Via Tiago Franco.
«"Se a pessoa não poupar, pode ficar numa situação difícil porque a pensão pública não será suficiente", avisa o meu deputado favorito da IL.Diz ele que não se trata de privatizar mas sim de ter bom senso. É preciso criar incentivos à poupança.
É exactamente por isto, ou também por isto, que gosto deste rapaz. Mais do que aqueles mantras liberais, ele dá uma roupagem mais palpável e perceptível às políticas económicas.
Muito bem...há que poupar. Estou de acordo, até porque farto-me de dizer a amigos meus que não podem meter tudo em Ferraris sem pensar na velhice.
Mas agora, amigo José, como é que isso se faz? É sempre na parte do "como" que encravam as ideias liberais que, diga-se, no papel são, por norma, espectaculares.
"Vamos dar um cheque ensino e liberdade de escolha aos pais para decidirem que escola querem !"
Como é que se garante liberdade se é a escola que escolhe os alunos?
"Vamos dar um cheque saúde, o doente escolhe o hospital e o estado deixa de ser responsável !"
Como é que o estado deixa de ser responsável se passa o cheque?
"Vamos poupar porque as pensões públicas são uma merda!"
Como é que se poupa se 3 em 4 pessoas ganham menos do que 1000 euros líquidos? (Dados da segurança social)
1.35% dos contribuintes recebem entre 4000 e 5000 euros líquidos todos os meses. Ou seja, 1.35% da população tem um salário compatível com o custo da habitação em Portugal.
Como é que neste cenário de pobreza, onde mal se vê o fim do mês, alguém consegue poupar, amigo Zé?
O liberalismo tem um problema crónico que se chama "realidade". Fora isso tem tudo para dar certo.»
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