domingo, 20 de janeiro de 2019

A solidão e a velhice que a Figueira trata tão mal

"A vida é vida em qualquer lugar. A vida está em nós mesmos e não no exterior". Dostoiévski.

Estar só, não é estar desamparado. A não ser que a pessoa em questão seja frágil e pense que a solidão é um sítio de onde não se volta.
Eu sempre achei normal e encontrei sentido no isolamento, no silênco e no resguardo do recato.
Foi aí que encontrei espaço e tempo para  a leitura interna: de mim próprio, do meu dia a dia, e dos consequentes erros e acertos. Isso, foi-me permitindo saber quem sou, sem me preocupar para onde vou, pois sempre soube para onde não queria ir.

Cheguei a esta idade sem mágoas. Mas, com decepções.
Não nego que, por vezes, me iludo. Chego a pensar que guardei informação, cultura, afectos e conhecimento.
Nada disso é verdade. Sem dar por ela, fui acumulando solidão e fantasia.
Todos os que chegarem a velhos, vão  acabar por viver a irrelevância, a obsolescência e a solidão. 


A Figueira está a tornar-se uma sociedade de velhos que trata muito mal os velhos.
A ideia e a propaganda de uma requalificação contínua é uma grande e cruel mentira. Os velhos são um embaraço. Um peso que se atura, que se arruma num canto, que se mete num “lar”

A Figueira está a criar um inferno despido de árvores.
As obras recentes em Buarcos mostram o desprezo que os políticos figueirenses nutrem pelos cidadãos.
Cito o João Vaz: "Quem tem dificuldade em aceder a pé à Padaria, Correios, Farmácia, Banco, Centro de Saúde, continua na mesma. É inadmissível que a Lei das Acessibilidades (DL163/2006) seja ignorada pela Câmara Municipal.
Por mais que se apregoem ideais de inclusão, a verdade é que a cidade fala por si: persistem os espaços que estão ao alcance só de uns e onde não se verifica o cumprimento de regras básicas que garantam a inclusão de todos, levando os indivíduos com mobilidade condicionada a sentirem-se, de forma mais ou menos directa, excluídos
."


Enquanto se puder, embora sabendo que não é possível mudar nada, resta ir  vivendo o dia a dia composto de acção, razão e emoção.

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