sábado, 8 de outubro de 2016

Joaquim de Sousa, um ex-edil figueirense ao raio x

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Há 35 anos, estávamos em 1981. Na Figueira, na altura uma cidade em transformação, Joaquim de Sousa era o presidente da Câmara.
Recorde-se. 
Estava em curso o processo de instalação de uma nova fábrica de celulose: a Soporcel. Na margem sul, as obras do porto, na zona do Cochim, avançavam em bom ritmo. A marginal ribeirinha, com terrenos que tinham sido ganhos ao rio, estava a ser transfigurada. 
Nas zonas rurais ainda havia muitas carências. Apesar da electricidade já chegar praticamente a todo o concelho, existiam problemas de potência e iluminação pública. Na rede de abastecimento de água havia muitas obras em andamento, nomeadamente, em Quiaios, Lares, Vais, Marinha das Ondas, Carvalhal e Alhadas. Por essa altura, há apenas 35 anos, sublinhe-se, o sul do Paião ainda não era abastecido por água canalizada.
Mas havia mais coisas em andamento no concelho. Por exemplo, estava em curso o processo de pôr o Paço de Tavarede sob domínio do Património Municipal para ser recuperado e utilizado para fins sociais e culturais.
O Ciclo Preparatório e Escola Secundária do Paião estava prestes a ser uma realidade. Ainda não existia aberta ao público a Ponte Edgar Cardoso, mas já faltava pouco. Viria a ser inaugurada, pouco tempo depois, a 12 de Março de 1982.

Em pinceladas rápidas era assim a Figueira e o concelho há 35 anos. Joaquim de Sousa, então um político profissional, passados 6 anos depois do 25 de Abril de 1974, depois de 5 anos como deputado e membro do governo, sentia "uma profunda desilusão e um desencanto enorme". Segundo o que ele, na altura, confidenciou numa entrevista que deu, em Maio de 1981, ao Director do Barca Nova, o falecido jornalista José Martins, "conhecer o poder por dentro não é agradável". "Sabes?", desabafou a determinado ponto da conversa com o Zé Martins, "não tenho feitio para prostituta, nem mesmo por obrigação. O poder não é tão poder como as pessoas pensam".
O que Joaquim de Sousa, naquela altura, estava a gostar era de ser presidente de câmara: "agora sim, apesar das muitas vicissitudes por aqui e por além, sinto que o cargo que ocupo na Câmara me está a proporcionar dos momentos mais felizes da minha vida".

Durou foi pouco como presidente de câmara: fez apenas um mandato, que decorreu de 1979 a 1982...
O que valeu ao doutor Joaquim de Sousa, é que gostava de ser professor, que era a sua profissão...

6 comentários:

Anónimo disse...

Quando falas em Ciclo Preparatório (...) referes-te unicamente, à actual Escola EB23 do Paião, certo?
Pessoalmente, penso que o grande mérito dos executivos camarários, não todos com o mesmo ênfase, foi o de proporcionar os serviços básicos de acesso a água potável, electricidade e saneamento básico a todo o concelho. Levou tempo a mais, é certo. As eventuais atenuantes poder-se-ão prender com a extensão do concelho e as vias de comunicação.
De resto, podemos "pegar" por vários pontos diferentes.
Porque este senhor não se candidata de novo?

Antonio Agostinho disse...

Quando falei em Ciclo Preparatório e Escola Secundária do Paião, estava a falar como se falava em 1981.
Quanto à pergunta com que terminas o teu comentário - Porque este senhor não se candidata de novo? - só o senhor pode responder...
Eu limitei-me a recordar a Figueira e o concelho em 1981, em pinceladas breves e rápidas.
Como presumo que deves ser um profundo conhecedor da Figueira e do seu concelho, nos últimos 40 anos, podes utilizar este espaço de comentário para "pegar" por onde quiseres...

Anónimo disse...

Saneamento básico em todo o concelho da Figueira? não devem conhecer localidades como, por exemplo, Feteira de Baixo, Feteira de Cima, etc......

V.Borges

Lérias disse...

Permite-me citar aqui o comentário de V.Borges:
"...Saneamento básico em todo o concelho da Figueira? não devem conhecer localidades como, por exemplo, Feteira de Baixo, Feteira de Cima, etc......"
Por favor vamos acrescentar nessa lista Bizorreiro (do Paião) também conhecido por Castela, onde existe uma situação totalmente incompreensível, porque, ali a 300 metros existi uma ETAR que recebe os esgotos não só da freguesia de Lavos como da do Paião. Paião que tinha uma ETAR construida de raiz e foi desativada sendo os esgotos reencaminhados para a essa da Rua da Fontita, Bizorreiro freguesia de Lavos).
Um dia perguntei a um responsável pelo construção da rede qual foi o motivo da falta de projeto de saneamento em Castela e a resposta foi: "que pertencia a outra freguesia".
Não me convenceu porque a empreitada que construiu a rede de saneamento na antiga EN109 desde os Armazéns de Lavos até ao final do Outeiro (ali perto do atual acesso ao auto-estrada) foi a mesma com o mesmo projeto, sendo que o Outeiro e a Chã/Serrinhas foram contemplados mesmo pertencendo ao Paião.

A Arte de Furtar disse...

Joaquim Sousa é uma personalidade!
Atravessa o século como político, autarca, provedor e professor.
É uma personagem determinada nos seus objectivos.
É uma personagem com feitio muito vincado.
É uma personagem com muitas estórias e excelente conversador.
Joaquim Sousa é Joaquim Sousa!
Único!

Anónimo disse...

Peco desculpa porque tinha a ideia que efectivamente a rede de saneamento básico era já uma realidade em 2016, de norte a sul e do interior ao litoral em todas as freguesias do concelho.