domingo, 1 de fevereiro de 2026

Imigrantes dão quatro mil milhões à Segurança Social, cinco vezes mais do que recebem

 Via Jornal de Notícias

As contribuições dos imigrantes para a Segurança Social ultrapassaram, pela primeira vez, a barreira dos quatro mil milhões de euros, em 2025. O valor representa cinco vezes mais do que recebem em prestações sociais, num total superior a três mil milhões de saldo positivo. Um terço dos impostos é de brasileiros, seguindo-se a população indiana e a angolana, quando vários setores dependem cada vez mais dos estrangeiros para funcionar.

Para Eugénio Fonseca, ex-presidente da Cáritas, os números comprovam que os imigrantes não são um encargo para o país. Já Jorge Bravo, economista, fala com mais cautela, alertando que a conta do que estes cidadãos vão receber no futuro em prestações sociais não está feita.

A catástrofe revelou o Presidente Seguro

Via Público

Toda a gente sabe que é na cama do hospital que se conhecem os amigos, mas também é nas tragédias que se revelam as lideranças políticas. 

A catástrofe que atingiu a zona centro do país mostrou, para quem tivesse dúvidas, como será Seguro depois de tomar posse como Presidente da República. 

Com o Governo em anomia perante o estado de sítio que se encontra o distrito de Leiria e adjacentes, António José Seguro mostrou a sua capacidade de estar ao lado das populações, falar com autarcas, empresários e fazê-lo com discrição. 

E mostrou também um candidato capaz até de dar "murros na mesa" em relação ao Governo e à União Europeia que recusa, segundo o Eco, a extensão dos prazos do Plano de Recuperação e Resiliência para atender às necessidades da população em estado de fragilidade. Para Seguro, é "lamentável" e "a visão burocrática" a "imperar sobre a necessidade e a urgência de apoiar humanitariamente as pessoas".

Seguro mandou apagar a música dos comícios, reduzir a festa e avançou com propostas concretas para ajudar as populações, que interpelam o Governo e fazem nestes dias um contraste evidente com um Executivo abúlico e "em aprendizagem". Deixou críticas ao Governo na gestão da crise, que este sábado subiram de tom: "A solidariedade dos portugueses não pode substituir a solidariedade do Estado". 

Não é na campanha dos jantares que se fica a saber como irá actuar um futuro Presidente da República. Esta "campanha" que ninguém desejou revela muito mais o que será um futuro PR que qualquer discurso vibrante com apoiantes eufóricos. Os portugueses sabem o que esperar de Seguro no meio do caos. Talvez até os seus críticos dentro da elite do PS estejam a reavaliar posições."

Obrigado, Bangladesh

Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 30/01/2026

À saída de uma vila alentejana dou com um dos muitos cartazes que o Chega e o seu chefe, André Ventura, espalharam por Portugal inteiro: “O Alentejo não é o Bangladesh.” Pois não, não é: o Bangladesh não precisa de importar alentejanos para conseguir sustentar a sua agricultura, para fazer as sementeiras e as colheitas, para apanhar a azeitona e a amêndoa. Tivesse o Bangladesh uma barragem como a do Alqueva — “Construam-me, porra!” (a tal que ia dar trabalho a todos os alentejanos e tornar prósperos os seus agricultores) — e hoje não haveria ninguém a trabalhar no regadio do Alqueva nem a tornar próspera a sua agricultura. Mas, felizmente para os alentejanos, os “violadores, assaltantes e bandidos” com que, segundo Ventura, o “socialismo” e os “partidos de esquerda” encheram o país nos últimos anos, vindos de África, do Bangladesh ou do Brasil, não se importam de fazer o trabalho duro nos campos que a maioria dos alentejanos já não quer fazer. E, mesmo dormindo em barracões ou contentores, ou em casas onde cabem 30 no lugar de três e pagando aos senhorios alentejanos por 30 e não por três, essa gente estranha que o socialismo importou continua a trabalhar, recebendo o ordenado mínimo e vivendo em condições de indignidade. Ou mesmo fazendo trabalho forçado e semiescravo nos campos alentejanos, vigiados e ameaçados por guardas da GNR, em regime de supranumerário e ao serviço de “empresários” agrícolas apoiados por dinheiros europeus e que, tal como André Ventura, vão à missa todos os domingos e são contra o acordo com o Mercosul, porque, dizem, os do Mercosul podem vender mais barato porque não têm as preocupações sociais deles. Obrigado, Bangladesh!

Numa praça de uma aldeia algarvia entro num café cujo interior está submergido por uma intensa vozea­ria, digna de um souk árabe. Mas não — sossega, Ventura —, não são árabes, são algarvias, e esta é a sua ocupação diária: tagarelar e jogar à raspadinha. O dia inteiro, porque não há nada de necessário para fazer que os imigrantes não façam: eles trabalham e os algarvios votam no Chega — ao que parece porque temem que eles venham substituí-los e com isso fazer submergir esta nossa exaltante civilização judaico-cristã. Na mesa em frente da minha estão três mulheres em desabrida gritaria, às quais se vem juntar também uma empregada da casa. E ali estaciona à conversa, até que alguém lhe grita do balcão: “Ó Mena, anda trabalhar que há clientes à espera!” Aí, a provável votante do Chega vira-se, furibunda: “Eles que esperem, não vês que estou na conversa? Era o que faltava!” Por um momento imagino a mesma cena protagonizada por um empregado ou empregada que fizesse parte do rol dos assaltantes, violadores ou bandidos de que fala Ventura — devia ser bonito! Porque o Algarve — que vive quase exclusivamente da prestação de serviços aos turistas — dá-se ao luxo de votar no partido que quer expulsar os que prestam esses serviços e sem os quais todo o Algarve colapsaria em dois tempos. Porque os africanos, brasileiros, asiáticos, essa ralé de assaltantes e violadores, além de servirem nos hotéis, nos restaurantes e nos campos de golfe, também estão na construção civil, ajudando a construir os hotéis, vivendas e aldea­mentos onde os turistas dormem, servidos pelos imigrantes. Obrigado, Bangladesh!»