"Foi uma grande vitória de Lula e uma grande derrota de Bolsonaro. E é por esta grandeza – e a grandeza maior – que nos devemos ficar." Via Jornal Público
«Fico sempre comovido quando
vejo eleições em países muito
grandes, como a Îndia e o Brasil.
Só se veem problemas,
dificuldades e diferenças
gigantescas - nenhuma das quais
parece ter solução - e, no entanto, todos
aqueles eleitores aceitaram e conseguiram
transformar todas as opiniões que têm sobre
os males da Índia e do Brasil num único voto.
Ganhar é fácil, mas como é que as vastas multidões que perderam aceitam seguir a decisão dos adversários, só por ser numericamente superior?
É nessa aceitação - que é uma recusa do reflexo totalitário de tomar o poder pela violência, para vingar a derrota nas urnas - que estão a beleza e a eficácia da democracia.
É o tamanho destes países, e os problemas colossais que têm, que devem dar alento aos países mais pequenos: o voto é mesmo a melhor maneira de influenciar a maneira como o nosso país é governado. Vale mesmo a pena investir tudo nas escolhas eleitorais.
O voto é cada vez mais decisivo. Foram tantas pessoas a votar em Lula ou Bolsonaro - cada uma capaz de estar uma semana inteira a falar do que está mal no Brasil e do que se deveria fazer quanto antes - que o "chororô de Flávio" parece ser mais uma imitação de Trump.
Se calhar, lembra-se do mau perder e da fita de Trump quando perdeu contra Biden e acha que esse mau perder e essa fita depois contribuíram para a eleição posterior de Trump. Só não sei se isto revela mais falta de respeito pela democracia brasileira ou pela americana.
A democracia tem muitos inimigos e está sempre em perigo. Cada eleição, seja qual for o resultado, já é uma vitória. É uma vitória contra as multidões imensas - onde nem todos são poderosos - que acham que é uma aberração que o destino de um país dependa da acumulação e da contagem das opiniões de toda a gente, seja ignorante, maldosa, estúpida, comprada ou frívola.
Foi uma grande vitória de Lula e uma grande derrota de Bolsonaro.
E é por esta grandeza - e a grandeza maior - que nos devemos ficar.»
Ganhar é fácil, mas como é que as vastas multidões que perderam aceitam seguir a decisão dos adversários, só por ser numericamente superior?
É nessa aceitação - que é uma recusa do reflexo totalitário de tomar o poder pela violência, para vingar a derrota nas urnas - que estão a beleza e a eficácia da democracia.
É o tamanho destes países, e os problemas colossais que têm, que devem dar alento aos países mais pequenos: o voto é mesmo a melhor maneira de influenciar a maneira como o nosso país é governado. Vale mesmo a pena investir tudo nas escolhas eleitorais.
O voto é cada vez mais decisivo. Foram tantas pessoas a votar em Lula ou Bolsonaro - cada uma capaz de estar uma semana inteira a falar do que está mal no Brasil e do que se deveria fazer quanto antes - que o "chororô de Flávio" parece ser mais uma imitação de Trump.
Se calhar, lembra-se do mau perder e da fita de Trump quando perdeu contra Biden e acha que esse mau perder e essa fita depois contribuíram para a eleição posterior de Trump. Só não sei se isto revela mais falta de respeito pela democracia brasileira ou pela americana.
A democracia tem muitos inimigos e está sempre em perigo. Cada eleição, seja qual for o resultado, já é uma vitória. É uma vitória contra as multidões imensas - onde nem todos são poderosos - que acham que é uma aberração que o destino de um país dependa da acumulação e da contagem das opiniões de toda a gente, seja ignorante, maldosa, estúpida, comprada ou frívola.
Foi uma grande vitória de Lula e uma grande derrota de Bolsonaro.
E é por esta grandeza - e a grandeza maior - que nos devemos ficar.»

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