quinta-feira, 21 de março de 2019

No reino incorrecto do politicamente correto...

Imagem via DIÁRIO AS BEIRAS
Na passada terça-feira estive na Dez de Agosto para assistir ao vivo à entrevista do vereador Nuno (Cid) Gonçalves. Foi o que esperava: uma demonstração do que é ser politicamente correto: “o meu objectivo é ser um grande contributo para os desígnios colectivos do PS”, foi uma das frases que proferiu.
Para quem, como eu, considera que é incorrecto ser politicamente correto, foi uma demonstração correta do que é esse mundo do politicamente correto e da dificuldade de lá se sobreviver, tendo que se tomar cuidado com cada pormenor, seja ele uma palavra, uma sílaba ou uma vírgula.
Nuno Gonçalves, sempre no registo do politicamente correto,  não se escusou de falar sobre a maçonaria.  “(Pertenço à maçonaria) com honra”, afirmou. “A maçonaria visa a intervenção na sociedade numa lógica de grandes princípios. Essa intervenção é feita pelos maçons em plena convivência e acção com todas as forças do seu local, através da intervenção cívica, dentro de uma lógica de bons costumes”, acrescentou.
Um politicamente incorrecto, como eu, para ser correto, acrescentaria: a futura lista à Câmara do PS, para além da lógica partidária será feita sob a influência e manobra da maçonaria, das duas obediências - GOL e GLLP/GLRP, mais concretamente das Lojas Fernandes Thomas e Brasília.
Mas nem tudo é um mar de rosas. Tal como nos partidos, também nas lojas, existem lutas de poder.
A ascensão meteórica de Nuno Gonçalves, na política figueirense e nas lojas, foi motivo de mal estar e conflitualidade. Nuno Gonçalves, até vir para a Figueira Domus, tinha ligações políticas no concelho de Montemor. Fernando Cardoso, Paz Cardoso, Vítor Jorge, Cândido Alves, Joaquim Jerónimo e tantos outros socialistas figueirenses ligados à maçonaria, sentiram-se preteridos e ultrapassados. 

A distribuição do milho, será o segredo do negócio que há-de acontecer lá para o ano de 2021 ...
A democracia, também na Figueira, tem os seus subterrâneos onde se decide quase tudo.
O que pensar deste poder subterrâneo? Em democracia qual é a sua legitimidade? Quem verdadeiramente manda nas instituições representativas do povo? Qual é a finalidade desta exposição? Qual o propósito de ser promovida pela edilidade? Que interesses lhe estão subjacentes?
Até 2021 ainda passará muita água sob a ponte. Na passada terça-feira, mais do que as presenças na Dez de Agosto, valorizei as ausências...
Em 2017, nas listas do PS, foi assim: nos cinco primeiros lugares da lista à Câmara, três são da maçonaria: João Ataide, Carlos Monteiro e Nuno (Cid) Gonçalves. Nos primeiros oito lugares da lista à Assembleia Municipal, metade são da organização secreta: João Portugal, José Fernando, Luís Ribeiro, Adelino Pinto.
Mas houve mais elementos da maçonaria espalhados nas listas do PS e,  também, do PSD.
É esta a qualidade da nossa democracia. Os poderes secretos decidem.
No fundo é isto...

2 comentários:

CeterisParibus disse...

Os teus escritos nas Beiras, deveriam ser mais assim, a modos que informativos. Tás a ver?

António Agostinho disse...

... não há milagres. 1 400 caracteres dão para muito pouco...