Isabel Maia, via Diário as Beiras: "A decisão
pode ser boa""A Câmara da Figueira da Foz
aprovou, em
outubro de 2026, a
venda em hasta pública de cerca de 6,7
hectares na Salmanha, terrenos adquiridos em 2025.
Em vez de construir diretamente
um pavilhão multiusos, o município
transfere para um investidor privado
a responsabilidade de erguer um
hotel de quatro estrelas, com pelo
menos 100 quartos, e um centro
de congressos para 1.500 pessoas.
Os números são claros. O preço base ronda os 550 mil euros, valor
que não pode ficar abaixo do custo
de aquisição. O comprador terá de
investir no mínimo 15 milhões de
euros, incluindo acessos e estacionamento, apresentar o projeto em
seis meses (prorrogáveis por mais
seis) e concluir a obra em 36 meses
após a sua aprovação. Se falhar,
os terrenos podem reverter para o
município.
As vantagens são reais. A autarquia limita o esforço financeiro,
capta investimento privado e reforça a oferta hoteleira e congressual, essencial para combater a
sazonalidade turística. Um centro
de congressos ligado a um hotel
pode atrair empresas, associações e
eventos profissionais, gerando atividade e emprego. A transferência das
feiras para Seiça e a componente
desportiva junto ao Pavilhão Galamba Marques, com piscina olímpica,
apontam para uma descentralização do concelho.
Mas há reservas. Um centro de
congressos não substitui, por si só,
um pavilhão pensado para espetáculos, exposições e desporto. A capacidade de 1.500 pessoas é inferior
à dimensão global antes prevista, e
a dispersão por Salmanha, Seiça e
Tavarede pode encarecer a organização de eventos. Seiça continua
sem projeto, orçamento ou calendário públicos, e a venda retira ao
município uma reserva estratégica.
A decisão pode ser boa, mas só
o será se o caderno de encargos
garantir execução, serviço público
e transparência. Sem isso, troca-se um projeto excessivo por uma
promessa fragmentada."

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