terça-feira, 6 de outubro de 2015

"Que país de merda!" *

Na Figueira, há mais de 100 anos que os engenheiros se dedicam a fazer estudos para a construção de uma barra...
Vou recuar até ao já longínquo ano de 1996. 
Manuel Luís Pata,  no extinto  Correio da Figueira, a propósito da obra, entretanto  concretizada, do prolongamento do molhe norte da barra da nossa cidade para sul, publicava isto.

 “Prolongar em que sentido? Decerto que a ideia seria prolonga-lo em direcção ao sul, para fazer de quebra-mar.
Se fora da barra fosse fundo, que o mar não enrolasse, tudo estaria correcto, mas como o mar rebenta muito fora, nem pensar nisso!..
E porquê?... Porque, com  os molhes tal como estão (como estavam em 1996...), os barcos para entrarem na barra  vêm com o mar pela popa, ao passo que, com o prolongamento do molhe em direcção ao sul, teriam forçosamente que se atravessar ao mar, o que seria um risco muito grande...
Pergunto-me! Quantos vivem do mar, sem o conhecer?”

E fico por aqui... O momento assim o aconselha.
Se há coisa com que lido mal é com acidentes no mar. Sou filho, neto e bisneto de pescadores, e estas tragédias tocam-me profundamente, até porque tenho antepassados que tiveram o mar como sepultura eterna.

* Título roubado ao João Traveira, que pouco tempo depois do acidente escreveu isto que, passadas horas, continua a arrepiar-me.
"Não consigo por palavras dizer tudo o que sinto depois de mais um barco ir ao fundo, do salva vidas não ter ido lá buscar as balsas porque está avariado, ver o chapas sozinho sem luz a ir socorrer as pessoas no mar de noite. Os nossos políticos e decisores não fazem ideia de nada e a ignorância nestes cargos é crime. Que pais de merda!"

6 comentários:

A Arte de Furtar disse...

"Que pais de merda!"

Linda e lutadora FIGUEIRA, merecias melhor!

Aqui fica uma linha (e só isso) solidária!

A Arte de Furtar disse...

"Que pais de merda!"

Linda e lutadora FIGUEIRA, merecias melhor!

Aqui fica uma linha (e só isso) solidária!

Anónimo disse...

Caro Agostinho, compreendo a dor que sentes mas, até como forma de amenizar dores e penas futuras, penso que tens que continuar a escrever sobre este naufrágio e as suas consequências, a mais importante porque funesta será, julgo, as prováveis 5 vidas perdidas. Continuar a escrever para abordar a questão do prolongamento da barra mas, de igual modo, o que se fala à boca pequena sendo, todavia, da maior importância: a abertura da barra foi feita ou não "a pedido" com aquelas condições de mar? O Salva-Vidas está ou não avariado (sendo essa a razão porque não prestou socorro)? Os meios de socorro marítimo "de substituição", rebocador e lancha da polícia marítima saíram ou não às 20h45, ou seja, cerca de 1h20 depois do acidente? O naufrágio ocorreu a que distância do estacionamento destes meios de socorro? 1.000 metros? Menos? Independentemente do que mais escreveres comungo, meu caro, da tua opinião: deixar (provavelmente ...) morrer deste modo 5 pessoas só mesmo num "país de merda"!

Anónimo disse...

Independentemente da dor que todos sentem, há algo que temos de por na cabeça de uma vez por todas: não se deve andar ao mar sem colete!
Podiam estar agora todos salvos, ainda que só houvesse uma mota de água a fazer o salvamento. Já ouvi todo o tipo de desculpas: que não dá jeito, que tolhe os movimentos, mas a verdade é que nenhum desses argumentos é realista. Temos de mudar mentalidades. O colete insuflável não é para usar só qaundo se ve a PM ao longe: deve ser encarado com uma peça de roupa essencial, sem a qual o pescador não deve sair.
Paz e respeito às famílias enlutadas.

peter alves disse...

É triste a realidade ser tão real e as soluções também.
Peter


peter alves disse...

É triste a realidade ser tão real como as soluções.