quinta-feira, 31 de julho de 2008

Haja respeito


Nem o Paulino, o verdadeiro, nem o Pilante, nem o Limão, a Triana ou o Tareco, chegariam a isto: ao momento de defender cegamente qualquer causa.

Na VIDA, ninguém é um exemplo acabado nem de VÍCIOS, nem de VIRTUDES.
Por isso, para crescermos e aprendermos, devemos procurar o máximo de figuras exemplares que, apesar dos seus melhores esforços, nos ensinarão, dos VÍCIOS, as VIRTUDES e, das VIRTUDES, os VÍCIOS.

É mais vergonhoso desconfiar de certos "amigos", ou ser enganado por eles?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A sério, tudo isto me entristece....

O actual governo, pela primeira vez na história de Portugal, é liderado por um ex-responsável pela pasta do Ambiente.
Contudo, mais de 30 projectos PIN foram aprovados em zonas protegidas.
A legislação de defesa do património ambiental é uma brincadeira que já ninguém leva a sério.
Nem mesmo os investidores espanhóis... Apesar dos terrenos, em condições normais, não permitirem nenhuma rentabilidade económica.
Haverá comissão europeia que nos valha?

Vá lá ...


... “este blogue ainda não fechou”.
Mas ... Anda por aí uma crise!..
Será por causa dos milhões ... de bocas, claro.
Com o silêncio dos bons, começa a ser preocupante o grito dos maus!..

terça-feira, 29 de julho de 2008

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Fotografia lúdica

Para que serve uma fotografia?
Ao invés do que muita gente pensa, uma fotografia pode sugerir o mistério...
Que certezas poderá ter o maduro que, de mão na nuca, bem instalado, certamente em gozo de uns merecidos dias de férias, observa a paisagem próxima?
Por mim, valorizo sobremaneira o aspecto lúdico desta foto de Pedro Cruz, obtida em S. Pedro do Moel.
Nem em férias o rapaz larga a máquina!

domingo, 27 de julho de 2008

Porque não se prevê o que é previsível?

A Figueira da Foz, possui cerca de 40 quilómetros de costa e a "a frágil estabilidade da frente marítima agrava-se continuamente e se não há intervenção rápida continuará a agravar-se.”
Estas, são palavras de Duarte Silva, intervindo numa sessão promovida pela Ordem dos Engenheiros, em finais de Novembro de 2007.
Na mesma oportunidade, o Presidente da Câmara da Figueira da Foz frisou ainda que houve "inúmeras reuniões técnicas, desde 2003, mas todos os estudos já realizados continuam por executar".


Contudo, a Câmara Municipal da Figueira da Foz continua a permitir a construção em zonas muito próximas da linha de costa.
Já este ano, como li num artigo da Figueira 21, assinado pelo Vereador do PS, eng. João Vaz, a maioria PSD na Câmara aprovou uma proposta de alienação de dois terrenos para construção junto à duna primária. Um deles, como é público, é o actual Campo de futebol do Grupo Desportivo Cova-Gala; o outro, que irá ser ligado a este, depois de eliminada a estrada que actualmente os divide, será o terreno situado a nascente do campo de futebol.
Segundo o que se encontra delineado, o local do campo de futebol vai ser transformado em zona de equipamentos de apoio.
Como sabemos, a linha de costa do litoral figueirense alterou-se substancialmente nas últimas quatro décadas. O norte da foz, onde em tempos existiu a “Rainha das Praias de Portugal”, transformou-se numa imensidão de areia. A sul, na Cova-Gala, na Costa de Lavos e na Leirosa, a falta de areia tornou esta uma ZONA DE RISCO ELEVADO.
Como acentua o Vereador João Vaz, “é numa zona depauperada, com os cordões lunares ameaçados pelo avanço do mar, que vai continuar o programa de expansão urbanística do actual executivo camarário”.


O que é preciso é “vender”, neste caso parece que “trocar”, as frentes de mar. A estratégia integrada de ocupação e ordenamento do território do munícipio figueirense faz parte de outra realidade.
Para já, aos privados, o que interessa é construir. Depois, há-de vir o tempo de se gastarem milhões, do erário público, para a defesa do que se edificou em zona que se sabia antecipadamente de elevado risco!..
Será que é assim tão difícil prever o que é previsível?

Os ricos podem continuar descansados



"A proposta de Lei não cria um novo imposto, apenas obriga a GALP a utilizar um sistema de custeio que antecipa o pagamento do IRC".

Foi requerida em tribunal a perda de mandato do presidente da Câmara da Figueira da Foz

Foto sacada daqui
O Movimento de Defesa do Vale do Galante, que contesta a construção de uma urbanização na Figueira da Foz, requereu em tribunal a perda de mandato do presidente da Câmara Municipal local, Duarte Silva (PSD).
A acção, interposta no dia 26 de Junho, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra, foi subscrita por cerca de três dezenas de populares com base na Lei n.º 27/96 (Tutela Administrativa das Autarquias) e na Lei de Acção Popular. Os contestatários pedem a perda de mandato do autarca por alegada "violação culposa dos instrumentos de ordenamento do território ou de planeamento urbanístico, por actos administrativos praticados pelo edil no ano de 2003 no âmbito do processo do Galante.”
Segundo o JN, “os factos que sustentam o pedido de perda de mandato reportam a actos relacionados com a escritura pública do terreno do vale do Galante, entre a Autarquia da Figueira da Foz e a empresa Imofoz (Grupo Amorim), onde está a ser construído um aparthotel de 16 andares e sete blocos de apartamentos, com um total de 300 fogos, na área adjacente.O empreendimento é contestado pelo movimento cívico e pela Oposição socialista e comunista na Câmara e Assembleia Municipal. Sobretudo, é contestada a revenda do terreno por um privado que, depois de o adquirir à Autarquia, vendeu-o no mesmo dia lucrando 1,1 milhões de euros. Também a suspensão parcial do Plano Director Municipal e do Plano de Urbanização da zona e a elaboração de um Plano de Pormenor são contestados.”
Recorde-se, que “por presumíveis indícios acerca da eventual autoria de crime em práticas urbanísticas, foram constituídos arguidos Duarte Silva e o ex-vice-presidente da CMFF Paulo Pereira Coelho.”
Sublinhe-se, porém, que “ambos os suspeitos desfrutam da presunção de inocência, cabendo ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Coimbra deduzir acusação ou proferir despacho de arquivamento do processo.”

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A TRAVESSIA PROVISÓRIA DA PONTE DOS ARCOS


A travessia provisória pela Nova Pontes dos Arcos, já se está a realizar desde o passado dia 8 do corrente.
Hoje, o Diário as Beiras, dá conta das preocupações de João Portugal, deputado do PS: “quer saber se as normas de segurança estão a ser cumpridas, manifestando dúvidas em relação à protecção lateral e à passagem para peões e pede inspecção às obras.”

Esperemos que tenha melhor sorte que o também deputado figueirense, mas do PSD, Miguel Almeida.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

200 mil visitas

É um bom número para um blogue que tem, apenas, 2 anos e quase 3 meses de existência.
200 mil, é um número que nos estimula a tentar fazer mais e melhor daqui para a frente.
Para já, uma coisa é certa, vamos prosseguir.
Com o entusiasmo de sempre e com o habitual espírito divertido e descontraído.

Pelos vistos há mais ciganos que os ciganos


“Com os ciganos aprendi a tocar guitarra e a fazer umas pequenas aldrabices... as grandes aldrabices nunca são feitas pelos ciganos!"
Esta é uma frase habitual do cantor Paco Bandeira e que lhe serve há mais de trinta anos para nos espectáculos fazer a introdução à cantiga "Marilúcia" (...era a moça mais bonita das ciganas), cantiga que (entre outras) lhe garantiu a amizade sem reservas da comunidade cigana em Portugal.

Tal como o Cantigueiro Samuel, também “eu não tenho competência para analisar as gerações de asneiras sociais, políticas, humanas, urbanísticas, etc, que levaram à idealização e construção à volta das grandes cidades, cá como noutros países, desses monumentos à intolerância e racismos de todos os tipos, disfarçados de assistencialismo e preocupação social, que são os vulgarmente chamados bairros "sociais".
Pessoalmente, lamento que um povo historicamente ligado a uma noção de indomável liberdade, cultura própria por vezes com manifestações brilhantes, por força de tantas caras e portas fechadas, Santas Inquisições, Holocaustos, incompreensão e o nosso imenso medo do desconhecido, se tenham deixado aprisionar pela triste imagem que alguns dos seus dão, uma imagem de criminalidade, pedinchice hipocritamente humilde, hábitos de violência, problemas com droga... que a nossa sociedade se encarrega de colar como rótulo em toda a comunidade, como faz aliás com todas as "diferenças", sejam pretos, árabes, ciganos, etc, os quais são quase sempre "todos" uma coisa qualquer e quase sempre sempre má.
Adoraria ter uma solução para estes problemas... mas não tenho. Para manter o espírito aberto e ajudar a acalmar uma certa paranóia securitária que sempre se instala nestas alturas, fico-me por esta ideia que não passa de um desenvolvimento "à minha moda" da tal frase do Paco Bandeira com que comecei.
"As grandes aldrabices nunca são feitas pelos ciganos!"
Pois não!... Alguém ouviu falar de algum cigano ligado àquele
negócio de quase 500 milhões em material de comunicações que afinal valia um quinto?
Alguém viu algum cigano a
negociar compras de submarinos para a Marinha Portuguesa?
Algum cigano passou recentemente de algum Ministério directamente para o Conselho de Administração de alguma empresa com que "despachava" enquanto ministro, especializada em, sei lá... Lusopontes?
Algum cigano esteve embrulhado no
negócio da concessão do Casino Lisboa?”
Cá pela Figueira, alguém tem conhecimento de algum cigano ligado ao chamado caso Ponte Galante?
Pelos vistos, há mais ciganos que os ciganos!..

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O GÉNIO DOS CORREDORES

Baptista-Bastos
escritor e jornalista


"O actual vice-presidente do PSD era uma alusão de eficácia. Murmurava-se, nos corredores do partido, nas magnas reuniões de severos pensadores, com respeito admirativo e contrição afectuosa: "É um génio!", "Um caso espantoso!" Até agora, os insuspeitos elogios não foram confirmados. O homem impressiona pelo porte, mas não convence pelo que diz. As opiniões que expende naufragam na vulgaridade do desígnio. O artigo no Público é disso exemplo.

Entende-se a inquietação de Pedro Passos Coelho. Ante a mediocridade dos dirigentes do PSD, a total ausência de propostas, o áspero silêncio da líder, sente-se eloquentemente magoado. Não concedem nenhuma importância ao terço de votantes que representa; não o escutam, não o chamam; omitem-no, excluem-no. Apoquentado, vai criar um "movimento" de reflexão, que confira ao partido um incontestável predomínio da política sobre os "interesses". Não se percebe lá muito bem a pretensão de Passos: promover uma "dissidência", entre as existentes, depois de afirmar a "coesão" do partido?

Pelos vistos, o PSD é uma ruína antecipada."

Para ler a crónica completa, clcar aqui.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Grande nome o meu

Hoje, ao contrário do habitual, vou fazer política.
Quebro um hábito, pois não vou falar de uma futilidade.
Todos nós, somos identificados pelos nomes porque somos conhecidos.
Existe, contudo, uma cadeia de identidades consoante os nomes.
Eu, por exemplo, em pequenino já era Agostinho.
Mais, tarde continuei Agostinho.
Aos 50, continuei Agostinho.
Aos 60, aos 70, aos 80 (e, por aí adiante...) quero continuar Agostinho.
Grande nome o meu: de pequenino a velhinho, sempre Agostinho.
Já não sou o da fotografia, mas continuo Agostinho.

Os blogues e a antropologia filosófica do homem

Com a feitura deste blogue, descobri várias coisas que me enriqueceram como pessoa.
Uma delas, que, confesso, muito me surpreendeu, foi esta: os portugueses (pelo menos os que lêem este espaço) gostam da política.
Isto é importante.
Em especial nos pequenos concelhos e freguesias, onde a atenção sobre as acções dos autarcas é menor por parte dos media tradicionais, os blogues vieram agitar as águas mornas em que se vivia há séculos.
Contudo, isso também fez despoletar o pior que há no ser humano e que aqui chega através dos comentários de alguns anónimos (ou, nem tanto assim ...).
Alguns, são autênticas obras primas, um prato especial, que tenho deglutido quase sozinho!..
Desculpem o meu egoísmo...
Neste tempo de tantos avanços tecnológicos, para quando a possibilidade da existência de uma espécie de Torre do Tombo digital, onde seja possível publicar e preservar estes documentos, de evidente interesse científico para estudar a antropologia filosófica do homem, e onde possam ser consultados por especialistas e curiosos interessados?..

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Quem tem o queijo e a faca?

Mesmo quando me procuro alhear, espreitando o Cabedelo lá ao fundo, olhando para o céu e para as gaivotas, na busca da serenidade do mar dentro de mim, não deixo de receber apelos dramáticos.

“ Anónimo disse...
Desde à uns meses que não lia o blog, muito me admirei com o que se está a passar no "burgo".
A notícia que mais me espantou é a situação do GDCG em relação ao campo de futebol.
Sr. Presidente do GDCG parece ser evidente o facto de que todas as decisões tomadas na AG são lesivas para o clube, e o que ficará na história é simplesmente o facto de que no seu mandato o clube foi expoliado do seu segundo maior bem (o 1º são os atletas e dirigentes).
Qual é o medo de legalizar os terreno por usocapião. è simples e os passos eu posso inumerá-los:
1 - Esritura de justificação com 3 testemunhas com mais de 40 anos.
2 - Publicação em jornal
3 - Um mês depois escritura definitiva
4 - Registos na conservatória
Tão simples como isto, não se deixem enganar por quem julga ser mais esperto (não é inteligente mas sim esperto) do que os outros abram os olhos mais vale um pássaro na mão do que dois a voar. A decisão de construir as escolas naquele local não tem sentido, antes era num local aparazivel (Alberto Gaspar) mas agora a soluçã é essa? Penso que se querem construir as escolas o mais rápido possível como bandeira para as próximas eleições.
Pensem bem...
21 Julho, 2008 17:05”


Parecendo que vai haver falta de queijo e abundância de facas, não interessa de quem é o queijo e quem vai utilizar a faca?...

Joaquim Namorado homenageado na Gala

Esta foto tem 25 anos: estou eu, o dr. Joaquim Namorado,
o Pedro Biscaia, o Alexandre Campos e a minha filha Joana

A Legenda, da autoria do próprio Poeta da Incomidaidade, poderia ser esta:
"Façam ruínas
do que me afirmo,
espalhem ao vento as cinzas
do que sou:
na parcela mais remota do que fui
estou."

A Fundação Bissaya Barreto, que está a comemorar 50 anos de actividade, quis assinalar na Figueira Foz a efeméride com uma realização marcante tendo homenageado o poeta e escritor Joaquim Namorado, atribuindo o seu nome à Biblioteca do Centro Geriátrico Luís Viegas do Nascimento, na Gala.
"Para o efeito promoveu um almoço de convívio com a actuação do Grupo Coral “Encantos”, com música tradicional portuguesa, a que se seguiu a apresentação do tríptico “Vidas”, da responsabilidade dos artistas da Magenta."
A Fundação Bissaya Barreto escolheu Joaquim Namorado para patrono do espaço, pela sua participação cívica e intelectual na sociedade em que se inseriu.

ADENDA: sobre este assunto leia mais no aldeia olímpica, clicando aqui.

Bom domingo

"É um grande momento em que a ternura corre livre, tal como a música." Samuel

"É tão importante passar estes momentos, estas canções, este estar no lado mágico da vida". José Fanha

Será que estes terrenos estão amaldiçoados?..

O anterior proprietário, a Alberto Gaspar & Cª., Ldª., faliu!...
Agora, a imobiliária espanhola Martinsa-Fadesa, que seria o futuro, vive grandes dificuldades!...
Entretanto, "O fiasco já chegou à Moita."

O que se passa com esta democracia?...

Valentim Loureiro, condenado pelos crimes de abuso de poder e de prevaricação, no âmbito do processo Apito Dourado, viu o presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Gondomar, Arménio Martins, pedir a sua «demissão imediata».
Reagiu de pronto: “no mesmo dia em que foi condenado por um tribunal anunciou que se tenciona recandidatar e que vai ganhar.”
E é capaz de ter razão!..
Nem de propósito: ao mesmo tempo que estou a trabalhar neste post, ouço na Antena 1, que Avelino Ferreira Torres vai ser o próximo candidato do CDS à Câmara do Marco de Canaveses...
E, de certeza, convencido que também vai ganhar.
E é capaz de também ter razão!..
Lembrei-me do que li, há uns meses, no DN.
“A qualidade da democracia portuguesa está longe de ser comparar às melhores democracias europeias. Ao invés, encontra-se bastante abaixo da média, situando-se ao nível de países como a Lituânia e a Letónia, e só acima da Polónia e da Bulgária.”
O 25 de Abril de 1974 começou por oferecer liberdade, igualdade, fraternidade e justiça.
O Povo, que não reflecte sobre as lições da história, foi na cantiga e acomodou-se.
Será que, depois de 40 anos de ditadura, a democracia portuguesa já amadureceu demais?


sexta-feira, 18 de julho de 2008

Será que isto não irá ter consequências cá pela parvónia?

A Martinsa Fadesa, uma das maiores imobiliárias de Espanha, tem uma dívida superior a cinco mil milhões de euros. Ontem, a comissão nacional de mercado de valores suspendeu o título, depois do seu valor ter diminuído para menos de metade, desde quinta-feira, a maior queda sofrida por uma empresa na história de Espanha.
"Há vários meses que eram conhecidas os problemas de liquidez da Martinsa Fadesa.
Na semana passada, a empresa pediu para adiar o prazo de pagamento de um crédito de 150 milhões de euros.
Um pedido negado pela banca que exigia o pagamento dessa quantia como aval para um contrato de refinanciamento da dívida."

Entretanto, na edição de hoje, o diário "as Beiras" dá conta que a filial portuguesa continua a garantir a urbanização em S. Pedro, apesar de o gigante espanhol do ramo imobiliário encontrar-se em processo de insolvência.
Recorde-se, que já foram aceites reservas para esta urbanização na Freguesia de S. Pedro, para um projecto que ainda não foi aprovado.
Contudo, ainda de acordo como o que se pode ler no diários “as Beiras” de hoje, no stand de vendas que a empresa espanhola que pretende urbanizar os terrenos do Alberto Gaspar tem no antigo Casino Oceano, as reservas a 2 500 euros encontram-se suspensas...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O poço do Tzé Maia

"O seu nome não vem no mapa nem a terra tem qualquer referência, de área ou de população, nas enciclopédias. E, embora real, porque existe, vive e pulsa, parece não ter tido passado, nem presente. Contudo, não é terra morta que se possa assim, tão facilmente, ignorar.
Chama-se Gala. É uma aldeia de pescadores. Ou melhor: pouco mais é do que uma rua, que vai da Estrada ao Mar, e tem casas de um lado e do outro. Ao fundo e antes das dunas, que a separam do grande areal da praia, junta-se intimamente – quer dizer: sem uma nítida separação – a um lugar que tem o nome de Cova, embora a designação não seja exacta ou própria: as duas terras estão ao mesmo nível – o das águas do mar, quando estas andam calmas ou só bramem na ressaca.

Muito embora sem nome no mapa, a Gala está bem situada. Fica do lado sul da foz do Mondego. E, como as terras que seguem um rio até ao mar, é um prolongamento do Cabedelo – ou seja, aquele cabo de areia que se forma à barra dos rios. Do lado norte, há uma cidade e essa vem registada nos mapas de terra e nas cartas de mar – chama-se Figueira da Foz.
Mas não é de geografia que se trata.

Pouco mais de cem anos

Apesar de tudo e para situar o que se pretende dizer, vai bem um pouco de história, embora seja difícil precisar quando é que a aldeia nasceu ou porque se lhe deu aquele nome que tem.
Gala, aqui, não é vestuário de cerimónia, nem nada que se lhe compare. Em terra de pescadores e de embarcadiços, Gala é termo náutico ou expressão, marítima. Na verdade, com esse nome se designa uma vela à ré do galeão, mas também se indica o balanço de galear, que levanta e baixa o barco, da proa à proa.
É natural, portanto, que o nome da terra seja, na voz dos que lho deram, a imagem de um interior de barco, com os seus convés e cobertas, galeando entre o mar, por um lado, e as águas do rio, por outro.
De resto, Gala é nome recente. Tem pouco mais de cem anos. Para aí, cento e cinquenta, talvez.
Que se saiba, era terra despovoada, por altura das invasões francesas. Sem ponte, que só veio muito mais tarde, nem passagem expedida para a outra margem do rio, onde ficava a cidade, aquelas terras de areia e juncal logo pareceram aos invasores um bom sitio para o desembarque de tropas que lhe dessem luta.
Por isso, na sua política de ter as costas portuguesas guardadas por franceses, Junot, ou alguém por ele, mandou soldados para aquele bico de terra que só dava passagem pela foz difícil do rio ou pelas lodosas águas do estuário – naquela zona, ainda hoje, conhecidas pela corrente do canal.
Deste modo e desde a parte desabitada do Cabedelo, até às terras, ao sul, da Costa de Lavos e da Leirosa, onde já havia condições para «tomar casa e trabalho», andaram os franceses.
Por ali, patrulharam, assustaram e viveram com a gente da areia, segundo dizem, fazendo fugir os homens e deixando barrigas nas mulheres.
É de registar que, ainda hoje, os velhos, de hábitos e de linguagem mais castiça, usam uma expressão que se justifica na sua própria origem francesa e que é esta: sanfariem – que quer dizer «não tem importância» ou «não é nada». Enfim, «ça ne fait rien.

Teimosia de Gandarês

Claro que, para além das más condições de vida numa terra de dunas, havia ainda um factor que evitava a expansão dos povos vizinhos para aquela nesga de areia, postada à margem sul do Mondego. É que, ali, não havia água doce, potável. De beber.
Os franceses bem esquadrinharam todos os caminhos que levavam a terra ao mar, mas não encontraram mais do que reentrâncias onde abundava a água salgada do canal. Nem nascente, nem bica de água mansa.
Por isso, se bem que patrulhassem o quebra-mar da Cova, acampavam longe, pelo menos, em Lavos, que sempre era terra de verdes, mais do que de salinas.
Mas nem a obstinação do invasor – diz-se na região – é mais forte que a teimosia de um gandarês, tido, no litoral, como homem de terra-dentro.
Não há documentos –senão do que contam os velhos – mas parece que terá sido um rude machadeiro, vindo do interior daquela gândara, quem descobriu um fio de água doce a aflorar as areias cobertas de pinho, musgo, camarinhas e ervas ralas e agrestes.
O homem instalou-se no local, cortando lenha e vivendo da pesca.
Não consta nem o seu nome, nem que tenha formado família, mas, ao morrer deixou a outros, generosamente, o segredo da nascente. Foram estes – sabe-se que povoaram aquela terra, cabendo a alguns a aparelhagem da madeira, para fazer as primeiras casas; a outros, o desenvolvimento das artes de pescar ou de armar, no rio, á caça do borrelho e do maçarico; enquanto a tarefa de abrir um poço, no lugar da descoberta de água, ficou para o mais velho do grupo, homem já feito e com vasta família: o Tzé Maia.
Pelo cálculo dos antigos, tomando a memória das várias famílias que chegaram a este tempo, o poço ficou concluído entre 1815-1825. Vem daí, o povoamento. A Gala.
E, de facto, de muito pouco precisa o Povo para ter a sua terra. Na Gala, não foi preciso mais do que um poço!».

Só por uma simples coisa

Depois correram os tempos e as gerações. Uns ficaram do lado das águas do canal; outros foram povoar a Cova, do lado do mar.
Pela Gala, passou tudo o que abalou, perturbou ou redimiu este País: as conspirações, as revoluções, as Juntas; os liberais, os vintistas, os cartistas; os abrilistas, os caceteiros, os insurrectos. Mais tarde, os cabralistas e o início da ditadura, com o apuro do primeiro caciquismo. Depois, a Maria da Fonte, o degredo dos prisioneiros, a «lei da rolha», a luta dos regeneradores e dos progressistas.
Entretanto, aquela nesga de terra que parecia sobrar da corrente do canal, que puxava para o Sul, apenas tinha gente de trabalho: pescadores de companha e salgadeiras de pescado.
Depois da Carta e da política educacional que a acompanhou, a Gala conseguiu uma Escola. A catraiada aprendeu a ler, a escrever e contar.
Tanto daquela aldeia, como do lugar da Cova, muita gente foi para a vida do mar: pesca ou longo curso. Alguns emigraram, para a América e foram pescadores em Nova York ou calafates em S. Diego.
Pela Gala, passou a República, ainda no tempo em que se atravessava o rio numa barca de passagem. Só mais tarde veio a ponte, que está condenada, em breve, à substituição.
E tudo isto – lutas e tristezas, trabalhos e alegrias – só foi possível por uma simples coisa: o facto do poço do Tzé Maia pertencer, por ordem do que o abriu e murou, a toda a gente da região, levasse ela a água em bilha, talha, balde ou púcaro, e precisasse dela para beber ou cozinhar.

Mata até o que rega

E, assim, depois de uma longa digressão pelo passado, chego ao que verdadeiramente queria narrar.
Estive, há dias, na Gala e vim a saber que a água do poço do Tzé Maia está inquinada: mata até as couves que rega.
Perguntei: porquê? Explicaram-me que a construção e fixação, na Gala, de uma indústria de plásticos não foi tão perfeita que preservasse as infiltrações químicas nos terrenos de areia, onde está situado o poço.
Disseram-me que a fábrica, claro, já vem do fascismo e que de nada valeram, na altura, os protestos do Povo. O habitual.
Muita gente acha que a coisa não tem grande importância, porque o sítio já tem água canalizada e aquela da nascente não passa de um recurso dispensável.
Mas não é bem assim.
O poço deu mais do que água à terra, deu-lhe o nascimento. É por um lado a matriz e, por outro, a origem. Ao mesmo tempo, é a própria raiz da aldeia: sem o poço do Tzé Maia, a Gala e a Cova estavam ainda por existir. Como é, portanto, que isso não seja nada?
Claro que, também, na pequena terra de pescadores que não tem nome no mapa nem referência nas enciclopédias, mas vive, existe e pulsa, o capitalismo já destruiu o que pôde – até o passado de que passa a vida a dizer-se defensor.
O Povo da Gala tinha um monumento – que era um poço – e, pelo lucro, o capital envenenou-o.

O costume."

Adelino Tavares da Silva

Notas de António Agostinho, bisneto do Tzé Maia:

1 - Adelino Tavares da Silva, foi meu Amigo e um grande jornalista deste País, tendo chegado a ser Director do extinto «O Século», a seguir ao 25 de Abril de 1974. Quando morreu pertencia ao quadro de jornalistas do também já extinto «O Diário». Adelino Tavares da Silva tinha raízes familiares no nosso concelho, pois o seu Pai – o Comandante Rainho – era da Gala.

2 - O Tzé Maia, «o dono do poço que pertencia a toda a gente que precisasse de água para beber ou cozinhar», era o meu bisavô materno. Tenho uma pena imensa de não ter conhecido o meu bisavô Tzé Maia, pai de uma mulher extraordinária: a minha avó Rosa de Jesus Reis – a Ti Maia, que morreu «de velhice», a um mês de perfazer cem anos de vida.

3 - Esta história do jornalista Adelino Tavares da Silva, já falecido, foi publicada no Jornal "O Diário", no dia 20 Janeiro de 1978. «O Poço do Tzé Maia», eventualmente, pode não ter total rigor histórico, mas que é uma bela história, lá isso é. Como diria Adelino Tavares da Silva, «é a contar estórias que a gente se entende».

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Água da foz do Mondego apaga fogo em Cantanhede

Em Portugal, os incêndios devem fazer a riqueza de muita gente.
A não ser assim, não se compreende a razão de ocorrerem tantos.
Um dia de calor e algum vento e a região centro ficou em brasa.

Depois do Havaí o Chile

Jaime Jesus parte amanhã, dia 17 de Julho, para o Chile, País onde decorrerá a 5ª. Etapa do Circuito Mundial de Bodyboard - IBA, a partir de 1 de Agosto p.f.
Catorze horas de voo, separam Lisboa do Chile. Na bagagem, a par das inúmeras dificuldades com se tem de defrontar sempre qe se desloca ao estrangeiro para competir, este jovem atleta covagalense, leva a esperança de obter um bom resultado, resultado esse, que passa por “obter uma boa classificação e claro ganhar uns dólares”.
Segundo Jaime Jesus, “pontuar nesta etapa, assim como, ganhar algum dinheiro é bastante importante, pois em 4 etapas possíveis apenas realizei uma, a do Havaí, onde cheguei aos oitavos de final.”
No entanto, este jovem atleta (nadador salvador no Verão, para “tentar arranjar uns trocos para as viagens”, segundo confessou ao Outra Margem), irá competir nas restantes etapas do circuito. A saber: Espanha em Bilbau e Ferrol , Portugal em Sintra, Brasil e Canárias em Lanzarote e Gran Canária .
Boa sorte Jaime, ou melhor, boas ondas.

Obrigado pela ajuda preciosa

“Porque é este Homem tão importante?
Porque deve ter cuidado Sócrates?
Porque deve o BE continuar a organizar mais festas?”
A resposta está aqui.
Tem dúvidas?..
Quer a confirmação?..
Nada mais simples, basta clicar aqui.