quinta-feira, 23 de julho de 2020

OBRAS NA FIGUEIRA (viver aqui, litoral próspero de outros tempos, significa não ter tradição do exercício da cidadania, de lutas, muito menos manifestações. Aqui, registo um desfile de Abril. Quanto ao 1º de Maio: são sempre os mesmos, a reboque dos sindicalistas resistentes) 4

"A revitalização de um espaço como a Baixa deverá ser feita de uma forma integrada. Essa revitalização não pode passar por uma mera obra do mandato financiada por fundos europeus. A Baixa preserva edifícios de época, ainda mantem algum comércio local e conserva histórias de associativismo e cultura ligadas à história sentimental da cidade, histórias de felicidade e bem-estar, mas também das labaredas que devoraram o Teatro Príncipe D. Carlos e a sede da Naval 1.º de Maio. A revitalização deverá ser levada à letra e ter como objectivo dar vida e isso significa criar emprego, atrair jovens casais, fomentar o comércio certamente, mas também reforçar o associativismo e os serviços públicos. Não pode ser um ponto de passagem ininterrupto de automóveis, deve ser uma zona de paragem, de lazer, de comércio de proximidade e circuito curto. Não podemos repetir os erros de urbanismo do final do século XX. A história da baixa deve estar bem assinalada no espaço público, de uma forma inteligente, com minicircuitos temáticos bem assinalados que orientem os locais e os visitantes a explorar narrativas esquecidas, mas que ajudam a perceber a evolução da própria Baixa e da cidade. Não menos importante é o relevo e o subsolo da Baixa. Os cursos de água que moldaram esse mesmo relevo e que faziam da Praças Nova, da Praça Velha e do Jardim pequenos portos fluviais naturais.
Não podemos pedonalizar a Rua da República sem repensar a mobilidade e ouvir os comerciantes. Não podemos reabilitar as fachadas antigas sem repensar a habitação, social e a habitação jovem. Não podemos plantar novas árvores, cortando as antigas, ignorando a exagerada impermeabilização do solo e o incentivo à pequena jardinagem urbana, mantida pelos próprios munícipes. Em suma, a reabilitação urbana deveria ser feita com especialistas, autoridades locais e sobretudo através de um processo de verdadeira democracia participativa, em que os respetivos habitantes, trabalhadores e comerciantes tivessem voz e participação ativa na solução a implementar."

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