Via Público
Toda a gente sabe que é
na cama do hospital que se
conhecem os amigos, mas
também é nas tragédias que se
revelam as lideranças políticas.
A catástrofe que atingiu a zona
centro do país mostrou, para
quem tivesse dúvidas, como será
Seguro depois de tomar posse
como Presidente da República.
Com o Governo em anomia
perante o estado de sítio que se
encontra o distrito de Leiria e
adjacentes, António José Seguro
mostrou a sua capacidade de estar
ao lado das populações, falar com
autarcas, empresários e fazê-lo
com discrição.
E mostrou também um
candidato capaz até de dar
"murros na mesa" em relação ao
Governo e à União Europeia que
recusa, segundo o Eco, a extensão
dos prazos do Plano de
Recuperação e Resiliência para
atender às necessidades da
população em estado de
fragilidade. Para Seguro, é
"lamentável" e "a visão
burocrática" a "imperar sobre a
necessidade e a urgência de apoiar
humanitariamente as pessoas".
Seguro mandou apagar
a música dos comícios, reduzir a
festa e avançou com propostas
concretas para ajudar as
populações, que interpelam o
Governo e fazem nestes dias um contraste evidente com um
Executivo abúlico e "em
aprendizagem". Deixou críticas ao
Governo na gestão da crise, que
este sábado subiram de tom:
"A solidariedade dos portugueses
não pode substituir a
solidariedade do Estado".
Não é na campanha dos jantares
que se fica a saber como irá actuar
um futuro Presidente da
República. Esta "campanha"
que ninguém desejou revela muito
mais o que será um futuro PR
que qualquer discurso vibrante
com apoiantes eufóricos.
Os portugueses sabem o que
esperar de Seguro no meio do
caos. Talvez até os seus críticos
dentro da elite do PS estejam a
reavaliar posições."