terça-feira, 21 de abril de 2026

Transparência dos políticos: o argumento bafiento

Público

Pedro Duarte juntou mais uma justificação para o regresso ao secretismo sobre os donativos a partidos: proteger os dadores de retaliações laborais por parte dos patrões
"... o argumento mais invulgar - e verdadeiramente bafiento - é o de que os donativos não podem ser públicos sob o pretexto de proteger os dadores de eventuais retaliações laborais por parte dos patrões. Esta tese, curiosamente, partiu do autarca do Porto e ex-ministro, Pedro Duarte. Recorde-se que, em Portugal, as pessoas singulares (os partidos estão proibidos de receber financiamento de empresas) só podem contribuir com montantes anuais até cerca de 13.500 euros. Mas a memória é curta: trabalhos jornalísticos revelaram no passado que membros de famílias detentoras de grandes construtoras, como a Mota-Engil, distribuíam verbas avultadas por vários partidos do arco do poder. É este tipo de relação que o escrutínio público impede que fique na sombra. Numa altura em que o Parlamento regressa a estes temas - como PS a apresentar esta semana um projecto sobre as regras de divulgação de financiamentos -, cabe aos deputados decidir: querem reforçar o equilíbrio entre privacidade e transparência ou preferem enveredar por um retrocesso em contramão com a Europa?"

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