segunda-feira, 25 de junho de 2007

A antiga borda do rio

É bom ter boa memória.
A nostalgia não é boa se não for acompanhada de lucidez. Sem lucidez a nostalgia é perigosa. A lucidez é que permite que a memória esteja no sítio que deve ocupar.
A memória nostálgica é perigosa, é mesmo muito perigosa, porque significa imobilismo, significa amargura, significa sempre dor. Enquanto que a lucidez permite-nos assumir a memória voltando a dar-lhe vida como período do nosso passado que é útil e bom recordar.
Vamos então olhar para este quadro com lucidez.

Esta imagem já desapareceu há anos. Apenas sobrevive na memória de alguns.
A variante levou este postal magnifico da nossa Terra.
O artista, em boa hora, pintou este quadro...
A partir de uma fotografia sua; e, também, certamente, servindo-se da sua memória lúcida.
Do lado direito, lá estão as ruínas de uma antiga fábrica de “escasso” e a seguir o esteiro. Depois, o barracão, atrás do qual, a malta jogava à lerpa. Em primeiro plano uma bateira e ao fundo o rio.
Era tão bonita a antiga borda do rio.
Obrigado Carlos Lima pela lúcida recordação que nos proporcionaste.

8 comentários:

ZÉ CARIOCA disse...

Bela recordação.
Parabéns Lima pelo quadro realizado.

ze dos percebos disse...

Esta Terra afinal até tem pessoas com veia artistica.
Só que não há divulgação...
Não competiria aos poderes publicos promover a divulgação dos artistas locais?

Anónimo disse...

Belo quadro com base numa foto ou descrição de tomada de vista a partir da Tasca que ali havia.

Quais artistas?
Não competiria aos poderes publicos promover a divulgação dos artistas locais?
Aqui há muitos artistas mas é de outras coisas.
Pintores há poucos.

ze dos percebos disse...

Aos poderes publicos compete é promover as comezainas...

Adosindo Basófias disse...

Zé, eu essa Percebo !
Sabendo-se que a arte por vezes tanto convive com a fome como com a fartura, porque será que se proíbe uma tomada de vistas da Tasca? Se fosse de resturante de luxo seria mais viável? O anónimozinho deve ser daqueles que pensa que um rico com os copos é um tipo divertido e um pobre com uns copos é um bebâdo? Pois então olhe atire-se ao rio, porque um parvo no rio parece um peixe miope!
ou então pegue num pincel e faça-se à vida seja na tasca seja onde for.

Anónimo disse...

Quem não for de cá ainda perde 5 segundos a olhar para o quadro, agora para os de cá é logo caso para pensar porque se poria o pintor logo ali à porta. Busca de inspiração não era porque a tasca já lá não estava quando ele pintou isso.
E o pintor que não se ofenda porque o Berardo compra coisas ainda piores. (não me refiro ao benfica)

José disse...

Com base ou não no quadro da tasca,o certo é que a obra está feita e é dar os parabéns ao artista,quem critica por vezes com intenção de desvalorizar,são aqueles que nada mais sabem fazer,só com o intuito de desanimar aqueles que fazem algo que nos venham recordar os nossos tempos de meninos e as brincadeiras na borda do rio.Parabéns ao ARTISTA.

Anónimo disse...

Independentemente da qualidade técnica da obra, que diga-se não é nada má,a nós, antigos e actuais habitantes da Cova e da Gala, é-nos particularmente agradável poder reviver a cena pintada por Carlos Lima.
A saudade é tudo o que nos resta, quando nos é recordado, o que de bom já esquecemos da vida.