domingo, 28 de setembro de 2008

A toponímia da minha Terra

3 comentários:

Jovem Associação SemprAndar disse...

Caros Amigos”blogueiros”. A Toponímia é de facto um tema interessantíssimo que me seduziu o suficiente para decidir penetrar neste espaço. Mas permitam-me que faça um reparo. Cada menção de placa toponímica, deveria, sempre que possível, ser acompanhada de uma breve descrição sobre a sua identificação ou razão de ser.
A Toponímia é uma fonte de conhecimento. Um livro geralmente fechado, mas com um conteúdo histórico e cultural muitas vezes indispensável para o desbravar das nossas origens, da nossa história e da nossa cultura. Desafio-vos a abrir o livro, para que, página a página, todos possamos desfrutar do seu enorme conhecimento.
Aproveito para deixar o que julgo saber a propósito de algumas toponímias já apresentadas.
1 - Av. 12 de Julho:
Na noite de 11 para 12 de Julho de 1985, mais precisamente às três horas da madrugada, a Assembleia da República aprova a criação da Freguesia de S. Pedro, no concelho da Figueira da Foz. Na realidade, a sessão legislativa estava agendada para o dia 11, mas por ser a última, em resultado de um processo em curso sobre a dissolução deste órgão de soberania, os trabalhos agendados teriam de estar concluídos antes do término da respectiva legislatura. Mas porque em boa verdade, foi a 12 de Julho de 1985, pelas 3 horas da madrugada, que foi tomada a grande decisão, ficou esta data a ser consagrada como um dos mais importantes marcos históricos da nossa freguesia – a aprovação oficial da criação da freguesia de S. Pedro.
2 – Av. 5 de Janeiro:
Os primeiros órgãos autárquicos a serem eleitos na freguesia de S. Pedro, em resultado das eleições de Dezembro de 1985, tomaram posse no dia 5 de Janeiro de 1986. Eis a razão por que esta data mereceu também a importante consagração.
3 – Av. Remígio Falcão Barreto – O primeiro “Plano de Urbanização”
Para evocar este nome, temos de nos reportar à época da fundação dos povoados de Cova e Gala. Tendo por base a verdade histórica sobre os nossos ancestrais ascendentes, o povoado da Cova começou a crescer de forma caótica, sem qualquer controlo urbanístico. As construções surgiam semeadas por aqui e por ali, à vontade de cada um, apenas obedecendo ao regime de boa vizinhança e às condições que o próprio areal lhes permitia. Com a fixação de algumas famílias na margem sul do Mondego, conforme rezam as crónicas, onde aí começariam também a construir as suas habitações, foi-se estabelecendo um corredor entre os dois aglomerados, o lugar de Cova e o recém-criado lugar que iria ser designado por Gala. O regime que então vigorava, onde cada um, segundo o seu livre arbítrio, construía a sua habitação onde melhor lhe conviria, foi entretanto adulterado em função de uma voz autoritária que viria a interferir, e de que maneira, naquele que terá sido o primeiro Plano de Urbanização da Cova e Gala. Um homem, de seu nome Remígio Falcão Barreto, provindo das regiões da Esgueira (distrito de Aveiro), como todos, ou quase todos os nossos antepassados, surgiu com um estatuto de senhor poderoso. Armador de pesca, talvez um dos mais avultados proprietários pesqueiros do local, quiçá possuidor de uma personalidade e vontade própria que o distinguia dos seus demais concidadãos, Remígio decidiu aplicar as “suas” leis. Aqui, neste traçado que separa a Cova e a Gala, ninguém constrói. Esse trajecto por si definido, seria o local de passagem dos seus carros (puxados a bois) utilizados para o transporte dos seus apetrechos de pesca, o que viria a repetir-se ao longo de muitos e bons anos.
Com toda a naturalidade, ladeando aquele traçado interdito à construção, os povoados foram crescendo, aproximando-se entre si, atraídos pela natureza das suas raízes e em obediência ao tal “Plano de Urbanização” imposto pela lei de Remígio: “Aqui Ninguém Constrói...”. Os efeitos desta “lei” são hoje bem patentes, já que a espinha dorsal de S. Pedro e ao mesmo tempo o cordão umbilical que viria a unir para sempre estes nossos dois povoados, corresponde exactamente ao traçado geodésico da avenida Remígio Falcão Barreto. Um traço de união entre dois pólos que se fundiram num só, cujo ponto de encontro, provavelmente, jamais será possível assinalar.
Por tudo isto, penso que Remígio Falcão Barreto, embora possa ser posta em causa a nobreza (ou falta dela) do seu procedimento, bem poderia ser consagrado como o patriarca da geminação covagalense.
Com os meus cumprimentos.
Carlos Lima.

António Agostinho disse...

Cá está a demonstração de que para construir todos não seremos de mais.
Embora a ideia de fotografar as placas toponímicas e a responsabilidade do trabalho seja do Pedro, não quero deixar de agradecer ao Carlos Lima a preciosa e útil contribuição dada. Como leitor deste espaço de cultura e transmissão de conhecimentos, que também sou, desejaria que o Carlos Lima prosseguisse este trabalho, que reputo de importantíssimo. è que, tanto para mim, como para o Pedro, o tempo não estica...
Um abraço Carlos e a porta está escancarada...

José Vidal disse...

O nome da Avenida Remígio Falcão Barreto surgiu depois de, em reunião da Comissão de Melhoramentos de Cova e Gala de 16/5/1968 "Acta Nº5" terem sido ventilados os nomes de Remígio Falcão Barreto e o de Luís Gonçalves Santiago. Mas foi na runião seguinte "Acta Nº6" em 31/5/1968 que a Comissão deliberou ser o nome de Remígio Falcão Barreto a ser proposto à Câmara para aprovação, "por ter sido este senhor que em vida sempre se interessou por este arruamento e trabalhou nele com sacrifício e coragem para o bem da terra que nos une. Foi apurado, que ainda no tempo da monarquia, foi ele quem sempre se interessara pela manutenção da avenida, apesar de ser o senhor Luís Gonçalves Santiago quem abonava alguns dinheiros para as despesas".
Nesta mesma reunião foram aprovados também os nomes dos seguintes arruamentos:Rua Luís Gonçalves Santiago; Rua Adolfo Santiago; Rua Bairro dos Pescadores; Rua Prof. Marques Cadima; Rua do Pinhal; Rua de S. Pedro; Largo da Alminhas; Rua dos Salgueirinhos; Travessa do Rio Nº1; Travessa do Rio Nº2; Travessa do Rio Nº3; Largo da Beira-Mar (aprovado como Largo dos Valentes por proposta do professor Mário Viana na renião anterior mas depois alterado por receio de poder originar conflitos de opinião). A história era a de que nesse largo o Augusto Seco reuniu um grande número de pescadores em comíssio, o que acabou com algumas detenções. O nome do Largo proveio do facto de ser o Largo mais próximo da praia, então existente. Na Acta Nº7 de 15/6/1968 foi acrescentado mais um nome "Rua Prof. Bissaya Barreto" pelo facto de ter tomado o encargo das obras do que é hoje o Hospital Dstrital da Figueira da Foz. Mas foi na Acta Nº8 de 31/7/1968 que a Comissão, já com a lista totalmente composta, decidiu enviar à Câmara Municipal a respectiva lista, a qual foi depois aprovada superiormente.
José Vidal