"Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha." - Confúcio

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

O poder local e os blogues

Foto: PEDRO CRUZ
Com a “Revolução dos Cravos”, o poder local passou a ser encarado de outra maneira.
As populações desejaram que, nas autarquias, o poder político se aproximasse dos cidadãos.
Muitos de nós, nos primeiros anos após o 25 de Abril de 1974, chegámos a acreditar que passaria por aí o incremento de uma cultura política de cidadania activa, capaz de neutralizar a cultura de submissão e de autoritarismo.
Para se ter transformado este desejo em realidade, teria sido condição inadiável, que o novo país democrático tivesse descentralizado e regionalizado o poder político e administrativo. O que não aconteceu.

Simplificando, poderemos equacionar duas razões, a nosso ver, principais:

- a primeira: durante muito tempo, não foram dadas aos autarcas as condições que lhes permitissem corresponder às expectativas neles depositadas. O poder central, não só não se descentralizou nem regionalizou, como foi avaro e inconsistente na transferência de recursos financeiros e outros para os municípios. Confrontados com um centralismo arrogante e com uma malha burocrática opaca e labiríntica, os autarcas recorreram às vias informais, aos contactos pessoais, às cumplicidades partidárias para acederem à administração central e, com isso, personalizaram e centralizaram o próprio poder local. Ao centralismo da administração central acabou por corresponder o centralismo da administração local, o chamado "caciquismo local". Daí, o paradoxo do poder local no nosso país: presidentes autoritários coexistem com um poder local fraco.
- a segunda (tem a ver com primeira): a estratégia usada pelos autarcas para se aproximarem do poder central afastou-os dos cidadãos. As assembleias municipais foram remetidas a um papel subalterno e as freguesias marginalizadas. E, acima de tudo, foi abandonado o propósito de transformar o poder local na incubadora da democracia participativa, através do envolvimento activo e organizado dos cidadãos e suas associações na governação local. Perdida a articulação da democracia participativa com a democracia representativa, o poder local afastou-se dos cidadãos.

Deste modo, em vez de neutralizar a distância dos cidadãos em relação ao poder central, acabou por reproduzi-la.
Agora, é o que sabemos. Oportunistas de todos os matizes proliferam em muitas autarquias.
O que esperar então do poder local?
À luz deste diagnóstico, o futuro do poder local continua a passar pela democracia participativa. A força e a legitimidade que ela conferiria ao poder local, seriam as armas mais eficazes para mobilizar a seu favor o poder central.
Mas será que isso, no país real que temos, irá alguma vez acontecer?
Encontrar os caminhos adequados para a concretização do sonho, é o grande desafio.
O que não é fácil, como sabemos. É que, se a nível nacional, a imprensa é dominada por cinco ou seis grupos, a nível local, em quase todos os cantos deste nosso Portugal, como sabemos, é controlada por um: a autarquia local.
É, aqui, que, de forma decisiva, pode entrar esta nova realidade : os blogues.
Por diversos factores, a maioria dos cidadãos, sejam de esquerda ou de direita, têm a liberdade de opinião, de pensamento e de acção, condicionada.
Que o mesmo é dizer: a democracia e o exercício da cidadania também estão condicionadas.O "poder dos blogues" reside aí: na consciencialização dos cidadãos, que querem opinar e participar nas decisões da sua terra, do seu país e deste nosso mundo...
É, essa, a sua força.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Até chegar ao colchão ...



O caminho é pró chão... Mas, até chegarmos ao chão.... Aliás, ao colchão! ... Chegamos à conclusão.... Que podemos dar um trambolhão! ...

Mais uma notícia preocupante

Foto: PEDRO CRUZ

Segundo o jornal

“As Beiras”

http://www.asbeiras.pt/

Hospital da Figueira da Foz

Urgência “despromovida”



A ARS tem, até final de Outubro, de dizer o que é preciso fazer para transformar a actual urgência médico-cirúrgica, na Figueira, em Serviço de Urgência Básico.

Um despacho do ministro da Saúde, publicado terça-feira, em Diário da República, veio reforçar a pior expectativa de muitos profissionais do Hospital Distrital da Figueira da Foz (HDFF). Tudo porque a actualização da rede de serviços de urgência “empurra” a Figueira para o último escalão, ou seja, o SUB – Serviço de Urgência Básico. Mais: encarrega a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro de propor superiormente, até 31 de Outubro, as medidas de transição necessárias. Há muito faladas, as novas regras dos serviços de urgência não apanharam desprevenidos os agentes da Saúde. Ainda assim, o teor do supracitado despacho (n.º 18459/2006, de 12 de Setembro) vem colocar alguns problemas políticos, na Figueira, dada a “despromoção” imposta à urgência. A prová-lo está o reiterado silêncio da administração do HDFF, não obstante a insistência do DIÁRIO AS BEIRAS.A verdade, porém, é que o despacho é claro e o HDFF não se enquadra nas unidades que vão integrar os dois níveis superiores: SUP – Serviço de Urgência Polivalente, mais diferenciado e localizado em hospital central; SUMC – Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica, a localizar, no mínimo, a mais de uma hora de outro serviço similar, ou de nível superior.

SUB sem cirurgia. Neste contexto, “sobra”, para o HDFF, o nível SUB, que o despacho especifica como “primeiro nível de acolhimento a situações de urgência, constituindo o nível de cariz médico (não cirúrgico, à excepção de pequena cirurgia no SU)”. Quanto à área de influência, deve abranger uma população superior a 40.000 habitantes, “em que, pelo menos para uma parte, a acessibilidade em condições normais seja superior a 60 minutos, em relação ao SUMC, ou SUP, mais próximo”.No que respeita aos recursos humanos de um SUB, o despacho refere, como mínimos, dois médicos e dois enfermeiros, em presença física, um auxiliar de acção médica e um administrativo, por cada equipa. Já no que toca a equipamentos, são requeridos material para assegurar a via aérea, oximetria de pulso, monitor com desfibrilhador automático e marca passo externo, electrocardiógrafo, equipamento para imobilização e transporte de traumatizado, condições e material para pequ8ena cirurgia, radiologia simples (esqueleto, tórax e abdómen) e patologia química/química seca.Registe-se que, se tal se tornar necessário, devem os espaços físicos ser adaptados, de acordo com os requisitos-tipo, a definir pelas direcções-gerais da Saúde e de Instalações e Equipamentos de Saúde, até 30 de Setembro.

ARS NÃO CONFIRMA.Contactada pelo DIÁRIO AS BEIRAS, fonte da ARS do Centro afirma ser “prematuro” estar, nesta fase, a “definir qual o tipo de serviço de urgência, vocacionado” para o HDFF. Com base no despacho, a citada fonte explicita que a ARS está a analisar a situação, com a “devida ponderação”, para aferir as devidas condições em que devem ser prestados os cuidados de saúde à população da Figueira da Foz. Por seu turno, uma outra fonte, da unidade de saúde figueirense, adiantou ao DIÁRIO AS BEIRAS que as condições do HDFF – a actual urgência, por exemplo, apenas não dispõe de três especialidades – e da própria cidade e região exigem uma resposta diferente, podendo vir a criar-se uma excepção.

EMERGÊNCIA EM REDE COM TRÊS NÍVEIS. O despacho n.º 18459/2006 surge na sequência de dois diplomas legais (do último Governo de Guterres), de 14 de Novembro de 2001 e de 7 de Fevereiro de 2002, que criaram a Rede de Referenciação Hospitalar de Urgências/Emergência e as UBU – Unidades Básicas de Urgência, respectivamente. Quatro anos volvidos, o Governo constata o desenvolvimento “muito incipiente” das UBU, por um lado, e o “desajustamento entre a rede aprovada e a rede efectivamente existente, no terreno”, por outro. Daí a presente actualização. Assim, a Rede de Serviços de Urgência passa a integrar três níveis (SUP, SUMC e SUB), cada um dos quais devidamente caracterizado com valências, recursos humanos, equipamentos e espaços físicos requeridos. Por outro lado, alarga-se a todos os níveis e unidades as regras do sistema de triagem de Manchester.

Listas de espera por pagar e a “marcar passo” Os problemas no HDFF não se resumem à iminente “despromoção” do serviço de urgência. É que a administração apenas pagou três meses do antigo programa de combate às listas de espera cirúrgicas (actual SIGIC – Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia). O programa acabou por ser suspenso, em finais de Julho, e os médicos recusam-se, agora, a retomá-lo, sem que fiquem clarificados as condições dos pagamentos. Recorde-se que, no HDFF, o antigo PECLEC foi implementado ainda pela anterior administração, presidida por Fausto Carvalho, que se comprometeu a pagar a 90 dias. Mas, no ano em curso, só em Maio foram processadas as primeiras tranches, correspondentes aos meses de Janeiro e Fevereiro. Depois, em Junho foi pago Março. E por aí se quedou. Neste contexto, não estranhou que, a 24 de Julho, já com Vítor Serôdio à frente do conselho de administração, um documento interno viesse dar conta da suspensão do programa. Já em Setembro, entretanto, a administração do HDFF veio propor o reatar do trabalho, mas sugerindo que a liquidação de todo o montante em dívida fosse adiada para Janeiro de 2007. Esta proposta não foi bem acolhida, no seio dos serviços com profissionais empenhados no SIGIC. No caso de ortopedia, por exemplo, foi tomada uma posição de força, exigindo que os pagamentos em atraso fossem repostos, de imediato, sob pena de não voltarem a operar.”

Primeiro dia de aulas


Na Escola Primária da Cova-Gala, as aulas a sério começaram hoje, a partir das 8 da manhã. Ontem, tinha sido a apresentação.

Por todo o País, mais de um milhão e meio de alunos, do pré-escolar ao secundário, regressam à escola até ao final da semana.
Este ano lectivo fica marcado por algumas mudanças. O prolongamento do horário das escolas primárias é uma das novidades. A medida generalizada oferece às crianças duas horas diárias de actividades extracurriculares.
Mas este ano lectivo fica também assinalado pelo encerramento de centenas de escolas primárias. Poucos alunos, níveis elevados de insucesso ou más condições, foram as razões apontadas pela tutela e pelos municípios, para o encerramento das portas de cerca de 20% das escolas primárias do País.
Todas as escolas primárias vão estar obrigatoriamente abertas até às 17.30, para que os alunos beneficiem de estudo acompanhado e outras actividades extracurriculares. A obrigatoriedade de as escolas primárias alargarem o seu horário de funcionamento até às 17.30 - a maioria fechava às 15.00 - visa permitir que os alunos frequentem actividades extracurriculares, "como o estudo acompanhado, o inglês ou o desporto escolar".

(Um trabalho de PEDRO CRUZ)

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

... E o outono quase a chegar! ...

Fotos: PEDRO CRUZ
















... E o outono quase a chegar! …
Tudo acaba por surgir ...
Tudo acaba por mudar ...

Cova-Gala Terra e Mar.
Em terra, a chuva começa a cair ...

A maré, em vez de descer, está a subir! ...
Quem se irá afogar? ...

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Direito a ter opinião



..................................Foto: PEDRO CRUZ

O prestigiado democrata e notável figueirense, Dr. Luís Melo Biscaia, publicou recentemente no seu Blog, http://lugarparatodos.blogspot.com/, um interessante texto que, com a devida vénia, dado o seu interesse, passamos a transcrever:

"As críticas

Alguns não aceitam as críticas à sua acção seja ela qual for ainda que, em consciência saibam que são justas.E, para esses, ai dos que se atrevem a censurá-los.Logo os move um propósito de vingança, de perseguição mesmo, de invenções para colocar mal os que contra eles se manifestaram.Falta-lhes a humildade para aceitar as suas incorrecções, as suas condutas impróprias.Essa humildade, se existisse, devia, sim, levá-los a corrigir erros e, no futuro, a agir com seriedade e dentro das regras do melhor comportamento, seja cívico, político, profissional, pessoal e até familiar.Hoje, vai sendo mais normal, infelizmente, esquecer os bons princípios morais, humanos.É mais fácil, para alguns, deixar andar não tendo preocupações de correcção e de honestidade.E quando alguém, por palavras ou por escrito lhes chama a atenção para certas suas atitudes inaceitáveis, esses ficam no índex e bem podem esperar pela “ révanche” !Seja como for mesmo antevendo-se consequências desagradáveis nunca ninguém deve temer usar da crítica quando justa.É que, às vezes, a crítica faz reflectir e poderá até levar a uma emenda!Se assim fosse em todos os casos, como seria bom..."

Esta reflexão do Dr. Melo Biscaia faz pensar.
A bloguesfera veio colocar questões novas, na formação da chamada opinião pública.
Um novo fenómeno surgiu e baralhou a paz podre que existia.
Na Figueira, e em quase todos os concelhos do nosso País, apareceram blogues com liberdade de opinião, a assumirem-se como locais de discussão pública sobre os mais variados temas de interesse para a comunidade.
Os casos de sucesso, com as expectativas iniciais, até dos seus criadores, a serem largamente ultrapassadas, preocupam os poderes.
Blogues a assumirem-se como amplos espaços de debate, crítica ou simplesmente de opinião, sobre questões relacionadas com a comunidade local e a contribuírem para a reflexão de temas directamente ligados ao dia a dia das pessoas, são já muitos em Portugal.As pessoas, quando percebem que o Blog está apenas ao serviço da comunidade e, quando tal é possível, insere textos bens escritos, atentos e críticos e fotografias atractivas, aderem com facilidade.
A proliferação dos blogues vai continuar.
Por uma simples razão: os blogues são, claramente, veículos opinativos e informativos por excelência.
O mundo está mesmo a mudar.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Pesca lúdica tem nova regulamentação que já gera alguns protestos


A Freguesia de São Pedro
é muito procurada pelos pescadores de pesca lúdica.
Por exemplo, o Portinho da Gala, o Bico de São Jacinto, o Cabedelo, os molhes das praias, são locais onde todos os dias dezenas e dezenas de pescadores, vindos de vários cantos do País, ocupam os tempos livres de maneira saudável.
Em 29 de Agosto passado, foi publicada em Diário da Republica, a portaria que regulamenta as actividades de pesca lúdica.
Com esta regulamentação, pretende-se criar as melhores condições para a prática da pesca com carácter lúdico, protegendo esta actividade, assegurando a sustentabilidade dos recursos marinhos e impedindo o desenvolvimento de uma actividade de pesca profissional, sem regras, a coberto da pesca lúdica.
Deste modo, foram definidos condicionalismos ao exercício deste tipo de pesca em águas interiores marítimas, águas interiores não marítimas sob jurisdição da autoridade marítima, e águas oceânicas da subárea da zona económica exclusiva do continente.

Cada pescador pode capturar até 10 quilogramas de pescado por dia, para a generalidade das espécies, e dois quilos para os crustáceos.
Para as embarcações, a quantidade de peixe permitida é de 25 quilogramas por cada barco.
As licenças podem ser mensais, anuais ou trianuais, para tipos de pesca como a apeada (a partir de terra), a bordo de embarcação e para pesca submarina, sendo a excepção a apanha de bivalves que não necessita desta autorização.
Quanto às restrições à actividade dos pescadores por divertimento, a lista inclui um conjunto de zonas proibidas como as barras (acessos e embocaduras), canais de acesso, de aproximação ou canais estreitos em portos, a menos de 100 metros das docas, portos de abrigo ou estabelecimentos de aquicultura.
A pesca lúdica também não é permitida nos portos de pesca e marinas de recreio, nas praias concessionadas em época balnear, a menos de 300 metros da costa e a menos de 100 metros da zona de qualquer esgoto, acrescenta o diploma.
Os praticantes de pesca lúdica têm ainda de respeitar as restrições biológicas e a dimensão mínima das espécies, além de guardar entre si ou face a pescadores profissionais uma distância mínima de 10 minutos.
Entre as espécies cuja captura está proibida contam-se a lampreia, salmão, sável, esturjão, cavalo-marinho ou tartarugas marinhas.

Esta portaria já está, no entanto, a originar alguns protestos.
É o caso do vereador da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Lídio Lopes, que em declarações ao “Diário de Coimbra”, admite claramente que «havia necessidade de disciplinar, porque estava quase a tornar-se profissional». Contudo, salvaguarda, que «haveria mecanismos que se poderiam accionar para distinguir a verdadeira pesca lúdica da outra». Mas, afirma ainda ao mesmo jornal, com esta legislação «cega, que proíbe tudo e mais alguma coisa sem informar ninguém, passou-se do 8 para o 88», salientou o autarca, defendendo que a nova portaria «tem de ser revista, corrigindo o que é corrigível», até porque, acentua, «está também em causa uma imagem de marca da Figueira». O autarca refere-se objectivamente à parte da portaria que proíbe a pesca lúdica nas barras, respectivos acessos e embocaduras, canais de acesso, de aproximação e canais estreitos em portos, a menos de cem metros das docas, portos de abrigo, embarcadouros. «Vai prejudicar quem vem para cá de férias, uma actividade de lazer e particularmente os jovens, que, passando o tempo a pescar e em convívio com a natureza, empurra-os para a rua, quando poderiam ter uma actividade saudável», refere o autarca, que considera que a medida terá implicações em centenas de pessoas.Lídio Lopes sente-se ainda mais desagradado porque a pesca desportiva lúdica «era um dos objectivos para abordar em 2007, de forma séria». Como «primeiro mecanismo» de reacção a esta portaria, o vereador salienta que «o Gabinete de Atendimento ao Munícipe tem disponível toda a informação, dado que se trata de uma lei secreta, que vai obrigar a fiscalização a andar com uma balança para pesar o peixe e com uma régua para o medir».

domingo, 10 de setembro de 2006

O verão a chegar ao fim

Fotos: PEDRO CRUZ

Hoje, dia 10 de Setembro, até foi um domingo de sol.
Não já aquele sol mesmo de verão, mas o sol – nas palavras de um velho lobo do mar - “de uma hora e tal de diferença”.
Que o mesmo é dizer, dos dias já mais curtos.
Apesar do tempo estar ainda agradável para o contacto com a natureza, nas praias da Freguesia de São Pedro, as enchentes de Junho, Julho e Agosto, pertencem já ao passado recente.

Os dias verdadeiramente escaldantes já se despediram.
Estes, começam a ser aqueles que tomamos ainda por dias de verão. São os dias solarengos.
Sem dar por isso, ficamos admirados com o passar do tempo: o outono aproxima-se vertiginosamente.
Mas também não vai demorar-se muito. Chega e, rapidamente, dará o lugar ao inverno.
Porém, ao contrário das estações do ano, que todos os anos se renovam, as estações das nossas vidas são bem mais resistentes.

Bom, mas falemos do tempo. Já se nota, sobretudo à noite, o arrefecimento, a lembrar o outono, como que a dizer-nos que o verão tem apenas mais cerca de duas semanas de existência.
São os últimos dias de praia, portanto.
O outono aproxima-se – essa, é a altura em que o mar tem outro cantar e se sente mais o marulhar das ondas.

Setembro avança. E, com o decorrer dos dias e o aproximar de outubro, espreita uma melancolia normal nesta época do ano.É mais um final de verão a deixar saudade.
É o retorno ao cinzentismo do quotidiano.
Até aos os próximos dias de calor de 2007.
Todos os anos é assim.A areia, o sol, o azul do mar e do céu, começam a ficar apenas na nossa memória.

sábado, 9 de setembro de 2006

Salgado figueirense: o futuro continua uma “incógnita”

Fotos: PEDRO CRUZ



As marinhas de sal fazem parte da história, da cultura e da paisagem da Figueira da Foz. Desde os primórdios da nacionalidade, até um passado recente, a exploração do sal no Estuário do Mondego constituiu uma das principais actividades económicas do nosso concelho.
Na nossa Freguesia, a produção de sal também chegou a ser importante.
Nos dias de hoje, porém, a exploração das salinas está em declínio: poucas restam em funcionamento.
Embora não haja falta de sal, existem graves problemas de escoamento. Há muitas toneladas do produto armazenadas nos barracões.Há mesmo quem acredite, que a concorrência estrangeira acabe por, mais cedo ou mais tarde, liquidar o salgado da Figueira. Uma indústria, recorde-se, que ainda não há muitos anos atrás, deu trabalho a mais de 2000 pessoas e onde se chegou a obter bom dinheiro.
No presente, porém, o panorama é desolador: trabalham no sector poucas dezenas de pessoas. Entristecidos com a "morte lenta" da secular actividade, os poucos marnotos que ainda resistem, criticam a ausência de apoios do Estado.

Em Fevereiro passado, a Figueira da Foz recebeu o "I Encontro Nacional de Produtores de Sal Marinho Artesanal".
O acontecimento, tido como "histórico" pela organização, juntou produtores de sal marinho artesanal dos diferentes salgados portugueses.
A iniciativa, integrada numa "estratégia concertada dos vários produtores do espaço Atlântico, envolvidos no Projecto INTERREG SAL, como a França, a Espanha e Portugal”, serviu para discutir os problemas do sector.
A constituição de um grupo de trabalho que, espera-se, dê origem à Federação Portuguesa de Produtores de Sal Marinho Artesanal, foi a medida mais mediática que saiu deste primeiro encontro, que reuniu cerca de 70 produtores de sal de todo o País.
A legislação adequada e a certificação do sal marinho produzido por meios artesanais, foram alguns dos temas mais debatidos por diversos especialistas. Deste encontro saiu nomeado um grupo de trabalho constituído por três elementos: da Fozsal, José Canas, da Tradisal (Algarve) Jorge Moura, e um representante do Salgado de Aveiro. A coordenação ficou entregue a Renato Neves, o coordenador nacional do projecto Interreg Sal.
Na oportunidade, Teresa Machado, vereadora da Câmara Municipal da Figueira da Foz, mostrou-se optimista com a evolução do salgado na Figueira da Foz, “garantindo que o processo de certificação está a decorrer e deverá estar concluído ainda este ano.“
Por outro lado, dado que o declínio da actividade levou a um progressivo abandono ou transformação das salinas, a Câmara Municipal da Figueira da Foz adquiriu em 2000 uma salina, denominada Corredor da Cobra, onde foi instalado um núcleo museológico relativo à produção do sal.

Por este ano, a safra está quase no fim. Para o ano logo se vê.
Entretanto, o futuro do salgado figueirense continua uma "incógnita".

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Um “farrapo” de pedra e cimento

Foto: PEDRO CRUZ

É capaz de ser uma inutilidade.
No local, sente-se o silêncio das recordações da juventude, quando o trânsito passava longe...
Para quem tem memória, ainda cheira a silêncio...
Mas, agora, entrecortado pelo barulho dos carros a passar, ali mesmo ao lado, na variante...
Outrora, fez parte duma triangulação.
Isto é, foi um dos vértices de uma superfície terrestre numa rede de triângulos, cujos vértices são pontos (objectos) bem visíveis e fixos, tais como, torres de igrejas, capelas ou doutros edifícios, pirâmides ou marcos geodésicos, chaminés, etc., situados em lugares mais ou menos elevados, de modo que, de cada um, se aviste, pelo menos, dois dos outros.
Servem para medir uma linha geodésica, ou para se efectuar o levantamento da carta de um país ou de uma região.
Já foi útil. Agora, é capaz de ser uma inutilidade.
Ou melhor, um “farrapo” de pedra e cimento na paisagem que mudou.
Que o mesmo é dizer, um “pedaço” de qualquer coisa que já foi.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Pastor João Severino Neto



O ano passado, em boa hora, a Junta de Freguesia de São Pedro decidiu homenagear algumas figuras locais, com a atribuição do seu nome a Ruas da nossa Terra.
Uma dessas figuras foi o Pastor João Neto.
Lamentavelmente, a placa do lado sul está vandalizada. Aqui fica o alerta.
Já agora, porque principalmente os mais jovens da nossa Terra, talvez desconheçam a obra do Pastor João Neto, aqui ficam, de forma simples e sintética, alguns aspectos breves da sua vida e da sua obra.

Em 1960, João Severino Neto foi nomeado pela Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, Pastor da Igreja Evangélica da Figueira da Foz.
Isso implicava ter de prestar assistência pastoral a pequenas comunidades presbiterianas existentes em aldeias circunvizinhas, como a Cova e Gala, duas aldeias situadas a três quilómetros a sul da Figueira, ali logo ao remate da Ponte dos Arcos.
Nessa altura, e estamos a falar dos anos 60 do século passado, Cova e Gala eram duas terras de pescadores completamente abandonadas pelos poderes.

Ao iniciar o seu trabalho nestas localidades o Pastor João Neto tomou conhecimento dos inúmeros problemas sociais e económicos que atormentavam a vida da população. E tomou consciência de outra coisa: se a Igreja Presbiteriana queria cumprir a missão tinha de actuar corajosamente. E foi o que fez.
Foi assim que nasceu o Centro Social da Cova e Gala, que tem como fins principais e primários desenvolver acções do âmbito da segurança social, nomeadamente nas áreas comunidade, família e população activa, Infância e Juventude, Terceira Idade, Invalidez e reabilitação. Como fins secundários desenvolve acções no âmbito da educação, da saúde, da agricultura e do trabalho.
O projecto do Centro Social da Cova e Gala poderá ser definido como um "Projecto de desenvolvimento que se desenvolve". Com isto, quer-se dizer que nenhum dos programas ou actividades, é um fim em si mesmo. Estão abertos à mudança e a novas experiências.
Não querendo substituir-se à população, o trabalho da Instituição continua a ter os objectivos de sempre: colaborar, animar, cooperar no desenvolvimento da freguesia de S. Pedro e do concelho da Figueira da Foz.
Neste momento, a Actividade do Centro Social da Cova e Gala abarca as seguintes valências:

Creche / Jardim de Infância
Animação Sócio-Cultural
Actividades de Tempos Livres
Serviço de Apoio Domiciliário
Serviço Social
Campos Internacionais de Trabalho
Sector Agrícola.

Pastor João Neto, o Homem. Centro Social da Cova e Gala, a Obra.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Ponte dos Arcos, grata recordação

Foto: PEDRO CRUZ

Ponte dos Arcos, grata recordação.
Vai ficar na nossa memória
e no nosso coração,
pois pertence à nossa pequena “estória”.

Nunca passaram petroleiros,

nunca passaram cruzadores.
Passaram nuvens, pequenos veleiros,
e, muitos, muitos, pescadores.

Em tempos idos e sombrios,
passaram alguns navios.
Entretanto, a falta de debate,

levou ao xeque-mate.

Os homens querem assim.
Vai ser implodida.
Fica aqui uma referência sentida
a dois anos do fim.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Grito aflito! ...

Maldito blog, que diz tudo...
... e tudo tão bem dito!...
Maldito blog, que me deixa sisudo,
... eu bem protesto, urro e grito!...
Raios ta partam, blog maldito! ...
... maldito blog, tens de ser proscrito!...

Maldito blog, vai para o infinito!...
... maldito, ... maldito, ... maldito,
... maldito, ... maldito, ... maldito! ...


... MAAAALDITO! ...


O blog admirado:

“... Credo! ...
Que grito tão aflito! ...”



A antiga doca da Gala

Hoje, é um espaço de lazer.
A construção da variante, aliada à falta de energia na sua defesa e conservação, ditaram o fim de um dos “ex-libris” da nossa Terra.É certo que nos anos setenta, do século passado, já estava bastante assoreada.Em tempos já distantes, porém, tinha sido um abrigo seguro e profundo, para amarração das grandes lanchas da pesca da sardinha e outras embarcações de menor porte.Ao fundo, está bem visível “a velha casa azul, que se presume ter sido a primeira casa construída com argamassa em toda a zona que actualmente compreende a freguesia de São Pedro”(citação do Livro “Terras do Mar Salgado” do Cap, João Pereira Mano).

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

O cheiro continua! ...




FOTOS: PEDRO CRUZ

Quem passa nas imediações da ETAR de S. Pedro bem o continua a sentir: há alturas em que o cheiro é insuportável.
Todavia, nem todos dão por ele! ...
Há quem considere “que a ETAR, que é uma das melhores do concelho e não só, está a funcionar bem e não deita cheiros”.
“Se houver um problemazito, é por causa dos sacos das lamas! ...”
Foi assim que falou o Presidente da Junta de Freguesia de São Pedro, na noite do passado dia 1, sexta-feira, no decorrer da Assembleia de Freguesia.

Mas o que é o ambiente?
É tudo o que nos rodeia,
É o Sol , é uma ideia
É a chuva, é o frio,
É o vento a soprar,
São os perfumes no ar
Perto da Ponte dos Arcos
Em São Pedro, é o cheiro da ETAR.

domingo, 3 de setembro de 2006

Carta para um (imaginário) apolítico


O que dizer?
Em primeiro lugar, que estranho que uma pessoa como o imaginário amigo, que começou por afirmar-se apolítico e apartidário, se revele tão activo.

Sigo as suas intervenções e verifico que, afinal, se apoia claramente numa determinada base política para orientar os seus escritos. Espero não ter feito nenhum comentário às suas preferências politicas! ...

Apesar de a política poder ser pomo de discórdia, concordo que se possa auto-intitular apartidário, porque isso pode ser verdade! ...
Mas apolítico, permita que lho diga, não - e coitado de quem o for! ...
Já Marx dizia, que ser apolítico já é uma posição política, e eu concordo. Mas Marx dizia isso com uma intenção crítica ...

O desenrolar da história, entretanto, mostrou que a diferença entre os dois lados – esquerda e direita - não é assim tão grande.
Esquerda e direita, são duas formas de se posicionar dentro do sistema capitalista, mas é dentro do sistema que ambas se posicionam.

Porque o OUTRA MARGEM é o mais apartidário possível, neste blogue, os covagalenses, e não só, podem também discutir política, políticas e politicos. Porque a nossa razão de existir é a defesa dos interesses da Freguesia de S. Pedro. Somos regionalistas. Nesse sentido, estamos aqui para defender o nosso torrão natal. Ninguém melhor do que nós, os habitantes de S. Pedro, para defender a nossa Freguesia.

Porém, sabemos que os interesses da nossa Terra, têm de ser articulados com o todo concelhio, distrital e nacional.
Isto é, a solução para os problemas que nos afectam, passa também pela solução de problemas mais abrangentes.Com a nossa entrada em cena na bloguesfera, conseguimos que sectores da população, até aqui amorfos e acomodados, com opiniões, por vezes divergentes, viessem a público dizer da sua justiça.Mostrámos que as pessoas sabem ouvir e também sabem falar e participar nos problemas da sua Terra.E as pessoas - porque as pessoas é que são importantes - no geral, souberam distinguir o essencial do acessório.

À revelia dos mandantes. Em total Liberdade. E, isso, não agrada a alguns. Paciência! ...

sábado, 2 de setembro de 2006

Manhã de sábado


Manhã de Setembro,
É sábado, sopra uma aragem fresca..
Pouca gente na praia.
Já lá vão as enchentes de Agosto.
O sol disfarça o dia ventoso, já a ficar mais pequeno.
Todavia, a parede onde me encosto, para me proteger do vento desagradável, está ainda quente - e é agradável.
O Verão ...vai fugindo!...
Com a realidade a voltar, começamos a ver que pouca coisa correu conforme o esperado.
Os tempos mais próximos mostram-se pouco mais animadores....

Mas vamos permanecendo por aqui.
Pela Cova-Gala.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Erosão em São Pedro

Foto: PEDRO CRUZ

O litoral português encontra-se sujeito a violenta erosão
Em algumas zonas o recuo da linha de costa chega a atingir cinco metros por ano.
À vulnerabilidade da nossa costa tem correspondido uma acelerada concentração populacional de todos os tipos: urbanísticos, industriais e turísticos.
Em consequência das alterações climáticas, a subida do nível das águas do mar põe hoje em risco 67% da costa portuguesa.

Em S. Pedro também a erosão da orla marítima constitui um problema - e grave.
As autoridades locais e concelhias estão preocupadas. O presidente da junta, em declarações que a comunicação social tornou públicas recentemente, afirmou que a Norte do último esporão «a erosão da duna primária é muito acentuada, já danificou escadas e as passadeiras que ali foram colocadas». E disse mais: “a maioria das cabeças dos esporões estão partidas e não sabemos o que irão originar no futuro».Deveria – ainda segundo o mesmo autarca - «haver preocupação na manutenção desses esporões, porque são importantes para a defesa da costa e segurança das freguesias. A nossa costa é tão importante ou mais que as auto- estradas», disse, apelando às entidades governamentais «para que haja essa preocupação», até porque «entre a praia do Hospital e a do Cabedelo, as coisas começam a complicar-se».
Preocupante é, igualmente, o estado das dunas a sul da Praia da Cova.Mais incisivo ainda foi o vereador do ambiente da Câmara da Figueira, que lembrou que esta preocupação já tem vários anos. E, a propósito, recordou que já em 1999 apresentou uma moção na Assembleia Municipal, «em que focava a urgente necessidade em defender a costa marítima, em situação grave» (Costa de Lavos, S. Pedro, Leirosa e Murtinheira). José Elísio garante que já por diversas vezes foi dado conhecimento ao Governo. «Vieram cá analisar», todavia, este problema «precisa de tratamento preventivo e não curativo, porque coloca em risco bens e pessoas».Entretanto, qualquer dia chegam os dias de temporal e uma coisa é certa: o litoral da Freguesia de São Pedro anda a ser engolido pela erosão.