quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Concorda com a solução para o multiusos?

Isabel Maia, via Diário as Beiras: "A decisão pode ser boa"
"A Câmara da Figueira da Foz aprovou, em outubro de 2026, a venda em hasta pública de cerca de 6,7 hectares na Salmanha, terrenos adquiridos em 2025. Em vez de construir diretamente um pavilhão multiusos, o município transfere para um investidor privado a responsabilidade de erguer um hotel de quatro estrelas, com pelo menos 100 quartos, e um centro de congressos para 1.500 pessoas.
Os números são claros. O preço base ronda os 550 mil euros, valor que não pode ficar abaixo do custo de aquisição. O comprador terá de investir no mínimo 15 milhões de euros, incluindo acessos e estacionamento, apresentar o projeto em seis meses (prorrogáveis por mais seis) e concluir a obra em 36 meses após a sua aprovação. Se falhar, os terrenos podem reverter para o município. 
As vantagens são reais. A autarquia limita o esforço financeiro, capta investimento privado e reforça a oferta hoteleira e congressual, essencial para combater a sazonalidade turística. Um centro de congressos ligado a um hotel pode atrair empresas, associações e eventos profissionais, gerando atividade e emprego. A transferência das feiras para Seiça e a componente desportiva junto ao Pavilhão Galamba Marques, com piscina olímpica, apontam para uma descentralização do concelho.
Mas há reservas. Um centro de congressos não substitui, por si só, um pavilhão pensado para espetáculos, exposições e desporto. A capacidade de 1.500 pessoas é inferior à dimensão global antes prevista, e a dispersão por Salmanha, Seiça e Tavarede pode encarecer a organização de eventos. Seiça continua sem projeto, orçamento ou calendário públicos, e a venda retira ao município uma reserva estratégica. 
A decisão pode ser boa, mas só o será se o caderno de encargos garantir execução, serviço público e transparência. Sem isso, troca-se um projeto excessivo por uma promessa fragmentada."

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