O Chega saiu do armário. Ou como a ignorância os torna ridículos
Ontem, "nas comemorações do 25 de Abril, na Assembleia da República, os deputados do CHEGA entenderam substituir o cravo vermelho pelo cravo verde, porque a política portuguesa, não contente com assassinar ideias todos os dias, resolveu também pedir serviços ocasionais à jardinagem.
O cravo verde ficou associado a Óscar Wilde e à identidade homossexual masculina, funcionando como sinal discreto, irónico e codificado num tempo em que a homossexualidade podia destruir uma vida, uma carreira e um nome. Ou seja, no dia em que o CHEGA quis recusar o cravo vermelho, símbolo da Revolução de Abril, acabou a desfilar com uma flor historicamente ligada à dissidência sexual, ao dandismo, ao artifício e à cultura queer. Não estou a dizer que soubessem. Isso seria atribuir-lhes uma erudição que a prudência recomenda não presumir. Estou apenas a dizer que a ironia é perfeita: quiseram fazer uma provocação patriótica e acabaram a entrar, de cravo ao peito e solenidade no rosto, pela porta lateral de Óscar Wilde. Há símbolos que se vingam. Este vingou-se com uma elegância cruel."

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