discursos, e referiu-se, na seguinte passagem, às obras do nosso Porto: Há muitos anos foi resolvido o caso de Leixões. Hoje é o de Portimão. Há pouco foi o de Aveiro. Em breve será o da Figueira da Foz"...

Ao longo dos anos, foram disparates em cima de disparates que se cometeram na orla marítima figueirense. Recordo este post  de março de 2009.

Tudo começou a 15 de Maio de 1959, com o concurso público para arrematação da empreitada das obras exteriores do porto da Figueira da Foz.


“Entre o progresso e a decapitação da beleza natural, decidiu-se pelo progresso.
Contudo, isto não ficou assim: o molhe norte do porto comercial da Figueira da Foz cresceu mais 400 metros.
Entretanto, a  Figueira continua com o futuro adiado.

Orçamento Participativo... (2)

 Via Diário as Beiras

Prémio ou castigo?

Via Público 17/5/2022

O areal da praia da Figueira e solução que tarda em chegar...

Confesso-me muito preocupado com o assunto. Certamente que o actual presidente da câmara também está muito preocupado. Tal como o presidente da Assembleia Municipal. E o anterior presidente da câmara, agora primeira figura da oposição. E o único vereador PSD da oposição. Tal como os presidentes de junta de Buarcos e São Julião, São Pedro, Lavos e Marinha das Ondas. Tal como as populações, sobretudo, as do sul do concelho. 
Todos andamos preocupados há muitos anos. 
Mais tarde ou mais cedo, espero mais cedo que tarde, o problema terá de ser resolvido. 
Por este andar, porém, ainda teremos que pôr o concelho e o país a funcionar como deve ser para ultrapassar esta situação.

Há mais de 40 anos que o areal da praia da Figueira é um problema.
O que fazer a tanta areia e a tanto espaço?
A meu ver, a solução mais sensata e mais adequada, passa por “aproveitar” a areia, colocando-a no sítio onde deveria estar - margem esquerda do estuário do Mondego.
Essas cenas da “requalificação” ou do “ordenamento”, não passam de modernices inconsequentes e ineficazes, como está mais do que provado com a passagem de todos estes anos em que o problema em vez de ser resolvido se agravou.
Via blogue quinto poder, recordemos.
«Em 1981, a equipa do Arqº Alberto Pessoa, com quem a Câmara Municipal mantinha uma permanente e frutuosa avença de assistência, elaborou um primeiro estudo. Mais não era do que um sintético documento orientador geral de futuras acções, apresentado na forma de duas a três plantas cobrindo todo o espaço, então menos extenso do que o actual. Por isso se designava pelo também singelo nome de “Programa-base”. Chegou a merecer apreciação em Assembleia Municipal, mas depois veio a “morrer na praia”.
Oito anos depois, foi a vez da Sociedade Figueira Praia encomendar um plano à equipa dos arquitectos Pereira da Silva e Alberto Pessoa-filho. Ignoro qual foi o destino da encomenda ou do plano que porventura haja sido elaborado.
Decorreram mais três a quatro anos e, por iniciativa da Câmara Municipal de então, surgiu um “plano geral do areal da praia”, desta feita da autoria do GITAP, que penso que seria um gabinete de consultores e especialistas.
Logo nos primeiros meses do seu primeiro mandato, Santana Lopes decidiu-se pela implantação do conhecido Oásis, junto à Ponte do Galante. Na sua versão inicial, o projecto previa árvores, esplanadas, palcos, campos desportivos, um lago de água doce. Incluía também um mirabolante circuito de um pequeno comboio (imagino que sobre carris…) que ia pela parte poente do areal, desde o “parque das gaivotas” até junto ao prédio J. Pimenta, em Buarcos, voltando para sul junto ao paredão da marginal.
Reconheço ter então achado o Oásis uma boa ideia. Todavia, encarei-o sobretudo como uma espécie de protótipo ou de amostra do que deveria e poderia ser feito, gradualmente e em sistemático esforço, em todo o areal. Não seria bem essa a ideia de Santana Lopes, mais interessado em rapidamente exibir obra, ainda que efémera, que tivesse efeitos mais imediatos na sua imagem de autarca, já com vista a outros mais altos voos.
Por isso, as palmeiras com que decorou o Oásis foram para lá transplantadas muito crescidas.
Há 10 anos, em Abril de 2012, a  CMFF lançou  um concurso de ideias, a que chamou “concurso público de concepção”, destinadas a orientar uma solução urbanística para o vastíssimo areal da Figueira, a que chamou “requalificação”. Veio acompanhado por uma vasta lista de requisitos quanto às “tipologias de intervenção”, sob a forma de belos e sugestivos termos do jargão da arte.»

Em janeiro de 2016, o executivo socialista fez o anúncio de uma obra “milagrosa”.
Na Obra de Requalificação do Areal/Valorização de Frente Mar e Praia - Figueira/Buarcos foram gastos 2 milhões de Euros na empreitada, com a obrigação do empreiteiro fazer a manutenção durante 5 anos.
Quem por lá passa hoje vê uma ciclovia a degradar-se de dia para dia, paliçadas caídas, postes delimitadores em madeira tombados, quase vegetação e árvores mortas.
Em 6 de Janeiro de 2020, há mais de 2 anos, o vereador do PSD solicitou um relatório sobre o estado actual em que se encontra a praia e se está de acordo com o projeto elaborado. Alguém sabe se essa iniciativa, na altura muito badalada na comunicação social, teve alguma consequência?
O problema mantem-se: a Praia da Claridade transformou-se na Praia da Calamidade. O extenso areal da Praia da Figueira continua a ser um problema, quando poderia contribuir para a solução global das praias e da orla marítima do sul do concelho.

Temos de continuar a ser optimistas. Mas, igualmente, realistas.
Alguém sabe alguma coisa do bypass? 
Mesmo que a construção do bypass estivesse concluída amanhã, só dentro de cinco anos São Pedro de Moel poderia recuperar o seu areal, exemplifica Filipe Duarte Santos, investigador e geofísico, a propósito do sistema fixo de transferência de areias a construir na Figueira da Foz, obra que o ministro do Ambiente disse recentemente que é para fazer avançar.
O anterior ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, em Setembro de 2021, em véspera das eleições autárquicas de Outubro passado, assumiu que a transferência de areias para combater a erosão costeira a sul da Figueira da Foz, com recurso a um sistema fixo (bypass) era a mais indicada e que seria concretizada. A decisão aconteceu após a análise do estudo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que apresenta quatro soluções distintas de transposição de areias. Destas, notou o governante, o sistema fixo é aquele “que apresenta melhores resultados num horizonte temporal a 30 anos”.
Recorde-se que, com o prolongamento do molhe na Figueira da Foz, obra inaugurada em 2011, a erosão nas praias a sul acentuou-se, com a destruição da duna de protecção costeira a fazer sentir-se em vários locais. O problema estendeu-se pelo distrito de Leiria, até à Nazaré. Para Filipe Duarte Santos, a construção do bypass “é uma iniciativa positiva”, que está em linha com o que preconizou o Grupo de Trabalho para o Litoral num relatório de 2014, que o próprio investigador coordenou. 
“Estou satisfeito, é a melhor solução, vai beneficiar todas as praias a sul”.
Vamos a ela?...