domingo, 31 de maio de 2009

A minha rebeldia

No meu tempo de escola primária, aí pelos idos primeiros anos da década de sessenta do século passado, além de aprender a ler, a escrever e a contar, fazia também parte das obrigações escolares dum puto dessa altura, a execução de algumas tarefas na escola.
Na Gala de 1962, não havia rede de distribuição de água ao domicílio.
Na escola primária, para resolver o problema, existia uma bomba com uma roda enorme para encher um depósito, donde, depois, era distribuída a água pelas instalações escolares.
Ora bem, para encher o referido depósito, dado que a bomba era manual, era necessária mão de obra de borla.
Numa época, em que o trabalho infantil era uma realidade completamente desconhecida, esses “"voluntários" braços de trabalho, necessários à tarefa, eram “escolhidos" entre os alunos, normalmente, entre os que eram apanhados a fazer algo que, no entender de quem exercia a autoridade na escola - as professoras, merecia ser alvo de castigo.
Entre as coisas “horrorosas" que os putos do meu tempo faziam, além da ida à fruta, contava, e de que maneira, correr ou jogar à bola no recreio e, depois, ir suado para a sala de aula.
Escusado será dizer, que eu fui um dos que tiveram de encher o referido e malfadado depósito vezes sem conta...
Nasceu aí, nesses primeiros anos da década de sessenta do século passado, num Portugal cheio de limites, preconceitos, tabus e fronteiras, a rebeldia que, desde os meus 7 anos, me tem acompanhado pela vida fora…

1 comentário:

  1. Belo texto, Agostinho!
    Era uma filosofia simpática... " o trabalho do menino é pouco mas quem o desperdiça é louco..."
    E, em 73, 74, 75, 76 77, ..., em escolinhas dessas, PC, como professora, tinha que varrer e lavar quadro se queria escola limpinha...
    Estranho...
    Bom domingo.

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